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terça-feira, 11 de setembro de 2012

BDSM e Fetichismo



As pessoas costumam dizer que gostam de certas práticas no BDSM, mas não se assumem fetichistas.
Mas em algum lado BDSM e fetichismo se misturam. Pode apostar.
Mesmo de forma totalmente inconsciente há a mescla básica e necessária.
Descobri isso faz tempo. Exatamente quando cheguei em Amsterdam.
Porque na terra gelada dos caras rudes e mulheres grandes sadismo e masoquismo nunca foram tão bem vindos. E acho que pela primeira vez pude entender que um masoquista não se realiza enfiando uma agulha no dedo por sua conta e risco, ele precisa do sádico e da cena.
E a cena é a fantasia, o fetiche latente e pulsante.
O BDSM sempre carrega essa dúvida.
Há praticantes que pensam em cenas mortas, sem glamour. Basta ter a dor pra ter prazer. Talvez o fetiche venha depois, através de fotos, de lembranças, de glórias. Uma marca, uma cicatriz. Mas se este praticante pudesse criar sua cena e estabelecer um elo entre o que gosta e o que reluz, ele teria a simplicidade da criação atendida na plenitude e, talvez, pudesse até mesmo melhorar sua performance.
Ora, fantasias não se definem por acaso. Deve haver um contexto, razões que sutilmente acelerem o desejo. É o momento em que se cria o enredo e se traça planos pra levar os sonhos à realidade. Isso se chama identificação com o próprio desejo.
Admito que alguns dominadores e dominadoras queiram de seus parceiros a entrega nua, completa e definitiva e através dessa devoção estabeleçam seus próprios critérios de fantasia. Entretanto, com uma pitada de simbolismo a submissão cria asas e permite a quem está inclinado a admitir a relação à obtenção de doses de adrenalina para a sua própria combustão.
No bondagismo é mais simples. Alguém é vitima de um seqüestro lúdico e a cena está posta.
Nem tanto. Os desejos afloram em sentidos diferentes por quem entende a fantasia e seu conteúdo. Sapatos, botas, pés, cordas, correntes, algemas, couro, enfim, tudo isso é o fetichismo representado por objetos e ações que vão compor um cenário.
E dessa forma a relação SM também deve ser norteada. Qual submisso não gostaria de ver sua rainha em trajes de gala? A transa perfeita sempre será perfeita, mas se puder vir adornada em detalhes que provoquem todas as sensações imaginadas haverá mais libido, tesão.
Existem fetiches comuns com práticas distintas. A moça vestida de colegial, por exemplo, será para o sádico ou o bondagista a imagem do prazer. Cada qual viverá a cena a seu modo, mas o fetichismo estampado no uniforme será o mesmo.
A simbologia é sempre bem vinda. Conheço submissa que é doida pra se entregar a um dominador vestido de militar. Fácil, simples, há casas especializadas que alugam ou vendem esses trajes. Mas elas travam com medo de serem abusivas. Por isso, morrem com água na boca sempre esperando pelo dia em que tomarão coragem de dizer o que pretendem.
Não há segredos absolutos dentro do BDSM que morram trancados. Se a onda é fantasiar, criar e reinventar sentimentos guardados, o travamento é nocivo e muitas vezes relacionamentos terminam sem que tenha havido a cumplicidade necessária pra abrir o jogo.

Talvez essa seja a principal razão para que todos os praticantes façam uma releitura de suas atividades. Valorizar cada passo conquistado dentro do BDSM é sadio. Não se deve viver uma cena por viver. Às vezes o óbvio é tão mesquinho que gera até arrependimento. O sujeito diz a ele mesmo: “putz, podia ter feito melhor”.
Todos nós carregamos nossas culpas e remorsos. Não dá pra repetir e se arrepender sempre.
É preciso ousar e criar pra que a fantasia não vire algo sem sentido ou sem imaginação. Se o fetichismo existe pra quebrar a rotina, atender 

desejos diferentes, que ele seja então totalmente inusitado como o próprio nome explica. Um feitiço.
O bom disso tudo é ouvir no final da cena alguém dizendo que foi a melhor que existiu desde que se entende como fetichista. Daí basta caprichar na próxima e ser feliz.

terça-feira, 13 de março de 2012

Rumos


Arlene dava um duro danado.
Dois filhos pra criar, um marido se matando num taxi pra trazer grana pra casa e ela costurando pra fora. Com trinta e poucos anos se via sem tempo de reclamar da vida complicada e seguia as regras impostas por ela pra ser feliz.
Um dia uma cliente apareceu num carrão. Trazia um tecido de couro negro e por indicação de alguém se aproximou dela em busca do traço perfeito e da roupa sob medida. Ela topou pela possibilidade de ganhar mais alto e pela simpatia da tal mulher.
Conta que começou a delirar com o traçado da roupa e não fosse de um numero bem maior teria experimentado algumas vezes. Até que a mulher voltou pra uma prova e Arlene sentiu algo mais forte ao ver a mulher esbelta dentro daquela armadura de dominatrix.
Houve recíproca, e naquela tarde Arlene se viu com desejos lésbicos pela primeira vez na vida.
Passaram a usar as tardes livres para encontros sorrateiros. As duas eram casadas e Arlene começou a se entregar cada vez mais aos caprichos daquela mulher e se viu submissa dos desejos dela.
Muitas vezes o fetichismo permanece adormecido nas pessoas até que se mostra mais tarde, mas nesse caso, além das diabruras fetichistas havia o fato do homossexualismo batendo na porta. Por isso, Arlene achou o desejo e dele não queria se livrar nunca mais. Os dias ficaram longos, o trabalho passou a lhe fazer companhia nas madrugadas em claro e o sexo em casa cada vez mais ficava em segundo plano.
Ela queria servir, pertencer, mas dessa vez o alvo usava saias como ela e tinha uma racha no meio das pernas. Chegou a olhar outras mulheres no espaço destinado ao provador de suas costuras, mas não havia lógica que a fizesse gostar simplesmente de estar com uma mulher. Pra ela, a homossexualidade estava na submissão.
Cuidava pra não dar bandeira e aparecer em casa com marcas do prazer arrancado a força. Dona de uma situação financeira confortável, sua parceira fetichista lhe enchia de presentes. Nada de grana, somente objetos, saltos e roupas. Ela os levava pra casa e juntava com tudo que se relacionava com suas costuras pra ninguém perceber.
Certa vez num desses encontros de fim de tarde a mulher apareceu com uma surpresa a apresentou Arlene a outra mulher. Juntas foram ao Shopping, tomaram um café e rumaram para o Motel de costume. A dona da festa algemou Arlene numa poltrona junto à cama e se deliciou com a garota querendo nitidamente causar ciúmes em sua parceira. Ela surtou e através de um escândalo sem fim esbravejou a plenos pulmões contra a condição que fora submetida sem o devido consentimento.
Por conta do feito, foi castigada perante o riso da mulher que parecia uma meretriz.
Apavorada Arlene deu o fora. Entrou no primeiro coletivo que passava por perto e desapareceu. Sofreu com a atitude e segurou a barra da maneira que deu. Exibia um mau humor tremendo em casa e o sorriso deixava sempre guardado.

