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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Açoite na História


O açoite é uma prática ligada ao sadomasoquismo. E para os interessados e amantes deste segmento é hora de falar como começou tudo isso.
O açoite teve um papel surpreendente e vital na história da humanidade.
Ao longo dos séculos, nossos antepassados incorporaram o açoite em suas práticas sexuais, espirituais, judiciais e de forma medicinal também. A flagelação em nome de Deus está longe de ser uma coisa rara. Quase todas as religiões, os cultos antigos desde as civilizações Mediterrâneas da Grécia, do Egito, Roma e Pérsia, e mesmo as religiões Islâmicas e Cristãs têm em algum ponto da história a flagelação incorporada em seus ritos e práticas.
Na Sparta Pagã, por exemplo, todos os anos durante um festival chamado “Dia do Flagelo”, os jovens eram trazidos diante de um altar dedicado à Deusa Diana onde eram chicoteados na hora do crepúsculo.
O açoite tem também a reputação de servir para valores medicinais. Na antiguidade foi utilizado para purificar o corpo, produzir enzimas para a coagulação além de melhorar o humor dos pacientes. Utilizava-se também a flagelação para diminuir a barriga, melhor a circulação sanguínea e como tratamento para os nervos. Demência, preguiça e depressão também eram tratadas com açoite.
Embora se saiba que o sadomasoquismo sexual foi praticado desde as épocas mais remotas, a descrição dessas atividades foi publicada no século quinze pela primeira vez por um italiano chamado Pico Della Mirandola, que descreveu sobre a tese de que um homem somente poderia apreciar as delicias do sexo se antes sofresse açoites que fossem capazes de lhe sangrar as costas, através de uma chibata embebida em vinagre.
Claro que esses escritos causaram revolta em seu tempo, porém o primeiro trabalho evidente ligando o SM ao sexo data do ano de 1718 e foi intitulado de “A Treatise on the use of Flogging'” (Tratado sobre o uso do Açoite). Com o aparecimento deste livro, a flagelação transformou-se num fervor que percorreu toda a Europa, a tal ponto que a obra foi traduzida pra o francês com o titulo de “Anglais de le Vicio” (O Vicio do Inglês).
Nesse período ocorreu à aparição de vários bordéis dedicados exclusivamente a pratica da flagelação, sendo que alguns se tornaram tão badalados que receberam a visita de cortesia do Rei George IV como o de uma senhora chamada Colette. Durante essa época, alguns inventos foram criados com o intuito comercial de abocanhar uma fatia desse mercado, e além do próprio Cavalo de Berkley, um homem criou uma máquina que podia chicotear quarenta pessoas ao mesmo tempo.
Existem muitas lendas sobre flagelação no meio da nobreza, como um nobre masoquista que alugou uma casa e empregou uma mulher de certa idade, muito atrativa. Este senhor se vestia como uma menina, pegava os instrumentos de limpeza da mão de suas criadas e exigia que fosse castigado por elas durante o tempo em que fazia a faxina na casa. Há também relatos sobre Catherine de Medicis que pegava suas criadas e as chicoteava curvadas em seus joelhos como crianças pequenas e arteiras.

Hoje, o açoite é utilizado de forma totalmente diferente de nossos antepassados.
Somente os instrumentos que adornam as práticas de BDSM remontam a esses tempos históricos, e existem milhares de artigos que tentam reproduzir as imagens desse período que resultou nessas práticas sexuais, que de certa forma tornaram-se definitivas dentro da vida de algumas pessoas.
O desenvolvimento destas práticas dentro do BDSM gerou o principio consensual, facilitou o aparecimento de grupos, códigos de condutas, enfim, todo um conceito geral criando limites entre os praticantes para tornarem essas práticas seguras e conscientes.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Dúvidas Fetichistas


Existem fetiches que despertam dúvidas. Há casos de tamanha duplicidade de uso e gosto que chega a causar espanto. Então peço aos amigos e amigas que me ajudem a resolver certas questões ditando as suas preferências.
Havaianas, as sandálias. Atende aos apelos dos podólatras e ao mesmo tempo atrai masoquistas que deliram ao levar chineladas com as legítimas. Tenho um amigo que admite a dor como seu único remédio. Agüenta até chinelada na cara. Passa horas a fio lambendo as sandálias usadas da parceira até sair à mancha. Outros, amantes dos pés por excelência e vocação, se derretem ao ver pés bem cuidados dentro de uma dessas maravilhas de borracha que tanto encanto produz.
Aliás, vale uma observação: podolatria é um fetiche tão extenso que fica difícil compor um painel que possa abranger as preferências de seus praticantes, tamanha a capacidade dos caras em produzir gostos raros e exóticos.
Bondage, indoor ou outdoor. Estes dois tipos de cenário numa trama bondagista dormem e acordam na cabeça dessa galera bronzeada que baba ao ver uma mulher amarrada. Os que gostam de cenas ao ar livre entre árvores, jardins ou até trilhos de trem preferem imagens outdoor. Gostam de assistir a vídeos de seqüestros imaginários e consentidos com garotas em apuros na mala do carro ou algo do gênero.
Trazem dentro da lembrança imagens de seriados policiais e de aventura que acabam traduzidos em suas práticas. Uma praia deserta desperta mil e uma idéias fáceis de decifrar.
Por outro lado, a turma que incorpora mobília, trajes fetichistas de couro e lindos lençóis de seda, não abre mão das imagens produzidas do lado de dentro. Ainda que as meninas usem biquínis estes bondagistas preferem ver suas musas envolvidas em tramas com um cenário interno. Deliram por mulheres amarradas envoltas em toalha de banho, lingerie ou prontas pra uma grande festa. Mas como diz um grande amigo, nada melhor que vê-la amarrada nua e de salto alto...
Ou ainda, como o vosso amigo escriba aqui, aqueles que ficam em cima do muro. Ora admiram cenas externas e outras vezes realizam-se com o bondage feito dentro de casa. Dúvida cruel...
Até o sadomasoquismo é passível de apresentar diferenças.
Parece simples e fácil, ou seja, aos olhos de quem assiste a conta fecha: um sádico e uma masoquista, ou vive e versa, seriam como a fome e a vontade de comer. Tudo se encaixa.
Mas existem as dúvidas. Sim e elas estão justamente nas preferências.
Conheço sádicos e sádicas que não suportam a submissão excessiva. Explico. Calma.
Os caras ou as moças descem a lenha e o masoquista fica inerte, nada sente e nada fala. Tenho uma amiga que diz: submisso que não sente a força da minha mão não serve. Decreta!
Só que isso não ocorre por vontade própria. É uma questão de ponto de saturação da dor. Alguns masoquistas têm orgulho disso. Como para todo chinelo velho existe um pé cansado, alguns sádicos ou sádicas preferem este tipo de masoquista. Exploram esta resistência e sentem prazer ao conseguir alcançar o limite de seus parceiros. Realizam-se ao chegar a este ponto.
Que fique claro, porém, que todos estes fenômenos ocorrem num universo fetichista, onde tudo deve seguir o principio consensual.

