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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Pra Quem Gosta de Bondage


Essa não é uma canja qualquer.
Pra qualquer amante do fetiche de bondage alguns fatores contam. Uma boa imobilização, uma posição correta e popular e, principalmente, o desempenho da modelo que mostra o trabalho.
Então, é só clicar com o botão direito do mouse e salvar no seu HD.
A Miranda e seus olhos azuis são nota 10!
Mais uma da coleção de estrelas do Bound Brazil.



quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Vez Delas


Essa semana falei sobre os clássicos fetichistas, sobre os filmes de longa metragem e também a respeito de um novo trabalho que daqui a um mês entra em fase de produção.
Então, nada melhor que tentar expor e, quem sabe, colher alguns pitacos sobre o que vai rolar na tela daqui a algum tempo.
Por uma questão de critério costumo dividir tarefas quando um trabalho desse nível está em pauta. Já dividi idéias com gente de peso. Leonardo Vinhas, Lilian Ferreira e agora chegou a vez da Lady Vulgata. E não poderia estar em melhores mãos.
E como cada caso é um caso, a moça tem um projeto de mexer com a pulga fetichista que faz morada na orelha de cada habitante desse gueto. Porque num primeiro esboço a Lady fala na ambigüidade dos perigos e pela primeira vez me sugere filmar um sujeito em apuros além das moças as quais nos acostumamos a ver em total convergência com o fetiche de bondage.
Evidente que na cabeça poderosa dessa dama de ferro muitas idéias borbulham e começaram a tomar forma pra mim, devido a alguns depoimentos de praticantes que não abrem mão da troca de poder quando o assunto é jogar bondage. Além, é claro, da trama brilhante que tecemos quando imaginamos o que será o enredo.
Há uma lógica nisso tudo. Não pensem que de repente a história ficaria estática demais e totalmente previsível como algumas cenas do chamado “men in bondage”. Nada disso brother. O roteiro tem luz própria, recheio de suspense e dramaticidade capaz de fazer sucumbir corações com sabor baunilha. Acreditem: a moça teceu a teia.
Portanto, chegou à vez delas. Tanto por trás das câmeras como na tela haverá a exibição do fetiche, da captura, do perigo, de maneira como muitos amam praticar, como uma via de duas mãos, ou de dois sentidos.
Ainda não é o momento de pincelar o roteiro por aqui. Seria óbvio demais dissertar sobre uma história que não tem a minha autoria, apesar da direção, montagem e participação. Na hora certa a trama virá à baila e todos poderão saber como as idéias se acomodam num todo.
Nessa fase, quando a história está no papel e detalhes técnicos começam a ser discutidos, o interessante é tentar encenar o novo. Saber o que pensa o povo e construir um painel onde se possa agregar opiniões convergentes e divergentes sobre algo tão discutido em redes sociais dedicadas ao fetiche.
Há que se levar em conta que se trata de um filme de ficção, que embora retrate fetiches tem uma enorme parcela de surrealismo. Não se pode pensar em produzir suspense pensando em absoluto consenso e regras rígidas de conduta em sessões fetichistas. Quem pensa assim não entende a diferença entre o real e o abstrato. Porque se existe a possibilidade de filmar uma cena de estupro não consentido através de uma simples encenação, ela seria ilógica dentro de princípios do BDSM. Mas não estamos falando de um documentário com depoimentos e exibição, a história tem que ter sentido nesse caso.
E a Lady Vulgata tem isso pronto e juntos estamos construindo uma história com o sério intuito de fazer alguma coisa que ultrapasse a mesmice e o lugar comum.
Não há um cansaço explicito sobre o que representa a questão da “damsel in distress”. O que se quer é escapar do previsível e ser mais arejado enquanto filme.

Claro que a idéia é saber o que as moças pensam sobre isso. Não só as dominadoras, mas todas elas, sem exceção, nem desconto. Da mesma forma que a opinião de bondagistas que apostam na troca de posições quando partem pra realizar seus fetiches.
E talvez trazer para o segmento um público menos obtuso quanto ao fetiche em si, mas que seja simpatizante a esse tipo de fantasia que se pode reproduzir em casa ou numa cama qualquer.
Pode ser que esse filme me sirva de resposta a inúmeros emails que recebo das moças com a velha pergunta:

Por que só as mulheres são amarradas em seus filmes?

Um bom final de semana a todos, muita paz e Feliz Páscoa!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Números


Definitivamente a matemática não é um fetiche sexual. No entanto, esta ciência pode auxiliar a todos que se interessam por estatísticas e detalhes quando a idéia é encontrar pessoas ligadas às mesmas atividades fetichistas que lhes são atrativas.
Sejamos conscientes: números são como biquínis. Eles mostram quase tudo, mas jamais revelam aquilo que se quer ver. Porém, ninguém sobrevive sem eles. Tudo num mundo globalizado se baseia em pesquisa, seja ela de opinião, consumo ou apenas dados.
Dito isso, começo a tentar responder a questão de um amigo sobre o bondagismo.
Brother; repito aqui o que te disse: bondagista de essência é artigo raro. Porque muita gente gosta do fetiche, acham os nós assimétricos um grande barato e costumam mandar elogios em imobilizações bem organizadas. Entretanto, bondage não é só isso. O resumo é maior e contém certa amplitude.
O fato de realizar boas e firmes imobilizações não define o bondagista, Lá fora, onde o fetiche é mais popular, quem se dedica a essa técnica é chamado de “rigger”, que traduzido ao português seria como um construtor de nós, um armador. Na realidade, um amante de jogos de bondage não precisa ser um especialista em técnicas para praticar o fetiche, mas há de ser puro, gostar do fetiche sem complementos que o liguem a outros.
Pois com tantas investidas do fetiche na sociedade ultimamente, os bondagistas de ofício são poucos. Considerando que as mulheres hoje em dia lidam melhor com suas fantasias, muitas vezes os praticantes de bondage aceitam a inclusão de outras atividades em seu instinto.
Basta um passeio pelos blogs e por redes sociais onde alguns bondagistas postam suas fantasias através de fotos.
Há algum mal nisso? Nenhum, pelo contrário, estamos apenas lidando com números.
É certo admitir que as atividades fetichistas ligadas ao BDSM complicam uma divisão exata. Quando tratamos de impulsos e desejos muito da teoria se perde pelo caminho, porque o tesão é pessoal e intransferível, da mesma forma que se adapta a circunstancias. Ora, se a situação não for de total desagrado de quem se dedica a viver a fantasia pode ser que a mistura se torne homogênea e acabe trazendo prazer para ambos, tornando o quadro perfeito.
Por outro lado, se houver a necessidade de criar um painel e nele for colocada a pretensão exata onde cada qual expõe seu fetiche na essência, necessariamente haveria uma divisão.
O fetiche não cuida de egos, ele define preferências. Porque sempre haverá algum grupo que aposte na mescla de emoção para se tornar plenamente atendido sexualmente.
Por isso, eu me refiro à essência nas primeiras linhas. Quando há uma mescla que não mude a tendência fetichista esse quadro é inalterado. O fetiche passa sem surpreender a quem dele comunga. Tal fato explica a existência de detalhes que o próprio fetiche de bondage congrega.
Portanto parceiro, se como você mesmo sugere os visíveis e os anônimos pudessem colocar com clareza suas aventuras prediletas, haveria pontos convergentes e divergentes, não só em se tratando do fetiche de bondage, porque a regra se aplicaria a todos de uma forma generalizada. Todavia estaria preservada a essência e não haveria a inclusão de outras atividades paralelas como existe em alguns casos.
Me atrevo a concluir que dentre os fetiches mais populares bondage seria o primo pobre.

Por muitas vezes li conceitos tortuosos tecendo bondagistas como baunilhas apimentados de pessoas vividas dentro do BDSM. Talvez a minoria se explique dessa forma.
Pois ainda que existam bondagistas com atração por pés, eles estariam longe de serem podólatras, pois não os adorariam, mas os usariam em suas cenas, da mesma forma que não se entende um dominador bondagista, pelo fato de o ato de dominar uma pessoa que se entrega por livre e espontânea vontade não necessitar de cordas que a segurem e limitem.