Depois de tentar de todas as formas uma reaproximação a mulher reapareceu do nada, sem prévio aviso. Arlene foi pega de surpresa com a visita inesperada e endureceu. Deixou claro que a humilhação daquela forma não fazia parte de sua cartilha fetichista, mas ante o apelo insistente e o pedido de desculpas da mulher chegou a fraquejar.
Hoje ela busca conhecimento sobre seu próprio fetiche e está as portas de tomar uma decisão.
Usou esse espaço daqui do blog pra enviar um email com uma história de prefácio e um apelo como epílogo. Ela vive uma dúvida que vai desde o perdão, passa por sua própria convicção e termina no casamento.
Há muita coisa em jogo e não faltam analises a serem feitas.
Normalmente quem abre o jogo ainda que no anonimato precisa de uma palavra de conforto, incentivo ou o que for. Ela tenta se achar nesse imbróglio que se envolveu e tem uma decisão a tomar.
E precisa dos amigos pra ajudar na sua própria reconstrução.

sexta-feira, 9 de março de 2012

A Primeira Pedra


O universo chamado de BDSM é cercado de questionamentos.
Se tais questões aparecessem apenas de fora pra dentro até que seria bastante óbvio, pois trata-se de hábitos e costumes pouco comuns praticados por um grupo seleto de pessoas. Porém, existem algumas questões que insistem em sobreviver dentro do próprio nicho.
E uma delas, a qual me referir em alguns artigos aqui, dá conta da escolha da submissão.
Nada é tão complicado de entender como a submissão.
Tudo isso porque existem vários fatores que compõem a servidão sexual em se tratando de fantasias e desejos. A submissão pode ter dois caminhos: da pura servidão ou com doses de masoquismo. Porque existem pessoas submissas que não aceitam a dor, ou melhor, não precisam da dor pra encontrar prazer. Da mesma forma em que outras aceitam a dor e suportam castigos como forma de oferecer aos seus parceiros (sádicos) uma prova de dedicação e entrega total.
É complicado isso. Um autêntico coquetel de gostos, embora signifiquem algo bastante comum. E por se submeter sexualmente aos caprichos de quem procura por isso no universo BDSM, as pessoas com tendências submissas não podem sofrer preconceitos de nenhuma espécie, porque isso faz parte do tesão e tal comportamento não se faz pressente em suas atitudes fora da fantasia.
É preciso parar com esse papo de que quem é submisso – ou submissa – tem ares de subalterno. Estamos diante de uma tendência sexual apenas, nada mais que isso. É hora de separar bem as coisas e entender de uma vez por todas que a submissão se dá em busca do prazer somente. Já vi gente falando e escrevendo besteiras na rede a esse respeito.
Aliás, como tem gente sem noção criando espaços onde supostamente seriam abordados temas de BDSM. Valha-me! Salta aos olhos frases esquisitas invocando até paradigmas comparando pessoas fetichistas a lixo social. Santa ignorância cretina...
Noutro dia alguém vociferou que a pessoa submissa gosta de ser usada. Sim, gosta é verdade, mas numa relação e de preferência bem sólida, o que não significa que este termo “usada” seja algo conotativo a passar de mão em mão qual garrafa de cerveja em boteco. Se a pessoa quem ela se entrega a usar garanto que ela ficará plenamente satisfeita.
É bem verdade que admitindo o BDSM como uma imensa vidraça eu jamais apostaria em dizer que alguém em se sentindo ofendido com tudo isso atirasse a primeira pedra. Porque a nossa cabeça já está cheia de pedradas que nem cabe mais um galo protuberante. Pessoas que comumente gostam de julgar acham nos fetichistas seu alvo predileto. Portanto, se não nos cabe aceitar esse suposto complexo de vira-latas também não é factível achar que a submissão é o crepúsculo do BDSM.
Minha intenção não é plantar flor nos jardins das submissas com esse discurso e sim tentar estabelecer um critério que coloque as coisas em seus devidos lugares. Pode parecer redundante pra quem já é do meio, mas tem alcance em que pega senha pra entrar na roda. Até porque e pensando bem, como um bom bondagista não me toca a submissão feminina como condição básica pra minha prática. Concordam?
E ademais, enche o saco essa lengalenga de que submissa é isso ou aquilo.

Recebi um email hoje de alguém que anda flertando com o fetiche metendo o malho no marido por ter descoberto no sujeito ares de submissão e podolatria. A moça relata que o sujeito anda pirando com seus pés imundos e sua predileção é limpá-los com a língua de baixo pra cima, ou melhor, bem ao estilo submisso.
Ao responder que era normal e coisa e tal, ela me manda em réplica que não suporta mais tal atitude por considerar o cidadão um porco imundo.
Talvez ela dê atenção as minhas palavras ou

enxote o cara de sua vida pra sempre, vai saber. Na verdade, deveria aceitar a posição do marido percebendo que a submissão sexual em sua vida apareceu como uma simples opção, como a de tantos outros que a intolerância ainda insiste em esculachar.

Um bom final de semana a todos!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Reescrevendo Teorias


A grande vantagem de viver num mundo globalizado é ter acesso total.
E acesso é algo impagável. Simples atualizações te garantem estar em dia com tudo. Daí basta querer saber, conhecer e se interar. Isso derruba tabus e conceitos pré-concebidos.
Portanto, o que sempre se supôs ser um mistério já não é mais e quem se julgava ter a chave da teoria exata hoje a divide com milhões que comunguem do mesmo interesse.
Não é assim?
Pois é, foi-se o tempo. É lógico que experiência não se acha no Google ou na Wikipedia, mas as teorias estão expostas por quem se digna a dividir. Claro que é bom lembrar que tudo que existe e é acessível foi postado por seres humanos, passíveis de enganos como qualquer mortal, principalmente quando se fala em BDSM.
BDSM é uma sigla internacional que define um conjunto de desejos praticados por fetichistas.
Mas é só isso? Não, algumas regras básicas são interessantes e em particular no tocante a condutas. As pessoas têm por hábito dizer que pertencem ao mundo do BDSM sem ao menos experimentar de forma real certas peculiaridades que existem dentro da própria sigla, ou seja, Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo.
Como não? A menina disse que tem um “dono”, que ela se dedica totalmente a ele quase vinte e quatro horas por dia e etc... Pois é, mas esquece de dizer que ele mora na China e ela no Afeganistão, o que significa que estamos diante de experiências apenas virtuais. Sem problemas, ele manda e ela obedece de forma fiel, mas a pratica se restringe a mensagens de email, MSN, ou facebook. Fotos e objetos são fartos, porém, onde está o contato?
A adrenalina é restrita a teorias e desejos que não se consumam...
Não é necessário ser um bam bam bam pra ser praticante de BDSM. Qualquer pessoa pode se aventurar a essas práticas desde que possua conhecimento suficiente daquilo em que está se metendo, assim não quebra a cara e tão pouco se arrepende. Porque BDSM é pra quem gosta, o resto é perfumaria e fantasia realizada duas vezes por ano.
Certo, mas e algumas práticas que não estão na sigla? Normal, porque quem criou esse quadrado se fosse permitir que todos os fetiches fossem assinalados acabaria inventando uma autentica sopa de letrinhas, tamanha é a quantidade de fetiches que podem englobar esse universo.
Ora não sou sádico e muito menos masoquista, mas gosto de bondage, portanto, estou nessa. Mas pode ser que o individuo seja apenas um podólatra e que não costuma interagir seu desejo com qualquer prática de disciplina ou de bondage. Nesse caso só mesmo espremendo e arranjando um lugar, porque o fetiche é parte dos tais que não listaram na criação da sigla, embora não exista fetichista que não reconheça esses e outros dentro do meio.
Visto isso, se chega a conclusão que algumas teorias são falhas quando se fala em dar os primeiros passos no universo fetichista. É necessário analisar com paciência e calma e achar nas entrelinhas do significado onde estão seus pares, ou seja, as pessoas que dividem o mesmo quinhão do bolo. Nem todo podólatra gosta de se submeter, de trampling, portanto, nesse caso, há vagas e ele precisa apenas encontrar a sua.
Outro fato isolado, mas que está implícito na sigla, diz respeito à submissão e ao masoquismo.