Quando um não quer dois não brigam e ponto.
Nenhum fetichista sai por aí com uma chibata na mão, ou uma corda, pronto pra saciar suas taras com quem assim não o deseja, ou não admite. Determinadas situações acontecem depois de muito diálogo e prévio consentimento.
É bom que fique claro, afinal, já basta o rótulo!
E se faltou alguma coisa, conto com a ajuda dos leitores e leitoras para buscarem mais dúvidas e ajudarem na construção deste espaço, no qual todo dia tenho orgulho de dar uma pequena contribuição.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Os Efeitos do Nylon


Meias de nylon…
Um fetiche, um objeto de desejo extremo, de sedução ou elegância?
Um acessório que é idolatrado por podólatras, bondagistas, sadomasoquistas, enfim, alcança vários segmentos de todas as formas possíveis e imaginárias.
Como os amantes dos pés lidam com o nylon? Alguns adeptos do sweat foot fetish (experimente digitar essas palavras no Google), enlouquecem quando as meias de nylon atuam retendo o suor nos pés das meninas. O efeito para esse grupo é bombástico. Quanto mais molhados os pés maior o tesão. Mas há casos de podólatras que gostam da beleza que as meias de nylon produzem quando apresentam combinações com os calçados. Estes ignoram os efeitos do suor e do cheiro e se esbaldam com a imagem sedutora da mulher.
Outra combinação interessante diz respeito à bondage e nylon.
Parte desses fetichistas é alucinada por mulher amarrada trajando meias de nylon. A viagem vai desde lingeries tipo sete oitavos a meia calça. Existem sites especializados nos quais a imagem de uma mulher descalça ou sem as meias é quase impossível, mesmo que inseridas num contexto de mais de quinze mil fotografias.
Claro que existe uma ligação intensa entre o fetiche de bondage e podolatria. É inegável essa proximidade, e porque não dizer, parentesco. O tesão por mulheres amarradas com meias de nylon vai desde a utilização das meias como ligadura, ou seja, como elemento imobilizador, até imagens onde as meninas aparecem apenas trajando as meias. Nem calcinhas são permitidas.
Daí o “ritual” segue de acordo com a imaginação de cada fetichista. Uns optam por fitas adesivas, outros por cordas, tiras de couro, enfim, tudo que possa criar uma imagem que dê vida as meias cor de pele. Assim como os podólatras, alguns bondagistas colecionam as meias de nylon utilizadas durante uma cena.
Mas não pára por aí.
Esse objeto de desejo de fetichistas também faz parte de sessões de sadomasoquismo. Não é difícil conseguir imagens de mulheres sendo flageladas com as meias de nylon rasgadas durante cenas em calabouços ou masmorras.
Normalmente, nestes casos, o interessante é conseguir acabar com a elegância da mulher aos poucos, despindo à força, peça por peça, até que sobrem apenas as meias de nylon semi destruídas.
Em sites de sadomasoquismo é comum a associação das meias de nylon com cordas de sisal. A união desses materiais se encarrega de causar o impacto que a cena necessita. As meias vão se deteriorando aos poucos até serem rasgadas com violência pelos praticantes.
Não podem ser ignorados os sites especializados em exibir mulheres colocando e retirando essas meias e lingeries. Há vários, alguns com cenas de bondage também, mas o foco central é por este material sintético.
Como dizem por aí, a mulher já nasce sabendo seduzir um marmanjo.
Tanto é verdade que as que sequer se imaginam fetichistas, utilizam lingeries para encantar seus pares. Flertam com o fetiche sem admitir qualquer proximidade. Coisas da vida...
Os efeitos do nylon em atividades fetichistas ou até baunilhas são intensos.

O prazer obtido com estes objetos enquanto estimulantes sexuais por determinado grupo de pessoas é muito grande, o que faz com que a matéria seja relevante.
Ainda que podólatras, bondagistas e sadomasoquistas tenham preferência por pés descalços um belo par de meias provocantes é sempre um fator interessante e sedutor.
Sobram questionamentos: você, amiga e freqüentadora desse espaço, em algum momento admitiria usar meias de nylon para provocar suor em seus pés a pedido de seu parceiro?

Com a palavra, as moças.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A Noite do Sádico


Antes vale uma explicação.
Muita gente me pergunta se algumas histórias contadas aqui no blog são verdadeiras ou fazem parte da imaginação, tanto minha, como de leitores amigos. Na verdade, uma pessoa ligada ao fetiche há tanto tempo como eu, têm em arquivo centenas desses casos, uns que presenciei e outros que soube.
Portanto, trocam-se os nomes dos personagens, retoca-se daqui e dali, mas no final sempre haverá uma ponta de veracidade em várias dessas histórias, como essa que me lembrei e achei interessante contar.
Norberto é sádico, mas não pensem que é um sádico qualquer, o cara é muito sádico mesmo, capaz de cenas extremas e coloca o fetiche acima de qualquer coisa na vida. Figurinha carimbada em qualquer evento na capital paulistana no começo do milênio buscava a todo custo uma parceira que aceitasse suas práticas fetichistas.
A galera que se encontrava uma vez por mês no bar América resolveu fazer uma festinha no dia seguinte na casa de um amigo, enfermeiro, também praticante de BDSM. Muitos convidados e no meio dessa gente nova uma garota loira sentada numa mesa com um casal no canto da sala de estar.
A beleza daquela mulher a todo o momento ajeitando seus longos cabelos era mesmo pra ser reparada. Papo vai papo vem, ninguém notou quando o Norberto já gastava sua saliva ao lado da bela garota sem deixar espaço para outra tentativa de alguém.
Como reunião de fetichistas acaba sempre em samba, bastou alguém apresentar as armas pra começar algumas cenas. Amarra daqui, pinga vela de lá, enfim, dentro do respeito coletivo os mais desinibidos colocaram seus instintos à prova. Foi quando o Norberto levantou-se e se ofereceu a espancar a bunda de uma conhecida submissa presente. Quem sabe na tentativa de mostrar serviço diante do olhar atento de sua “paquera”.
Na sexta ou sétima estalada a submissa entornou o caldo e usou a “safeword” – palavra de segurança que impede a continuação da cena – causando descontentamento no sádico. Só que num impulso repentino a sua companheira de mesa levantou oferecendo-se para o lugar da desistente mulher que ajeitava o vestido.
A surpresa foi geral. Desconhecida pela maioria dos presentes, a garota não demonstrou nenhum constrangimento ao encostar na parede e descer as calças até a altura das coxas sorrindo para o Norberto. Mas foi uma das raras vezes em que vi o cara constrangido, não pela ousadia da amiga recente, mas pelos olhares que repararam o defeito físico numa das pernas da bela garota. Ela era manca.
Mas durou só uns míseros minutos, porque o sádico começou uma sessão de torturas que obrigou o anfitrião a buscar uma caixa de primeiros socorros. Um festival de palmadas e chibatas de todos os tipos que só arrancavam pequenos gemidos da garota, tanto que chegou a ser alertada por uma dominadora presente a respeito da palavra de segurança.

