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segunda-feira, 9 de abril de 2012
O Pé Atrás
Este não é um artigo sobre podolatria, embora no fundo possa existir uma semelhança oculta latente. Fato é que algumas relações pulsam e morrem por conta de um pé atrás.
Confessar um fetiche, um desejo, uma fantasia, um tesão é simples, complicado é viver.
As mulheres são especialistas em ter esse pé atrás.
Verdade que elas o trazem de berço, vivem um cerceamento social muito grande onde os grilhões são pesados e as chaves escondidas. Talvez esse aspecto seja determinante quando algo acontece com jeito de mudar o rumo do vento.
As mulheres têm uma política própria bastante comum. Não é raro encontrar conceitos de beleza idênticos quando falamos com moças de lugares opostos. Na certa a sociedade cria um modelo, bastante óbvio é claro, mas a mulherada se agarra nele de tal forma que nem um nó de bondagista experiente é mais complicado desatar.
A neurose do esteticamente perfeito complica. A mulher gosta de ser admirada e seduzida, mesmo que ela tenha plena consciência que detém o poder máximo da sedução desde a maternidade. Eu acho até que fui seduzido por uma quando nasci...
Então, arrancar uma confissão de uma fêmea é como tirar grana de pão duro.
Saber os segredos de suas fantasias é pra poucos. Elas falam em entrelinhas, assoviam entre os dentes e murmuram palavras óbvias que funcionam como uma charada planejada pra pegar o malandro.
Mas, de repente, ela joga o visgo e nele escorrega quem for afoito: eu gosto de adrenalina!
Pois é moça: quem não gosta! Eu me confesso um viciado em adrenalina quando o papo é fetiche. Sim fetiche, porque quando uma fantasia chega ao limite extremo de ser praticada em seqüência ela passa a ser um fetiche. E dos bons, pode anotar.
Adrenalina é realmente um combustível necessário para uma boa relação a dois. Porém, ela não pode estar depositada no medo de não tentar. Viver é pra muitos, mas viver bem e de forma consistente é pra poucos. Cada vez que o pé ficar atrás e o passo for retardado as chances ficam menores, a vida passa e pode ser tarde pra admitir que deixou de viver.
Fracassos e frustrações fazem parte. Não podemos é viver com eles ao lado como se tudo fosse um imenso coquetel de “mesma coisa”. O mundo gira, a fila anda, e por mais que coisas se repitam vale lembrar que o passado passou e pela lei da vida ele não volta mais.
Não me sinto um conselheiro fetichista e tão pouco sentimental, apenas conheço casos e casos porque lidar com o lado humano do ser é complexo. Lidei com meus fantasmas muitos anos e demorei vários pra exorcizá-los de vez. Ninguém é perfeito, entretanto, a perfeição existe e ainda que outros a considerem imperfeita, o que importa é aquilo que nos causa o bem viver.
Portanto, passou da hora de sair de dentro do armário.
Pouco importa se o rosto apareça na tela ou exista um nome estranho ao lado de uma foto de um desenho animado qualquer. O que vale é o que está por trás de quem tem interesse de mudar o rumo das coisas.
O anonimato funciona como uma válvula de escape, assim como a virtualidade é tão efêmera quanto parece. Mas há de chegar à hora de respirar o mesmo ar, de fazer a força do contato e deixar a adrenalina dar o primeiro sinal. É tempo de perder um pouco o juízo e fazer da vida uma grande aventura consciente.
Calce um salto alto se olhe no espelho e admire o que anda tirando o sono alheio.
Esqueça um pouco as normas de beleza ditadas por artesãos de gostos duvidosos. Nem sempre o que eles dizem alcança quorum no sexo oposto, porque nem só de magreza doentia vive
o ser humano e bunda não é unanimidade absoluta, ainda que a mídia insista que a bunda da popozuda é o néctar dos deuses.
Acerte o passo e deixe os medos e receios com quem se arrisca a saltar de pára-quedas.
A felicidade é logo ali.
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
O Medo de Romper com Tabus
A palavra tabu pra muitos assusta. Mas na verdade, nada mais é que um tabu.
Simples, descobri a pólvora!
Porém, há que vencer o medo e quebrar os tabus. E o primeiro dos tabus tem a ver com sexo.
Tem gente que se arrepia quando fala em sexo cheio de fantasias. O temor é maior que a razão ou o prazer. Consideram sujo, vergonhoso. Já ouvi mulheres afirmando que se sentiriam vulgares praticando as tais saliências indevidas.
E os marmanjos? Tem cara que se nega a fazer isso com a mulher porque acha que putaria só se pratica na rua, que a mulher dele tem que ser reprodutora e escarradeira de seus desejos quando trepa com a cabeça voltada pra outras.
Então, pra muitas pessoas romper com os tabus é sinônimo de pavor.
Mas sempre existe a hora de revirar as gavetas e achar razões pra mandar conceitos retrógrados pro inferno. Porque quando alguém encontra uma razão que lhe faça acreditar na possibilidade de ser feliz através da explosão da rotina e monotonia destrutiva, não há simpatia ou reza forte que faça com que o tabu resista à vontade.
Às vezes um incentivo é a chave. Um novo encontro com ares de recomeço, não um recomeço de um ponto cego que deve ser esquecido, mas um reinício totalmente livre de preconceitos e aversões gratuitas. A valorização da pessoa e de seu pensamento é a chave.