Nem toda submissa aceita o prazer pela dor. Ela pode gostar de receber ordens, de se submeter a caprichos e desejos, mas pode não aceitar a dor como prêmio ou via de prazer. Esse é um assunto complexo, merece um artigo inteiro pra que se possa provocar um debate sadio entre pessoas praticantes, mas não custa deixar claro que a letra D da sigla pode ter a conotação de disciplinar, mas não deixa de abrir precedentes quanto à forma de impor essa mesma disciplina (ou dominação, como sugerem alguns).
A idéia que fica sobre as teorias é que sempre podemos reescrever os capítulos de acordo com as próprias conveniências que possuímos. Desde que respeitadas às regras criadas pra englobar o assunto e sem “mimimis” ou

beicinhos porque este é um papo de gente grande.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

No Limbo


Geralmente não gosto de usar esse espaço onde leitores esperam por fatos fetichistas com comentários sobre o que se passa no universo BDSM aqui por essas bandas.
Mas infelizmente, fatos esdrúxulos e inconcebíveis aparecem vez por outra e extrapolam a inteligência alheia. E ultimamente, o que mais me irrita é falta de bom senso no meio. Lógico que estamos falando de um meio totalmente espoliado por conta da mídia que se acercou desse canal que antes apenas representava um gueto social.
A propaganda traz a novidade aos quatro ventos e com isso arrasta pessoas para esse espaço por mera curiosidade que podem até ter pensamentos alinhados, mas sem nenhum critério. E as redes sociais são hoje o maior elemento onde é possível mostrar serviço.
Entretanto, há que existir limite de quem solicita um enlace em canais tipo o Facebook. No meu caso, por exemplo, não faço distinção e coloco a minha fotografia e o nome real incluindo minha escolha fetichista em minha vida privada. Portanto, aceito a adesão de amigos do universo BDSM em minha página, ainda que estas pessoas optem por não exibir seus nomes e tão pouco suas próprias fotografias.
A única e crucial distinção que faço por razões óbvias tem a ver com a postura de certos amigos virtuais. Ora, sabedores que exponho meu nome e rosto e que a pagina é franqueada a familiares e amigos de fora do meio, não está certo que estas pessoas que se mostram fetichistas solicitarem a amizade virtual para postar em seus status fotografias pornográficas. Conclusão: Minha página vira um valhacouto de patifaria visível.
Nada contra imagens fetichistas de bom gosto, me refiro a situações onde mulheres achadas na rede aparecem lambendo caralhos e enfiando objetos em partes íntimas. Se a intenção for postar esse tipo de imagem, poderia haver a opção por abrir um grupo do Yahoo e convidar a quem queira assistir sem impor aos adicionados de uma rede social certos desejos.
Não sou puritano e não tenho preconceito por nada, muito menos faço pré-julgamento de ninguém, mas convenhamos que há pessoas que deveriam tomar um chá de simancol quando despertam.
Ok, basta cancelar a assinatura de fotos ou de status, mas o que irrita antes desse ato que considero um absurdo visto que houve uma solicitação de amizade, é a forma escrota como as pessoas se comportam expondo fotografias que sequer lhe pertencem, ou seja, funciona como uma prateleira onde artigos que agradam são expostos sem o menor constrangimento.
Existem sites apropriados para esse tipo de comportamento. O Fetlife é um deles, mas tomem cuidado, porque exibir fotografias desautorizadas em sites Norte-americanos é crime passível de punição e mesmo que nos perfis constem avatares e apelidos os caras rastreiam e deletam, a principio. A insistência causa denúncia.
Considero que a facilidade acaba por se tornar um caminho mais curto para a exibição do pensamento. A pessoa que faz isso normalmente possui um perfil criado do nada, com um nome inventado ou composto de acordo com seu desejo e outro trancado a sete chaves onde tem seu rosto e nome preservados. Perfeito, legitimo. Então, por conseqüência deveriam solicitar o adicionamento de usuários com as mesmas características, respeitando também a privacidade alheia.
Essa discussão é infinda e vem de anos.

Dificilmente pessoas que estão há tempos no meio utilizam desse artifício. O BDSM é um meio onde o preconceito de fora pra dentro é algo ululante, portanto, as pessoas ligadas aos aspectos que compõem o universo em que habitam devem sempre se preocupar em preservar o chão que lhes serve de base, evitando que gestos inconseqüentes acabem por jogar algo solido e construído por pessoas sérias no limbo.
Não me importo em ter em minha rede escravos e dommes na lista. Senhores e submissas também são bem vindos, desde que postem

imagens condizentes com o BDSM sem expor quem recebe a atualização de seu status.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Fruto Proibido


Faz tempo que as pessoas me perguntam sobre a realização do desejo numa fantasia sexual, principalmente no tocante à própria continuidade e na chegada dos chamados novos desafios.
Pois bem, eles existem.
Isso é parte do aperfeiçoamento, porque as pessoas de uma maneira geral aos poucos moldam seus próprios objetivos. No entanto, pode um fetichista vez por outra se interessar por coisas novas, trocar papéis e criar um novo cenário em suas praticas? Pode.
E desde que esse processo se dê com naturalidade e prazer nada tem de errado.
Esse exemplo se encaixa diretamente como resposta a consulta que recebi de um amigo, que gosta de dominar sexualmente a parceira e agora se vê atraído em ser dominado por ela. Antes há que esclarecer esse aspecto da dominação quando se fala em fantasias. Porque existem duas formas de obter prazer nesse quesito denominado de D/S.
A dominação e a conseqüente submissão podem ocorrer em sessões de sadomasoquismo com o emprego da dor e castigos por circunstância ou pode existir numa sessão de bondage, por exemplo, quando o que se espera é o domínio sexual apenas.
Normalmente as brincadeiras de seqüestro lúdico em jogos de bondage deixam claros os papeis a serem encenados. Alguém seqüestra enquanto outra pessoa se submete voluntariamente. Nesse caso, é mais fácil ocorrer à chamada troca de posições no tabuleiro e o domínio muda de mão.
Já dentro de um jogo de SM o processamento da inversão de comando só existe quando há nos participantes a veia chamada de “switcher” e ocorre em poucos casos, devido justamente às escolhas e vocação.
É evidente que alguns praticantes gostam de dar nomenclatura a tudo que encontram no universo fetichista, porém, não existe um glossário específico que possa traduzir os desejos de quem se apega a jogos de BDSM. Portanto, não é válido estabelecer um elo entre um praticante de bondage e lições de masoquismo. Porque a própria entrega deixa claro que não existe ligação entre a dor e o prazer que se deseja obter.
Uma amiga a quem considero bastante me falou certa vez que um parceiro se dizia praticante de jogos de bondage, mas gostava além das cordas de ter seus desejos negados quando estava sob seu domínio. Esse prazer de ter seus desejos negados seria uma expressão de masoquismo? Não, prefiro considerar que este praticante flertava com o desejo pelo fruto proibido, e tirava excitação através das negativas que sua parceira empregava durante o tempo que era mantido imobilizado.
Considero essa linha mais tênue, branda, e não teria um elo com o masoquismo como expressão.
É importante observar que um masoquista não gosta de sofrer determinadas situações de desgosto na vida como muitos leigos apregoam, e muito menos tira tesão quando espreme seu dedo na dobradiça da porta por acidente. Ele precisa de todo um contesto, cenário e vasto conteúdo pra assegurar a garantia do prazer que está em busca.