Vou levar pedrada com esse conceito, mas como não nasci pra viver em cima do muro com um binóculo na mão, aceito o debate e me rendo a qualquer conceito contrário, desde que haja respeito e fundamento.

terça-feira, 27 de março de 2012

A Verdade


Produzir um filminho de bondage não é tão fácil quanto possa parecer.
A galera imagina um deleite (não deixa de ser, é claro), entretanto, quando vem o final nem sempre acontece aquele êxtase suposto pela grande maioria. Em pensar que apenas as meninas passam maus bocados quando a luz se apaga e se declara o vídeo encerrado, seria injusto com quem trabalha para o prazer alheio.
É fotógrafa rastejando pelo chão em busca de um ângulo perfeito, cinegrafista esbarrando aqui e ali pra passar a imagem da moça em apuros, enfim, e quem dirige vive o momento mais complicado na hora de libertar a modelo aprisionada. Dá pra dizer até que se sofre o diabo com isso...
Porém, tudo isso que os bastidores registram fica esquecido e restrito a quem estava no set de gravação. Mas desta vez, a Lucia resolveu registrar um pedaço de agonia mútua após uma filmagem em que foi empregado o uso de fita adesiva para atar a modelo.
E olha que estou falando de uma pessoa experiente, sedutora e malabarista: a Terps.
Dona de um fã clube de fazer inveja tanto aqui como lá fora, essa menina maravilhosa além de passar horrores pra retirar as amarras de fita adesiva, resolveu maltratar esse escriba aqui que acabara de produzir cenas fantásticas com essa intrépida garota fetichista.
E rolou de tudo brother.
Tapas, beliscões, arranhões e muitas ameaças. Até um salto alto foi utilizado pra amedrontar esse humilde fetichista que vos escreve. Por conseqüência, fica evidente que quem bola a cena sempre leva a pior.
Alguns desses momentos são hilários, tendo sempre em conta que o choro e a tremedeira da moça foram à pura expressão da realidade porque aconteceu tipo “behind the scenes”, ou seja, nem eu mesmo tinha consciência de que aquilo estava sendo gravado.
Vale à pena postar e dividir esse vídeo com quem gosta de saber como se processa esse trabalho.
Detalhe: a chave das algemas que vocês podem ver ainda num de seus pulsos, desapareceu em meio à confusão final. Pena que a Lucia não registrou esse pedaço, mas pensando bem não cairia bem tantos xingamentos de uma boquinha tão doce...

Na foto, a cena como foi gravada
No vídeo abaixo, o resultado final.
Assistam

quarta-feira, 21 de março de 2012

As Loucuras da Paty


Ontem falei em seduzir.
E a onda que deu na praia trouxe várias mensagens pra minha caixa de correio aqui do blog. A identificação de pessoas que muitas vezes ainda não possuem tanta experiência com as fantasias é sempre o ponto positivo a ser visto, e ainda que eu não tenha ares de pervertedor infla o ego saber que o tiro foi no alvo.
Uma delas, da Paty, traz um verdadeiro coquetel de loucuras que ela sonha por em prática.
Daí veio o titulo, a referência. E não pensem que a coisa é simples, tranqüila, cartesiana, porque a moça tem um namorado e o cidadão nem tem idéia das diabruras que a Paty tem em mente.
Podia começar o artigo de hoje pela listinha de coisas que passam pela cabeça da Paty e são parte dos planos que essa menina tem em mente, mas prefiro desenrolar algo real, uma experiência que ela garante que foi fato verídico.
Ela conta que queria transar com o namorado e inserir um voyeur na fita. Fato comum, simples, em nada comparado aos doze trabalhos de Hércules, mas isso se o namorado soubesse do que ela estava tramando. Porém, o sujeito foi levado a acreditar que se tratava de mais uma das gostosas tardes que costumavam dividir no apartamento dela, enquanto ela tratou de conseguir construir seu castelo de forma a suportar todas as ondas que beirassem a praia.
Escondeu um amigo interessado no quarto dos fundos e exigiu sigilo.
Valia uma bronha na encolha, mas nada de espalhafatoso que possibilitasse o flagra de parte de seu namorado. Ele, o voyeur, deveria estar no ângulo de visão dela, ou seja, perceptível aos olhos da Paty, porém de forma intocável em relação à transa. Restava, porém, se certificar que tudo corresse conforme o imaginado.
Pensando nisso, convenceu o namorado a uma ceninha de bondage a meia boca. Algo que pudesse sustentar a idéia de uma venda nos olhos do seu amado, e assim, ter toda a segurança possível. Arranjou dois lenços grandes, e com um atou as mãos do namorado com muita calma e ele entrou na dela sem pestanejar. O outro lenço cegou-lhe os olhos.
Quem negaria um sexo apimentado dessa forma ainda com a cor baunilha nos olhos?
Teve medo que ele estranhasse o fato de não ficar na direção da cabeceira da cama, pois ela o queria com a cabeça virada para a porta do quarto, por onde surgiria em cena o convidado indiscreto. E assim foi. A Paty me garante que houve uma mescla de sensações nessa fantasia digna de muitas passagens que ela colheu em leituras aqui no blog e em outros tantos espaços fetichistas que ela anda freqüentando.
A sedução, o medo de ser descoberta, a reação do amigo à própria cena e o prazer que ela experimentou, além da sensação indescritível que teve da missão cumprida. Claro que seria mais fácil expor ao namorado toda essa volúpia que ela anda desenvolvendo no encontro com as fantasias que ela está percebendo em suas viagens pela internet, mas o receio de atrapalhar um relacionamento que leva anos a fez criar esse conto, que dessa vez, teve um final feliz.
Entretanto, noutras fantasias que ela anda surtando a facilidade não será a mesma.
Será necessário sentar e estabelecer um elo entre a paixão nutrida por ambos e as loucuras gostosas que ela tem pra apresentar.

Nesse caso, a perversão é sadia e admissível e o namorado necessita ter pelo menos o conhecimento de tudo que se passa ao redor. Soa injusto convidar alguém pra uma festa e deixar esse convidado num canto da sala sem direito a participar.
Talvez ela se ligue nesse conselho e caminhe na direção considerada politicamente correta do fetichismo, onde o consenso é a chave do sucesso dos que se propõe a caminhar por essa via.
E que venham mais loucuras da Paty pra dividir.

E se ela anda em busca de novas idéias e planos, nada melhor que seguir a linha de raciocínio e postar muitas amostras de cenas que a deixem cada vez mais excitada.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Poker Run (2009)


A dica cinéfila de hoje vai pra quem se liga num filme de ação, suspense e aventura, com deliciosas pitadas de bondage. Pois é isso que o diretor Julian Higgins prometeu ao produzir Poker Run no ano de 2009.
A trama tem início quando dois advogados resolvem colocar mais adrenalina em suas vidas. Compram duas motos estradeiras e decidem levar suas esposas pelo interior atrás de uma eletrizante disputa de pôquer. E durante a compra das motos, conhecem dois malucos que supostamente interessados na barganha, acabam seqüestrando suas esposas e espalham pistas pelo caminho para que os dois sigam a trilha.
A idéia é decente. Claro que em princípio, o espectador sugere que seria fácil sair do meio do enredo em que se meteram dois caras da cidade envolvidos com motoqueiros de estrada, mas na medida em que o filme avança o enredo toma vigor a se torna algumas vezes eletrizante, com altas doses de suspense pra ninguém botar defeito. Isso sem contar as cenas das donzelas em perigo que é – digamos – a nossa especialidade.
O filme deixa alguns “buracos” a serem preenchidos por quem se dedica a assistir os noventa minutos de película. Não me cabe dar todas as dicas aqui, é verdade, mas soa estranha a idéia da direção em criar um suposto conluio entre os vendedores de motos e um dos advogados que parece pouco interessado em descobrir o paradeiro da esposa.
Entretanto, a boa fotografia, o áudio rico em detalhes e a própria aceleração das cenas mais eletrizantes é suficiente pra prender o espectador na poltrona.
As cenas de bondage são rápidas, mas compensa esperar pra assistir a belíssima Jasmine Waltz exibindo seus seios fartos, com os pulsos amarrados à cama e silenciada por uma mordaça de fita adesiva bem colocada. Pode parecer bobagem, mas pra quem gosta desse tipo de cena é comum a observação da cena de bondage e seus detalhes. Não dá pra ficar indiferente quando uma donzela aparece em perigo iminente com as cordas frouxas ou com uma mordaça que qualquer um é capaz de dizer que escorregaria ao primeiro movimento do rosto.
Em Poker Run, esse fenômeno não se repete, fazendo com que as cenas pareçam bem reais quanto se supõe.
Pra galera que se liga em motos e velocidade, bares de estrada e cabeludos pirados o filme dá liga. O cenário é bem elaborado e totalmente inserido no contexto. E quanto mais tempo demora a perseguição dos advogados aos raptores de suas esposas, melhor pra turma que se acotovela no gargarejo a espera das curtas, porém eficientes, cenas de DiD (Damsels in Dristess), a nossa praia e a principal razão de correr atrás dessas produções.
Resumindo, não espere algo extraordinário ao pegar o filme na locadora. Poker Run não é um clássico, pelo contrário, a historinha é básica e bem próxima de muita coisa que alguém já assistiu por aí quando dois “almofadinhas” resolvem trocar a cidade pela estrada e viver uma aventura. No entanto, rola um bondage. Mesmo em cenas curtas que aparecem em meio ao nada, o que faz com que fiquemos literalmente na espreita, o bondage é bem resolvido e a atuação das moças é bastante convincente de que há um perigo bem claro ao redor.