O ser humano não costuma fincar raiz em aspectos insólitos.
Por conseqüência, uma vez que ele enxerga a possibilidade de ter sucesso nas investidas que fará trazendo uma satisfação ampliada as suas relações e, por conta disso, canalizando energia positiva em si mesmo, sem apelar pra sonhos e devaneios de que o que passa na tela num filme é uma história incomum e patética, ele passa a explorar a sexualidade com respeito aos seus próprios sentimentos, da mesma forma que ele consegue visualizar os atos de sua própria vida.
Emergir da neutralidade não é tão simples quanto parece ou tão complicado como se imagina.
A aposta tem que ser única, real e definitiva. Claro que ninguém imagina fazer da vida um palco de aventuras e prazer, entretanto, fazer das horas de prazer uma grande aventura não é nada proibitivo ou indecente como pensam alguns.
Tabus são barreiras sociais muitas vezes indecifráveis. As pessoas acreditam e seguem conceitos porque alguém ensina que o mundo caminha do lado contrário. Viver fantasias, arriscar o sexo com conteúdo nada tem a ver com libertinagem, é apenas humano.
Fica claro que o ideal de viver uma fantasia sexual é que seja a dois. A timidez excessiva às vezes resume as fantasias a um monólogo e não oferece a satisfação possível. Porém, a inclusão de fantasias em relações deve ser primada por longas conversas e negociações adultas. Porque nem tudo se encaixa quando se fala de envolvimento e paixão.
Em resumo, a queda do tabu se dá por pura iniciativa de quem tem interesse a tornar a sua vida sexual mais satisfatória. Não há regra e nem significa um jogo onde existam vencedores e vencidos, tudo ocorre por afinidades construídas dentro da própria relação.
Ora, se algo agrada ao primeiro contato e a quem a fantasia é ofertada tem um sentimento receptivo, o diálogo é caminho mais curto até a realização. Sempre lembrando o essencial principio consensual que envolve esse assunto tão debatido por aqui. Ninguém deve se anular em detrimento de outrem, ainda que a submissão em alguns casos seja a tônica do desejo de alguém. Submissão sexual é um desejo como outro qualquer e deve ser respeitado como tal.
Por isso, da próxima vez que um desejo lhe bater à porta aceite ou passe, mas analise, debata e procure tentar se encaixar dentro da proposta que foi colocada. E se algum dia uma pessoa qualquer falar em resistência, em tabus e mitos, seja reacionário e encare de frente algo muito importante: você é quem deve estar interessado ou não em viver uma fantasia, não as pessoas que desenham monstros a sua volta.
Com certeza será o fim de mais um tabu.
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
O Fruto Proibido
Faz tempo que as pessoas me perguntam sobre a realização do desejo numa fantasia sexual, principalmente no tocante à própria continuidade e na chegada dos chamados novos desafios.
Pois bem, eles existem.
Isso é parte do aperfeiçoamento, porque as pessoas de uma maneira geral aos poucos moldam seus próprios objetivos. No entanto, pode um fetichista vez por outra se interessar por coisas novas, trocar papéis e criar um novo cenário em suas praticas? Pode.
E desde que esse processo se dê com naturalidade e prazer nada tem de errado.
Esse exemplo se encaixa diretamente como resposta a consulta que recebi de um amigo, que gosta de dominar sexualmente a parceira e agora se vê atraído em ser dominado por ela. Antes há que esclarecer esse aspecto da dominação quando se fala em fantasias. Porque existem duas formas de obter prazer nesse quesito denominado de D/S.
A dominação e a conseqüente submissão podem ocorrer em sessões de sadomasoquismo com o emprego da dor e castigos por circunstância ou pode existir numa sessão de bondage, por exemplo, quando o que se espera é o domínio sexual apenas.
Normalmente as brincadeiras de seqüestro lúdico em jogos de bondage deixam claros os papeis a serem encenados. Alguém seqüestra enquanto outra pessoa se submete voluntariamente. Nesse caso, é mais fácil ocorrer à chamada troca de posições no tabuleiro e o domínio muda de mão.
Já dentro de um jogo de SM o processamento da inversão de comando só existe quando há nos participantes a veia chamada de “switcher” e ocorre em poucos casos, devido justamente às escolhas e vocação.
É evidente que alguns praticantes gostam de dar nomenclatura a tudo que encontram no universo fetichista, porém, não existe um glossário específico que possa traduzir os desejos de quem se apega a jogos de BDSM. Portanto, não é válido estabelecer um elo entre um praticante de bondage e lições de masoquismo. Porque a própria entrega deixa claro que não existe ligação entre a dor e o prazer que se deseja obter.
Uma amiga a quem considero bastante me falou certa vez que um parceiro se dizia praticante de jogos de bondage, mas gostava além das cordas de ter seus desejos negados quando estava sob seu domínio. Esse prazer de ter seus desejos negados seria uma expressão de masoquismo? Não, prefiro considerar que este praticante flertava com o desejo pelo fruto proibido, e tirava excitação através das negativas que sua parceira empregava durante o tempo que era mantido imobilizado.
Considero essa linha mais tênue, branda, e não teria um elo com o masoquismo como expressão.
É importante observar que um masoquista não gosta de sofrer determinadas situações de desgosto na vida como muitos leigos apregoam, e muito menos tira tesão quando espreme seu dedo na dobradiça da porta por acidente. Ele precisa de todo um contesto, cenário e vasto conteúdo pra assegurar a garantia do prazer que está em busca.