Concluindo, aperfeiçoar as práticas fetichistas não significa necessariamente mudar de conceito e muito menos optar por uma troca de posição na fantasia. O fetichista precisa administrar seus desejos e buscar a melhor forma de ter satisfação com as aventuras que cria dentro de um relacionamento, sem a necessidade de violentar sentimentos.
Algumas práticas fetichistas são tão importantes para algumas pessoas que elas chegam a praticar por conta própria quando não encontram parceria, por isso, é importante que estejam cientes e desejosos quando estiverem diante do que tanto procuram.

Então, criar uma fórmula de manter sempre em constante ebulição tudo aquilo que emana de seus pensamentos, desde os tempos em que flertar com as fantasias de forma solitária era tudo o que se tinha.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Conduta


O fetichismo é um eterno jogo de perguntas e respostas.
Desde a descoberta, quando o fetichista faz as perguntas pra ele mesmo, pra seu subconsciente, até a fase de desenvolvimento quando ele precisa interagir em busca de um melhor desempenho.
E pra quem descobre que existe esse universo paralelo numa mesma dimensão as perguntas são intermináveis. A lista seria tão extensa que cobriria os mais de 400 quilômetros entre Rio e São Paulo. Porque além de analisar a sua participação em determinadas fantasias, ele quer entender o mundo a sua volta e de como as pessoas tiram prazer através de atos que até então eram inimagináveis.
Entretanto, o fetichista seja ele um curioso recém chegado, um iniciante ou até mesmo um experiente, precisa estar atento a sua própria conduta dentro e fora do meio. A exteriorização do fetiche em casos de exibicionismo é até certo ponto aceitável, porém, em alguns deles ela se torna intolerante. Porque existem abusos desmedidos principalmente da parte de alguns que por serem inexperientes procuram alguma forma de se exibir no meio em busca de certa projeção.
Ora, os fetiches sexuais são atos que de uma maneira geral estão ligados a relações íntimas, salvos alguns casos onde existe a exibição em locais apropriados, como um espaço reservado para um evento ou em sites comerciais. A exposição publica de práticas não cabe em mentes conscientes e maduras. Tá certo que o sujeito seja fetichista e goste de trampling, mas ir até uma sapataria com sua parceira e pedir que ela experimente um sapato dando pisões em seu corpo deitado na frente de uma clientela que não está lá pra ver este tipo de cena é um abuso, da mesma forma que seria um acinte o casal se despir no meio de um Shopping Center e começar uma transa.
Há que existir bom senso.
Atos desautorizados se tornam ofensivos aos olhos de quem não está interessado em assistir.
O exibicionismo é uma fantasia, assim como em certos casos de submissão ou masoquismo a humilhação também é. No entanto, vale esclarecer que as pessoas que se dispõe a assistir essas cenas devem conhecer do assunto e saber do que se trata. Leigos se assustam e aumentam ainda mais o sentimento preconceituoso que existe contra esse tipo de preferência.
As sociedades dos países latinos sofrem de um atraso considerável e não têm absorção pra esse tipo de pratica como em países desenvolvidos. Não que essas praticas sejam comuns a todos, apenas elas são toleráveis, mas mesmo assim as pessoas não aceitam que haja essa liberdade toda de se exibir em locais onde não exista complacência pra tanto.
Há outras regrinhas básicas de conduta dentro do fetichismo, ou do BDSM se assim preferirem, e elas devem ser interpretadas como condição única e aceitável para coexistir no meio. Até mesmo em espaços dedicados a esse tipo de assunto na Internet, como blogs e sites deve haver esse exercício de conduta também. Escrever sem responsabilidade é temeroso, porque pode uma pessoa com alguma simpatia encontrar aversão naquilo que lê.

A principal fonte de consulta do fetichismo é a literatura, farta nos dias de hoje e imperceptível em tempos idos. Porém, o próximo passo de quem encontra interesse pelo tema é a aproximação com pessoas que possuam um grau de entendimento suficiente para servir de interlocutores entre o recém chegado e o meio.
Portanto, ser coerente numa hora dessas é tudo que se espera de pessoas que de um modo ou de outro tiveram acesso há mais tempo.
Não existe verdade imutável e tão pouco alguém que se apregoe o dono dela.
Fetichismo é antes de tudo uma conjunção de desejos e o objetivo a ser alcançado é o prazer.
Fora disso, é conversa jogada fora ou pura falta do que fazer, já que os mesmos anjos e

demônios que habitam esse universo fazem parte do mundo como um todo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Spun (2002)


Tá certo que as pessoas que se interessam saiam por aí garimpando pra encontrar o que o cinema mostrou sobre BDSM. Na verdade, o primeiro contato do fetichista e suas fantasias vêm do cinema, por isso não é raro encontrar fetichistas ligados à sétima arte.
Dito isso, o pesquisador do BDSM no cinema é atraído em primeiro lugar pelas fotografias que fazem parte da divulgação do filme, só depois ele procura saber sobre o conteúdo da obra.
E nossa história de hoje faz alusão ao filme Spun, dirigido por Jonas Akerlund do ano de 2002.
Num universo confuso rodeado por drogas, traficantes e rock and roll, esse cara tirou ótimas cenas de bondage com pitadas de SM. Parece mentira, mas o roteiro é algo tão indecifrável que talvez um sujeito totalmente drogado fosse capaz de desvendar o que a direção quis mostrar ao espectador.
O filme mais se alinha com um estudo do caráter e conduta dos personagens do que com uma trama de suspense ou horror. A atuação dos atores é de dar dó, porque soam estar tão drogados como os personagens que representam. Claro que a beleza de Chloe Hunter não pode passar despercebida. A menina é um caso a parte e no papel da donzela em perigo está perfeita.
O que o filme tenta mostrar é uma odisséia de três dias de sexo, drogas e rock and roll. Alguma coisa com traficantes perigosos aparece como pano de fundo, entretanto, o que vê são rostos deformados pela quantidade excessiva de drogas consumidas e uma orgia sem nexo.
Subtrair algo de bom além das cenas de bondage é complicado.
A grande vantagem pra quem gosta do fetiche é a duração das cenas em que Chloe Hunter aparece algemada e amordaçada na cama. O diretor deu uma canja pra essa gente bacana que se posta na turma do gargarejo em busca do fetiche. Dá pra tirar o chapéu e bater palmas pra ousadia do cara, no entanto, a coisa pára por aí.
Se alguém decifrar o enigma que o cidadão criou em Spun eu aceito a critica.
Talvez um misto de cenas de velocidade irresponsável e falta absoluta de moralidade seja a idéia principal. Ou quem sabe algum conceito escondido não tenha me chamado a atenção.
Porém, se sua fantasia é imobilizar uma mulher por um longo tempo e deixá-la a sua mercê não tenha duvidas de que esse é o seu filme. Os detalhes das partes imobilizadas da bela atriz me remetem aos filmes de bondage.
Aqui minha nota é dez.

