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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Irving Klaw


Fazia tempo que me vinha à cabeça falar de um dos mestres na arte de fotos e vídeos de fetiche, Irving Klaw, e ontem através de um amigo que notou certa semelhança entre o trabalho de Klaw e o exibido pelo Bound Brazil, resolvi contar um pouco da trajetória desse incrível personagem pioneiro numa atividade que reúne hoje mais de dez mil sites na internet.

Klaw tornou-se conhecido por desenvolver um tipo de negócio de pedido e entrega de fotografias pelo correio, onde vendia algumas fotos e pequenos vídeos de mulheres atraentes (às vezes em trabalhos de bondage) desde os anos 40 aos anos 60.

Foi um dos primeiros fotógrafos de fetiche, e sua principal estrela (Bettie Page), transformou-se na mais famosa modelo de bondage de todos os tempos. Nasceu em Brooklyn, New York. Seu negócio de família, que inicialmente se chamou Movie Star News, começou em 1939 quando junto com sua irmã Paula abriram uma livraria usada na rua 14, número 209 do leste de Manhattan. Depois que descobriu que os adolescentes recortavam freqüentemente fotos de seus anúncios de filmes, começou a vender pequenos cartões com destaque para as estrelas da época em separado. Os clientes poderiam folhear através dos vários catálogos de fotos de amostra e requisitar o que quisessem pelo número do artigo.

Assim, venderam a velha livraria e mudaram a loja para o nível da rua, abandonando o antigo porão e a rebatizaram com o nome de Pin-up-king. E o negócio prosperou.
No final dos anos 40 recebia pedidos freqüentes para o "Damsel in distress", nome dado às fotos das atrizes amarradas e amordaçadas. Por causa da dificuldade de encontrar trechos de filmes que pudessem atender à demanda, Klaw decidiu produzir suas próprias fotos. Novamente com sua irmã Paula, que chegou a posar para ensaios fotográficos, começou a vender fotos de bondage e fetiche usando como modelos dançarinas que faziam algum sucesso na época.

Klaw sempre foi muito rígido para que seu trabalho não fosse carregado de nudez ou cenas de sexo, que faria com que seu material fosse considerado pornográfico o que tornaria ilegal à venda através do correio. Igualmente publicou e distribuiu séries ilustradas de aventura/bondade de artistas fetichistas como Eric Stanton, Gene Bilbrew, Adolfo Ruiz entre outros. Depois do surpreendente sucesso de seu filme B Strip-O-Rama em 1953, estrelado pela então famosa atriz de strip-tease e modelo Bettie Page, Klaw duplicou rapidamente a fórmula para suas próprias produções.

Usando equipamento profissional produziu Varietease (1954) e Teaserama (1955), estrelados por Lili St Cyr e Bettie Page (que foram reeditados em DVD nos Estados Unidos em 2000). Produziu e dirigiu ainda uma terceira película em 1956, Buxom Beautease sem Bettie Page. Durante este período, Klaw aproveitou os finais de semana e produziu em preto e branco pequenos teasers de 8mm e de 16mm, caracterizados por cenas de strip-tease e uma variedade de assuntos fetichistas baseados em pedidos especiais de sua clientela. Todos esses filmes tinham cenas de bondage, invariavelmente, em especial duas grandes obras com Bettie Page (onde representava uma menina da selva amarrada às árvores) totalmente produzido ao ar livre em diferentes posições. As fotos tomadas durante as sessões do filme foram vendidas ainda, tanto na loja como nos desenhos animados do catálogo de pedido feito pelo correio e nos sets semestrais de modelos.