Concluindo, aperfeiçoar as práticas fetichistas não significa necessariamente mudar de conceito e muito menos optar por uma troca de posição na fantasia. O fetichista precisa administrar seus desejos e buscar a melhor forma de ter satisfação com as aventuras que cria dentro de um relacionamento, sem a necessidade de violentar sentimentos.
Algumas práticas fetichistas são tão importantes para algumas pessoas que elas chegam a praticar por conta própria quando não encontram parceria, por isso, é importante que estejam cientes e desejosos quando estiverem diante do que tanto procuram.
Então, criar uma fórmula de manter sempre em constante ebulição tudo aquilo que emana de seus pensamentos, desde os tempos em que flertar com as fantasias de forma solitária era tudo o que se tinha.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Brincando de Médico
Essa historinha recheada de desejos fetichistas chegou aqui pelas ondas da Internet.
Muito se fala sobre as famosas brincadeiras infantis onde existia o médico e a paciente, ou vice-versa.
E baseado nos relatos e no que se pega pelo ar, ela montou uma trama onde era a médica e o parceiro o paciente.
Olha, e é bom se ligar no que diz a moça porque essa pode ser uma boa idéia pra sua próxima fantasia, ainda mais com o final de semana batendo na porta. Então é caprichar e copiar o enredo ou criar algo próximo.
Vamos ao que ela conta...
Bolou uma médica estilizada, com um jaleco a meia boca, bem curto, encobrindo uma provocante mini-saia e uma blusa super decotada. Maquiagem pesada, olhos marcados e um salto daqueles de marcar presença.
Pra apimentar a história ela queria um paciente rebelde, indisciplinado, que fosse preciso imobilizar pra ser tratado. Aqui entram as cordas que derrotam o sujeito e sua rebeldia o deixando nas mãos da doutora cheia de más intenções.
Um estetoscópio pra dar um clima, lençóis brancos e ar bem gelado, afinal, o cidadão atado à cama precisa ter a idéia de que está num ambiente hospitalar, ou perde a graça.
Diz que inicia com um exame de toques. Perfeito, mas aqui há um hiato, porque deve ficar bem estabelecido onde será a região dos toques... Ok, o sujeito pouco pode fazer pra evitar qualquer tentativa de toque retal, mas não custa perguntar antes se o carro pode passar por determinada rua, correto?
E lá se vão os toques, suaves e incisivamente provocantes.
Uma massagem relaxante pra aliviar a tensão (ela se diz especialista!) e em seguida, sem provocar dores porque se o sujeito está ali pra ser tratado e uma tortura não vem ao caso, ela começa uma sessão de strip-tease e fica completamente nua em cima do salto agulha para subir na cama e lentamente pisar no indefeso paciente.
Deixa claro que seriam toques suaves com o salto e que não chegaria a uma sessão de trampling. Seria muito mais provocativo do que doloroso. Ato contínuo, a moça desce do salto, literalmente, e abocanha o paciente inerte e com ele parte para a melhor transa do ano.
A idéia da fantasia de médico e paciente requer antes de tudo dedicação, como qualquer outra fantasia. Porém, em se tratando de uma historinha encenada com certos requintes, até mesmo os trajes e o ambiente devem estar em total sintonia. Porque toda fantasia em que se faz necessário a utilização de roupas e preparação do local de acordo com o que se idealiza, deve ser precedido de todo esforço pra pelo menos deixar as coisas coerentes.
É claro que todos os temas são livres. Não há uma regra básica quando se fala de fantasia. O nome já diz tudo e fantasiar é um direito de todos, portanto, cada um pode criar da forma que achar correto, ou ainda, usar as ferramentas que tem.
O importante é a participação dos personagens e a entrega ao que vão se dedicar.
Realizar uma fantasia parece tarefa simples. E é. Todavia, é preciso que os participantes desse jogo entendam que no momento em que se dedicam a representar os personagens criados por ambos, tudo deve estar restrito ao imaginário, longe do mundo real, caso contrário, a fantasia fica incompleta e às vezes desastrosa.
Jogos de adultos sempre são um excelente antídoto contra a rotina.
Um exercício de criatividade e a confirmação de que a parceria ou o relacionamento pulsa forte, e é capaz de fazer com que exista o desejo de realizar a brincadeira com quem está próximo.
Queria deixar de publico dois agradecimentos: as pessoas que me enviaram mensagens em solidariedade ao fato que teve repercussão mundial aqui na quadra de trás e a essa gaucha maravilhosa que me enviou essa historinha de hoje, colaborando em muito pra existência desse espaço e sua continuidade.
Um bom final de semana a todos!
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Sonhos Proibidos
O mundo pra ela era imperfeito.
Na verdade, ela sempre foi inquieta, mutante, um pouco rabugenta até. E acostumou-se a conviver com os anjos e demônios que tem por perto. Beijou alguns, afagou outros e algumas vezes os mandou de volta as profundezas, mas sobreviveu.
Sua caminhada define uma questão importante quando se fala em fetichismo: o aparecimento e a continuidade.
Porque até dar de cara com essa página ela carregava uns desejos estranhos e se valia de subterfúgios que a fizessem sonhar com dias melhores. Ainda que através de fantasias invisíveis aos olhos, não foram raras as vezes que flertou com doses de dominação consentida.
