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segunda-feira, 19 de março de 2012

Poker Run (2009)


A dica cinéfila de hoje vai pra quem se liga num filme de ação, suspense e aventura, com deliciosas pitadas de bondage. Pois é isso que o diretor Julian Higgins prometeu ao produzir Poker Run no ano de 2009.
A trama tem início quando dois advogados resolvem colocar mais adrenalina em suas vidas. Compram duas motos estradeiras e decidem levar suas esposas pelo interior atrás de uma eletrizante disputa de pôquer. E durante a compra das motos, conhecem dois malucos que supostamente interessados na barganha, acabam seqüestrando suas esposas e espalham pistas pelo caminho para que os dois sigam a trilha.
A idéia é decente. Claro que em princípio, o espectador sugere que seria fácil sair do meio do enredo em que se meteram dois caras da cidade envolvidos com motoqueiros de estrada, mas na medida em que o filme avança o enredo toma vigor a se torna algumas vezes eletrizante, com altas doses de suspense pra ninguém botar defeito. Isso sem contar as cenas das donzelas em perigo que é – digamos – a nossa especialidade.
O filme deixa alguns “buracos” a serem preenchidos por quem se dedica a assistir os noventa minutos de película. Não me cabe dar todas as dicas aqui, é verdade, mas soa estranha a idéia da direção em criar um suposto conluio entre os vendedores de motos e um dos advogados que parece pouco interessado em descobrir o paradeiro da esposa.
Entretanto, a boa fotografia, o áudio rico em detalhes e a própria aceleração das cenas mais eletrizantes é suficiente pra prender o espectador na poltrona.
As cenas de bondage são rápidas, mas compensa esperar pra assistir a belíssima Jasmine Waltz exibindo seus seios fartos, com os pulsos amarrados à cama e silenciada por uma mordaça de fita adesiva bem colocada. Pode parecer bobagem, mas pra quem gosta desse tipo de cena é comum a observação da cena de bondage e seus detalhes. Não dá pra ficar indiferente quando uma donzela aparece em perigo iminente com as cordas frouxas ou com uma mordaça que qualquer um é capaz de dizer que escorregaria ao primeiro movimento do rosto.
Em Poker Run, esse fenômeno não se repete, fazendo com que as cenas pareçam bem reais quanto se supõe.
Pra galera que se liga em motos e velocidade, bares de estrada e cabeludos pirados o filme dá liga. O cenário é bem elaborado e totalmente inserido no contexto. E quanto mais tempo demora a perseguição dos advogados aos raptores de suas esposas, melhor pra turma que se acotovela no gargarejo a espera das curtas, porém eficientes, cenas de DiD (Damsels in Dristess), a nossa praia e a principal razão de correr atrás dessas produções.
Resumindo, não espere algo extraordinário ao pegar o filme na locadora. Poker Run não é um clássico, pelo contrário, a historinha é básica e bem próxima de muita coisa que alguém já assistiu por aí quando dois “almofadinhas” resolvem trocar a cidade pela estrada e viver uma aventura. No entanto, rola um bondage. Mesmo em cenas curtas que aparecem em meio ao nada, o que faz com que fiquemos literalmente na espreita, o bondage é bem resolvido e a atuação das moças é bastante convincente de que há um perigo bem claro ao redor.

Quanto à direção eu apostaria minhas fichas – já que estamos falando de pôquer – numa participação mais efetiva dos vilões, o que não ocorreu. O maluquinho é mais autêntico e o outro parece um figurante a ver navios sem saber ao certo o que faz na tela.
Faltou pulso, sobrou coragem de realizar. A execução do roteiro começa cheia de planos e termina muito plana pra quem prometia toneladas de dinamite do trailer.
Mas vale ter em arquivo.
Não achei links disponíveis para o download, pois trata-se de algo bem recente. Porém, se

você não quiser gastar horas na procura, é muito mais fácil agir de forma correta e comprar o DVD.