Naquele dia tive a certeza de que o Norberto tinha encontrado a sua metade da laranja.
Os fatos que sucederam aquela noite renderam fotografias de tirar o fôlego, principalmente para os que não têm a veia sadomasoquista. Ele exibia as fotos de suas cenas com os olhos brilhando, sempre acompanhado de sua nova escrava.
Se divertiram muito com tudo aquilo.
Dois anos mais tarde deixei de lado a cena fetichista por causa da vida profissional e por conta disso nunca mais tive notícias do Norberto e sua parceira, mas aquela noite ficou gravada em razão da felicidade de um cara que sempre estudou tudo sobre BDSM, mas era dono de um fetiche tão complicado de entender quanto trazer para a realidade.
Na noite do sádico ele não desafinou e encarou todos os olhares preconceituosos de tanta gente que jamais deveria ter esse tipo de sentimento.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Rainha do Flagelo


Você, por acaso, já ouviu falar na Madame Theresa Berkley? Bem, se não ouviu, vou lhe contar algo interessante sobre ela. Se já ouviu, paciência; vou contar assim mesmo.
Theresa Berkley foi dona de um bordel no número 28 da Charlotte Street, Portland Place, bairro de Londres. Mas, sua casa de entretenimento masculino e feminino, não era como outra qualquer do ramo.
Em 1718, quando foi publicado, na Inglaterra, anonimamente, um livro chamado Tratado sobre o Uso do Açoite - embora o título tenha um caráter um tanto científico - o conteúdo continha um teor claramente pornográfico. Rapidamente, o tratado se espalhou pela Europa e virou moda com o nome de vício inglês; o que equivalia dizer que ninguém gostava mais de apanhar na cama do que um inglês. É aí que entra madame Berkley. Determinada a atuar na área do entretenimento masculino e tendo ciência do gosto de seus conterrâneos, montou no mencionado endereço, um bordel especializado em tortura e flagelação e, assim, tornou-se a pioneira do sadomasoquismo.
Theresa era uma amante perfeita dessa arte, por isso, não ficou só na tradicional coleira e o dolorido chicotinho. Sua casa era realmente um local de tortura. Para satisfazer os clientes, ela aprimorou e criou numerosos instrumentos de tortura. Usava diversos tipos de chicotes, de vários tamanhos, com nove correias de couro, conhecido como gato-de-nove-rabos, porque tinham nas pontas unhas de metal, semelhantes a dos felinos. As varas para o açoite eram mantidas na água, de modo que quando fossem usadas, estivessem sempre verdes e flexíveis. Cintas feitas de exclusivo couro grosso com pregos de uma polegada, que perfuravam a pele mais dura e deixavam flagelos que levavam um bom tempo para cicatrizarem. Vários tipos de escovas: a escova de furze (uma sempre-viva espinhosa), de urtigas, entre outras. Além disso, na primavera de 1828, uma obra-prima de tortura foi inventada para sua casa: o Cavalo de Berkley. A descrição desse aparelho, responsável pelos gritos dos clientes de Madame, vem de um nobre inglês vitoriano, aficionado em sacanagens, chamado Henry Spencer Ashbee: “(...) era uma espécie de pau-de-arara móvel que podia ser girado tanto na vertical como na horizontal. Assim, sem muito esforço, a Madame, ou as moças e os rapazes que trabalhavam para ela, infligiam a dor exatamente no ponto desejado pelo cliente”. E, por incrível que pareça, conclui Henry, “muitos nobres exibiam com orgulho as marcas e cicatrizes deixadas pelas torturas a que se submeteram no Cavalo de Berkley”. Ele está, hoje, exposto na Sociedade Real de Artes; foi doado pelo Doutor Vance, testamenteiro da Madame.
Assim, no bordel de Theresa Berkley, quem ia com bastante dinheiro, poderia ser açoitado, chicoteado, fustigado, agulhado, pendurado, escovado, perfurado, ou seja, torturado até ficar satisfeito.
Segundo o texto abaixo, extraído da correspondência de um devoto apaixonado pela flagelação, e profundo conhecedor do assunto, naquela época, as mulheres eram muito mais apaixonadas em agitar a vara de flagelo e vice-versa, que os homens:
"Em minha experiência eu conheci pessoalmente várias senhoras da nobreza que tiveram uma paixão extraordinária e uma severidade impiedosa em administrar a vara. Eu conheci a esposa de um clérigo, jovem e bonito, que levou o gosto ao excesso. Eu soube que a pessoa quando bebia tornava-se vulgar e se permitia ser açoitada até que o fundo dela ficasse totalmente em carne viva e a vara saturada com sangue; ela durante a flagelação gritava: 'mais forte! mais forte! ' e blasfemava se assim não fizessem. De um estabelecimento em Londres, do qual eu suprimo o nome, vinham vinte meninas que passavam por todas as fases do chicote até se tornarem professoras.”
Numa noite de setembro de 1836, a famosa casa de Miss Berkley estava silenciosa. Nem um grito, nem uma visita, madame Theresa Berkley havia falecido. Foi uma morte súbita e inesperada, pois era um tanto jovem. Durante oito anos ela não só governou seu bordel com maestria, como foi uma completa mulher de negócio, acumulou durante esse tempo uma considerável soma de dinheiro...
Nessa mesma noite, chega ao número 28 da Rua Charlotte, apressado e aparentando estar nervoso, o Dr. Vance, responsável pelo testamento. “Onde está o cofre de Theresa”? Pergunta para um criado. Era nesse cofre que Theresa guardava todas as cartas, nomes e recibos dos clientes de seu bordel. O doutor, sem nenhum remorso, queimou toda a papelada.
Conta-se que algumas das figuras (masculinas e femininas), de maior destaque da nobreza britânica eram clientes exclusivas do local, como o rei da Inglaterra, George IV. Portanto, a história da Inglaterra poderia ser outra, se o doutor não tivesse ateado fogo aos papéis.
Logo após a morte de Theresa, seu irmão, missionário durante 30 anos na Austrália, chega à Inglaterra, mas quando ele tomou conhecimento de que sua irmã lhe havia deixado a mais famosa casa de flagelação da Inglaterra como herança, renunciou a propriedade e voltou imediatamente para a Austrália. Na falta de herdeiro, a propriedade passou ao Dr. Vance (médico e testamenteiro dela). Ele também se recusou a administrar o bordel, e tudo ficou para a coroa inglesa.
Por essa época, já havia em Londres diversas casas especializadas em flagelação, como a da senhora Collette e da senhora Emma Lee. No entanto, em matéria de dor como êxtase, Miss Berkley foi, indubitavelmente, a rainha de sua profissão, ninguém a superava.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Castelo de Cartas


“Meu sonho era praticar com ela vestida de noiva...”.
Com essa frase lacônica, Aderaldo assumiu encerrar um longo capítulo de sua história.
Ele havia conhecido a esposa cinco anos antes de se casar e aos poucos foi conquistando espaço a seu lado.
Sadomasoquista convicto, ele jura que ao longo do tempo de namoro não faltaram noites em que foram praticando e conhecendo o fetiche de mãos dadas, juntos, em plena harmonia e consentimento.
E tudo caminhava para um gran finale tanto que resolveram juntar as escovas de dente debaixo do mesmo teto. Freqüentaram festas, participaram de grupos, fizeram amigos do meio, começando do zero mesmo.
Cada vez mais dependente sexual da companheira, ele nunca forçou nada e deixou que o tempo se encarregasse de criar um vinculo entre a relação e o fetiche, e conta que chegou a se imaginar como o ser humano mais feliz da face da terra.
Mas a vida é uma caixinha de surpresas (opa! Já li isso antes...) e com a proximidade do casamento às relações sexuais e fetichistas ficaram cada vez mais esparsas. Ele garante que nunca faltou diálogo e cerca de um mês antes da data marcada tentou argumentar sobre as razões de tanta indiferença e frigidez, fato raro nesse longo período de convívio.
As desculpas variavam desde a ansiedade por conta do passo importante até o cansaço pela montagem da nova casa, passando pela mudança de responsabilidade prestes a se tornar realidade.
Aderaldo aceitou a situação e apostou nos cinco anos de convivência para ser feliz.
Passaram-se os dias, o fato foi consumado e as desavenças tiveram inicio na Lua de Mel.
Irritado, aceitou o sexo baunilha como mera formalidade de núpcias e começou a travar uma luta inglória entre o casamento e o fetiche a partir daquele dia.
Tentou de todas as formas a retomada do que existia e ouviu as mais variadas desculpas, desde o sentimento de culpa por ser “obrigada” a viver uma vida fetichista pra sempre, até a desculpa de que um dia viriam os filhos que não poderiam ser educados debaixo de sombras de um passado pervertido.
Meu amigo minguou diante do abismo que se abriu a sua frente e aos poucos desistiu de argumentar, de lutar por seus “direitos” adquiridos naqueles anos. A mulher maravilhosa desaparecera um mês antes do casamento abrindo espaço para uma outra pessoa com idéias contrárias a tudo que fora construído. Sentiu-se enganado dentro de uma armadilha as portas de um castelo de cartas desmoronado e em ruínas.
Nem sempre uma relação deve ser medida somente pela questão sexual porque existem outros fatores responsáveis pela união de pessoas, apesar de acreditar, sempre, que não há estabilidade que resista a um casamento ou relacionamento sem o sexo como testemunha.
Pois fadada a um final infeliz a peça terminou. Aderaldo juntou suas coisas e desistiu do casamento. Antes de completar um ano partiu sem deixar rastros lamentando ver seus sonhos transformados num terrível pesadelo.
Hoje, divorciado, ainda busca seu par perfeito sempre com o passado na cabeça e louco para sonhar outra vez.
Que a sorte te acompanhe, brother!