Ora imaginado sendo puxada pelos cabelos ou até mesmo nas vezes em que simulou estar atada à cama quando postava os pulsos na cabeceira, ela tirou lascas e foi feliz. Uniu o útil ao agradável, ao bom parceiro que achava tudo que ela produzia na mente uma grande loucura.
Ela tem consciência de que agora se achou de verdade. Tanto que se define como exibicionista dela própria cada vez que plasma uma cena que ela tem guardada por anos em arquivo. E cá prá nós, fantasia sexual é algo prazeroso com qualquer idade, portanto, ninguém deve lamentar o acesso ao conhecimento cronologicamente falando. O que é bom pode chegar aos vinte ou aos “enta” que se faça presente.
É uma questão de foro íntimo, o entendimento de si mesmo.
Há pessoas que convivem com suas taras e fantasias de forma pacifica, sem dramas, com critérios e outros que não acham espaço dentro da mente para nada que não inclua o que eles imaginam como o sonho perfeito. Só que esses sonhos em algumas fases da vida se tornam sonhos proibidos. Os casos se diferem, porque nada é pra sempre perfeito.
E isso tudo me faz chegar à conclusão de que escrever aqui é mais que uma simples diversão, ou seja, é algo que me traga, me seduz de verdade. Jamais imaginei tentar mudar as pessoas a respeito do que elas pensam. A intenção é apenas esclarecer a quem se interessa por certos assuntos. Como disse o poeta, me considero sim o amargo da língua...
Cada historia que leio eu releio. Procuro dar total atenção, não porque seja somente uma forma cordial de dizer “muito obrigado por escrever”. Se me toco com o assunto é porque ele me fascina, assim como os seres humanos e seus pensamentos me atraem. Seria ilógico pedir a cada um que freqüenta esse espaço pra que conte seus casos, sonhos e realizações. Cada qual tem um lugar onde guarda seus segredos, os que foram e os que virão. Por isso, considero esse convívio um supra-sumo que absorvo e que se transforma num combustível de adrenalina pra seguir sonhando.
Claro que a história de hoje não tem um final feliz, ainda, é claro. Mas se essas linhas puderem servir como aprendizado ou fonte de inspiração capaz de fazê-la imaginar que não está sozinha nesse universo, estará cumprida parte da missão de eleger um link de internet onde cada qual possa chegar escolher o melhor lugar e contar suas histórias.
Quando se fala em sonhos libertinos há uma definição bem condizente: nós somos censores de nós mesmos. Nós nos damos o direito de consentir ou proibir os sonhos de se tornarem reais. É racional, obvio, porque cada qual sabe o terreno onde pode ou não pisar.
E dentro desse contexto o que pode ser considerado como direito líquido e certo é o ato de sonhar. Seria algo pessoal e intransferível. Porque dentro dos nossos pensamentos o mundano e o angelical convivem em plena sintonia.
Alguém num dia desses falou que ao ver o marido vestido de bombeiro a seu pedido segurou uma grande gargalhada pra não estragar a cena. É fato, fez o certo. Porque quando existe a dedicação de quem se desdobra pra ajudar a construir um sonho de quem gosta haverá de existir reciprocidade ampla, geral e irrestrita.
Pense nisso moça nas próximas vezes em que seus sonhos chegarem de mansinho numa noite dessas de verão.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Sinal dos Tempos
Ou a mulherada anda mesmo de orelhas atentas ou o mundo não é mais o mesmo.
Cada dia que passa me surpreende certas atitudes das mocinhas que o povo fetichista costuma chamar de baunilhas. Esse termo na verdade nada tem de pejorativo porque apenas define o não entrosamento com certas práticas que se costuma falar aqui, no entanto, independente de ter apreço por qualquer prática específica que se julgue fetichista, as fantasias das moças andam mexendo com minha cabeça.
E pra quem freqüenta esse espaço, vale conferir o que as meninas andam tramando e analisar friamente se isso pode um dia ser parte do glossário fetichista.
Alguém já ouviu falar em “descascar” o parceiro?
Explico: ela quer que o namorado chegue de terno e gravata, elegantemente vestido. Então, literalmente ela irá arrancar a roupa toda do parceiro e usar suas próprias vestimentas como parte da fantasia. Gravata vai virar mordaça, cinto corda e meias uma venda. Olha, ela garante que é uma fantasia pulsante e não aceita outro tipo de roupa para a ocasião.
E pasmem, porque os planos da moça são ousados para depois da imobilização. Como ela faz questão de deixar claro, se julga malvada e sórdida, e garante que a tortura sexual será lenta e abrasiva. Quer tentar? Eu toparia...
Outra me pergunta se esse negócio de amarrar durante a transa faz efeito. E pra comprovar ela pede uma dica para tentar experimentar antes de apresentar ao namorado a fantasia. Bom, neste caso é o chamado self-bondage, que nada mais é que se auto-imobilizar para conseguir doses de prazer. Mas como obter prazer sem o principal coadjuvante?
Vamos lá menina, preste bastante atenção na lista de objetos necessários.
Dois pedaços de cordas de um metro cada. Qualquer uma, e pra você que não é especialista, serve aquelas de secador que vendem no mercado. Um par de algemas sem aquelas travinhas de segurança comum nas vendidas em sex shops. Peça a policial. É mais cara, mas tem suas vantagens. Um lenço, um vibrador pequeno e uma forma de fazer gelo.