Assista ao trailer.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Spun (2002)


Tá certo que as pessoas que se interessam saiam por aí garimpando pra encontrar o que o cinema mostrou sobre BDSM. Na verdade, o primeiro contato do fetichista e suas fantasias vêm do cinema, por isso não é raro encontrar fetichistas ligados à sétima arte.
Dito isso, o pesquisador do BDSM no cinema é atraído em primeiro lugar pelas fotografias que fazem parte da divulgação do filme, só depois ele procura saber sobre o conteúdo da obra.
E nossa história de hoje faz alusão ao filme Spun, dirigido por Jonas Akerlund do ano de 2002.
Num universo confuso rodeado por drogas, traficantes e rock and roll, esse cara tirou ótimas cenas de bondage com pitadas de SM. Parece mentira, mas o roteiro é algo tão indecifrável que talvez um sujeito totalmente drogado fosse capaz de desvendar o que a direção quis mostrar ao espectador.
O filme mais se alinha com um estudo do caráter e conduta dos personagens do que com uma trama de suspense ou horror. A atuação dos atores é de dar dó, porque soam estar tão drogados como os personagens que representam. Claro que a beleza de Chloe Hunter não pode passar despercebida. A menina é um caso a parte e no papel da donzela em perigo está perfeita.
O que o filme tenta mostrar é uma odisséia de três dias de sexo, drogas e rock and roll. Alguma coisa com traficantes perigosos aparece como pano de fundo, entretanto, o que vê são rostos deformados pela quantidade excessiva de drogas consumidas e uma orgia sem nexo.
Subtrair algo de bom além das cenas de bondage é complicado.
A grande vantagem pra quem gosta do fetiche é a duração das cenas em que Chloe Hunter aparece algemada e amordaçada na cama. O diretor deu uma canja pra essa gente bacana que se posta na turma do gargarejo em busca do fetiche. Dá pra tirar o chapéu e bater palmas pra ousadia do cara, no entanto, a coisa pára por aí.
Se alguém decifrar o enigma que o cidadão criou em Spun eu aceito a critica.
Talvez um misto de cenas de velocidade irresponsável e falta absoluta de moralidade seja a idéia principal. Ou quem sabe algum conceito escondido não tenha me chamado a atenção.
Porém, se sua fantasia é imobilizar uma mulher por um longo tempo e deixá-la a sua mercê não tenha duvidas de que esse é o seu filme. Os detalhes das partes imobilizadas da bela atriz me remetem aos filmes de bondage.
Aqui minha nota é dez.

E pra ter na coleção somente por esse critério. Qualquer outra intenção de tentar convencer que esse filme vale a pena como obra cinematográfica cairia por terra.
A versão em DVD com ótima resolução é fácil de achar em sites como o Amazon.
Na rede, não encontrei nada que possa passar como dica para quem prefere no 0800. Nem em arquivo torrent eu achei. Fiquem com um pedaço do filme e reparem numa cena fetichista muito legal.



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lipstick (1976)


Se você tem fantasias sexuais de estupro consentido esse filme funciona como um verdadeiro manual de instruções de como realizá-las. Mas é sempre bom lembrar que aqui tratamos de fetiches, e, por isso, ninguém deve sair por aí em busca de uma aventura deste tipo com uma desconhecida.
E nessa mesma tocada, vale recordar que os filmes sempre foram um estimulante para o fetichista que encontra em determinadas cenas o combustível para aditivar suas fantasias.
Muitos fetichistas têm no estupro consentido um alvo a ser alcançado em suas fantasias. Pode até parecer simples quando dois adultos resolvem criar um jogo onde exista uma cena desse tipo que irão interpretar, porém, não é fácil de realizar se ambos não estiverem cem por cento entregues à trama.
O filme Lisptick dirigido por Lamont Johnson embora tenha no elenco as irmãs Margaux e Mariel Hemingway, foi duramente atacado pela critica cinematográfica da época que o classificou como uma obra de baixa qualidade. Levou cacetadas de grupos feministas devido ao desfecho do caso em tribunal, ou seja, a não condenação do estuprador. Banal, sensacionalista, estes foram alguns adjetivos que classificaram Lipstick, de bom apenas o desempenho de Mariel Hemingway foi ressaltado.
Entretanto, pra galera fetichista o script tem serventia.
As curvas perfeitas da super modelo que cai na armadilha de um professor de música e é violentada por ele em sua própria cama. Amarrada, incapaz de se defender ela é sodomizada com força. Aqui o fetiche fala alto e se realizado consensualmente dá liga.
Mas o filme parece mostrar um estupro a sério, embora o tipo de estupro em que a vítima não tenha sido ferida com gravidade seja duvidoso perante as pessoas em geral. Mas o roteiro pretende superar os preconceitos de uma sociedade que sempre suspeita de que uma vítima de estupro tem o que ela pediu. A única vez que Lipstick é crível é durante a seqüência de julgamento, quando Anne Bancroft, aparecendo como a advogada ferozmente determinada em provar que a vítima foi violada, representa o caso não só para Miss Hemingway, mas também para todas as mulheres. É quase como um filme de reportagem forense, mas é eficaz.
Eu costumo dizer que não me baseio tanto pela critica quando resolvo assistir a um filme. Muitas vezes há exagero da parte de críticos que têm tendência a achar que os filmes considerados por eles como “B” não prestam. E as obras com um punhado de fetiches no enredo normalmente levam esse selo, que no meu entendimento nada tem de depreciativo.
Lipstick não tem muita lógica. Não há argumentos excessivos que levem o espectador a imaginar cenas diferentes das que o diretor procurou colocar em seqüência. Apenas o julgamento é capaz de criar o tal hiato que a sétima arte gosta tanto de introduzir em suas produções.