STRUGGLING: A Fantasia Perfeita de Bondage.

Terps e Jackie são seqüestradas em seu local de trabalho por um terrível algoz.
Despidas, amarradas e amordaçadas, travam uma luta incessante contra as cordas até o final na esperança de escapar.
Afinal, haverá êxito nessa desesperada tentativa? O temível raptor reaparecerá?
As respostas a essas perguntas estão no vídeo de hoje do Bound Brazil.
Struggling apresenta belas garotas, sensuais lingeries, ótimas tomadas de bondage, mordaças cleaved gag e duct tape, além de realizar um desejo de vários assinantes do site: as legitimas havaianas...
Tudo isso retratado pela lente curiosa e indiscreta de Lucia Sanny e um roteiro quentíssimo de Julia Mayo.
Imperdível!
Ainda hoje, um excelente set fotográfico com as duas estrelas do filme num ensaio de bondage (back-to-back). Perfeito!

Um bom fim de semana a todos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Incrível Teatro (BDSM) de Marionetes


Muita gente que me conhece pessoalmente já escutou essa história e mesmo que ninguém acredite garanto que é real, aconteceu mesmo.
Já falei aqui que por três anos da minha vida morei na capital mundial do fetiche (Amsterdam), e creio que foi por lá que passei a ser mais civilizado e entender que ser fetichista é tão normal quanto ver uma novela onde na Índia se fala português, e pior, com algumas pinceladas de idioma local.
Portanto, para ser verdade basta acreditar que é real e pronto.
Mas fora a brincadeira, vamos aos fatos.
Há pouco tempo perambulando por Amsterdam e fascinado pelas vitrines, nem me passava pela cabeça observar o que existia além daquele pedaço de cidade nos arredores do burburinho do Red Light.
Eu, como bom tupiniquim embasbacado só via e revia o que meus olhos de pouca profundidade alcançavam, e jamais desprendia a atenção das revistas e capas de VHS transbordando dos sex shops. Até que um dia conheci uma pessoa que me mostrou um mundo novo, e como um Cristóvão Colombo adentrei ao desconhecido sem pisar em cascas de ovos, na mais profunda vontade de sucumbir aos pecados.
Essa amiga me convidou para ir ao teatro.
“Mas que merda, pensei...” Tudo que eu queria naquele momento era uma masmorra recheada de sádicos, masoquistas, bondagistas, podólatras, obscenos, devotos, tudo, sem censura e sem cortes, mas ir ao teatro era o que tinha de melhor numa noite de Terça quando havia minha folga do batente. Fui.
Uma construção bem antiga, nos moldes dos teatros europeus sempre bem conservados e uma fila pequena na porta, assim era o local. Sem saber qual seria a peça a ser encenada, sem entender nada daquela língua nativa (os Holandeses falam bem o Inglês devido a pouca difusão de seu idioma natal, mas entre eles utilizam à língua mãe), avistei um cartaz do espetáculo e comecei a me interessar.
Perguntei a minha amiga qual o tema da peça e ela insistia em manter o suspense, sem pistas, nada mesmo. Mas o cartaz denunciava um tema picante pelas fotos ilustrativas e contrastava com as pessoas na nossa frente, tipo família completa, daquelas que lotam as pizzarias nas noites de Domingo. “Essa peça deve ser em outro dia”, imaginei.
Mesmo sem compreender nenhuma palavra escrita naquele cartaz, segui até que as luzes se apagaram confiando naquela mulher.
Do alto do palco com pouquíssima luz desceram cordas, quatro, e nelas aos poucos foram aparecendo personagens que eram amarrados a elas, um a um, por duas loiras daquelas tipo secretárias do capeta, de espartilho vermelho e tudo.
Pareciam marionetes suspensas na seguinte ordem: um cara magrelo, mas bem magro mesmo, com ares de cross dresser, trajando uma bota, meia arrastão e calcinha. Um branquelo de cabelo curto com jeito tão submisso que mantinha o olhar fixo no chão do palco e duas garotas desajeitadas, em lingerie, mas nada bonitas.
Esses atores eram suspensos e desciam para serem açoitados impiedosamente pelas demoníacas loiras, que os faziam girar e apanhar sem parar. Era cacetada de todo lado com largos cintos de couro adornados por enfeites prateados.
Após o espancamento as luzes se apagaram e ficou apenas o da meia arrastão, que foi amordaçado pelas loiras malvadas com uma ball gag. Os outros desapareceram na escuridão.
Do nada surge um negão com cara de Rei de tribo africana trajando apenas uma micro sunga e sob as ordens das loiras, sodomiza (enraba, para os mais íntimos!) num só golpe o pobre diabo amarrado que só consegue soltar pequenos gemidos e expressões de dores intensas...
E a peça segue. O magrelo submisso ainda pendurado como marionete sem rumo é obrigado a comer toda e qualquer coisa pisoteada que as loiras lhe obrigam debaixo de uma saraivada de chibatadas e grampos que lhe esfolavam os mamilos. Ato contínuo, as duas meninas feias são retiradas do suplício da suspensão passando a ser impiedosamente castigadas num aparelho tipo Cavalo de Berkley (*) pelas duas competentes dominadoras.
No final todos se apresentam na frente do palco para os devidos aplausos de um público entusiasmado e louco para sair dali e começar novas experiências após uma aula perfeita, e outros, como eu, levando da primeira a última cena tudo gravado como um filme para guardar pra sempre acreditando que existia um mundo bem diferente além da minha janela...

(*) Theresa Berkley foi dona de um bordel em Londres no século dezenove e o aparelho que ficou conhecido como o Cavalo de Berkley era uma espécie de pau-de-arara móvel que podia ser girado tanto na vertical como na horizontal. Assim, sem muito esforço, a Madame, ou as moças e os rapazes que trabalhavam para ela, infligiam a dor exatamente no ponto desejado pelo cliente (Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br )

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ilsa, She-Wolf of the SS (1974)


Essa é para quem gosta de sadomasoquismo.
Comandante Nazista cruel durante a Segunda Guerra, Ilsa, tem condutas sádicas e aplica experiências de tortura em várias mulheres, utilizando-se do artifício de provar que as mulheres têm um ponto de resistência à dor acima dos homens. Com um comportamento beirando a demência conduz suas teorias vis com o uso de métodos de extrema violência sob os prisioneiros de guerra.
Possuindo um apetite sexual descontroladamente voraz, Ilsa busca um homem que possa satisfazer seus desejos carnais, e enquanto não acha esse parceiro, castra aqueles que não lhe dão o prazer, entretanto, encontra um prisioneiro de guerra americano com grande controle sobre suas faculdades libidinosas. Este homem é a única esperança para os prisioneiros sobreviverem e escapar do inferno do Terceiro Reich e de suas experiências selvagem imorais.
Dirigido por Don Edmonds esse filme gerou outras produções com o mesmo apelo como Ilsa, The Wicked Warden de 1977 e, ainda, uma trilogia que continha uma terceira produção chamada Ilsa, The Tigress of Siberi.