Vamos à receita.
Congele as chaves das algemas dentro de um quadrado da forma de fazer gelo. Retire o cubo e coloque num pires ao alcance. Amarre os joelhos e tornozelos, firme, da forma que os deixe imobilizados. Introduza o pequeno brinquedinho vibratório na vagina, vibrando, é claro.
Amarre o lenço na boca e algeme suas mãos atrás das costas.
Pronto. O tempo que durar o degelo do cubo e as chaves estejam liberadas é o tempo em que você permanecerá imobilizada. Não se assuste e esteja certa de que você bolou a brincadeira, portanto, relaxe e aproveite a oportunidade de curtir uma boa sessão de self-bondage. Mas não se esqueça de deixar uma amiga próxima de sobre aviso caso algo aconteça com você durante a sessão. Pessoas com fobias não devem fazer esse tipo de prática. A solidão poderia aumentar os riscos consideravelmente.
Se quiser colocar requintes na prática, use uma câmera fotográfica e programe disparos alternados e automáticos, e claro, virada para a sua direção. Se quiser mandar as fotos pra cá ninguém se importa e eu crio um artigo a respeito.
Amanhã mesmo postarei umas fotos de um ensaio solitário de alguém especial.
Há quem diga que as práticas solitárias não funcionam. Claro que uma fantasia realizada a dois, a três ou a quatro que seja, vale muito mais. Entretanto, algumas razões existem para que haja a escolha por realizações solitárias. Isso é uma questão de foro intimo e há os que preferem desta forma, além, é claro, das que por um momento estão sem parceiros e não querem abrir mão do que mais gostam.
E não podem ficar de fora as experiências de pessoas que recém deparam com o fetiche e querem experimentar antes de apresentar a quem de direito, como é o caso de hoje aqui na matéria.
Como as fantasias são totalmente particulares e pertencem de fato e de direito a quem as cria, vale tudo que a mente admitir no intuito de satisfazer os desejos mais estranhos que se possa imaginar.
Isso é fetiche!
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
A Procura da Perfeição
Hello crazy people!
O papo hoje tem endereço. Vai direto para os amigos e amigas fetichistas que se arriscam em suas práticas por aí. E pra começar uma pergunta bem simples: vale capricho absoluto toda vez que se coloca em prática suas fantasias?
Vale esmiuçar. Portanto, nada de imaginar que tudo terminará numa composição de cenário e que um dia fará parte de seu acervo fotográfico ou de filmes. Tudo numa única noite. Você, a parceira ou o parceiro e seu fetiche. Noves fora todo mundo jure de pés juntos que capricha nos mínimos detalhes é fato que vez por outra tudo se passa na base do puro improviso.
Tá certo – e concordo – que os fetichistas procuram a perfeição toda vez que decidem exercer suas habilidades que os levam ao nirvana do prazer. Isso é fato.
Porém, algumas vezes (não importa se primeira ou não) o tesão fala mais alto e há a chamada falta de concentração justamente pela volúpia que se inicia. E como evitar isso? Ora, deixar sempre a mão um kit de primeiros socorros fetichista para o caso de surpresas. Ainda a pouco falava nisso. Quem não quer ter a mão arranja um lugar pra deixar guardado que você possa ter acesso imediato.
Claro que planejamento é tudo, mas a surpresa é um argumento muito forte quando se fala em fantasias. Aliás, muito mesmo. Quem não quer ser surpreendido quando é por uma boa causa? A surpresa neste caso é bem vinda e trará resultados totalmente positivos. E ainda que se saiba que dia será, por acaso, o fato de não saber onde e como será já é razão suficiente pra funcionar.
E nessas horas em que o inesperado aparece como evitar o mico de não ter em mãos os acessórios pertinentes a fantasia? Ou se deixa a perfeição de lado e toca o barco na base do improviso ou então tem que andar sempre preparado para uma eventual situação desse tipo.
E cá pra nós, por mais prevenido que seja o fetichista tem seus afazeres que o levam a abrir mão de certas coisas por causas nobres. Uma ocasião conversava com um parceiro fetichista que costumava guardar seus apetrechos no carro até o dia em que pegou o filho pequeno fuçando suas coisas e por muito pouco tudo não acabou em tragédia.
Deste dia em diante ele se tornou o rei da maloca...
O ideal é que já exista reciprocidade entre as partes. Parceria estabelecida e a divisão dos materiais seja homogênea, para no caso da surpresa surgir de qualquer um dos lados quem for o mentor da idéia traga aquilo que seja de uso comum.
Mas no caso de acontecer um improviso o ideal é que com o pouco se faça bem feito. Por que não? Muitas vezes as coisas simples saem melhor que as planejadas ao extremo. Todo mundo sabe que o fetichista aposta nos detalhes e numa hora dessas é bom procurar os detalhes onde não costumam estar.
É óbvio que esse artigo não visa criar confusão na cabeça das pessoas que agora se iniciam pelas esquinas do universo fetichista ou que aqui já habitam. No entanto, imprevistos acontecem e nessas horas é sempre bom lembrar que o velho jeitinho pode ser o ponto de equilíbrio. E assim tudo se processa. Quem não tem cão caça com gato, o ditado é velho, mas cabe como uma luva nessa história.
O importante é salientar que nada pode servir de desculpa pra acabar com a festa.
Se vale um conselho pode anotar: a surpresa é tão legal que sobrepõe qualquer falha técnica que venha a atrapalhar sua noite, sua tarde...