Devido ao renascimento do interesse pelo trabalho pioneiro de Bettie Page nos anos 80, as várias compilações destes pequenos trabalhos foram lançadas em DVD. A música e a narração de fundo foram adicionadas à metragem silenciosa nos Clássicos de Irving Klaw de dois volumes chamado “Definitivo” (1984) pela London Enterprises. Em 2005 e em 2006 diversas obras de Klaw foram igualmente reeditadas devido ao assédio de pessoas que eram fãs de Page e novos adeptos, que passaram a cultuar esses trabalhos antigos. Klaw retornou à realização de vídeos em 1963, produzindo dois trabalhos: Diário íntimo de Larry Wolk e Nature's Sweetheartsde como diretor e também como assistente. Ao contrário de seus trabalhos anteriores, ambos retratam muitas mulheres em topless.

As decisões do Comitê do Senado e a subcomissão contra a delinqüência juvenil, marcaram o começo do fim dos negócios de envio de vídeos e fotografia através do correio de Irving Klaw. A investigação atacou até as revistas em quadrinhos e afirmava que muitos delinqüentes juvenis as liam e praticavam os atos sugeridos em seu conteúdo. Igualmente tentou ligar bondage, pornografia e delinqüência juvenil.

Por causa da pressão política e social que enfrentou, Klaw parou eventualmente o negócio, queimando todos os seus negativos. (Se estima que mais de 80% dos negativos foram destruídos.) Paula Klaw manteve secretamente em sua posse algumas das melhores imagens que podem ser encontradas até os dias de hoje.

Irving Klaw morreu no dia 3 de Setembro de 1966, aos 56 anos, devido às complicações de uma apendicite não tratada. Foi sucedido por seus dois filhos, Arthur e Jeffrey. Atualmente, sua sobrinha Ira Kramer, filha de Paula e Jack Kramer cuida dos negócios da família ainda com o nome de Movie Star News.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Nossos Conflitos (Saudades de Bettie Page)

Às vezes encerramos nossas conversas solitárias sem achar o que muitas vezes pensamos ser a solução, e mesmo quando falamos com nós mesmos desistimos ou simplesmente deixamos de lado para voltar ao assunto quem sabe algum dia.
Faz dois dias que publiquei aqui no blog uma matéria sobre a luta de Bettie Page pela sobrevivência, isolada num quarto de hospital em coma profundo o ultimo suspiro decretou o fim de todos os seus conflitos pessoais. Ela faleceu nessa madrugada aos 85 anos.
Por anos ela oscilou entre o real e o abstrato imergindo num abismo de esquizofrenia diagnosticada, culpa dos conflitos que a levaram a esse patamar. Ela esteve anos distante de tudo e de todos, aliás, tornou-se uma lenda para milhares que não tiveram a chance de ver seu desempenho como modelo e atriz, e fechou-se para o mundo dentro dos muros onde só ela sabia o que se passava por lá.
Assim é a vida, fazemos sempre as nossas escolhas. E quando não há estrutura para suportar as pressões que emergem em quem ousa desafiar conceitos e padrões sociais, o limite é raso demais e nos faz afundar sempre mais um pouco.
Não tenho competência terapêutica para escrever aqui como um profissional, mas ouso dizer que a experiência de vida me faz afirmar que nada deve ser recolhido a conversas solitárias internas as quais não produzem o efeito desejado. Portanto, ninguém deve se trancar no armário por ser fetichista, sadomasoquista, homossexual, porque não existe vergonha maior perante o mundo do que a que sentimos diante de nós mesmos.
Se tomarmos a decisão de enfrentar qualquer preconceito isso deve ser feito com plena consciência das causas e efeitos que podem advir dessas atitudes, porque o arrependimento pode se tornar um inimigo invisível e silencioso cada dia mais presente durante toda a nossa existência.
Ter bom senso e buscar sempre a felicidade é uma obrigação, mas isso só é passível de acontecer quando estamos de bem com a nossa consciência, por isso vale estar alerta e buscar uma reflexão antes de cada atitude sempre com otimismo desde que não haja exagero.
Criei um site nacional de bondage e vivi meus conflitos aqui mesmo nas páginas do blog e assim preferi fazer a buscar soluções através do isolamento voluntário. Isso se aplica a qualquer um que acompanha os assuntos diários e se identifica com vários fetiches que são temas de apresentação e discussão. Façam amigos, busquem sempre contar a alguém de sua inteira confiança o que te faz sentir melhor e assim a vergonha fica de lado mesmo que por um determinado momento, até que um dia ela vai embora de vez e podemos dizer o quanto é bom estar feliz.
Mas esse mundo ainda é um lugar muito lindo e cheio de alegria a nosso redor.
Bettie se foi, mas deixou um legado de energia e beleza a ponto de tornar-se essa referencia e símbolo que se fala mundo afora. Suas histórias e façanhas nos tempos modernos sobrepõem todos os anos de escuridão onde sua luz deixou de brilhar.
E temos que enaltecer toda essa alegria que ela procurou transmitir através de suas fotos que refletem até os dias de hoje pelos caminhos que ela deixou aberto as gerações que se seguiram.
Todos têm o direito de escrever a própria história, porém com o entendimento do que passa à nossa volta e sabedoria para enfrentar os obstáculos que a vida nos proporciona pelo próprio sentido comunitário do mundo em que vivemos. Etapas, barreiras, estão sempre à nossa frente, mas com perseverança e alegria é muito mais fácil transpor.
(Na Foto: Bettie Page 1923-2008)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A Grande Batalha de Bettie Page