Quanto à direção eu apostaria minhas fichas – já que estamos falando de pôquer – numa participação mais efetiva dos vilões, o que não ocorreu. O maluquinho é mais autêntico e o outro parece um figurante a ver navios sem saber ao certo o que faz na tela.
Faltou pulso, sobrou coragem de realizar. A execução do roteiro começa cheia de planos e termina muito plana pra quem prometia toneladas de dinamite do trailer.
Mas vale ter em arquivo.
Não achei links disponíveis para o download, pois trata-se de algo bem recente. Porém, se

você não quiser gastar horas na procura, é muito mais fácil agir de forma correta e comprar o DVD.

Assista ao trailer.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Meu Reino


Um dia eu acreditei nas histórias que eu via na TV.
Porque eu achei que as mocinhas dos filmes estavam vivendo um perigo real, então me apaixonei por elas. E em seguida vieram outras tantas que já achava que traí-las era uma coisa natural.
Eu também babei pela Lois Lane e fiquei puto quando o Super Homem apareceu naquela janela e lhe tirou a mordaça da boca. E como todo moleque que se preza levei a cena congelada pra dentro do banheiro e descabelei o palhaço. E por ser sincero comigo mesmo e leal às minhas convicções eu construí meu reino. Um mundo de “faz de conta” onde as meninas da escola habitavam e esperavam pra ser salvas por mim. Jamais quis ser o vilão, embora muitas vezes tivesse o desejo de vê-lo se fuder depois.
Os muros do meu reino eram inexpugnáveis e altos. Por muito tempo nele habitei sozinho, aliás, como muitos fetichistas que constroem seus castelos. De todo modo, sempre alimentei a esperança de ver as portas se abrirem e revelar rostos de uma multidão ávidos por viver dentro daquelas regras nocivas ao mundo lá fora.
Será tão complicado ser fetichista?
Não, acho que o assumir pra si mesmo é mais difícil. Depois as coisas se arranjam.
Por isso, estabeleci regras básicas pra admitir pessoas em meu reino. E a principal delas era a de aceitar todos os desejos como virtudes, ainda que de forma alguma fosse possível costurar uma ligação com fetiches alheios. Mas o senso comunitário sempre foi à bandeira, a senha de ingresso fortaleza adentro.
Sempre fui um ditador dos meus sonhos no meu reino. Eles sempre me acompanham e nele calcei meus alicerces. Talvez toda a perfeição que imaginei pro meu reino estivesse ligada aos meus sonhos e anseios. E por mais que eu tenha tentado evitar, a vida do lado de fora deu as cartas e revelou seus dramas. Porém, por mais força que tivessem estiveram longe de causar uma tragédia.
O fetiche pra mim nunca foi genérico ou blasé. Ele teve suas razões pra existir e por outro lado suas conseqüências. Aposto na minha própria essência e acho todos os dias inspiração pra que ele coexista comigo da mesma forma que se fez presente quando a mocinha estava em perigo na linha do trem.
Hoje talvez minha piração esteja mais aprazível e menos conturbada. Sei o que quero e muito do que tive de aprender foi fruto da minha própria inquietude. As portas do meu reino sempre estarão abertas pra quem quiser nele fazer sua morada, e pra isso, basta comungar do mesmo pensamento, não necessariamente sendo parte de um desejo conjugado.
Me lembro de uma passagem, lá pelos idos dos anos oitenta quando tudo ainda era tratado no escuro por essas bandas, de ler um artigo do Carlos Eduardo Novaes falando em podolatria. Achei aquilo um divisor de águas na época. Pensei que o sujeito estivesse possuído por alguma coisa, sei lá, entretanto, aquela atitude de se expor sempre bateu como uma ponta de lança no meu peito: ora, se ele pode, eu também posso, a minha maneira, é claro.

Naquele momento entendi que ele havia exposto seu reino e aberto as portas a todos que lá quisessem entrar e beber da mesma fonte. Tudo que ele dizia – e até hoje está vivo na minha memória – eu lia com atenção e sugava cada palavra. Lógico que quando ele contava que se escondia no armário pra ver os pés das amigas de suas tias saia do meu trilho e criava um descompasso nas minhas virtudes fetichistas, mas a todo o momento me imaginava naquele mundo, naquele reino que não era meu, mas que embora na vizinhança, era possível falar o mesmo idioma.


Hoje em dia nos espaços que a mídia nos proporciona as pessoas constroem seus reinos.
Eu sigo com o meu onde meus desejos ainda são particulares e minha voz é tirana, mas sempre abro minhas portas à elegância fetichista da mesma forma como limpo os pés pra entrar em outros tantos como o meu...

terça-feira, 6 de março de 2012

Imagem da Sedução


Essa vem da confraria dos bondagistas antenados.
Pois é brother, realmente algumas imagens dão conta do juízo da gente. E dependendo do foco é possível dar aquela relaxada, sonhar com dias felizes, enquanto qualquer mortal que nos observe de jeito vai ter a idéia de que estamos com aquela cara de paisagem...
Então, sou obrigado a concordar que uma mordaça OTM (Over the Mouth), aquela mesma que cobre os lábios da mocinha indefesa e provoca o pedido de socorro iminente através do olhar, nos seduz.
Poético? Não parceiro, realista mesmo.
Porque para um fetichista convicto e autêntico uma bela imagem seduz. É o instante voyeur de todo fetichista que se preza. Claro que seria presunçoso demais dizer que adoraria ser seduzido por um rosto dividido por um lenço apertado sobre a boca, mas se essa moda pega acabo me achando o rei de espadas num jogo de canastra. Quem sabe não vejo a moça com a boca tampada na próxima esquina?
As fantasias são assim mesmo. Chegam do nada e quando postas em pratica dão resultados satisfatórios pra quem decide entrar nesse mundo de jogos excitantes. E como no reino animal cada macaco fica no seu galho, por isso o assunto hoje aqui é bondage essa galera que se amarra em cordas, mordaças e donzelas em perigo, está na berlinda.
As imagens seduzem os fetichistas de uma maneira geral, entretanto, elas carregam as diferenças e estabelecem critérios. Não é fácil agradar a todos e dessa forma as imagens trazem com elas a marca de segmentos. Nesse compasso, o que faz um bondagista pirar talvez não faça o mesmo efeito aos olhos de um dominador ou submissa.
E o papo da mordaça é extenso.
Certa vez o Nauticus mandou um artigo pra cá, e isso faz uns três anos, intitulado “a rolha da garrafa de champanhe”, justamente abordando a profusão de gostos sobre a posição da mordaça que silencia as moças e provoca os tais gemidos que nos tiram do sério. É complicado estabelecer qualquer parâmetro porque é uma pura questão de gosto.
Eu, particularmente acho que isso acompanha o amante de bondage desde seus primeiros contatos com o fetiche e se desenvolve através das próprias práticas. Porque basicamente sobressai o que os filmes mostram. Antigamente era mais comum aparecerem heroínas com mordaças de pano, por fora da boca ou entre os dentes. Com isso, o impulso de ter prazer em assistir a cena fez com que muitos trouxessem dessa época alguns conceitos.
O cinema apresentou a silver tape ao mundo e a moda pegou. Depois os sites fetichistas do segmento passaram a ditar moda e povoaram as telas com as Ball gags que se tornaram objetos muito cultuados pelo público sadomasoquista, talvez por representar um desconforto maior pra quem faz uso desse instrumento. Na fila, apareceram as Bit gags e outras bugigangas que acabaram se tornando silenciadores muito mais eficientes do que simples trapos de pano.
Mas como todo debate é sadio e construtivo vale escutar o que a galera tem a dizer.
Toda vez que me preparo pra criar uma cena do Bound Brazil procuro pensar no que andam falando a respeito da mordaça. Porque não deixa de ser a cereja do bolo pra quem anda em busca de fortes emoções na hora de viver seus melhores momentos dentro da fantasia.