A idéia inicial do criador desse personagem foi mostrar todo o horror que ocorria dentro dos campos de concentração durante o Nazismo, flertando com doses de sexo explícito e fetiche que era a grande chamada cinematográfica dos anos setenta, porém, assim como ocorreu com o filme Emmanuelle, outras produções tentaram seguir a mesma linha utilizando a personagem principal, entretanto terminaram relegadas ao ostracismo e o decorrente fracasso.
As tomadas desse filme são aconselháveis a pessoas que não tenham sensibilidade acentuada para cenas fortes, porque além da pancadaria que come solta, a obra apresenta trechos de tortura e morte muito semelhantes à realidade.
A melhor definição do filme é dada pelo produtor Herman Traeger, leia:
“A película que você está prestes a ver é baseada em fatos reais e documentados. As atrocidades mostradas foram conduzidas por médicos nos campos de concentração especiais durante o regime de Hitler, o Terceiro Reich. Embora estes crimes contra à humanidade estejam historicamente corretos, os caracteres descritos são compostos de personalidades notórias do Nazismo, e os eventos retratados foram condensados em uma localidade para finalidades dramáticas. Por causa de seu assunto chocante, esta película é restringida às audiências adultas somente. Nós realizamos esta película com a esperança que estes crimes hediondos não ocorram outra vez.”

É necessário que se deixe claro que práticas sadomasoquistas no âmbito fetichista tem o caráter consensual e são realizadas entre parceiros que devem ter conhecimento suficiente para essas fantasias. Portanto, o filme em questão é apenas uma ilustração dramática e que somente contribui para aguçar os sentidos para jogos entre amantes coniventes.



Para os que desejam adquirir esse filme aqui vai o link da Amazon:
http://www.amazon.com/Ilsa-She-Wolf-All-Region/dp/B0016A940K

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Dark Angel



De Buenos Aires (Segundo dia)

Seu lema: “Te inclinarás a mis pies y rogarás clemencia.”.
Nem precisa tradução porque os submissos que freqüentam essa página sabem muito bem como se portar diante dessa Dama.
Ela nada tem de profissional, muito pelo contrário, garante que cada sessão é realizada com muito capricho e cuidados consensuais.
Em casa tem um quarto que transformou em estúdio, masmorra dê o nome que quiser, porque pelas fotos você pode entender um pouquinho do que se passa dentro das quatro paredes.
Mulher madura, na casa dos trinta, uma beleza latina e, como dizem por aqui, “una bella morocha”, Dark Angel é vaidosa ao extremo e faz de cada experiência que acumula com seus escravos mais um capitulo de sua história no BDSM.
Ama como chamam por aqui ou Mistress se assim preferirem, Dark acumula seis anos de domínios no meio fetichista portenho e é bem respeitada pelas pessoas a sua volta.
Elegante, fez de uma simples conversa informal num café ao cair da tarde um acontecimento e veio vestida para um grande baile de gala.
Ultimamente tem aprendido praticas de bondage com amigos que com toda a paciência o mundo lhe tira as duvidas. Se auto define uma aprendiz no universo sadomasoquista e espera cada vez mais conquistar adeptos com os quais possa seguir seu aprendizado.
E o que ela pensa a respeito do BDSM?
Posto aqui as palavras dessa morena de olhos negros e profundos:
“En cuanto a técnicas me gusta el bondage, ADORACION DE PIES, los azotes, penetraciones, spank, humillaciones y otras. Estas son mis preferidas. Mi búsqueda apunta a encontrar un sumiso muuuy fiel y en buena posición económica, (CON AUTO SI O SI. No estoy para caminar!) para que pueda complacer todos mis caprichos. Nota: Solo hablo con hombres que sepan respetar a una mujer, de lo contrario, ni te gastes. Ahhh ODIO que me tuteen!”
Traduzindo em poucas palavras, ela se diz admiradora de bondage no que tange o aspecto técnicas, frisa que adora podolatria, gosta de açoitar seus súditos, inversão, spanking e humilhação. Afirma que busca um submisso muito fiel e de boa condição econômica, e que de preferência tenha carro, porque se nega a anda a pé com seu escravo. Taxativamente se nega a dar conversa a homens que não respeitam as mulheres, e os aconselha a não perder tempo com ela. Encerra declarando que odeia quando alguém lhe controle.
Assim como outras dominadoras argentinas, Dark Angel é a prova de que aqui no hemisfério sul e toda América Latina cada vez mais as práticas fetichistas são mais intensas, pessoas assumem sua postura sexual sem preconceito e mostram que essa tendência sexual não está restrita aos paises Europeus ou à América do Norte.
Há algum tempo atrás diversos brasileiros se viam sozinhos nesse universo, todavia no Chile e aqui na Argentina essas práticas também evoluem.
Sites como o Masmorra (http://www.mazmorra.com.ar/home) e clubes como o “La Casona del Sado” cada vez mais atraem adeptos e freqüentadores na região de Buenos Aires.
E a viagem prossegue...

HOJE NO BOUND BRAZIL


Atenção membros e amigos do Bound Brazil: devido ao feriado amanhã, a atualização que normalmente acontece às Sextas, vai ao ar hoje.
O vídeo da semana atende pelo nome de “That´s What I Want” (É isso que eu quero) com as belas Lilith, Karine e Frida.
Em mais um roteiro de Julia Mayo, Lilith e Karine ficam a mercê de Frida que as mantém amarradas e amordaçadas com a promessa de deixá-las livres quando lhe convenha.
Depois de inúteis tentativas de libertarem-se das cordas e mordaças, as duas lindas garotas buscam finalmente uma forma de escapar para se ver livre de sua raptora. Haverá espaço para uma doce vingança?
Confira essa história com um final eletrizante...
Nas fotos, a exuberante Nany (ao lado) em trajes de enfermeira atendendo a pedidos de nossos assinantes e, ainda, um set muito bem elaborado com Alexia.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Cinema: Story of O, the Series


O ano 1992, o cineasta Eric Rochat, os artistas, brasileiros.
É certo dizer que a obra de Pauline Réage rendeu inúmeros frutos nas mãos do diretor Just Jaeckin no clássico História de O, porém, depois disso, várias foram as tentativas de uma recriação do filme de todas as formas possíveis e imaginárias, embora algumas dessas realizações terem sido fiéis ao enredo.
Numa trama de quatro episódios, foi rodada no Brasil uma versão do clássico. Atores e atrizes de recente sucesso à época, foram convencidos pelo diretor Eric Rochat a participar do filme com a promessa de que jamais seria comercializado ou exibido por aqui.
O elenco contava com Paula Burlamarqui, Claudia Cepeda, Paulo Reis, Nelson Freitas, Gabriela Alves, entre outros, e mesmo carregado de cenas de nudismo em excesso procurou seguir à risca a obra original desenvolvida dentro de um Roissy Tupiniquim.
No papel principal, Claudia Cepeda interpretou O, a fotógrafa apaixonada que se submete às condições impostas por Sir. Stephen (Paulo Reis) para que alcançasse um desenvolvimento sadomasoquista necessário visando uma futura vida a dois.
Entretanto, a tentativa se tornou um fracasso fora do Brasil e o tiro saiu literalmente pela culatra. Sem um bom distribuidor e já com as contas batendo à porta, Rochat resolveu aceitar uma oferta para que o filme fosse distribuído no Brasil fora do circuito cinematográfico, apostando na ascensão dos atores e atrizes em sua terra natal.