Diria que bem editado tem lugar garantido na coleção de quem gosta de assistir atrizes famosas vivendo a heroína indefesa nas garras de um vilão sem escrúpulos. De resto não acrescenta tanto.
A nota triste fica por conta do suicídio de Margaux Hemingway vinte anos depois de interpretar essa história.
Pra quem gosta de guardar cenas de relevância fetichista segue abaixo uma edição da cena de estupro que trouxe Lipstick pra matéria de hoje.




quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Paris, France (1993)


Diria que foi uma grande cartada.
O diretor Jerry Ciccoritti queria filmar algo bem sensual e atrativo e depois de flertar com o BDSM descobriu que estava ali o fôlego que faltava pra fita decolar.
Duas décadas antes alguns diretores tinham passado a receita, baseado nisso, Ciccoritti seguiu a trilha e filmou Paris, France.
Ora, se não é possível liberar as suas fantasias sexuais dentro de um casamento sem graça é melhor sair pra tentar. Lucy, interpretada pela eficiente Leslie Hope, finalmente encontra um jovem capaz de desbloquear o lugar erótico escondido dentro dela própria. A concupiscência desinibida deles libera a adrenalina necessária em seus atos que culminam em cenas vigorosas de sexo e paixão.
Este filme tem a marca de Leslie Hope, não só por ela seduzir o espectador com suas palavras, mas também através da nudez bem aplicada no enredo. Na verdade, ela comanda as ações, principalmente nas cenas de BDSM que é o que nos interessa aqui na resenha.
Há algumas partes do filme que são muito boas e outras que são muito ruins. Às vezes é um drama e às vezes é uma comédia, o problema é que muitas vezes é engraçado quando não deveria ser, e, por isso, e só por esse detalhe, nota-se que o diretor perdeu um pouco a rédea.
Basicamente é a história de uma mulher que tem um caso em Paris e decide escrever sobre isso. Se envolve com um bissexual arrogante que havia escrito uma novela sobre um “Serial killer” que ela conheceu através do próprio marido, dono de uma editora. Mas ela quer mesmo é viver todas as experiências eróticas possíveis antes de se aventurar a escrever, então resolve se envolver em relações de sexo intenso e selvagem com seu novo amante, aproveitando o clima de uma cidade como Paris para dar vazão a sua volúpia, descobrindo aos poucos todos os fetiches possíveis.
Paris, France, é uma produção do Canadá e claramente nossos amigos do norte sempre colocaram alguns produtos quentes no mercado na área de cinema independente.
O fetiche se apresenta em trajes de gala no filme. Ora através de comportadas cenas de bondage realizado com toalhas e venda daquelas que se usa em avião pra dormir, ou em tomadas de dominação realizadas com trajes de couro onde Leslie Hope mostra toda a sua exuberância como dominatrix. Os amantes da podolatria são atendidos com excelentes cenas.
O mais importante, porém, é a introdução das cenas fetichistas dentro de um enredo até certo ponto pobre, porque o brilho que os atores emprestam aos personagens é intenso, assim como a excelente fotografia e posicionamento de câmeras nas tomadas.
Jerry Ciccoritti não apresentou um clássico do BDSM no cinema na década de noventa, mas o filme é eficiente num aspecto geral e não deixa cobranças indevidas em espectadores ávidos por cenas fetichistas. Talvez a concorrência com Basic Instint de Sharon Stone lançado quase de forma simultânea tenha apagado um pouco o brilho desse filme, mas quem gosta da telona vai recordar de algumas das cenas de Leslie Hope em Paris, France.