E pra ter na coleção somente por esse critério. Qualquer outra intenção de tentar convencer que esse filme vale a pena como obra cinematográfica cairia por terra.
A versão em DVD com ótima resolução é fácil de achar em sites como o Amazon.
Na rede, não encontrei nada que possa passar como dica para quem prefere no 0800. Nem em arquivo torrent eu achei. Fiquem com um pedaço do filme e reparem numa cena fetichista muito legal.



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ao Pé do Ouvido


Pois é, o fetiche é uma delícia pra quem sabe tirar proveito dele. Isso é fato.
Porque o ser humano, na maioria dos casos, tem loucura por aguçar seus sentidos quando sente tesão. E quando as pessoas usam determinadas fantasias em seu próprio benefício é tiro certo, dá à lógica. Portanto, da próxima vez que rolar uma fantasia, por mais simples que possa parecer, o negócio é provocar os sentidos de quem divide a cena.
E um dos sentidos que impulsionam é a audição.
Quem não gosta de escutar uma boa sacanagem ao pé do ouvido na hora certa?
Provocar faz parte do jogo, estimula e garante um bom começo de noite. E se existe uma fantasia rolando nada melhor que caprichar no que vai ser dito.
Deixe a coisa fluir e não tenha melindres em se mostrar pra quem divide uma cama. Puritanismo demais estraga. Esse negócio de economizar palavras com a parceira pra falar no ouvido de outra é uma tremenda babaquice. Se não dá resultado o sexo com quem está bem próximo é melhor largar o lugar na fila e procurar outro local pra pendurar a roupa.
Há pessoas que não se ligam tanto em estímulos auditivos, outras, porém, adoram. É uma questão de gosto mesmo. Fetichistas de um modo geral não abrem mão de coisas ditas na hora da onça beber água. Até gemidos fazem a diferença. A expressão da reciprocidade na hora da cena encanta quem se delicia com sessões fetichistas.
Qual bondagista não se derrete por um gemido da moça abafado por uma mordaça?
Sou testemunha de casos onde havia certa resistência em começar uma cena da bondage e as palavras ao pé do ouvido bem ditas quebraram o gelo. E olha que o cara queria ser amarrado e dominado sexualmente pela mulher. De tanto que ele falou, ela tomou gosto pela coisa e, segundo ele me garante, não abre mão da prática e se excita quando ele mostrando desespero pede socorro.
Em pensar que ela relutava em trazer a fantasia de captura pra dentro da relação...
Quando a fantasia tem ares de ingenuidade é mais fácil trazer pessoas de fora pra dentro da festa. Complicado é colocar na cabeça de alguém, determinados estímulos que não condizem com os sentimentos de quem se tem ao lado. Por exemplo, o prazer através da dor.
Essas práticas devem ser precedidas de um conceito muito bem definido antes de serem colocadas em discussão, porque a tendência tem que ser total para que haja sintonia.
Ninguém convence alguém a sofrer castigos severos e arrancar prazer quando não existe desejo. É preciso total comprometimento para que haja reciprocidade. Um masoquista não sente prazer amassando o próprio dedo na porta, é necessário todo um contexto para que ele ou ela tenham o desejo atendido.
É aquela história, o fetiche se resume aos pares.
Um sádico precisa de uma masoquista e vice-versa, como um bondagista precisa de uma bondagette...

Por isso, o que se fala ao pé do ouvido para atiçar o estimulo auditivo da pessoa que está ao lado tem que estar diretamente ligado a prática que se pretende fazer. Não vá um bondagista dizer no ouvido de sua parceira ao vê-la amarrada que castigos a esperam. Esse papo pertence a outro segmento e assim sucessivamente.
Hoje com o mundo virtual fazendo parte do dia-a-dia das pessoas, até o que se escreve em canais de comunicação direta pela rede pode funcionar como um estímulo, que eu diria quase auditivo. A pessoa escreve e do outro lado alguém se alinha com os fatos e plasma a voz sussurrando baixinho.

E um dia, quem sabe, tudo se torna real...
Então escolha a fantasia, combine com a parceira ou o parceiro e parta pra não deixar nada de fora na próxima vez. Ao pé do ouvido tudo é bem vindo, desde que faça parte do jogo escolhido por ambos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sobre Castelos e Rainhas


Nada é por acaso, quanto mais sexo e fetiches.
Ainda que se recorra a uma trepada considerada de “galo”, a ogiva não alcança o alvo sem a devida permissão. Há quem a lance e quem receba o petardo infalível...
E nessas mal traçadas linhas eu pergunto: pode um simples plebeu conquistar o coração de uma Rainha?
Num lugar de “faz de conta” ou num mundo surreal a realidade não tem vez. O que circula nos corredores e se transforma nas mais sórdidas conspirações palacianas inexiste de fato e de direito. É como vender um terreno na Lua ou um pedaço da estátua do Redentor. Tudo se imagina e é ficção. Reis e Rainhas são simples personagens rodriguianos.
Porque o melhor da fantasia está na criatividade de seus inventores. E não me venham com bordões moralistas efêmeros e sem graça, porque fantasia é fantasia até que se prove o contrário.
Portanto, esse mundo imaginário seria literalmente meu. E noves fora a minha insana loucura de me achar o dono de tudo ou supor que sendo eu quem move todas as peças do tabuleiro, num primeiro momento eu posso delirar com todas as loucuras que povoem um pensamento totalmente libertino. No entanto, nem por isso eu iria deixar de dividir com todos os confrades as mais belas damas que por clara conseqüência seriam minhas. Imaginem um mundo só meu, todo meu, em que todas as mulheres fossem minhas?
Porém, os Reis convivem com as Rainhas e dividem as honras.
E as Rainhas são senhoras de toda a graça e luz. Não duvidem da capacidade de absorção fetichista de uma Lady Vulgata ou uma Rainha Victoria Catharina. Elas sabem o que querem e por saber o que desejam têm súditos. Porque não basta postar fotografias de pés eloqüentes e bem cuidados em redes sociais ou usar uma roupa negra de vinil para se apregoar a Deusa Eterna do Castelo no alto da colina. O BDSM não perdoa erros e gafes.
Pergunte ao mais comportado submisso onde ele deseja postar a sua reverência. É preciso chão, estrada, poeira e experiência pra saber ordenar, distribuir e se fazer obedecer. Na minha caminhada fetichista que esse ano completa duas décadas de dedicação e conhecimento, convivi com essas raras mulheres em toda a sua plenitude. Quem não se sentiria orgulhoso de ter visto de perto uma Barbara Reine comandando uma Play em seu trono?
Não se fabrica uma Rainha da mesma forma que se constrói um Reino de Fantasia.
Eu posso plasmar as mais doces loucuras, mas não seria capaz de recriar o âmago que exala de um coração fetichista. As famosas Damas de Ferro que empunham chibatas têm sentimentos e se apaixonam como qualquer mortal, ainda que façam parte do meu mundo surreal. Portanto, um submisso pode sim roubar o coração de uma Rainha e fazê-la suspirar por ele, porém, jamais comandará ou tomará as rédeas, até porque não deseja em nenhum instante que isso possa acontecer.
BDSM e sentimento são caminhos que se cruzam. Ainda que comecem afastados num primeiro momento lá na frente hão de se achar para viverem felizes pra sempre ou conviver com uma desilusão.