Para quem não se lembra, uma pequena caixa contendo quatro fitas em VHS comercializada em jornaleiros em 1994 espalhou-se pelo país, gerando um contra-ataque rápido dos atores e atrizes que por meio de intervenção legal, rapidamente conseguiram a retirada de circulação das fitas.
Mas o filme não encantou. Cenários pobres, repetidas cenas de lesbianismo e tomadas externas de extremo mau gosto com uma fotografia pobre. O pior, dublagens mal feitas e fora de ritmo com as cenas, conseguiram apagar a beleza e até boa participação dos atores e atrizes que empurraram o filme com a barriga.
As cenas de sadomasoquismo pecam pela falta de realismo e são totalmente fora de compasso com o enredo. Do nada, aparece uma cela e um mascarado espanca uma mulher sem o menor sentido, sem sequer ter alguém observando ou supervisionando a cena.
O lado bom, a beleza exuberante dessas Deusas brasileiras em cenas tórridas de sexo (as que pecam pela escuridão, pouco se vê), além de algemas, chicotes, cordas, e outros acessórios fetichistas de boa qualidade.
Dizem que a obra original era composta por dez volumes, mas por aqui nada além de quatro fitas VHS podiam ser adquiridas. Ainda guardo as minhas.
A crítica no exterior teceu péssimos comentários sobre o filme, principalmente à falta de identificação com o original de Just Jaeckin e, ainda, critica com veemência o ultimo episódio onde deveria haver um fechamento da série que termina tão ruim como começou.

Entretanto, para quem pretende adquirir essa saga em episódios, a Amazon disponibiliza todos os volumes da série em versão com formato DVD. Basta clicar no endereço: http://www.amazon.com/Story-O-Complete-Set/dp/B000BH1ESO
O site da Chapters Indigo oferece o quinto DVD pelo preço de $34.23. É só conferir:http://www.chapters.indigo.ca/dvd/Story-Series-Vol-5-DVD-Cepede-Reis-Williams/794061012118-item.htmlVol-5-DVD-Cepede-Reis-Williams/794061012118-item.html

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Welcome or Get Out!


A pior coisa que existe na vida é quando o urubu resolve mergulhar num lago e, soberanamente pensa que é um pato... Acho que nem preciso falar sobre o final dessa história.
Pois assim é a vida, e quando menos se espera é possível ler alguma coisa relacionada a fetiche que nada tem a ver com a realidade. Sim, pra quem pratica e conhece o fetiche é real e funciona mais ou menos assim: cada um com seu par, cada um com seu estilo, apesar de conviver na mesma roda, cada qual dança de uma maneira e podem ter certeza de que quem costuma freqüentar essa roda sabe muito bem como se dança de todas as formas, embora se faça da maneira preferida.
Pronto, a receita é simples, ninguém inventa nada e faz o efeito desejado há muitos anos, bem antes do Marques de Sade.
Mas pelo amor de Deus não me venham com esse papo furado de sadomasô!
Isso é clichê e nós, do lado de cá, detestamos ser rotulados.
Essas coisas só acontecem quando o inesperado chega de surpresa e todo mundo passa a entender de um assunto que nunca viu, e pior, sem sequer perder um tempinho tentando decifrar do que se trata. Até na wikipedia é fácil saber o que é, basta ler.
É assim em Copa do Mundo onde gente que nunca foi a um estádio de futebol acha que aquele é melhor do que o outro e vice e versa. Entretanto, bondage não é sadomasô, bondage é bondage, aliás, não existe sadomasô, ninguém pratica sadomasô.
Falo de fetiches o ano inteiro aqui e nunca falei esse termo!
Pode-se até abreviar e dizer “sadomaso”, mas, por favor, sem esse acento ridículo!
Então, é melhor estar preparado porque vem chumbo grosso por aí.
Melhor deixar bem explicado que a boa regra de educação recomenda que ao entrar em casa de estranhos, devemos nos comportar com boas maneiras e respeitar tudo que está a nossa volta, móveis, decoração, objetos, enfim, de forma que sejamos bem vindos.

O blog e o site estão abertos a todos que quiserem porque a internet é publica e todo mundo tem acesso, mas mensagens estranhas serão interpretadas como OVNI e serão tratadas como tal.
É importante dizer aos senhores colunistas e fofoqueiros de plantão que jamais pretendi ou, ainda pretendo, obter fama fora do circuito a que este blog ou o site se dedica, portanto, não fiz nenhuma propaganda em casa alheia e por isso peço o favor imenso de tratarem esse espaço com a dignidade que ele merece.
Fora isso, todos são bem vindos para conhecer um pouco do que consideram o “underground”, desde que saibam que esse ambiente é freqüentado diariamente por gente como vocês, que também assistem televisão e os “reality shows” da vida e já sabem a que estou me referindo.
Essa matéria não tem nenhum caráter de autopromoção, muito pelo contrário, apenas deixa claro que quem vem sempre aqui nunca rejeita ilustres convidados, desde que se portem de maneira pacífica e respeitem para serem respeitados.
No mais, enjoy the content!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Fetiche: como ir pra cama sem ele?


Tudo que é demasiado torna-se obsessivo e isso acarreta diversos distúrbios pessoais com os quais temos que conviver. Mas tudo isso pode ser evitado se houver uma dosagem e um limite imposto por nós mesmos.
Porém, como explicar a um podólatra, um bondagista, um sadomasoquista que naquele dia tudo tem que acontecer de maneira convencional?
Isso é polemica e muita gente tem opinião formada e nem pensa em abrir mão.
Em meu ponto de vista há que ser dosado, sem ser ortodoxo ou extremista, pois tudo na hora certa e da melhor maneira é muito mais gostoso. E o que seria de mim se não pensasse assim com todas essas Deusas que encontro toda semana para uma sessãozinha de bondage?
Nossos anseios são terríveis e por inúmeras vezes difíceis de controlar, principalmente quando existe alguma coisa diretamente ligada ao que mais gostamos. A palavra fetiche em seu significado já diz tudo: feitiço. Pois é, muita gente não sabe, mas fetiche vem da palavra feitiço, porque quando Charles de Brosses em 1757 deu o significado da palavra Fetiche, o termo já havia se difundido na Europa trazido pelos portugueses que assim chamavam os instrumentos religiosos usados na África Ocidental.
Daí em diante os estudiosos encontraram na psicanálise um elo entre a adoração por objetos e as práticas sexuais que são fonte de desejo.
Mas o sujeito gosta de bondage, está sentado no sofá da sala com a mulher ao lado e na tela começa a exibição de “Ata-me” de Almodóvar, onde e como se pode supor que essa aventura vai terminar?
O auto controle é extremamente necessário em situações que envolvem o comportamento social de cada pessoa ligada às práticas fetichistas, e isso todo mundo concorda porque é regra de conduta. Porém, se o pavio começa a incendiar a alguns metros na tela de uma televisão e entra em cena aquela velha máxima de que tudo posso e tudo é permitido dentro de quatro paredes, em nome de uma boa relação consensual, controlar torna-se uma tarefa humanamente impossível.
Se esses incentivos de difícil controle forem à mola mestre para impulsionar uma relação, poderá haver um divisor de águas que separe as relações fetichistas das sexuais sem o emprego dessas práticas, sem importar se essa relação a dois é entre um fetichista e alguém de fora ou entre ambos com o desejo acentuado pelo fetiche.
A monotonia é uma das causas para um final de relacionamento melancólico e qualquer relação, fetichista ou não, corre o risco de cair nesse abismo. Se uma relação sem pimenta pode ser considerada monótona os excessos devem ser combatidos também. Ninguém agüenta feijão com arroz todo dia.
Esse desgaste torna-se mais evidente quando agente tem a impressão de estarmos sendo intensos demais, é quando sabiamente deve haver uma reflexão profunda com o intuito de preservar o que foi construído.
Concluindo, quando ele ou ela começam a aceitar práticas fetichistas para agradar ao parceiro é sinal de que existe algo de podre no Reino da Dinamarca, portanto é chegada a hora de uma análise em conjunto através de um diálogo sincero para que no futuro isso não seja sinônimo de arrependimento.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O Porteiro da Noite