A versão em DVD é muito bem feita e se houver possibilidade eu recomendo que você busque alugar em alguma loja especializada ou se arriscar a baixar na Internet a versão na íntegra. Lembrando que encontrei em alguns sites de download a versão fracionada em quarenta a um links. Será preciso muita paciência pra baixar tudo.
Entretanto, pra quem gosta de fetiche bem feito exibido pelo cinema esse filme não pode faltar na sua coleção.

Assistam ao trailer oficial do filme.




segunda-feira, 10 de outubro de 2011

The New York Ripper (1982)


As histórias de tempos em tempos coincidem.
Basta voltar no tempo e num lapso esforço de memória trazer Jack o Estripador das ruas da velha Londres escondida pela neblina, para a cidade de Nova York nos anos oitenta.
Evidente que não é tão simples bolar um enredo que mostra um psicopata exercendo sua insanidade, munido com uma lamina afiada atrás de donzelas indefesas. Entretanto, Lucio Fulci quando decidiu abandonar a carreira de médico para se dedicar à sétima arte sabia o que estava fazendo. Porque ao produzir “The New York Ripper” conseguiu recriar o astuto estripador contemporâneo em ação na Big Apple perseguido pelos mais espertos detetives de Manhattan.
Um ano após dirigir um de seus maiores êxitos do gênero terror (The Beyond), Lucio partiu para exibir cenas reais de BDSM que começavam com lampejos de um “Love Bondage” consentido onde prostitutas encenavam as reais damsels in distress, e terminavam em cenas de torturas cruéis e reais, as quais nem de perto lembravam o princípio básico da consensualidade.
O enredo do filme deu liga.
A saga do psicopata que está à solta transformando as luzes de Nova York no vermelho do sangue de belas moças. A polícia segue seus passos através de pistas de suas carnificinas a partir do convés onde se embarca em Staten Island para os shows de sexo de Times Square. Cada assassinato brutal torna-se uma provocação sádica. Na cidade que nunca dorme, ele é o assassino que não pode ser parado!
Totalmente filmado nas ruas de New York City, “The New York Ripper” é um dos thrillers mais selvagem e controverso de Fulci e ficou caracterizado pela forma como foi censurado onde foi exibido. O filme é uma combinação entre cenas de BDSM, bondage e Damsels in Distress já que em todas as cenas as donzelas estão realmente em perigo.
Lucio Fulci faleceu em sua casa em 13 de março de 1996 aos 68 anos. Foi diabético a maior parte de sua vida adulta. Ele inexplicavelmente se esqueceu de tomar a insulina antes de dormir. Alguns consideram a sua morte um suicídio, outros acham que se tratou de um acidente, mas todos os seus inúmeros fãs estão de acordo que foi uma tragédia. Não há como negar que ele era único.
Apesar dos anos de ataques por muitos críticos de filmes, na seqüência de um grande renascimento no culto cinematográfico dos últimos anos, Lucio Fulci ganhou um novo aspecto, e é atualmente considerado como um grande diretor de cinema de Horror, com alguns filmes a serem proclamados "obras”. Ele também recebeu elogios por seu estilo único de filmagem.

Sua obra de maior destaque é Zombi, a volta dos mortos vivos.
Um fato importante a lembrar sobre este filme é para obtê-lo na versão sem cortes, porque nos últimos vinte e sete anos houve uma tonelada de versões cortadas do filme por aí.
Procure pela versão de noventa e dois minutos e você não irá se decepcionar.

Altamente recomendado para quem quer ter na estante um filme que consegue misturar terror e suspense com doses de bondage e BDSM ricas em detalhes.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