A fantasia pode beirar a perfeição mesmo com um roteiro totalmente fora de contexto para o qual o fetichista está despreparado. E vai depender muito da participação de quem comanda a festa.
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Intrépidos Amantes
Foram quase vinte anos juntos e desse tempo sobraram histórias pra contar.
Descobriram o antídoto pra acabar com a rotina cedo e, por isso, os anos passaram e a cumplicidade sobreviveu.
Relações terminam por vários motivos, mas se quem sai leva consigo as lembranças de grandes momentos com certeza ele se torna pulsante, pronto pra viver uma nova história com o maior patrimônio que a vida nos permite ter: as nossas recordações.
E foram muitas, todos fatos reais. Fantasias que se permitiram sem medo, sem preconceito ou arraigado a dogmas sociais nocivos.
Ele queria uma noite com uma prostituta. Ela se vestiu como tal. Parou numa esquina da Lapa aqui no Rio de Janeiro e atendeu ao seu chamado quando o carro parou. Parece simples, mas o desconhecido traz aflição, angustia, principalmente quando a fantasia tem de ser realizada em via pública, e onde o exibicionismo não é o fator numero um. Dalí rolou um motel, o tratamento cliente prestadora de serviços, ou seja, a fantasia sem retoques e com um gosto único de quero mais.
E segundo ela hoje me conta outras tantas vieram. Como um dia que chegou dos Estados Unidos de sobretudo e apenas uma lingerie por baixo. Meias três quatros e espartilho, e melhor, de surpresa sem dizer nada ao ex-marido. Abriu o casaco no carro e com feições sérias disse a ele que não poderia trajar nada por baixo por conta da alfândega.
Sem saber nada a respeito de fetichismo extraiam essas aventuras a dois de uma imaginação fértil que vez por outra dava na telha. Desde uma roupa de empregada doméstica que ela bolou ao ver que ele andava de olho na funcionária que tinham casa até uma vez que se vestiu de preto e fez um incrível papel de assaltante surrupiando os objetos da própria casa.
Nesse dia rolou um bondage.
Ela usou as algemas como a suposta ladra invasora e fez questão de que rolasse uma luta onde ela o dominou. Uma vez algemado na cama ela o deixou o tempo que achou necessário e quando voltou já não estava no papel da meliante e sim representando ela mesma.
Engraçado é que ela confessa que depois das fantasias eles não tocavam no assunto. Nem um pequeno comentário onde fosse possível avaliar o desempenho dos personagens que criavam e uma possível melhora numa próxima vez. Talvez um misto de vergonha ou timidez a respeito do que eles mesmos criavam os impedia de tocar no assunto, ou fosse o desejo de ambos que tudo aquilo ficasse restrito aos dias em que resolveram escrever uma história diferente.
Na verdade, as pessoas de uma forma generalizada criam fantasias e não sabem que o fetichismo é apenas a conseqüência disso tudo. Já comentei por aqui que fetiche nada mais é que a repetição de certas práticas quando o assunto se relaciona com o sexo. A idéia de associar fetiches a relações sadomasoquistas onde é preciso a obtenção do prazer através da dor aplicada ou sentida ainda segue sendo um mistério.
É importante deixar claro também que aqui não cabe um julgamento ou uma crítica a quem se utiliza de métodos sadomasoquistas nas suas fantasias. É apenas necessário esclarecer que os fatos não convergem se não houver estimulo ou desejo de praticar.
O estudo do assunto deveria ser mais profundo por quem se dispõe a tecer opinião sobre isso. Existem profissionais que dão pareceres sobre casos em que as fantasias aparecem em relações sem ter um conhecimento profundo que os possa capacitar para perceber as inúmeras diferenças que convivem num universo cercado de respeito por quem se habilita a conviver
Muitas vezes as pessoas preferem guardar essas experiências e não dividi-las justamente com medo de preconceito contra inocentes casos criados entre adultos. Jogos que aumentam a libido de um casal criando uma cumplicidade capaz de tornar a relação o mais sólida possível.
O fetiche não é patológico. É uma delícia!
O assunto de hoje é dedicado a uma pessoa que conheço faz pouco tempo e com todo o carinho e inteligência que é sua marca, me brindou com histórias incríveis.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O Limite do Medo
Ela é masoquista. Se diz escrava de um fulano qualquer a quem se entrega sem reservas.
Um dia desses quis experimentar uma sensação nova, algo raro dentre todas as experiências que sua mente fetichista havia ousado. Curvou-se a ela mesma, quis ser sua própria escrava.
Procurou seu parceiro e lhe fez uma proposta: queria ser violentada por estranhos e estranhas.
Mas a fantasia tinha requintes, não era tão simples. Ela não aceitava ser penetrada, por nada, não queria ter a visão facultada, devia estar imobilizada e as pessoas participantes deviriam usar as mãos em todo seu corpo, desde que nenhum orifício fosse violado.
Ele topou. Sabia que havia uma boa dose de exibicionismo na fantasia da parceira, mas o gatilho estava no medo, na sensação de impotência e na vulnerabilidade diante de pessoas as quais ela não teria nenhum conhecimento de quem se tratava.