Noves fora o lado profissional eu tenho lá as minhas preferências e garanto que elas não comandam a festa no site toda vez que crio uma cena. Podem estar inseridas, mas o contexto é vasto e acho que não seria um assunto de domínio publico pra andar postando por aqui.
Costumo sempre afirmar que a mordaça perfeita depende da boca, do rosto e, principalmente de quem será co-responsável pela fantasia. Um bom bondagista de ofício sabe exatamente onde a mordaça faz o efeito que se espera e eu guardo a sete chaves meu rosto perfeito.
Porque por mais experiência que possa ter

sempre espero pela próxima atração.
A tal cena perfeita...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Abordagem e Seqüência


Hoje em conversas com um cara que considero muito pelo trabalho anônimo que realiza quando o assunto é bondage e por sua veia latente fetichista, dois temas pautaram o papo: a abordagem quanto a realizar os fetiches com pessoas de fora do “ramo” e a conseqüente continuidade do mesmo.
Explico. O cidadão se move em direção a alguém em quem nunca brotou certas taras esquisitas e lança a proposta. Claro que se sua onda não for abrir um saco de milho pra moça ajoelhar, punir com vinte chibatadas qualquer deslize pré-combinado, ou ainda, introduzir brinquedinhos sexuais por via anal toda vez que ela demorar a se vestir, fica muito mais fácil soltar uma lábia e trazer a mocinha pra sua fantasia. Afinal, por mais que pareça estranho, toda menina já sonhou um dia em fazer sexo amarrada na cama.
Ter tendências sadomasoquistas é outro capítulo.
O problema está na continuidade, ou seja, em convencer à senhorita de que cordas, mordaças e afins vão estar presentes toda vez que os dois decidirem que é hora de trepar. Com isso, ela terá que abortar de forma definitiva todos os prazeres que ela andou sonhando em anos de existência antes de dar de cara com Vossa Senhoria.
Tá bom, a galera fala em ceder. Perfeito. Mas como encarar o trem de frente se toda a sua vida você precisou desse estímulo pra ser feliz? Transar de forma baunilha nem sempre provoca a libido num fetichista convicto e necessitado de suas convicções. Por que necessitado? Porque na minha concepção aqui reside à capacidade sexual dos brothers. Ou você prefere engolir uma cápsula azul ao invés de ver a moça amordaçada na cama? Escolhe!
Nesse caso, a pessoa que não é do “ramo” ou não nasceu com essa coisinha gostosa da fantasia latente terá que entrar de cabeça nessa história e passar a ser parte pulsante do desejo em comum. Em verdade, se houve sinceridade quando da famosa abordagem a que o Jonas se refere e você abriu o jogo de ponta a ponta, ela está livre pra fazer a escolha porque sabe exatamente o produto que está levando pra casa. Não existe propaganda enganosa, e isso é fato.
Agora, se não houve um jogo limpo num primeiro papo é melhor esquecer e partir pra outra.
Porque ela também terá que decidir. Os carinhos, as transas comportadas a meia luz, beijinhos apaixonados debaixo de edredom vão literalmente pro espaço. A história fetichista sempre tem um começo, um meio longo ou curto de acordo com a cumplicidade e um final, feliz ou infeliz, dependendo do entendimento entre quem se decide a tanto.
Então brother, se nós piramos quando assistimos a Regina Duarte amarrada na primeira versão da Selva de Pedra mortos de vergonha num canto do sofá, sem ao menos dizer a ninguém, exceto a nós mesmos, aquilo que já nos movia, temos que seguir na mesma tocada pra evitar que o tesão vá para no ralo. Broxar nunca!

No caso das fantasias fetichistas, ter uma seqüência é fundamental. Se a mulher de fora do meio resolver comprar essa briga tem que saber exatamente o barulho em que está se metendo. Jamais imagine que fantasias fetichistas são sonhos de uma noite de verão porque aqui o bicho pega e num primeiro deslize, ou na primeira desistência dá água e sua batalha naval vai pro lixo. Assim como nós fetichistas convictos e praticantes não podemos enganar ou ludibriar a quem quer que seja com historinhas inocentes ou papos imbecis do tipo “é só hoje e nunca mais”. Cartas na mesa é a única forma de levar essa parada adiante.

Por mais que a fantasia seja um mundo do faz de conta, isso envolve pessoas com desejos, virtudes e defeitos, portanto, todo cuidado é pouco pra não falir a firma antes mesmo de colocar um letreiro na porta.
Mesmo na união de dois fetichistas esses aspectos devem ser esclarecidos da forma mais límpida e racional possível.

Um excelente final de semana a todos!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sobre Nascer e Crescer


Num dia desses alguém me questionou sobre o fato de algumas pessoas nascerem fetichistas e outras somente encontrarem com esse estranho desejo anos mais tarde. Confesso que minha resposta teria necessariamente que passar por minha própria historia de vida.
Porque dentro do meu conceito tudo passa pelo desenvolvimento ao longo dos anos de um desejo que chegou aos primeiros lapsos de consciência.
Desde as brincadeiras infantis que a inocência escondia a fantasia latente, quase inconsciente e às vezes inconseqüente, aos primeiros contatos com uma aventura em preto e branco que aparecia na TV. Qual bondagista não gostaria de ser o vilão num filme de Hollywood? A mocinha amordaçada na cadeira e a índia amarrada numa árvore no meio do deserto inspiravam a velha teoria de Shakespeare: ser ou não ser.
Realmente, a idéia de ter o santo e o profano por dentro delimita a adolescência de qualquer um. Os dias e noites se alongam a propagam a velha dúvida que se carrega no peito. O fato de “não ser normal” amedronta e renegar é sempre a primeira medida. Afinal, seria muito mais simples descobrir certos gostos diferenciados quando se tem plena consciência dos sentimentos. É quando aparece a pergunta comum a um subconsciente corrompido de desejos esquisitos: por que eu sou diferente?
Na verdade, ser diferente é bom demais, é direito, legitimo, mas isso só fica claro quando os anos mostram um horizonte definitivo, quando nada é tão escondido e a fantasia já não se mostra no escuro. Mas enquanto tudo é um delírio disfarçado entre brincadeiras inocentes o sentimento tem mão única, é indivisível e muitas vezes ineficaz.
Qualquer fetichista que carrega consigo um desejo vive a sombra da dúvida até encontrar um rumo. Seja qual for à fantasia que o atrai, ele percebe que de fato o caminho que o trouxe até aqui, ao pleno entendimento, vem desde a maternidade.
A grande vantagem – talvez a única – que o fetichista que traz nas entranhas o desejo leva sobre os demais é justamente o caminho percorrido que vai se somar aos anos de experiência que virão a seguir. A utilização de fantasias oriundas dos sonhos que ao longo do tempo habitaram os pensamentos em segredo aflora anos mais tarde através das práticas. A criatividade tem uma razão de existir.
A lógica atesta que não há diferenças entre quem tem o fetiche marcado na certidão de nascimento e os que encontram esse sentimento muito tempo depois. São fatos isolados e que diferem apenas pela questão cronológica como um todo. O que pode existir é um acumulo de cultura fetichista capaz de transformar quem está a mais tempo na estrada num conhecedor pleno do que gira em torno dos seus próprios desejos, no caso de haver interesse pela pesquisa, porque a sabedoria se toma em doses diárias e o tempo não tem tanta influência assim.
No frigir dos ovos acho que respondi a pergunta de como tudo isso apareceu do nada pra um dia vir parar aqui nessas linhas. Do fetiche embrionário passando por experiências que marcaram e ainda em busca do que considero a cena perfeita. E essa procura não inclui datas e nem pessoas, é algo que trago comigo e ainda consigo dividir com quem durante anos troquei segredos: a minha própria consciência.

E dentro desse critério, o mais importante é ter pleno entendimento do que representa a razão maior do desejo e não abrir mão dos planos em hipótese alguma, mesmo que isso represente horas de procura ou até mesmo alguns dissabores.
A vida não é uma ciência exata e por conseqüência os sentimentos também não serão.
Porque se ainda a pouco falei na tal cena perfeita significa dizer que por mais perfeccionismo que haja no próprio desempenho, sempre haverá lugar para saborosas variações que façam com que algo que vem de tão longe realmente valha a pena.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Spun (2002)