No meu Castelo as regras são claras e a principal delas é que é permitido sonhar. Com dias melhores, talvez, com todas as aventuras que uma mente fetichista seja capaz de produzir, ou quem sabe com um pequeno instante de loucura onde o delírio seja simplesmente aceitável.
Pra você, meu caro, que gentilmente me enviou uma pergunta simples e objetiva, tenho a dizer que todo esse mundo fantástico que do nada fiz nascer na tela, comporta a essência que une amor e BDSM numa única emoção.
A lógica diz que a prática fetichista pode surgir através de um mero interesse de conduta ou

pela plasticidade da prática ou até por um desejo caprichoso. Em contrapartida, se houver um mínimo de vontade de repetir tudo outra vez poderá terminar num outro Castelo que será erguido por quem fizer parte da aventura. E por que não?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Ultima Academia BDSM


O clube Rapture ficava em New York.
Uma autentica academia onde se aprendia a praticar todo tipo de cena dentro do BDSM.
A palavra "Masmorra" não fazia justiça ao lugar. Rapture era uma casa de teto alto em Manhattan, ocupando um andar inteiro de um estúdio / sótão.
Quatorze senhoras preparadas para receber num ambiente de quatro quartos, cada um especialmente equipado para atender aos caprichos perversos de sua clientela.
Duas salas eram um “standard dungeon”, outra era uma sala equipada para bondage e Shibari, e uma sala médica. Embora não tivesse em sua atmosfera a ostentação de outras casas de dominação da cidade, tais como o “Pandora’s Box”, era limpo, seguro e estéril, o que não pode ser dito sobre todas as casas de BDSM em Nova York.
O Rapture também tinha definida a "política sem sexo". Era uma escola, ou, pelo menos deveria ser.
A caixa de ferramenta sórdida continha uma lista quase infinita de implementos de disciplina; bengalas, floggers, bullwhips e instrumentos de tortura, tais como velas, piercing, equipamentos, aparelhos de eletrocussão, e os brinquedos de humilhação como móveis de tortura medieval e as câmaras, incluindo vários cavaletes, camas para prática de bondage e diferentes e atrativos jogos de cordas cortados em tamanho padrão.
Bastaria colocar as mãos em todos eles, participando do que seria o melhor curso de dominatrix do mundo; treinamento intensivo que fazia com que as meninas do Rapture fossem consideradas as melhores no negócio.
Quem pensa que ser uma dominatrix é um caminho rápido para o dinheiro fácil está redondamente enganada. Este curso intensivo abrangia todos os aspectos da profissão, desde psicologia e segurança, as habilidades técnicas necessárias para utilizar as ferramentas, e como preencher as horas assim que o escravo fosse prostrado aos seus pés.
As sessões poderiam durar até seis horas.
Qualquer um podia escolher cursos avançados em temas tais como bondage e shibari que envolviam instrutores convidados, e intimidação não conflituosa. A mente se encantava.
Os instrutores, Ardenne e Mitsu ensinavam os truques da dominação.
Eles fizeram um relato de uma versão compactada de um curso que normalmente demoraria sete dias, uma semana que se iniciava com o atendimento por telefone e terminava com a formação em jogos sexuais avançados.
E tudo isso se resumia num mundo de dominação que só de imaginar dá vontade de aprender.
Ardenne foi para uma escola católica aos 12 anos. Ela descobriu o BDSM aos 22, ano em que perdeu sua virgindade. Um ano mais tarde começou a trabalhar no Rapture. Inicialmente uma sub, afirmava que começou no Rapture para voltar para um ex.
Mitsu declarou na época: “existem os que insistem em realizar fantasias que fogem do objetivo do curso, que está totalmente fora de nossa própria capacidade técnica.”
Como um cara que perguntou: "Você pode me castrar?”
Eu apenas respondi: “Você precisa ir a um cirurgião para isso.”

Tudo isso foi um sonho que durou exatos cinco anos, porque há algum tempo atrás o proprietário do Rapture, Collin Reeve, foi preso juntamente com todas as dommes do local acusado de prostituição e outros delitos.
O Rapture fechou suas portas e hoje restam fotos e recordações do lugar.
Ninguém sabe ao certo se realmente existia esse tipo de atividade no local, ou por desavenças com a vizinhança o clube tenha vivido em 2008 seus últimos dias.



A idéia era ótima, o clube foi famoso e teve seu tempo de glória que terminou com o pagamento de uma fiança de 30.000 dólares e o desaparecimento de seu proprietário, dominadoras, móveis e utensílios.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Falta que faz