BDSM no Cinema


O BDSM é um conceito que abarca o SM ou sadomasoquismo, a disciplina erótica e fetichismo sexual, a dominação ou flagelação erótica e o bondage. Como tal, se viu refletido na filmografia de duas formas bem diferentes, tanto na ordem cronológica como no aspecto contextual.
Reproduzindo exclusivamente alguns dos conceitos ou práticas englobadas no BDSM, em especial o sadomasoquismo, mas também a Flagelação, o cinema historicamente, mostrou sua forma de falar sobre o BDSM que começou já no nascer das primeiras obras cinematográficas, a partir de 1920, e vai até princípios dos anos 90. Um bom exemplo desse período e dessa forma de encenar, são os filmes como Martha do diretor alemão Rainer Werner Fassbinder (1974) ou Belle de Jour, dirigida por Luis Buñuel (1967).
Desde os anos 90, com a difusão do conceito BDSM como elemento integrador da cultura do sexo não convencional, aparecem filmes que relatam palcos generalizados e de síntese, empregando uma visão do BDSM como filosofia de vida, como modelo de atuação pessoal que transcende o meramente sexual. Um exemplo desta filmografia atual pode ser encontrado em 24/7 - The Passion of Life, dirigida por Roland Reber em 2005.
Os critérios dessa relação não são tão simples.
Encontrar obras, diretores e atores que tenham um elo com a cultura BDSM como um todo. Não é válido citar filmes que meramente participam de certa estética superficial ou usam de alguma cena tópica, mas sim, filmes que tratem de forma fundamental ou exclusiva o tema do BDSM ou alguns de seus aspectos parciais, ou ainda, obras que sem se dedicar centralmente à temática, contenham um importante número de cenas da mesma.
Outro aspecto relevante dá conta da metragem das obras relacionadas diretamente ao BDSM (deve superar os 55 minutos de duração), o que faz com que, por exemplo, os capítulos de CSI e do Comissário Rex, que refletem parte da temática BDSM, não figurarem nessa pesquisa. Leva-se em conta também, que esses longas devem ter sido exibidos necessariamente nos circuitos comerciais ou em televisões abertas ou a cabo. Ficam à margem, as séries do tipo "Arquivo X".
Filmes com muitas referências da literatura do gênero, como O último tango em Paris, Emmanuelle, Instinto Selvagem, A Laranja Mecânica ou A História de O, são à base de sustentação de qualquer enfoque sobre o cinema e o BDSM.
As obras não fetichistas, os chamados filmes de aventura ou terror, estariam inseridos neste contexto? Creio que não. Não basta que o enredo tenha uma donzela em apuros amarrada num porão qualquer, ou esteja vestida de branco presa por correntes e pronta para ser sugada por Christopher Lee interpretando o conde Drácula.
Apesar do fetiche de bondage fazer parte da nomenclatura BDSM, qualquer divisão que se faça soa como tendência, não como forma de expressar a cultura. A prova disso é o aparecimento da cena na tela, ou seja, em cinqüenta e cinco minutos de filme somente três são dedicados ao fetiche.

É importante frisar que os alicerces de muitas produções com temática BDSM advém das páginas de livros. Escritores ou escritoras, como Pauline Réage que nos brindou com uma trama incrível a qual resiste ao tempo e sobrevive às tentativas de recriação, funcionam como fonte de inspiração e garantia de sucesso. Se o livro vende o cinema fatura.
A velha ordem capitalista também abriga o BDSM debaixo das asas.
A relação é extensa. O enfoque sempre é muito particular.
Embora alguns possam citar obras como Lua de Fel, A Secretária, O Colecionador e outros, o importante é perceber o filme como um todo, a forma como ele expressa a cultura do sexo não convencional. Se serve como parâmetro, somente o espectador que carregue consigo a veia fetichista, pode analisar de maneira firme e correta.

Que a sétima arte continue trazendo aquilo que queremos assistir.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