Tá certo que as pessoas que se interessam saiam por aí garimpando pra encontrar o que o cinema mostrou sobre BDSM. Na verdade, o primeiro contato do fetichista e suas fantasias vêm do cinema, por isso não é raro encontrar fetichistas ligados à sétima arte.
Dito isso, o pesquisador do BDSM no cinema é atraído em primeiro lugar pelas fotografias que fazem parte da divulgação do filme, só depois ele procura saber sobre o conteúdo da obra.
E nossa história de hoje faz alusão ao filme Spun, dirigido por Jonas Akerlund do ano de 2002.
Num universo confuso rodeado por drogas, traficantes e rock and roll, esse cara tirou ótimas cenas de bondage com pitadas de SM. Parece mentira, mas o roteiro é algo tão indecifrável que talvez um sujeito totalmente drogado fosse capaz de desvendar o que a direção quis mostrar ao espectador.
O filme mais se alinha com um estudo do caráter e conduta dos personagens do que com uma trama de suspense ou horror. A atuação dos atores é de dar dó, porque soam estar tão drogados como os personagens que representam. Claro que a beleza de Chloe Hunter não pode passar despercebida. A menina é um caso a parte e no papel da donzela em perigo está perfeita.
O que o filme tenta mostrar é uma odisséia de três dias de sexo, drogas e rock and roll. Alguma coisa com traficantes perigosos aparece como pano de fundo, entretanto, o que vê são rostos deformados pela quantidade excessiva de drogas consumidas e uma orgia sem nexo.
Subtrair algo de bom além das cenas de bondage é complicado.
A grande vantagem pra quem gosta do fetiche é a duração das cenas em que Chloe Hunter aparece algemada e amordaçada na cama. O diretor deu uma canja pra essa gente bacana que se posta na turma do gargarejo em busca do fetiche. Dá pra tirar o chapéu e bater palmas pra ousadia do cara, no entanto, a coisa pára por aí.
Se alguém decifrar o enigma que o cidadão criou em Spun eu aceito a critica.
Talvez um misto de cenas de velocidade irresponsável e falta absoluta de moralidade seja a idéia principal. Ou quem sabe algum conceito escondido não tenha me chamado a atenção.
Porém, se sua fantasia é imobilizar uma mulher por um longo tempo e deixá-la a sua mercê não tenha duvidas de que esse é o seu filme. Os detalhes das partes imobilizadas da bela atriz me remetem aos filmes de bondage.
Aqui minha nota é dez.

E pra ter na coleção somente por esse critério. Qualquer outra intenção de tentar convencer que esse filme vale a pena como obra cinematográfica cairia por terra.
A versão em DVD com ótima resolução é fácil de achar em sites como o Amazon.
Na rede, não encontrei nada que possa passar como dica para quem prefere no 0800. Nem em arquivo torrent eu achei. Fiquem com um pedaço do filme e reparem numa cena fetichista muito legal.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Quarta Parte de Um Terço


Há quem ache essa proporção pequena.
Agora me digam, seria se contentar com pouco ou simplesmente achar que está bom demais o que se tem? Pensem, analisem, observem.
Ora, uma pessoa que gosta de fetiches, por exemplo, contados os trezentos e sessenta e cinco dias do ano e considerando a proporção dita acima, teria em média trinta dias de fetiches praticados se esse período fosse considerado.
Claro que os tais trinta dias deveriam ser – e são – diluídos durante o ano todo, mas se por acaso essa proporção estivesse condensada em dias específicos o fetichista teria um mês de praticas seguido, o que seria a realização do chamado efeito 24/7, ou seja, vinte e quatro horas de práticas fetichistas por sete dias da semana.
Números, amigos e amigas, nossa vida por vezes se restringe a números. Porcentagens, frações e tudo o mais, regem nossa capacidade de atribuir a nós mesmos as melhores coisas que a vida pode nos proporcionar. Pois é hora de persuadir esses índices e mudar o rumo da história.
Poderia começar por mim mesmo a enumerar os exemplos a serem corrigidos, mas devido ao acúmulo de tarefas que tenho a minha volta talvez eu seja, nesse caso, o menos indicado. Porque minha única debilidade mental assumida é não saber equacionar os meus dias.
Então, melhor imaginar um casal que pratica o fetiche de bondage. O cidadão, supostamente o bondagista, amarraria sua parceira por um mês num ano e ela, por sua vez, ficaria imobilizada por trinta dias. Lógico que parece um absurdo pensar que uma pessoa suportaria ficar amarrada por trinta dias, no entanto se diluirmos esse período num ano como um todo tudo rola suave a macio e os dois viverão dias tranqüilos praticando bondage.
E isso não deixa de ser um tipo de persuasão dos números e do próprio tempo.
Porque é muito mais fácil convencer a parceira a sessões de bondage ao longo de um ano a deixá-la amarrada por um mês. Concordam? Principalmente as baunilhas que debutam no fetiche aceitariam essa sugestão, porque com certeza se sentiriam mais propensas a aceitar tais práticas em suas fantasias.
Os exemplos servem pra qualquer outra prática fetichista.
Em verdade nós somos senhores e escravos de nosso próprio tempo. Senhores porque temos o livre arbítrio de fazer o que bem entender de nossas próprias vidas, e escravos porque as nossas responsabilidades assumidas nos impelem a seguir o se chama regra. Ou alguém teria coragem de viver seus dias somente de pão e fetiches?
Engraçado que hoje conversando com um parceiro, produtor sueco do site First Time Tied, ele disse que sua página ainda não é sua principal fonte de receita, entretanto, sonha com dias melhores e acha que poderá conseguir a proeza de fazer apenas o que gosta, ou como ele mesmo afirma, dedicar seu tempo a bolar novas imagens e recrutar modelos. Sonhar é possível Erick!
Mas mesmo assim seus dias seriam divididos entre prática encenada e prazer. Ou será que quem está de fora e não conhece os meandros dos sites fetichistas imagina que tudo que se produz é realizado sob fortes emoções e intermináveis crises de paudurescência aguda?

Nada disso. O bicho pega e uma sessão fetichista íntima é muito mais prazerosa e eficiente que mil ensaios de um site comercial. E assino embaixo.
Dito isso é hora de começar a admitir que os números estão ma mesa para serem analisados. Mudar a tática, acelerar as conquistas e achar um lugar pra criar uma dúvida no tempo e suas proporções é o primeiro passo, ou passar a admirar quem consegue elevar a porcentagem além dos quase dez por cento sugeridos aqui.
Eu ando pensando nisso e espero que todos que leram esse artigo comecem a pensar também.

Porque os dias passam e após um ano contado no calendário a conta não fecha a favor.
E adrenalina é bom demais pra passar despercebido...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Completa Submissão


Hoje pela manhã fui ao dentista. Até aqui nada demais, todo mundo vai ao dentista ou a dentista, e por mais pavor que isso provoque em algumas pessoas é uma ação que se faz totalmente necessária.
Pois sentado naquela cadeira algumas reflexões fetichistas chegaram de mansinho. E como não poderia deixar de ser me senti um autêntico submisso sem qualquer reação diante dos fatos. Com uma sutil diferença; ele ou ela, os submissos, estariam ali por vontade própria, e eu, um simples bondagista estava por extrema necessidade.
E nessas horas o melhor a fazer é deixar a mente elaborar um plano. Claro, pensei no artigo de hoje e cá estou rascunhando essas linhas. Antes que me cheguem às pedras, quero de antemão me desculpar com a galera odontológica e dizer que tudo que se escreve aqui são devaneios, muito comuns nessa época de verão...
Pois voltando aos sonhos fetichistas naquela cadeira gélida e pouco confortável, lembrei de alguém. Sim, uma dentista. E de cara pude construir através da minha mente pervertida e libertina alguns sonhos que ela poderia protagonizar já que está diante de um sujeito com a boca escancarada sem ter direito sequer a balbuciar umas poucas palavras.
E como a conheço bem, imaginei seu sorriso sarcástico e dominante como senhora da situação. E pra piorar brother, me vi no papel de submisso máximo pronto para ser imolado.
E a mulher é grande...
E de repente ela manda levantar a cabeça e com um cinto prende meus pulsos naquela cadeira? Game over. Perdi feio. Dali por diante é ela com um sorriso de canto de boca e eu com a boca aberta olhando uma agulha e uma seringa. Surtei!
Nessa o dentista vinha com aquele ferrinho de futucar tudo e olhando a cara dele imaginei a moça olhando pra mim com aquele semblante mórbido e incisivo. Fechei os olhos e deixei a cena rolar. Futuca pra cá e pra lá e até aquele momento estava adorando que a porra daquele ferrinho estivesse somente nos dentes, porque se fosse ela e suas armações ilimitadas, estaria em apuros tal e qual donzela de filme de bondage.
Meus dias de bondagista dominante estavam contados...
Já nem olhava mais pra cara do dentista, que, aliás, é meu dentista e amigo há anos. O que vinha na mente era o delírio fetichista e a dentista com os olhos da Bette Davis. Tentei mudar o rumo da prosa e passei a tentar admitir que ela estivesse interessada numa cena de bondage das mais comuns, ou seja, eu ali entregue, imobilizado e ela com as mais indecentes perversões sexuais em mente. Mas nada, só conseguia imaginar aquela agulha filha da puta e um suposto beliscão com o boticão. Perdi pela segunda vez...
E em pensar que um dia brincando ela tinha me ameaçado dar um beliscão...
No entanto fiz prevalecer minha suprema condição de macho. E embora quase me borrando pensei nos amigos e amigas que sentem prazer com essas cenas e segurei a barra: se eles sobrevivem eu também sobreviverei, então vou suportar...