A famosa pin-up dos anos cinqüenta e pioneira em trabalhos fotográficos de bondage Bettie Page, está internada no Centro de Terapia Intensiva de um hospital de Los Angeles nos Estados Unidos, tentando se recuperar de um ataque cardíaco.
Aos 85 anos, Page estava internada para tratamento de uma pneumonia e quase liberada pelos médicos foi vítima desse ataque cardíaco e, segundo a Associated Press seu estado de saúde é considerado crítico.
Amigos mais próximos chegaram a afirmar que a famosa modelo estaria em coma, mas fontes de informação não confirmam e também não negam essa notícia.
Bettie Page, a secretária que se transformou em modelo tem como crédito a contribuição que a geração rebelde dos anos sessenta herdou devido a seu atrevimento e suas atitudes.
Ela atingiu grande projeção nacional na América e seus trabalhos fotográficos estiveram estampados em todos os outdoors que mostraram seus ensaios sensuais de leste a oeste. Essas fotos incluíam suas poses para a revista Playboy a partir de Janeiro de 1955 com fotos ousadas para a época e, ainda, sets com temática sadomasoquista.
Page esteve afastada da mídia durante décadas, travou uma batalha interior fervorosa por vários anos até se auto determinar renascida, assumindo uma postura absolutamente Cristã.
Após um reaparecimento muito rápido no começo dos anos noventa, concedeu pequenas entrevistas, porém, negou-se terminantemente a posar novamente por qualquer motivo.
Seu último agente e amigo Muller ofereceu a Page no ano de 1989 uma saída da reclusão voluntária através de books fotográficos e venda de autógrafos que lhe garantiriam altas somas em dinheiro, mas Bettie foi irredutível, mesmo diante de uma oferta irrecusável de 3.000 dólares por autógrafo, uma quantia astronômica se comparada a outras tantas personalidades como Eleanor Roosevelt que jamais logrou conseguir mais de 50 dólares por suas assinaturas, apesar da fama de ter sido a mais atuante primeira-dama norte-americana.
O mundo fetichista faz suas preces para essa diva em sua grande batalha que ousou desafiar toda uma sociedade conservadora com um novo conceito, desmistificou o que era proibido, falou para as massas através de ensaios fotográficos que o fetiche tinha lugar reservado nesse planeta e descobriu a “pólvora” profetizando o que viria a seguir e perduraria até os dias de hoje.
Muito de nossa liberdade de expressão e conduta devemos a Bettie Page e sua intrépida ousadia, mesmo considerada infame e imoral. Perdeu-se a conta de tantas lutas que essa mulher travou para ser a mais rebelde das pinups que já existiu.