BDSM no Cinema


O BDSM é um conceito que abarca o SM ou sadomasoquismo, a disciplina erótica e fetichismo sexual, a dominação ou flagelação erótica e o bondage. Como tal, se viu refletido na filmografia de duas formas bem diferentes, tanto na ordem cronológica como no aspecto contextual.
Reproduzindo exclusivamente alguns dos conceitos ou práticas englobadas no BDSM, em especial o sadomasoquismo, mas também a Flagelação, o cinema historicamente, mostrou sua forma de falar sobre o BDSM que começou já no nascer das primeiras obras cinematográficas, a partir de 1920, e vai até princípios dos anos 90. Um bom exemplo desse período e dessa forma de encenar, são os filmes como Martha do diretor alemão Rainer Werner Fassbinder (1974) ou Belle de Jour, dirigida por Luis Buñuel (1967).
Desde os anos 90, com a difusão do conceito BDSM como elemento integrador da cultura do sexo não convencional, aparecem filmes que relatam palcos generalizados e de síntese, empregando uma visão do BDSM como filosofia de vida, como modelo de atuação pessoal que transcende o meramente sexual. Um exemplo desta filmografia atual pode ser encontrado em 24/7 - The Passion of Life, dirigida por Roland Reber em 2005.
Os critérios dessa relação não são tão simples.
Encontrar obras, diretores e atores que tenham um elo com a cultura BDSM como um todo. Não é válido citar filmes que meramente participam de certa estética superficial ou usam de alguma cena tópica, mas sim, filmes que tratem de forma fundamental ou exclusiva o tema do BDSM ou alguns de seus aspectos parciais, ou ainda, obras que sem se dedicar centralmente à temática, contenham um importante número de cenas da mesma.
Outro aspecto relevante dá conta da metragem das obras relacionadas diretamente ao BDSM (deve superar os 55 minutos de duração), o que faz com que, por exemplo, os capítulos de CSI e do Comissário Rex, que refletem parte da temática BDSM, não figurarem nessa pesquisa. Leva-se em conta também, que esses longas devem ter sido exibidos necessariamente nos circuitos comerciais ou em televisões abertas ou a cabo. Ficam à margem, as séries do tipo "Arquivo X".
Filmes com muitas referências da literatura do gênero, como O último tango em Paris, Emmanuelle, Instinto Selvagem, A Laranja Mecânica ou A História de O, são à base de sustentação de qualquer enfoque sobre o cinema e o BDSM.
As obras não fetichistas, os chamados filmes de aventura ou terror, estariam inseridos neste contexto? Creio que não. Não basta que o enredo tenha uma donzela em apuros amarrada num porão qualquer, ou esteja vestida de branco presa por correntes e pronta para ser sugada por Christopher Lee interpretando o conde Drácula.
Apesar do fetiche de bondage fazer parte da nomenclatura BDSM, qualquer divisão que se faça soa como tendência, não como forma de expressar a cultura. A prova disso é o aparecimento da cena na tela, ou seja, em cinqüenta e cinco minutos de filme somente três são dedicados ao fetiche.

É importante frisar que os alicerces de muitas produções com temática BDSM advém das páginas de livros. Escritores ou escritoras, como Pauline Réage que nos brindou com uma trama incrível a qual resiste ao tempo e sobrevive às tentativas de recriação, funcionam como fonte de inspiração e garantia de sucesso. Se o livro vende o cinema fatura.
A velha ordem capitalista também abriga o BDSM debaixo das asas.
A relação é extensa. O enfoque sempre é muito particular.
Embora alguns possam citar obras como Lua de Fel, A Secretária, O Colecionador e outros, o importante é perceber o filme como um todo, a forma como ele expressa a cultura do sexo não convencional. Se serve como parâmetro, somente o espectador que carregue consigo a veia fetichista, pode analisar de maneira firme e correta.

Que a sétima arte continue trazendo aquilo que queremos assistir.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Terror e Êxtase (1979): O Cinema Nacional Mostrou o Fetiche


O cineasta Antonio Calmon encontrou na obra homônima do lendário José Carlos Oliveira a fórmula simples de realizar um dos melhores filmes policiais de todos os tempos.
Essa obra marcou a estréia da competente e bela Denise Dumont no cinema, contracenando com atores consagrados como Roberto Bonfim e com uma promessa das telas, André Di Biasi.
O cinema brasileiro da época, amparado na lei de obrigatoriedade de exibição de 1968, a qual constituiu a chamada reserva de marcado do filme nacional e acostumado a despejar nas telas pornochanchadas sem nexo, realizou no final dos anos setenta algumas obras primas cultuadas por cinéfilos até os dias de hoje.
No roteiro, Terror e Êxtase mostra um conflito de classes através do envolvimento de uma jovem moradora do Leblon com um traficante. Mesmo após ser raptada e estuprada por ele, ainda o ajuda a tramar o seqüestro de um amigo rico.
Mas se esse espaço fetichista pauta por dar ênfase a certos detalhes que movem nossa pulsação sanguínea, vamos direto ao assunto: bondage e voyeurismo.
Arrependida de seus atos, Leninha (Dumont) reage contra os seqüestradores e passa a ser cativa assim como seu amigo, dando início a uma série de seqüências com ótimas cenas de bondage, onde cordas e mordaças tomam conta da tela.
Contrariado com a situação, o bandido Mil e Um (Roberto Bonfim) protagoniza cenas de voyeurismo assistindo aos atos sexuais entre Leninha e Betinho no cativeiro.
As tomadas de estupro pré e pós o seqüestro, mexem com o imaginário dos fetichistas que assistem ao filme, principalmente porque conseguem isolar o impulso sexual da crueldade de uma cena que supostamente seria real.
Um bondagista não é um demente estuprador ou um facínora qualquer, ele apenas afaga seu desejo sexual com imagens que funcionam como um pólo de atração a sua libido. Isso explica essa dissociação entre o terror e o êxtase, tal como o titulo do filme.
Por isso, é possível tirar proveito dessas cenas que povoam os filmes policiais e, nesse filme de Antonio Calmon algumas passagens como a de Leninha deixada amarrada na cama por seu raptor no começo do filme e a cena derradeira quando os dois são abandonados a própria sorte numa mata amarrados e amordaçados.
Imagens como estas são capazes de preencher a lacuna de um apaixonado por bondage enquanto aventura (damsels in distress) e, ainda, ter a disposição uma história muito bem elaborada retratando o cotidiano da época e suas nuances do submundo marginal.
Fica então uma dica aos apaixonados por cenas de bondage em filmes do cinema para assistir a Terror e Êxtase, disponível em algumas locadoras e passível de aparecer em uma reprise do Canal Brasil da Net, ou da Bandeirantes numa dessas madrugadas de Sábado.
Quem sabe desse roteiro possa ser possível sacar grandes idéias para sua próxima aventura com seu par perfeito?
Dentro do principio consensual, é claro.