Ando com saudades de pessoas.
Principalmente aquelas que de alguma maneira marcaram minha vida quando o assunto é fetiche. Tá legal, que seja BDSM. Porque tem leitor(a) aqui exigente demais nesse aspecto. Dizem que falo muito em fetiches e pouco em BDSM.
E de algumas dessas pessoas que me fazem falta sempre é valido pegar alguma lição de vida, um exemplo.
Porque BDSM é igual à roda de capoeira. Tem muita gente pra dar banda e pouca pra cair.
Acha exagero? Faz uma reflexão, fim de ano chegando... Sempre é bom.
E essas pessoas as quais me referi sempre trouxeram algo a somar nos meus dias fetichistas. Desde comportamentos, teorias e outros exemplos mais, até o fato de assumir certas tendências. Porque não é fácil assumir algumas fantasias no universo BDSM. O fetichista nasce envergonhado. Desde cedo convive com diabinhos que o atormentam e o fazem dar um passo atrás toda vez que ele pensa seguir um rumo. Estou errado galera?
Daí o sujeito pra vir a público, ainda que no anonimato, e assumir que gosta de inversão, fio terra e algumas coisas bizarras é complicado. Da mesma forma que eu assumo que mulher amarrada pra mim não é paisagem e tão pouco uma cena de dar dó em novela de TV. É tesão na veia brother e não dá pra ficar de esconde-esconde.
Admiro o podólatra que gosta de pé imundo e assume. Qual o problema? Se as pessoas acham nojento, anti-higiênico é problema de quem pensa assim. Se o sujeito gosta, vamos respeitar. O tesão é dele, o problema é dele, o chulé quem vai cheirar é ele...
Voltamos, então, ao assunto da roda de capoeira. Começo a ter um pouco de razão.
Porque basta fuçar e sempre haverá uma historinha que condiz com o fato. Já está na hora de parar com essa babaquice bucólica de olhar pro fetiche alheio e torcer o nariz. E isso pega mais que gripe de inverno. Atravessa cidades e se funde numa imensa nuvem de fofocas. O jogo do dominó que um leva o outro até o destino final.
Porque fulano é isso, fulana é aquilo, e por aí vai. Antigamente um munch fetichista era um lugar de discussão de práticas, de cultura e até quando se marcava plays e festas. Hoje, salvo alguns casos, é lugar de meter o sarrafo na vida alheia na cara de pau.
Já ouvi pérolas tipo: “essa festa vai ser uma merda, só tem podolatria”. Ótimo, se não agrada não vá mesmo. Mas sentar o sarrafo em quem se esmera pra promover um evento é uma burrice cósmica, sem nexo.
O grande barato é que o fetichista não se rende. Vejo gente jovem chegando e metendo a cara sem medo. Os caras mandam ver, chegam a infestar sites de relacionamento com festas, leilões de pés de musas e isso me anima. Porque começo a vislumbrar uma nova fase no nicho.
Lembro de um tempo não tão remoto onde as coisas aconteciam numa surdina tremenda e até a divulgação era pouca ou quase nenhuma. Se resumia a um imenso boca a boca.
Está mais que na hora de dar uma bola pra essa galera que chegou com força e não desanima.
Gente que não tem medo de entrar na roda e levar banda. Gente que divulga o que gosta e dá o exemplo a quem não se identifica de criar seu próprio espaço e canal e sair por aí em cima de um caixote nas redes sociais, nos blogs, alardeando que tem uma festa tal acontecendo ali.
O universo fetichista não tem dono e as coisas acontecem pra quem chega na frente, já dizia Barbara Reine há muito tempo atrás.

Se não der pra juntar cinqüenta ou cem pessoas bola uma play que absorva todos os pares que comungam de uma mesma linha de pensamento. Como nos tempos da Mandic, em que uma galera se juntava em São Paulo e tudo acontecia pra poucos e éramos muitos.
Hora de sair da toca, colocar a roupa mais bonita e tentar a sorte onde seu fetiche fala mais alto deixando de lado essa postura imbecil de falar mal apenas pra se mostrar diferente.

Porque nós já somos diferentes.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Secret Diary of a Call Girl (2008)


Secret Diary of a Call Girl, ou Diário Secreto de uma Garota de Programas, conta à história de Hannah e é baseada em um blog que depois virou livro de uma prostituta da vida real (quase uma Bruna Surfistinha), e mostra uma jovem que adora sexo e dinheiro e para juntar o útil ao agradável, resolve aderir à profissão mais antiga do mundo. Nasce à prostituta de luxo Belle.
Mesmo com um tema desses, a série consegue ser inteligente, intrigante e com um texto impecável sem se entregar à promiscuidade exagerada (deveria?). Nada de mais para quem já viu algum episódio de Californication, The Sopranos, Entourage, Tell Me You Love e etc.
A atuação de Billie Piper (Doctor Who) é o ponto forte da série. Ela está ótima na pele de Belle/Hannah e consegue transparecer toda a luta da personagem em tentar viver em harmonia em mundos diferentes. A forma como a câmera é usada como se fosse o diário pessoal dela, é um formato bem legal. O tempo todo ela olha para a câmera e faz comentários em tempo real como se estivesse escrevendo um diário e conversando com o telespectador ao mesmo tempo. Londres como pano de fundo é algo muito legal para quem só está acostumado a séries americanas. É tudo bem diferente. A trilha sonora é ótima e vai desde Madonna a Regina Spektor.
Até aqui, como drama, a coisa vai bem.
Os ingleses capricharam tanto na série que na época devido à greve dos roteiristas nos Estados Unidos, as grandes TV’s compraram o pacote. E em seguida ganhou o mundo. Porém, quando se fala nas experiências fetichistas e no desenrolar das tomadas eróticas o tempo fecha. A obra definitivamente não diz a que veio.
E dentre tantas cenas de “atendimento a clientes especiais” alguma coisa ligada ao BDSM tinha que dar o ar de sua graça. Mas, infelizmente, deixa a desejar. Alguns críticos não pouparam a direção de Yann DeMange e falam até em falta de testosterona na concepção de algumas cenas mais fortes. As cacetadas não param por aí e até as roupas utilizadas pela meretriz e sua pouca ousadia em lidar com a clientela endinheirada é motivo de revolta.
E cá pra nós, o tema tinha tudo pra abusar em ousadia se o diretor estivesse por dentro do assunto e não criasse histórias fantásticas que ouviu falar.
Com um orçamento de fazer inveja na época e com a visão totalmente voltada para o mercado americano em crise, a série merecia mais, muito mais. O que se tem é pouco comparado ao que se esperava. A versão em DVD dos episódios que foi lançada debaixo de um apelo apregoando uma exibição sem cortes é desnecessária.
Vale apenas pela beleza não muito convincente de Billie Piper e a lembrança de que fetichistas sempre procuram as prostitutas na ânsia de aplacarem a fúria de suas fantasias sem parceria.
Mas se você espera ver nos episódios experiências de BDSM convincentes não perca seu tempo e sua grana. O que se vê é uma prostituta despreparada para este tipo de atividade, sem qualquer noção básica de práticas de BDSM abusando do direito de se divertir às custas de um cidadão que estava pagando por seus serviços.
O excesso de risadas deve ter feito efeito junto ao povo que produziu as cenas, gente que nada tem a ver com fetiches e fantasias, mas o espectador que espera uma cena com seriedade e tesão fica no vácuo.

Portanto, não recomendo a série como obra ligada ao BDSM.
Se você gosta de drama, se você se solidariza com a vida difícil das mulheres que recorrem à prostituição como forma de ganhar a vida e passam por problemas acerta na mosca em assistir. Caso contrário, não ocupe espaço de sua prateleira para este DVD.
Confiram as cenas bizarras onde o BDSM é tratado com ironia.




sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Reverência


O que é bom deve ser divulgado. Pensando nisso, peço licença a uma pessoa que admiro e reposto um artigo que ela escreveu há tempos. Pra ela, a minha reverência. Sempre.