Lançado na Itália no ano de 1974, o filme O Porteiro da Noite com um elenco de primeiro nível, conta a história de uma mulher que foi prisioneira nos campos de concentração Nazista na Segunda Guerra Mundial, reencontra o oficial que lhe havia imposto torturas trabalhando como porteiro de um hotel. Estrelado por Dirk Bogarde e Charlotte Rampling, o filme é ambientado na cidade de Viena, na Áustria, no ano de 1957.
Lucia Atherton (Charlotte) e Maximiliam Theo Aldorfer (Bogard) revivem a mesma paixão que os fez unir treze anos antes, através de uma relação sadomasoquista fora dos muros do campo e aquém dos perigos que haviam enfrentado durante a guerra.
Com uma direção competente de Liliana Cavani, O Porteiro da Noite traz à tona um envolvimento muito parecido com a Síndrome de Estocolmo, quando a pessoa raptada se apaixona por seu algoz.
Casada com um famoso maestro após a guerra, Lucia começa a relembrar os momentos vividos com seu ex-amante e torturador logo após o reencontro em Viena e na primeira viagem de seu marido, combina um encontro com o ex-oficial Nazista no hotel Weber em Frankfurt, na Alemanha, onde um grupo de ex-Nazistas se reúne para fazer um balanço da situação de cada membro.
Preocupados com a possibilidade de que testemunhas de seu passado inglório venham a delatá-los e com os arquivos que ainda existiam das atividades desses oficiais durante a guerra, elegem Klaus como seu líder, que começa uma varredura entre todas as pessoas sobreviventes passíveis de fazer um reconhecimento desses ex-oficiais. Lucia, porém, escuta as conversas atrás da porta e quando Max vai ao seu apartamento e lhe pergunta se está ali para delatá-lo, os dois discutem e Max agride Lucia o que desencadeia todo um ritual sadomasoquista escondido durante os anos de afastamento.
A paixão fala mais alto e Lucia decide mudar para o apartamento de Max, onde já percebidos pelos lideres do movimento de ex-oficiais da SS são vigiados de perto pelo restante do grupo. Max pede demissão do hotel e junto com Lucia abrigam-se em sua casa onde praticam o sexo sadomasoquista até que seu estoque de alimentos acabe.
Fracos e sem força para reagir, fogem e são executados pelos ex-nazistas ao cruzar uma ponte durante a escapada.
O Porteiro da Noite mostra um amor incondicional dentro de uma relação fetichista que desafia o tempo e os padrões, invade ambos de sentimentos e os faz abdicar de tudo conseguido na vida até então, em troca de reviver os melhores momentos entre eles. A liberdade que Max havia logrado a um custo alto torna-se perigosa com a presença de Lucia, mas mesmo assim ele decide abrir mão de qualquer prerrogativa por algo muito mais importante.
O fetiche é retratado em diversas cenas e a excelente fotografia e direção ajudam ao espectador que fica envolvido nessa trama de sexo e suspense. Com uma trilha sonora de primeira linha, a cena em que Lucia imita Marlene Dietrich na musica “O Anjo Azul” do ano de 1930 retrata toda a musicalidade contida na obra.
O filme O Porteiro da Noite está disponível em DVD e pode ser adquirido no seguinte endereço eletrônico:
http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=4848

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Cena Perfeita

Muitos críticos sentaram o sarrafo nesse filme produzido no ano de 2001, mas que apareceu por aqui quase despercebido no ano seguinte.
Birthday Girl, filme do diretor Jez Butterworth pode ser encontrado em DVD com o título de “A Isca Perfeita” um roteiro de suspense onde um bancário vive seu drama em participar de uma jogada desonesta e a noiva russa a qual conhece pela internet, interpretada pela bela Nicole Kidman.
Um filme bem comum com um enredo básico e bastante explorado anteriormente, mas que reúne cenas de interação fetichista quando Nicole descobre vídeos e revistas de bondage, com algumas doses de sadomasoquismo entre os pertences de seu noivo.
Raptada, envolvida na trama como isca, Nicole exalta o fetiche por sua beleza incontestável e nos trechos em que incita o noivo com pedaços de pano a amarrá-la para uma sessão de bondage. Realmente imperdível.
Posto aqui um mix dessas cenas para o delírio dos aficionados que nunca tiveram a oportunidade de ver Nicole Kidman no papel de Damsel in Distress.





Vanessa e Rafaela no Bound Brazil

Amanhã o Bound Brazil apresenta dois sets inéditos num total de 120 fotos de duas modelos muito solicitadas através das mensagens recebidas diretamente no site.
Vanessa e Rafaela aparecem em dois trabalhos de bondage de diferente aspecto de amarração, porém com uma sintonia absoluta do quesito donzela em perigo.
Na semana do Natal o Bound Brazil está preparando uma surpresa para todos os membros, aguardem!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Nossos Conflitos (Saudades de Bettie Page)