Terror e Êxtase (Ficha Técnica)

Adaptação e roteiro: ÁLVARO PACHECO, ANTONIO CALMON.
Do romance de JOSÉ CARLOS OLIVEIRA.
Fotografia: EDGAR MOURA.
Música: REMO USAI.
Edição e montagem: GIUSEPPE BALDACONE.
Produção executiva: NELSON MOURA.
Produção: ÁLVARO PACHECO.
Direção: ANTONIO CALMON.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

E se fosse verdade...


Estranho seria se o mundo fosse da maneira exata como sonhamos.
Simples, bastaria piscar os olhos e num passe de mágica tudo que imaginamos como a perfeição estaria materializado num mundo à nossa maneira, bem na nossa frente, pronto pra nele vivermos nossos melhores momentos.
Se cada pedra no caminho fosse de isopor, cada muro um grande painel pintado em papel crepom, não existira pecado ao sul do equador.
Toda manifestação fetichista seria compreendida e perdoada. Ninguém precisaria de rótulos ou recorrer a imagens estáticas e sem sentido, ninguém seria prejudicado em suas atividades por cometer o inócuo crime de ser um inocente fetichista.
Teria me olhado no espelho no esplendor da adolescência e me sentiria mais normal que um monge budista. Jamais teria perdido hora e meia diante de um filme de ação pra ver uma moçinha amarrada por míseros minutos. Três, quatro, cinco, sei lá, até porque o resto não importava muita coisa...
Solenemente evacuaria um quilo para todos aqueles moralistas idiotas que me torceram o nariz e só enxergaram a perversão onde o que havia era uma manifestação pura dos meus mais íntimos sentimentos. Porque o mundo teria sido traçado por mim, com todas as linhas e formas que eu imaginasse perfeitas.
Jamais teria recorrido a subterfúgios e todos os meus relacionamentos teriam sido maravilhosos, sem mentiras imbecis que me fizeram parecer idiota após ter minha veia fetichista ceifada como uma privação de sentidos e liberdade em nome de parecer “normal” a olhos que só queriam ver o que a eles interessava.
Mas nesse mundo totalmente novo, não haveria nenhuma tentativa de golpe ou tirania capaz de modificar a ordem instituída, somente uma pregação ao respeito por uma forma de pensar um pouco diferente do que se intitulou como regra social. Se não é politicamente correto ser fetichista e praticar sexo de forma diferente então esse mundo que eu vivo é uma merda? Nem tanto, se levarmos em conta que as pessoas são produtos do meio em que vivem. Elas traçam os planos do lugar que habitam.
No mundo que imagino as criticas seriam ao fetiche praticado, mostrado, falado ou escrito, mas nunca a simples vocação de ser um fetichista. Uns podem gostar de um jeito ou de outro, podem dar razão a impulsos diferentes, o que soa totalmente distinto de misturar tudo num mesmo saco e dar a descarga.