By Lady Vulgata

Neste pequeno breviário vou me referir aos dominadores, sobretudo a alguns muitos famosos no nosso meio. Em conversas com alguns amigos do grupo SAT BDSM, e outros sem grupo e de outros grupos, percebi como a construção do imaginário é algo complexo dentro e fora do meio.
No meu estudo, onde recortei um grupo e uma classe de fetichistas, fica explícita, pelas próprias leituras de Sade, Masoch, Bataille, Morin, Millet, Pietroforte, Stanton, Grillet e tantos outros, a percepção de que tudo começa num sonho que pode ou não virar uma fantasia, bem ou mal resolvida na cabeça das pessoas. No geral, todos têm fantasias. Alguns sufocam e outros resolvem assumir.
Óbvio que não vou fazer apologia aqui. O mundo não é BDSM. Não acredito nisso. São tipos de fantasias muito específicas que podem se tornar realidade. Mas acredito sim que todos têm um lado B. Sempre falo isso porque observo o quanto isso sufoca e atrapalha a vida prática das pessoas que se podam.
E construir um perfil dominador coloca para fora os sonhos mais remotos, desde os super-heróis que habitaram a nossa infância; o pai que era o Máximo; uma paixão por mitologia e seres com muitos poderes; a sensação de ser adorado e venerado pelo clubinho do bairro; as brincadeiras com os colegas envolvendo as cordas, as vendas e as mordaças; as privações de sentidos envolvendo ar, água, terra, fogo; o polícia e ladrão; os comandados e os comandantes. E por aí vai. A psicologia está cheia de exemplos e links entre essas construções.
Conversando com um ex-sub muito querido, concluímos que pessoas como Sr. Verdugo, Sr. WZ, ACM, Metatron, Parallax, JonatanStrange, MistressBela, Mistress Belle, Rainha Laura e tantos outros dominadores – e me incluo na lista – nem sempre passam uma imagem fiel acerca de suas personalidades. Os motivos, francamente não sei. Mas tenho duas hipóteses: a primeira diz respeito ao imaginário dos submissos que se apegam às fotos, às descrições que estão em suas mentes sobre dominadores, sádicos e figuras do SM idealizadas; a segunda é a força das personagens criadas por cada um de nós propositalmente e, neste sentido, acho até saudável esse distanciamento porque aumenta o interesse e o tesão.
É freqüente ouvir de submissos, masocas e até de dominadores menos experientes uma certa idolatria para alguns desses nomes. Não que eles não mereçam; pelo contrário. Cada um nas suas especialidades merece toda fama e elogios que possam ser endereçados a eles. São pessoas que ajudaram a divulgar e desmistificar o BDSM em nível regional, nacional e até internacional.

Mas pensar que Verdugo andará pelas ruas da cidade com um machado ou que sua vida se resume a planejar cenas com sangue a agulhas é até engraçado. Ou imaginar que WZ e ACM vivem com metros e metros de cordas a punho o tempo inteiro. Ou ainda, que Mistress Bela e Mistress Belle não fazem mais nada da vida do que cuidar dos seus mundos fetichistas e seus discípulos. Mais ainda, pensar que Parallax e JonatanStrange – ou mesmo eu – são pessoas más, sórdidas, que vivem planejando meios de derrubar os pobres iniciantes sulistas em armadilhas é patético. Já ouvi a seguinte frase

sobre meu brother: “O Parallax deve ser muito malvado porque a cara dele é de poucos amigos”. Olha gente, se existe amizade real, ali está um belo exemplo! Claro que ele só é amigo de quem realmente sintoniza ou que enxerga verdade nas atitudes. E com ele faço meu coro, assim como garanto que a regra valha para todos do meio que tenham personalidade e caráter.
Há quem fique maravilhado porque vê em meu álbum as fotos com o ACM, assim como comentários carinhosos aqui no meu blog. Gente, ele é uma pessoa de carne e osso, tem sentimentos, simpatias e afinidades. Eu o amo e ele sabe disso. Logo, trata-se de uma relação normal de amizade. E ele nem é tão malvado assim...rs

Um bom final de semana a todos!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Paris, France (1993)


Diria que foi uma grande cartada.
O diretor Jerry Ciccoritti queria filmar algo bem sensual e atrativo e depois de flertar com o BDSM descobriu que estava ali o fôlego que faltava pra fita decolar.
Duas décadas antes alguns diretores tinham passado a receita, baseado nisso, Ciccoritti seguiu a trilha e filmou Paris, France.
Ora, se não é possível liberar as suas fantasias sexuais dentro de um casamento sem graça é melhor sair pra tentar. Lucy, interpretada pela eficiente Leslie Hope, finalmente encontra um jovem capaz de desbloquear o lugar erótico escondido dentro dela própria. A concupiscência desinibida deles libera a adrenalina necessária em seus atos que culminam em cenas vigorosas de sexo e paixão.
Este filme tem a marca de Leslie Hope, não só por ela seduzir o espectador com suas palavras, mas também através da nudez bem aplicada no enredo. Na verdade, ela comanda as ações, principalmente nas cenas de BDSM que é o que nos interessa aqui na resenha.
Há algumas partes do filme que são muito boas e outras que são muito ruins. Às vezes é um drama e às vezes é uma comédia, o problema é que muitas vezes é engraçado quando não deveria ser, e, por isso, e só por esse detalhe, nota-se que o diretor perdeu um pouco a rédea.
Basicamente é a história de uma mulher que tem um caso em Paris e decide escrever sobre isso. Se envolve com um bissexual arrogante que havia escrito uma novela sobre um “Serial killer” que ela conheceu através do próprio marido, dono de uma editora. Mas ela quer mesmo é viver todas as experiências eróticas possíveis antes de se aventurar a escrever, então resolve se envolver em relações de sexo intenso e selvagem com seu novo amante, aproveitando o clima de uma cidade como Paris para dar vazão a sua volúpia, descobrindo aos poucos todos os fetiches possíveis.
Paris, France, é uma produção do Canadá e claramente nossos amigos do norte sempre colocaram alguns produtos quentes no mercado na área de cinema independente.
O fetiche se apresenta em trajes de gala no filme. Ora através de comportadas cenas de bondage realizado com toalhas e venda daquelas que se usa em avião pra dormir, ou em tomadas de dominação realizadas com trajes de couro onde Leslie Hope mostra toda a sua exuberância como dominatrix. Os amantes da podolatria são atendidos com excelentes cenas.
O mais importante, porém, é a introdução das cenas fetichistas dentro de um enredo até certo ponto pobre, porque o brilho que os atores emprestam aos personagens é intenso, assim como a excelente fotografia e posicionamento de câmeras nas tomadas.
Jerry Ciccoritti não apresentou um clássico do BDSM no cinema na década de noventa, mas o filme é eficiente num aspecto geral e não deixa cobranças indevidas em espectadores ávidos por cenas fetichistas. Talvez a concorrência com Basic Instint de Sharon Stone lançado quase de forma simultânea tenha apagado um pouco o brilho desse filme, mas quem gosta da telona vai recordar de algumas das cenas de Leslie Hope em Paris, France.

A versão em DVD é muito bem feita e se houver possibilidade eu recomendo que você busque alugar em alguma loja especializada ou se arriscar a baixar na Internet a versão na íntegra. Lembrando que encontrei em alguns sites de download a versão fracionada em quarenta a um links. Será preciso muita paciência pra baixar tudo.
Entretanto, pra quem gosta de fetiche bem feito exibido pelo cinema esse filme não pode faltar na sua coleção.

Assistam ao trailer oficial do filme.