Mas nada... Começou a incomodar o dente real e eu nem ai para as perguntas do cara com o tal ferrinho na mão me perguntando se estava doendo. Imagina, nem um pouco, perto do que estaria acontecendo no delírio fetichista.
Por fim, o sujeito me disse que podia levantar.
E nesse exato instante me vi com a mente totalmente adormecida pelo que havia plasmado.
É nessas horas que se tem a absoluta certeza de que as fantasias e os fetiches são extremamente particulares. O que serve pra uns nem de longe dá certo pra outros, ainda que seja apenas em pensamentos.

Pois é, se ela ao menos tivesse somente pensado num bondage comum e numas torturas sexuais, talvez minha ida ao dentista tivesse sido mais agradável...
Talvez...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ao Pé do Ouvido


Pois é, o fetiche é uma delícia pra quem sabe tirar proveito dele. Isso é fato.
Porque o ser humano, na maioria dos casos, tem loucura por aguçar seus sentidos quando sente tesão. E quando as pessoas usam determinadas fantasias em seu próprio benefício é tiro certo, dá à lógica. Portanto, da próxima vez que rolar uma fantasia, por mais simples que possa parecer, o negócio é provocar os sentidos de quem divide a cena.
E um dos sentidos que impulsionam é a audição.
Quem não gosta de escutar uma boa sacanagem ao pé do ouvido na hora certa?
Provocar faz parte do jogo, estimula e garante um bom começo de noite. E se existe uma fantasia rolando nada melhor que caprichar no que vai ser dito.
Deixe a coisa fluir e não tenha melindres em se mostrar pra quem divide uma cama. Puritanismo demais estraga. Esse negócio de economizar palavras com a parceira pra falar no ouvido de outra é uma tremenda babaquice. Se não dá resultado o sexo com quem está bem próximo é melhor largar o lugar na fila e procurar outro local pra pendurar a roupa.
Há pessoas que não se ligam tanto em estímulos auditivos, outras, porém, adoram. É uma questão de gosto mesmo. Fetichistas de um modo geral não abrem mão de coisas ditas na hora da onça beber água. Até gemidos fazem a diferença. A expressão da reciprocidade na hora da cena encanta quem se delicia com sessões fetichistas.
Qual bondagista não se derrete por um gemido da moça abafado por uma mordaça?
Sou testemunha de casos onde havia certa resistência em começar uma cena da bondage e as palavras ao pé do ouvido bem ditas quebraram o gelo. E olha que o cara queria ser amarrado e dominado sexualmente pela mulher. De tanto que ele falou, ela tomou gosto pela coisa e, segundo ele me garante, não abre mão da prática e se excita quando ele mostrando desespero pede socorro.
Em pensar que ela relutava em trazer a fantasia de captura pra dentro da relação...
Quando a fantasia tem ares de ingenuidade é mais fácil trazer pessoas de fora pra dentro da festa. Complicado é colocar na cabeça de alguém, determinados estímulos que não condizem com os sentimentos de quem se tem ao lado. Por exemplo, o prazer através da dor.
Essas práticas devem ser precedidas de um conceito muito bem definido antes de serem colocadas em discussão, porque a tendência tem que ser total para que haja sintonia.
Ninguém convence alguém a sofrer castigos severos e arrancar prazer quando não existe desejo. É preciso total comprometimento para que haja reciprocidade. Um masoquista não sente prazer amassando o próprio dedo na porta, é necessário todo um contexto para que ele ou ela tenham o desejo atendido.
É aquela história, o fetiche se resume aos pares.
Um sádico precisa de uma masoquista e vice-versa, como um bondagista precisa de uma bondagette...

Por isso, o que se fala ao pé do ouvido para atiçar o estimulo auditivo da pessoa que está ao lado tem que estar diretamente ligado a prática que se pretende fazer. Não vá um bondagista dizer no ouvido de sua parceira ao vê-la amarrada que castigos a esperam. Esse papo pertence a outro segmento e assim sucessivamente.
Hoje com o mundo virtual fazendo parte do dia-a-dia das pessoas, até o que se escreve em canais de comunicação direta pela rede pode funcionar como um estímulo, que eu diria quase auditivo. A pessoa escreve e do outro lado alguém se alinha com os fatos e plasma a voz sussurrando baixinho.

E um dia, quem sabe, tudo se torna real...
Então escolha a fantasia, combine com a parceira ou o parceiro e parta pra não deixar nada de fora na próxima vez. Ao pé do ouvido tudo é bem vindo, desde que faça parte do jogo escolhido por ambos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Detalhes ou Polêmica?


Essa eu não vou segurar sozinho...
O Jonas Bond, meu parceiro, cabra da melhor qualidade e bondagista bem intencionado que sabe lidar com as cordas, lançou num comentário de uma matéria da semana passada a seguinte colocação e espera que a participação seja coletiva, assim como eu também gostaria.
Pois ao invés de reescrever o que ele mandou peço licença e posto abaixo:
Abre aspas pra ele: “Tem uma penca de gente que gosta do bondage "DID" (donzela em perigo) e a gente sabe que quanto mais reais as cenas do filme melhor. Mas ai tem um lance, porque quando a gente está praticando "na real" com uma parceira, consensualmente, é claro, eu jogo a pergunta para todos: - Não falta aquela pimentinha de saber que é tudo interpretado? Claro que não estou sugerindo a ninguém para sair por ai raptando mulheres no nada... Só levantando a bola mesmo... Como levar a experiência a excelência ? Fora o fato de que na maioria das vezes a parceira não ser atriz profissional para fingir a ponto de ficar tão real assim....
Ainda tem o lance de que no que você já marcou no motel já cortou uma boa parte de uma possível interpretação real...”
Bom, trocando em miúdos o cara quer saber se vale o aviso antes de rolar um seqüestro lúdico e consentido. A questão parece simples, entretanto, em alguns casos ela se complica. Porque em se tratando de parceiros que já se conhecem, não tem nada demais o elemento surpresa comandar a festa, ou seja, o sujeito chega de mansinho assim sem avisar e passa a mão na mulher pra fazer o serviço.
Porém, (e aqui há mesmo um “porém”), digamos que a coisa role pela primeira vez. Fica uma pergunta pairando no ar...
Qualquer pessoa que se atreva a realizar uma fantasia sabe que a primeira vez pode ser decisiva para que exista o fator continuidade. E é aí que entra a polêmica do Jonas, pelo menos em parte do que ele descreve. Porque se a saída for pré-programada a surpresa vai literalmente para o espaço. A senhorita estará sumariamente avisada de que naquele dia, as tantas horas vai rolar um motel e nele um intrépido bondagista sorrateiramente abrirá sua mala de utensílios e mostrará a que veio.
E pra colocar mais lenha na fogueira o Jonas toca num segundo ponto a ser interpretado. E eu chamaria esse aspecto como “ato teatral”. Isso mesmo, não há definição melhor. É lógico que essa denominação não significa que haja uma simples sugestão da parceira fingir desde a captura até o orgasmo, mas ela tem que participar, daí fica claro o aspecto atriz que ele menciona em seu comentário.
Ora, se houver força de vontade e um mínimo de comprometimento com a fantasia, sou de opinião que cabe aos participantes o ato de encenar pra sair bem feito. O que está fora de questão é alguém se preparar para o ato e ser surpreendido com ironias e desleixo. E isso existe, aos montes.

Claro que eu não vou ficar em cima do muro nessa. Vou abrir a caixa de ferramentas e dar a minha opinião. Fantasia sem entrega não dá, é bola fora. Se existe o interesse dos dois lados em sair da rotina apavorante e bolar algo que interesse a ambos, a coisa só caminha se for bem feita. Sem essa de fazer pela metade ou dar pra trás na hora da onça beber água.
Ou caga ou desocupa a moita. O negócio é bolar, ensaiar os passos e tratar de se apresentar bem ainda que seja para um único e autentico espectador. Fantasia pela metade é como chupar bala com papel.