E se isso fosse verdade o mundo não esqueceria seus problemas e todas as barbáries e imbecilidades políticas não acabariam da noite para o dia, porém, ninguém se importaria com o que você faz e que te proporciona incontáveis momentos de felicidade.
As pessoas passariam a viver sua própria vida e deixariam de tomar conta da vida alheia.
Claro que nem tudo pode ser da forma como queremos e temos muito que evoluir para chegar a anos luz do que se pensa chamar de perfeição. Mas se tudo começasse por pequenas coisas talvez mudando a maneira de pensar de cada um, poderia ser bem melhor.
Quem sabe um dia não existam filmes fetichistas sendo exibidos num cinema mais próximo, onde loucos como eu formariam fila com sacos de pipoca e refrigerante esperando pela próxima sessão?
Não custa nada sonhar...

Hoje tem um lindo set da Nany no Bound Brazil. (Foto)
Quem não achar essa imagem perfeita, que atire a primeira pedra!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Cinema: Story of O, the Series


O ano 1992, o cineasta Eric Rochat, os artistas, brasileiros.
É certo dizer que a obra de Pauline Réage rendeu inúmeros frutos nas mãos do diretor Just Jaeckin no clássico História de O, porém, depois disso, várias foram as tentativas de uma recriação do filme de todas as formas possíveis e imaginárias, embora algumas dessas realizações terem sido fiéis ao enredo.
Numa trama de quatro episódios, foi rodada no Brasil uma versão do clássico. Atores e atrizes de recente sucesso à época, foram convencidos pelo diretor Eric Rochat a participar do filme com a promessa de que jamais seria comercializado ou exibido por aqui.
O elenco contava com Paula Burlamarqui, Claudia Cepeda, Paulo Reis, Nelson Freitas, Gabriela Alves, entre outros, e mesmo carregado de cenas de nudismo em excesso procurou seguir à risca a obra original desenvolvida dentro de um Roissy Tupiniquim.
No papel principal, Claudia Cepeda interpretou O, a fotógrafa apaixonada que se submete às condições impostas por Sir. Stephen (Paulo Reis) para que alcançasse um desenvolvimento sadomasoquista necessário visando uma futura vida a dois.
Entretanto, a tentativa se tornou um fracasso fora do Brasil e o tiro saiu literalmente pela culatra. Sem um bom distribuidor e já com as contas batendo à porta, Rochat resolveu aceitar uma oferta para que o filme fosse distribuído no Brasil fora do circuito cinematográfico, apostando na ascensão dos atores e atrizes em sua terra natal.


Para quem não se lembra, uma pequena caixa contendo quatro fitas em VHS comercializada em jornaleiros em 1994 espalhou-se pelo país, gerando um contra-ataque rápido dos atores e atrizes que por meio de intervenção legal, rapidamente conseguiram a retirada de circulação das fitas.
Mas o filme não encantou. Cenários pobres, repetidas cenas de lesbianismo e tomadas externas de extremo mau gosto com uma fotografia pobre. O pior, dublagens mal feitas e fora de ritmo com as cenas, conseguiram apagar a beleza e até boa participação dos atores e atrizes que empurraram o filme com a barriga.
As cenas de sadomasoquismo pecam pela falta de realismo e são totalmente fora de compasso com o enredo. Do nada, aparece uma cela e um mascarado espanca uma mulher sem o menor sentido, sem sequer ter alguém observando ou supervisionando a cena.
O lado bom, a beleza exuberante dessas Deusas brasileiras em cenas tórridas de sexo (as que pecam pela escuridão, pouco se vê), além de algemas, chicotes, cordas, e outros acessórios fetichistas de boa qualidade.
Dizem que a obra original era composta por dez volumes, mas por aqui nada além de quatro fitas VHS podiam ser adquiridas. Ainda guardo as minhas.
A crítica no exterior teceu péssimos comentários sobre o filme, principalmente à falta de identificação com o original de Just Jaeckin e, ainda, critica com veemência o ultimo episódio onde deveria haver um fechamento da série que termina tão ruim como começou.

Entretanto, para quem pretende adquirir essa saga em episódios, a Amazon disponibiliza todos os volumes da série em versão com formato DVD. Basta clicar no endereço: http://www.amazon.com/Story-O-Complete-Set/dp/B000BH1ESO
O site da Chapters Indigo oferece o quinto DVD pelo preço de $34.23. É só conferir:http://www.chapters.indigo.ca/dvd/Story-Series-Vol-5-DVD-Cepede-Reis-Williams/794061012118-item.htmlVol-5-DVD-Cepede-Reis-Williams/794061012118-item.html