A solução mais viável era buscar pessoas no meio que topassem participar da realização da fantasia de sua parceira. Por mais que pareça uma tarefa fácil sempre existem barreiras. Fetichistas de uma maneira geral não gostam de entrar numa cena pra ver apenas o prazer alheio. Ao primeiro contato com a fantasia a fagulha de quem está no cenário dá liga, e a história era tão clara que quem estivesse no momento da cena não poderia se envolver.
As respostas negativas não o desanimaram.
Ouviu contrapropostas que não lhe agradaram, mas insistiu. Um amigo chegado lhe deu uma dica valiosa. Argüiu sobre a possibilidade de tocar a idéia em frente com oito mãos, as deles, dos machos alfas e de duas moças de vida horizontal. Pois é brother, nessas horas as primas sempre aparecem como solução.
Se fosse perceptiva no toque ela saberia que ali se misturavam mãos masculinas e femininas no louco frenesi que estava sedenta para experimentar. Ele conhecia seus sentidos, estava acostumado a brincar com seus desejos e levá-la ao nirvana fazia mais de um ano.
No dia marcado seu amigo apareceu com as duas amigas. Tudo aconteceria em sua casa e ela aquela altura já estava devidamente vendada e atada a um cavalete que ele tinha guardado.
Bastava o sinal.
Geralmente as prostitutas preferem este tipo de atendimento a ter que se atracar com clientes ávidos por trepadas monumentais. Elas procuram dar o melhor, sabem que no fundo será uma graninha fácil de defender porque tudo havia sido tratado em detalhes pelo contratante.
Partiram.
A mulher palpitava. Dava pra sentir seu corpo latejando diante da aproximação de todos. Não era mais jovem, estava na casa dos quarenta, mas conservava um corpo atraente e bem cuidado. Completamente nua sentiu o toque das mãos lhe percorrendo cada parte do corpo.
Os que a subjugavam combinaram não trocar palavras. Qualquer mudança de atitude deveria ser feita em sinais pra que a mulher imobilizada e possuída apenas tivesse as sensações que estava sendo submetida.
E assim foi. Os orgasmos se sucediam e as meninas começaram a se interessar pela brincadeira. Talvez por estarem acostumadas a gerar prazer em pessoas as quais se entregavam de forma totalmente diferente, aquela cena nova começou a despertar o chamado “algo mais” e a partir de então foi um tal de mulher sair tirando roupa, se esfregando na escrava do sujeito e se masturbando em meio a sessão.
Elas gemiam mais que a protagonista da cena. O dono da festa desesperado não sabia mais como sinalizar porque as mulheres estavam num transe total. Deixou rolar. Sentiu que os gemidos das meninas seguiam aguçando ainda mais sua escrava que seguia imobilizada no cavalete.
Quando tudo terminou as meninas se arrumaram, pegaram seu pagamento e partiram perguntando pela próxima. O amigo meio sem jeito acompanhou as moças e ele foi retirar sua parceira do suplício. Ao sair e perguntada como tudo tinha ocorrido ela sorriu e disse:
- Vamos pra cama, acaba comigo de vez e marca outra!
Se houver uma próxima eu conto outra vez.
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Sem Platéia
É gozado quando é necessário explicar a alguém um assunto o qual essa pessoa nunca foi apresentada. No início é complicado fazer fluir, mas se for adiante tudo sai com tanta naturalidade que até ajuda a quem se dedica a conversar a entender cada vez mais daquilo que fala.
Com o fetiche não é diferente.
Normalmente as pessoas de mente arejada têm maior capacidade de lidar com temas novos, adultos, de pouca divulgação, e isso facilita a tarefa. Agora a pouco conversava com a Beth sobre fetiches. Ela é dessas pessoas que a natureza esculpe a mão, daquelas que nascem a cada cinqüenta anos, por isso, gastaria a saliva que fosse e esfolaria a ponta dos dedos pra que ela pudesse entender como tudo se processa desse lado dos trilhos.
Portanto Beth, fetiches sexuais são as fantasias que se cria na hora do sexo e se intensificam tornando-se repetitivas. A necessidade de praticar essas fantasias torna-se um fetiche sexual.
Parece uma coisa fácil, mas tem seus aspetos complexos.
Em primeiro lugar está a aceitação de parte a parte do que decidem praticar. Uma vez chegado a esse acordo que alguns fetichistas chamam de negociação entre praticantes, haverá a execução da brincadeira, porque fantasia sexual nada mais é que um jogo de adultos que serve pra apimentar uma relação e evitar que o desgaste natural provocado pela rotina da convivência leve este relacionamento a limites inaceitáveis de convívio.
Portanto, aquilo que se apresenta como fato consumado, como um acordo bem costurado entre parceiros, se não primar por uma boa realização estará fadado ao descrédito deles mesmos. Porque a fantasia deve funcionar como um teatro sem platéia, aonde os próprios idealizadores vão se incumbir de qualificar o que produziram. O crivo não vem de fora, eles próprios levarão adiante se tudo o que foi pensado teve o propósito atendido.
Você poderia argüir da seguinte forma: “tudo que muito se combina vira robótico, sem adrenalina”. De fato, mas isto também é parte da fantasia, porque caberá a ambos estabelecer um limite o qual não poderá ser ultrapassado, deixando sempre uma reserva de emoção capaz de despertar a surpresa na cena.
Salvo em casos raros onde impera o exibicionismo, quando praticantes de fantasias necessitam do olhar de terceiros para saciarem seus desejos, mas num geral o teatrinho dentro do quarto ainda é a melhor receita.