E vou além: sem surpresa vira filme de site fetichista. Tem que existir um mínimo de adrenalina que garanta os benefícios do bundalelê!
Taí Jonas! Agora é esperar que a galera – e claro, você também – solte o verbo no espaço destinado aos comentários. E todos, fetichistas convictos ou não, são igualmente bem vindos!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Noções Básicas de uma “Bondagette”


Para os aficionados por bondage as modelos que emprestam suas imagens a sites com esse conteúdo fetichista são chamadas de “bondagettes”. O termo vem lá de fora, da terra onde tudo isso foi criado em meados dos anos cinqüenta. Desde então, as meninas que aparecem amordaçadas e em situações de perigo são carinhosamente chamadas assim.
Entretanto, não é preciso ser uma modelo de site fetichista para qualquer mulher se tornar uma bondagette. Ela precisa ter noções básicas de como expressar o perigo nos olhos e nas atitudes. E pra isso, não é necessário existir uma câmera de foto ou vídeo ligada para captar as imagens, porque uma mulher pode ser uma bondagette entre quatro paredes, numa gostosa brincadeira de bondage.
Ou ainda sugerir aos que gostam do fetiche através de fotografias livres, sem compromissos estéticos de perfeição como exigem os portais comerciais. Mas nem só de imagens vivem as bondagettes. Se existisse uma escola para formar meninas interessadas em arrastar um fã clube de viciados em bondage, ela ensinaria que uma bondagette reluta em se entregar ao captor, porém, há um limite para essa resistência. Atos muito violentos de captura forçada não podem fazer parte do roteiro. Talvez por isso cenas de clorofórmio são muito usadas nessas produções, porque resolvem a parada em segundos e a bondagette não sofre tanto ao ser raptada pelo vilão.
O que importa na verdade é a chegada de novas musas no universo.
Tanto as que povoam as telas em sites comerciais, como as que abraçam a causa fetichista. E por falar em causa fetichista, o elemento que move a imensa roda giratória que propaga essa onda cheia de magia, sempre agradece a atitude das moças que se dedicam a divulgar as imagens que produzem.
E este espaço é um lugar que vive deste tipo de iniciativa, como a da leitora da foto que abre este artigo em brindar o povo fetichista com sua imagem exibindo o que nos faz acreditar que ainda é possível sonhar com dias melhores. Porque pode parecer simples, muito pouco até, mas pra quem admira uma mulher em apuros o desprendimento de pessoas que se emocionam com essas cenas é a síntese do prazer.
Então, como negar que sempre buscamos este tipo de imagem dentro de nossa fértil imaginação? É o que os americanos chamam de “girl next door”, ou seja, a mulher comum, aquela que você está acostumado a cruzar em qualquer esquina, num bar, numa festa ou aonde for. Porque basta ter um pequeno espaço de tempo para um bondagista produzir uma nova musa dentro de seu pensamento.
Nos resta desejar que essa iniciativa não seja uma ilha num oceano e que outras tantas novas musas dêem o ar de sua graça e dividam conosco o que nos faz feliz. Pouco importa a perfeição num caso como esse. O que vale é à vontade e a coragem de exibir um pedaço de fantasia que tanto admiramos.

E pra fechar esse assunto do quesito bondagette é importante deixar registrado que não há modo comparativo entre um trabalho profissional e um amador. O “feeling” fetichista é o aspecto a ser analisado apenas. Questões como imobilização ou outro critério técnico ficam de fora. Vale analisar a imagem como cena de perigo, seqüestro simulado, rapto consentido, ou qualquer outro fator que tenha esse contexto.
As imagens têm semelhança, talvez não tão visíveis para quem olha pela primeira vez. No entanto, para aqueles em que o fetiche funciona como mola propulsora a questão básica de uma

cena onde uma bondagette exibe seus dotes, deve estar estampada somente por um critério: interpretação da fantasia.
E pra nós, isso já é o suficiente.
Pra você que gentilmente me enviou esse ensaio maravilhoso meu sincero muito obrigado.

Um bom final de semana a todos!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Quando Vias se Encontram


Noutro dia alguém me disse assim: esse negócio de amarrar a pessoa na hora do sexo é coisa de maluco. Ok, mais uma opinião desse tipo é fácil de absorver. Pra quem não sabe, por dia chegam aqui vários emails, dos mais interessantes, como o de ontem, aos mais absurdos.
Daí, o fetiche ser taxado de maluquice é pouca areia pra botar no caminhão.
E nesse emaranhado de correspondências uma me chamou a atenção.
Não vem de nenhuma bíblia fanática ou de revoltados fundamentalistas sociais.
Alguém que quando descobriu que amarrar é um fetiche interessante na hora da transa, comparou com épocas da vida em que pensou nesse ato de forma totalmente contrária.
Ela disse assim: “eu tinha um fetiche lá na minha empresa: era amarrar a minha ex-orientadora e tirar página por página de um livro dela e fazê-la vê-lo navegar em forma de barquinhos de papel no rio Faria Timbó.”
Claro que dessa forma o ato de amarrar não tem nada a ver com fetiche. Trata-se de uma vingança altamente cruel, porque quem mora aqui nesta cidade maravilhosa certamente sabe que o Rio Faria Timbó é um verdadeiro esgoto a céu aberto...
Mas a moça segue com outros pensamentos que de um momento pra outro, amparado nas entrelinhas aqui de um blog fetichista a fizeram relembrar de certos delírios.
Aspas pra moça outra vez: “isso sem contar a minha versão heavy metal para a explosão do cemitério dos Inocentes em Paris e o desejo atual de bagunçar o cabelinho de Justin Bieber do meu orientador atual completamente amarrado (coitadinho... Esse até que escreve direitinho)”
Bom, antes de qualquer coisa vale salientar a veia sádica de nossa amiga leitora. E fico aqui pensando nas coisas que ela poderia pensar a meu respeito e, sem qualquer cerimônia, me encaixar nesses delírios de verão que ela anda flertando.
Esse papo é bom. E com toda a certeza servirá pra esclarecer de uma vez por todas que o ato de amarrar durante o sexo nada mais é do que um fetiche inofensivo e de resultados surpreendentes. A maldade está implícita no pensamento de quem critica sem conhecimento ou inflado por idéias conservadoras de quem gosta de se achar o dono da verdade.
Neste caso, duas vias se encontraram num paralelo que foi possível traçar diante de uma leitura de um tema especifico. A leitora aproveita o embalo e usa sua imaginação pra se encontrar onde as cordas fizeram parte de seus pensamentos. E, com certeza, sabe perfeitamente separar as coisas, porque quando existe o argumento da gozação sem ser jocoso é sinal de que a inteligência falou mais alto.
E muitos bondagistas tiram sarros desses papos. Em tempos difíceis, quando ninguém falava de bondage como um fetiche, era comum achar tesão em argumentos desse nível.
Um amigo outro dia me relembrou que nos tempos de colégio, na adolescência, costumava provocar situações de vingança nas meninas e ficava a espera de uma resposta que satisfizesse sua ânsia fetichista. Segundo ele mesmo afirma, quando o papo colava e as garotas vociferavam desejos de vingança mesmo em tom de brincadeira, e afirmavam que amarrariam a fulana pra lhe cortar os cabelos. Então ele plasmava a imagem que lhe rendia umas cinco bronhas na semana. Dias que se foram...

A conclusão é simples. O ato de amarrar durante a transa não visa privar alguém da liberdade ou forçar qualquer acontecimento. A coisa funciona de forma consensual e a idéia é privar os sentidos e ser o dono da situação no ato. Pra quem gosta é um prato cheio, costuma causar terremotos e devaneios suficientes que se prolongam na medida em que os parceiros se tornam praticantes dos jogos.
No entanto, não existe insanidade ou demência capaz de transformar uma brincadeira de adultos num ato psicopata.
Se praticar bondage é um ato de loucura como alguns insistem em dizer, só posso afirmar que a
minha loucura será perdoada...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Teoria do Medo


Que venha 2012...
E que venha trazendo o que mais me agrada aqui no blog, a participação de quem lê.
E pra começar bem o ano uma obra prima, traçada com requintes de crueldade para olhos fetichistas.