Às vezes encerramos nossas conversas solitárias sem achar o que muitas vezes pensamos ser a solução, e mesmo quando falamos com nós mesmos desistimos ou simplesmente deixamos de lado para voltar ao assunto quem sabe algum dia.
Faz dois dias que publiquei aqui no blog uma matéria sobre a luta de Bettie Page pela sobrevivência, isolada num quarto de hospital em coma profundo o ultimo suspiro decretou o fim de todos os seus conflitos pessoais. Ela faleceu nessa madrugada aos 85 anos.
Por anos ela oscilou entre o real e o abstrato imergindo num abismo de esquizofrenia diagnosticada, culpa dos conflitos que a levaram a esse patamar. Ela esteve anos distante de tudo e de todos, aliás, tornou-se uma lenda para milhares que não tiveram a chance de ver seu desempenho como modelo e atriz, e fechou-se para o mundo dentro dos muros onde só ela sabia o que se passava por lá.
Assim é a vida, fazemos sempre as nossas escolhas. E quando não há estrutura para suportar as pressões que emergem em quem ousa desafiar conceitos e padrões sociais, o limite é raso demais e nos faz afundar sempre mais um pouco.
Não tenho competência terapêutica para escrever aqui como um profissional, mas ouso dizer que a experiência de vida me faz afirmar que nada deve ser recolhido a conversas solitárias internas as quais não produzem o efeito desejado. Portanto, ninguém deve se trancar no armário por ser fetichista, sadomasoquista, homossexual, porque não existe vergonha maior perante o mundo do que a que sentimos diante de nós mesmos.
Se tomarmos a decisão de enfrentar qualquer preconceito isso deve ser feito com plena consciência das causas e efeitos que podem advir dessas atitudes, porque o arrependimento pode se tornar um inimigo invisível e silencioso cada dia mais presente durante toda a nossa existência.
Ter bom senso e buscar sempre a felicidade é uma obrigação, mas isso só é passível de acontecer quando estamos de bem com a nossa consciência, por isso vale estar alerta e buscar uma reflexão antes de cada atitude sempre com otimismo desde que não haja exagero.
Criei um site nacional de bondage e vivi meus conflitos aqui mesmo nas páginas do blog e assim preferi fazer a buscar soluções através do isolamento voluntário. Isso se aplica a qualquer um que acompanha os assuntos diários e se identifica com vários fetiches que são temas de apresentação e discussão. Façam amigos, busquem sempre contar a alguém de sua inteira confiança o que te faz sentir melhor e assim a vergonha fica de lado mesmo que por um determinado momento, até que um dia ela vai embora de vez e podemos dizer o quanto é bom estar feliz.
Mas esse mundo ainda é um lugar muito lindo e cheio de alegria a nosso redor.
Bettie se foi, mas deixou um legado de energia e beleza a ponto de tornar-se essa referencia e símbolo que se fala mundo afora. Suas histórias e façanhas nos tempos modernos sobrepõem todos os anos de escuridão onde sua luz deixou de brilhar.
E temos que enaltecer toda essa alegria que ela procurou transmitir através de suas fotos que refletem até os dias de hoje pelos caminhos que ela deixou aberto as gerações que se seguiram.
Todos têm o direito de escrever a própria história, porém com o entendimento do que passa à nossa volta e sabedoria para enfrentar os obstáculos que a vida nos proporciona pelo próprio sentido comunitário do mundo em que vivemos. Etapas, barreiras, estão sempre à nossa frente, mas com perseverança e alegria é muito mais fácil transpor.
(Na Foto: Bettie Page 1923-2008)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A Grande Batalha de Bettie Page


A famosa pin-up dos anos cinqüenta e pioneira em trabalhos fotográficos de bondage Bettie Page, está internada no Centro de Terapia Intensiva de um hospital de Los Angeles nos Estados Unidos, tentando se recuperar de um ataque cardíaco.
Aos 85 anos, Page estava internada para tratamento de uma pneumonia e quase liberada pelos médicos foi vítima desse ataque cardíaco e, segundo a Associated Press seu estado de saúde é considerado crítico.
Amigos mais próximos chegaram a afirmar que a famosa modelo estaria em coma, mas fontes de informação não confirmam e também não negam essa notícia.
Bettie Page, a secretária que se transformou em modelo tem como crédito a contribuição que a geração rebelde dos anos sessenta herdou devido a seu atrevimento e suas atitudes.
Ela atingiu grande projeção nacional na América e seus trabalhos fotográficos estiveram estampados em todos os outdoors que mostraram seus ensaios sensuais de leste a oeste. Essas fotos incluíam suas poses para a revista Playboy a partir de Janeiro de 1955 com fotos ousadas para a época e, ainda, sets com temática sadomasoquista.
Page esteve afastada da mídia durante décadas, travou uma batalha interior fervorosa por vários anos até se auto determinar renascida, assumindo uma postura absolutamente Cristã.
Após um reaparecimento muito rápido no começo dos anos noventa, concedeu pequenas entrevistas, porém, negou-se terminantemente a posar novamente por qualquer motivo.
Seu último agente e amigo Muller ofereceu a Page no ano de 1989 uma saída da reclusão voluntária através de books fotográficos e venda de autógrafos que lhe garantiriam altas somas em dinheiro, mas Bettie foi irredutível, mesmo diante de uma oferta irrecusável de 3.000 dólares por autógrafo, uma quantia astronômica se comparada a outras tantas personalidades como Eleanor Roosevelt que jamais logrou conseguir mais de 50 dólares por suas assinaturas, apesar da fama de ter sido a mais atuante primeira-dama norte-americana.
O mundo fetichista faz suas preces para essa diva em sua grande batalha que ousou desafiar toda uma sociedade conservadora com um novo conceito, desmistificou o que era proibido, falou para as massas através de ensaios fotográficos que o fetiche tinha lugar reservado nesse planeta e descobriu a “pólvora” profetizando o que viria a seguir e perduraria até os dias de hoje.
Muito de nossa liberdade de expressão e conduta devemos a Bettie Page e sua intrépida ousadia, mesmo considerada infame e imoral. Perdeu-se a conta de tantas lutas que essa mulher travou para ser a mais rebelde das pinups que já existiu.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Limites


Um amigo me confessou que seu maior desejo é amarrar uma mulher e cortar-lhe os cabelos.
Uma amiga a quem comentei o assunto disse: mato esse desgraçado assim que me soltar!
E assim são as coisas, o que é desejo de um não tem nada a ver com o que outros permitem e vice e versa. Também venhamos, existem vontades e desejos fantasmagóricos, dignos de deixar o diabo de cabelo em pé e todo arrepiado. A grande maioria das mulheres tem um ciúme doentio de seus cabelos, cuidam (lavam e passam literalmente) várias vezes ao dia e quando se preparam pra sair é na primeira coisa que pensam.
Colhemos vários exemplos de exageros ao longo da vida e no mundo fetichista então eles aparecem com uma freqüência muito maior. Certa vez, uma mulher me pediu para que a amarrasse no secador de roupas (aqueles que ficam presos por pequenos ganchos muitas vezes em tetos rebaixados com gesso). E esse secador estava preso ao gesso e ela não me dava escolha, tive que negar e nunca mais apareceu. Seria pura irresponsabilidade faze-la correr tal risco, mas nem assim a dita cuja entendeu. Me deu três sapatos...(um em cada pé e o outro na bunda) e sumiu.
Cada um deve ter uma historia pra contar de casos parecidos com estes e outros muito mais complicados de entender. A natureza humana revela surpresas algumas vezes inacreditáveis e é preciso ter total noção do que está prestes a acontecer para não virar uma tragédia sem volta.
Algumas pessoas gostam de ter seus limites testados, postos a prova, mostrar que são capazes diante de alguém com quem se relacionam, mas há que se construir um muro bem alto entre a vontade desenfreada de realizar certas loucuras e o mundo real. Não é uma simples questão de certo ou errado, é necessário olhar com responsabilidade para o que se faz e medir as conseqüências de atos impensados.
Adolescentes costumam buscar prazer em momentos de impensadas loucuras, mas entre adultos os caminhos obrigatoriamente passam pelo aspecto limite. Em relações fetichistas que conotam riscos maiores isso deve ser observado em dobro, discutido a miúdo e levado a sério.
Hoje, está em discussão a criação de um manifesto BDSM através de uma lista de discussão da Associação BDSM. Tenho acompanhado alguns tópicos sugeridos os quais reputo como importantes para que se criem regras e se debatam idéias. Se existem limites dentro de relações sadomasoquistas através de palavras de segurança (safe word), deve haver limite para as idéias do que deve ser realizado entre parceiros com a devida consciência de cada um.
Haverá de existir sempre um ponto onde a fantasia alcança a realidade, desde que se tenha juízo para saber o que é prazer conseqüente e o que é deliro inconseqüente.
Amarrar uma mulher para lhe cortar os cabelos não está distante de apertar uma corda em seu pescoço para que alcance o orgasmo ainda que perca os sentidos.
O perigo está muito mais presente numa inocente brincadeira a dois do que se imagina.
Resumo da ópera: como sempre é melhor prevenir do que remediar.
Pode parecer arcaico, mas ainda é o melhor a fazer, mesmo que signifique desistir de tudo e simplesmente dizer adeus.