E nessas horas a única brincadeira que deve ficar de fora chama-se esconde-esconde. Não deve haver vergonha ou timidez de confessar o mais íntimo segredo, até porque no momento em que há a revelação deixou de ser segredo. O ideal é combinar tudo antes com riqueza de detalhes, jamais se esquecendo que fetiches se apegam aos detalhes e não podem ficar de fora da festa.
Risadas fora de contexto, expressões de demérito na hora da cena podem arruinar de uma vez por todas qualquer tentativa de fazer ressurgir a fantasia mais adiante, porque o fetichista nato, aquele que tem o desejo pulsante tem por característica a inibição imposta por uma sociedade recheada de hipocrisia, e num momento desses, ele pode se voltar contra a parceira ou o parceiro, descontando nele anos de opressão e ostracismo.
Dizem que se conselho fosse bom não saía grátis, valeria pelo menos um Real.
Então eu classificaria esse artigo de hoje como um toque. Um tipo de recado pra galera que está começando a dar os primeiros passos num mundo onde a confiança e credibilidade são os primeiros degraus a serem vencidos. A seguir o fator consensual e os riscos que algumas atividades fetichistas representam, mas depois é só aproveitar de bons momentos que na certa virão se houver identificação com o que foi proposto.
Agora é escolher a fantasia que agrade em cheio e partir com confiança.
E Beth, uma última observação: sem cabeça boa e sem tesão a fantasia não serve pra nada.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
O Fetiche Filosófico
Na verdade eu não imagino que uma mulher num ato sexual deva estar imóvel, incapaz ou impossibilitada de ter qualquer tipo de reação. O fetiche é pela fantasia, não por atitudes.
O sujeito pode ter a fantasia de ser um bebê quando o assunto é sexo. Pode suplicar por alguma parceira que lhe coloque talco nas virilhas e o faça dormir num acalanto. Mas ele apenas deseja, e por mais que isso possa se materializar, tal fato só ocorrerá se existir alguém que concorde participar da aventura.
Por isso costumo dizer: se o negócio é empurrar velhinhas da escada me pergunte antes se quero participar. Se eu aceitar não será nada demais ver a pobre e inocente velhinha rolando escada abaixo, caso contrário, chamo a polícia.
O fetiche por mais estranho que pareça às pessoas como um todo tem sua filosofia, um argumento de quem pratica. Não adianta criticar ou sugerir. Sexo não se sugere a ninguém. As pessoas só praticam aquilo que lhes interessa.
Atração sexual por alguma coisa em particular ou por alguém é um caso que não se explica.
E cada vez que existe a possibilidade de sugerir a fantasia sexual a alguém no intuito de achar parceria, existe sempre uma idéia a mais em quem o desejo alcança. Sim, porque as possibilidades de respostas são diversas e raras, desde uma simples rejeição contumaz, o famoso “passa fora” até a aceitação da brincadeira de adultos.
Um amigo sugeriu uma cena de bondage a uma namorada. Ela não só topou como apareceu com creme chantilly e outras guloseimas mais.
Então, simplesmente achar que estou ficando louco antes de fazer uma análise concreta dos assuntos que escrevo é cretinice.
Isso porque um blog por mais que queira não educa, ele orienta, e este é o único intuito passível que tenho compreensão. Posso divulgar as fantasias, tanto as que acho viáveis em meu entendimento como possível participante, como as que conheço e menciono por serem parte dum mesmo universo.
Penso que é normal receber críticas quando um assunto se torna público. A Internet é pública. Já encontrei matérias que escrevo em outros espaços sem que me fosse solicitada qualquer autorização pra tanto. Paciência, a coisa rola dessa forma. Entretanto, se servir como base para qualquer tipo de debate construtivo e interessante é sinal que cumpriu o papel para o qual se designa.
Normalmente eu costumo responder os emails que recebo de forma direta, sem tornar o assunto do conhecimento de todos, principalmente dos que lêem meus artigos. Porém, alguns assuntos merecem se tornar públicos porque mencionam os amantes de fantasias sexuais de uma forma generalizada. O que é totalmente errado.
Generalizar nunca é bacana e muito menos compreensível. Todos têm direito a pensar de uma maneira singular, própria, e acho que num segmento extremamente reduzido e discriminado qualquer opinião que possa juntar todos numa mesma canastra fica fora de questão.
Portanto, Yolanda, ninguém se submete a práticas de BDSM sem vontade própria.
Nenhuma mulher ou homem aceita ser imobilizado num ato sexual se não for a sua fantasia imaginar o abuso, o rapto ou até mesmo uma simulação de estupro. Isso vem do âmago das pessoas, do desejo escondido. Talvez um especialista seja a pessoa mais indicada a desvendar suas dúvidas. Eu apenas falo da coisa que é latente, que existe e é real. Não julgo o sentimento, eu falo dele sem cometer qualquer deslize.
As meninas que aparecem em meu site têm contrato assinado de divulgação de imagem, bem específico, onde o tipo de cena está detalhado para que não paire nenhuma dúvida sobre o que é exibido.
Se uma pessoa se dispõe a pagar para admirar o conteúdo do site o faz porque gosta, porque encontra diversão no que está na tela. Sim Yolanda, é possível se divertir com cenas fetichistas e com fantasias sexuais. Se fosse uma coisa forçada elas não estariam diretamente ligadas a um momento de prazer e descontração.
Obrigado por seu email.
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