Um cheiro especial de saudade, amor, paixão e suspense... Foi assim, e começou tampouco a tarde caiu. Sentei numa linda poltrona Bergere. O antiquário tem sempre um ar de assombro pairando, por isso, dei asas à imaginação.
E de repente tudo ficou em meia luz. Passos. Ouço passos. Cheiro bom de perfume. Másculo
Vejo por baixo um sapato sem meia, senti uma presença por trás de mim, eu lia um livro. O coração acelerou, olhei em volta e nada mais vi. Ficou somente o cheiro de perfume de homem.
Um vento frio cortou o ar, ouvi passos no andar de cima. Curiosa, apesar do medo, subi devagar.
Tentei acender a luz e nada. Falta de energia proposital? Ofegante, transpirava e caminhei pro final do segundo andar quando ouvi um som, abafado, como um sussurro.
De novo, apenas o cheiro do perfume...
Do nada uma venda me tirou a visão. O coração acelerou, eu quis gritar. A boca foi tampada, suavemente, e vieram doces beijos na nuca. E o comando de uma voz: - quieta!
Não tinha o q fazer.
A vontade era de gritar, chorar, e ao mesmo tempo... Tesão
Cordas foram passando pelo meu corpo. Amarraram as minhas mãos e segui comandada pela voz forte. Mágico, elegante, me fez tremer e gemer ao mesmo tempo. Fui amordaçada...
Transpirei de medo e desejo. Perdi a noção e a direção de tempo e espaço.
Estava a mercê daquele homem que parecia me conhecer tão bem e de quem eu não tinha nem direito de arriscar o nome. Tentei me soltar, enxergar e agucei os sentidos. Eu estava só naquele galpão imenso. Onde estaria ele? E se não fosse apenas um? E se viessem muitos?
Não, não podia pensar assim, o medo não podia me dominar e a solução foi me acalmar.
Senti a baba escorrer pelo canto da boca. Não podia tatear, apalpar, apenas ouvir, e o ruído do silêncio era enorme
Uma mão surgiu silenciosamente percorrendo meu corpo. Era ele, reconheci pelo perfume.
Ele procurava meu corpo e meu cheiro de fêmea acuada, amedrontada. Acariciava cada pedaço como num reconhecimento de terreno e tomava posse aos poucos, sussurrando palavras obscenas. E o medo foi se transformando em desejo, o gemido saindo abafado até que ele me tirou a mordaça e me beijou com calma, devagar, amoroso, apaixonado, me possuindo, beijando, lambendo, sugando, me libertando pouco a pouco, num frenesi louco e suave...

Por Lena, Niterói, RJ

A teoria do medo, do suspense que a fantasia sugere é disparado a maior sensação quando o assunto é bondage. Um delírio, real ou abstrato, pouco importa, já que nesses casos o principal é a essência, a mistura de emoções quando tudo toma forma.
O relato da Lena é impecável e altamente recomendado para quem quer começar o ano pensando em coisas inusitadas.
Nada melhor pra abrir o ano cheio de idéias na cabeça...

E cá pra nós, é um culto ao bondagismo!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Privação de Sentidos


Nesses dias de trabalho intenso em que minha paudurescência fetichista anda exilada num país qualquer da América Central o ideal é tentar passar a quem lê essas páginas alguma idéia de como o gatilho fetichista dispara em certos casos.
E um dos casos onde a veia fetichista faz a festa é a privação de sentidos.
Porque ela consegue agradar a quem tem os sentidos privados e a quem priva, uma vez que o ato pode restringir os sentidos em parte ou de forma completa. Falo de fala, movimentos e visão.
Diria que é um conceito de bondage, ou até de love bondage pra quem assim preferir. O que vem depois dessa privação de sentidos é que vai determinar a tendência que vem a seguir. Se ficar em provocação de orgasmo ou ejaculação estamos falando de love bondade, mas se a coisa tender pra castigos onde a dor é o instrumento de prazer o sadomasoquismo toma conta da cena.
Entretanto, o que entra em atividade após a privação de sentidos não é tão importante nesse artigo quanto ela própria. Porque em primeiro lugar há que saber se as duas partes interessam ao fetichista ou apenas uma delas. Aqui não existe capacitação, apenas desejo. Não adianta tentar obter prazer num lado quando ele só existe do outro. No entanto, em vários casos o prazer está na troca.
Noutro dia em conversas tentando explicar como o fetiche processa nas pessoas que têm tendência a gostar dessas fantasias, um detalhe me chamou a atenção. O nome que dei a matéria assusta os principiantes. E não é pra menos. A fobia de ter os sentidos privados é iminente, não há como negar. Lógico que sem confiança o sujeito sequer atravessa uma rua, porém, a simples idéia de ser manietado durante o ato sexual e ter a visão e fala interrompidas causa apreensão. O que se pode sugerir nestes casos é que haja cumplicidade entre quem se habilita a praticar e que a condução seja entregue a quem tem o medo em pauta.
Mas espera: e se quem tem está em duvidas for justamente quem deseja ter os sentidos privados como conduzir? É simples. Em fantasias nada se perde. Até mesmo a capacidade de comando de quem vai ser comandado. Explico melhor. A auto-imobilização, ou o self-bondage como é mais conhecido seria um caminho. Basta fazer com que um sentido de cada vez deixe de existir naquele momento, conduzido pelas próprias mãos e pronto. Aos poucos se logra êxito, garanto.
E depois que a coisa engrena fica aquele gostinho de quero mais. A entrega se dá, a parceria é estabelecida e com isso, a fantasia passa a ser parte da vida do casal sem medos e sem culpas.
Engana-se quem pensa que uma fantasia só provoca calafrios se realizada pela primeira vez. Os tremores seguem e toda vez que houver a possibilidade de realização eles se farão presentes. Pode anotar. A automatização da fantasia significa que a liga acabou.
Segundo os próprios fetichistas que experimentam a privação de sentidos em suas costumeiras fantasias é tiro e queda. Nada é capaz de provocar tanto frisson em quem se habilita a uma prática deste tipo. Porque a privação da visão provoca sensações incríveis até em fetichistas que necessitam dela pra disparar o próprio gatilho.
Ser privado de um desejo também é um fetiche. Experimente! Tem sempre uma dose de masoquismo num ser humano, por menor que seja. Que digam os sádicos...

Então agora é colocar em prática tudo que foi dito aqui. Ficar de olho no material a ser usado, sempre lembrando que coisas de aspecto mais agressivo como correntes, coleiras e afins, devem ser introduzidas aos poucos em quem chega pra festa.
Tente começar com coisas leves. Cordas macias em pequenos pedaços ou lenços. Fitas adesivas e Ball gags devem entrar no segundo ato. Algemas são bem vidas e se preferir use de cara as que tem a trava de segurança. Sempre dá confiança a quem pensa em se livrar rapidamente se nada der certo.
No mais, boa festa!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Bondage na Cama


Ignore a posição preferida, pense apenas no lugar perfeito para uma boa prática de bondage.
Se este local for uma confortável e aconchegante cama de casal, bem vindo ao paraíso.
Não que seja um lugar único, mas posso garantir que é ideal.
Nada de ser exigente ou buscar contornos fotográficos para uma cena imaginária, pois basta a simplicidade, mãos e pés abertos atados à cabeceira e ao pé da cama.
Está pronta a receita...
A partir de então vale o poder de criação e você e sua parceira podem fazer tudo a que têm direito. Vá lá, anote umas dicas: roupa de colegial na menina. Sempre funciona, dá um clima de seqüestro retrô, daqueles que vagaram pela imaginação nos tempos da adolescência.
Se o ambiente estiver com a temperatura elevada, infernal mesmo, uma lingerie vermelha, rosa, branca ou negra, salto alto, meia de seda e umas velas para criar uma atmosfera sensual é a grande pedida. Seria a parceria perfeita entre a sexualidade e o fetiche, um encontro mágico capaz de gerar a pura energia.
A conclusão que se chega é a seguinte: mulher amarrada na cama é uma tentação e o clímax do fetiche de love bondage. É inegável. Se o distinto cavalheiro optar pela namorada pelada, como veio ao mundo, fique a vontade, porque em nada muda o cenário. Trajes sensuais apenas colocam mais lenha na fogueira.
Agora um conselho, se me é permitida a intromissão na fantasia alheia: viva o momento com tudo, sem pensar na realidade que existe e estará de volta assim que tudo terminar. Deixe os problemas do lado de fora do quarto, haverá tempo de sobra pra tratar de qualquer coisa depois.
Mergulhar na fantasia é a única maneira de obter um resultado perfeito.
De que adianta buscar a perfeição se o pensamento está voltado a fatos que nada têm a ver com o que se passa entre quatro paredes? Fantasia, o nome já diz tudo e é por causa disso que se monta todo um clima para sair da rotina.
Os mais ousados e com alguma experiência em posições de bondage, poderão optar por amarrações mais complicadas e eficientes, porém se a intenção é saborear o momento como um todo, creio que não faria tanta diferença assim.

Jamais se esqueçam que uma fantasia de bondage deve ser precedida de uma faca afiada ou tesoura sempre perto de quem está imobilizado. É um procedimento seguro e que deve ser encarado como essencial. Se alguma coisa anormal acontecer, haverá a possibilidade de reverter o quadro por quem está aprisionado.
Comece a conversar, bolar um roteiro e ponha a imaginação pra trabalhar.
As opções são inúmeras e quando duas pessoas adultas resolvem se embrenhar por esse caminho é o começo de uma grande aventura que viverá pra sempre na lembrança, sem importar o que venha acontecer.

Viver o presente é a melhor maneira de encarar o futuro sem medo e uma chance muito grande de ser feliz por longos anos.
Basta tentar.