segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Velas


Elas sobrevieram à modernidade e jamais perderam sua importância com o passar dos anos. Nenhum jantar é mais sedutor do que a luz de velas...
Decorativas, artesanais, religiosas, as velas seguem presentes em vários segmentos nesse mundo de hoje e nenhuma energia é capaz de tirar seu encanto.
Se os cenários de tempos atrás inspiraram o Marques de Sade em seus contos proibidos, também foi fonte de criatividade aos que naquela época nutriram relações de dominação e submissão, justamente quando só havia as luzes de velas, por isso, são venerados utensílios fetichistas.
Mas não imaginem que o poder das velas está ligado a castigos com sua cera quente somente, porque adornam cenas de vários fetiches que não sublimam a dor em seu conteúdo. É muito comum a montagem de cenas com apurado senso de sexualidade com castiçais antigos ou pedaços de velas coloridas.
As velas representam um fetiche, porque independente de ser uma cena de BDSM ou não várias pessoas associam a vela ao sexo por um infinidade de razões. E uma dessas razões é o inegável poder de sedução que elas guardam, transmitem e exalam.
Já assisti cenas de S&M de elegância impar através do uso correto do Wax Fetish. A cera quente deve ser usada com categoria e no momento certo, sem abusos e muito menos fora de contexto.
A vela deve estar inserida no cenário montado para uma sessão de BDSM, com um belo suporte, mas não deve ser tirada do bolso e aparecer do nada, por encanto das mãos de quem é dominante. Garanto que perde pelo menos cinqüenta por cento do efeito, embora nem todos prestem atenção a esse detalhe. E o fetiche habita os detalhes.
Uma dica para quem quer praticar bondage e não deseja impor dolorosos castigos a quem se submete: vende os olhos, amarre bem e passe a vela suavemente através do corpo sem deixar pingar ou encostar a chama na pele. É infalível!

Vários praticantes de BDSM são especialistas no uso de velas, principalmente os muitos amantes do fogo como instrumento fetichista. Porém, antes de se atrever a essas práticas, procure os cursos disponíveis e bastante leitura porque as conseqüências podem ser desastrosas.
E por que não falar da importância de uma boa depilação quando o submisso exposto a castigos com cera quente for cabeludo? Todo o cuidado é pouco, principalmente quanto à remoção da cera após a cena. Segundo a “Fetish Alliance” a pele recém depilada pode aumentar a sensibilidade à cera quente, principalmente na região pubiana, mas essa não é uma condição sine-qua-non porque alguns masoquistas são adeptos de castigos extremos e prefeririam ter seus pelos arrancados pela cera enrijecida. Porém, para os iniciantes a retirada menos dolorosa da cera pode ser feita penteando os pelos em linha reta ou com aplicação de óleo de bebes.
Concluindo, as velas podem ser classificadas como preferência absoluta entre os praticantes de fetiches mais apimentados e também pertencem ao cardápio de pessoas tidas a práticas suaves. Estão presentes nas fantasias eróticas dos que imaginam desde masmorras escuras e tenebrosas a banheiras enfeitadas por velas vermelhas e pétalas de rosas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Fetish Fever


Pois é, viramos moda.
Fetiche agora é coisa chique e com a globalização espalha-se pelos continentes de tal forma avassaladora que está presente até em comerciais de televisão em determinados lugares.
Avança no mundo da moda e os criadores já batizam roupas com o nome de bondage.
É isso mesmo, porque chamam de bondage o estilo inspirado em um fetiche que significa roupas muito apertadas ao corpo em couro ou tecido preto lustroso, ou roupas muito detonadas.
Embora de certeza absoluta tenhamos o conhecimento de que bondage não significa nada disso, melhor deixar que falem ou entendam desse jeito, quem sabe diminui um pouco o preconceito?
E estar na vitrine tem as suas vantagens.
Muitas mulheres imaginam que a mente dos homens é povoada de sonhos eróticos com gostosonas em roupa de couro, empunhando chibatas com longas botas. De alguns pode ser, mas o fetiche é bem mais amplo e esses sonhos masculinos às vezes passeiam por cenas mais ousadas e, por que não dizer, menos “pré-fabricadas”.
Dessa tese algumas “Tiazinhas” foram criadas e nesse novo milênio o fetiche vem alcançando índices de popularidade bem maior que em tempos de outrora. Não perdemos o rotulo de pervertidos apesar de ganharmos de presente a palavra “kinky”, que lá fora significa algo entre a perversão e sexualidade acentuada. É, é mais ou menos isso.
Nos últimos eventos que pude estar presente e que aconteceram aqui na Região Sudeste, o dia Internacional de BDSM 24/7 no Dominna e a Festa Fetixe que rolou ontem aqui no Rio, pude ver pessoas que chegam tentando uma identificação com a cena. Essa renovação dá a certeza da continuidade necessária para esse segmento, e foram eventos muito bem planejados e executados com maestria.
Essa nova onda trás modelos e atrizes fotografadas em cenas de bondage, amarradas e amordaçadas, da mesma forma que muitas mulheres lindas e anônimas apresentam-se em sites especializados. Quando argüidas sobre as fotos “estranhas” elas admitem que já se realizaram em fantasias sexuais idênticas.
Se é clichê ou não pouco importa.
Melhor pensar pelo lado positivo e ver que cada dia que passa estamos chegando e qualquer um pode vir junto, afinal não somos doentes e o único contágio que o fetiche pode representar é o prazer.

BATH BONDAGE

Um numero para ser comemorado.
O vídeo de hoje do Bound Brazil representa minha quadragésima produção.
Bath Bondage mostra Mistress Korva castigando Sarah Moon dentro de um pequeno banheiro. Mas não é tão simples assim.
As duas disputam uma camiseta que daria o direito a participar de uma feira. Para tomar o ingresso da amiga, Korva realiza um rapto com ótimas resoluções de bondage, toda feita ao vivo no vídeo, rasgando a blusa de Sarah que passa a ser utilizada como mordaça e a impede definitivamente de ir ao evento.
Acompanha a postagem do filme numero 40 do Bound Brazil um photoset com as melhores cenas do vídeo.
Um ótimo final de semana a todos com muito fetiche, de preferência!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Minhas Relíquias II


As play-parties em Amsterdam são eventos privados. Diversos grupos organizam suas plays e as mais concorridas são aquelas que acontecem depois de grandes festas, como a Wasteland que resiste ao tempo e até hoje em dia é parte do calendário fetichista mundial.
A galera se esbalda, se conhece, e depois se junta em ambiente fechado cercado de regras e, principalmente disciplina.
A vida era dura naquela época e toda a grana que ganhava como DJ se dividia entre pagar meu mestrado e enviar ao Brasil, afinal meus compromissos aqui não terminaram depois que parti. Por isso, arranjar roupas pretas adequadas ao dress code tinha um custo alto que meu bolso não alcançava. Nas duas primeiras vezes que fui a play-party usei uma camiseta negra com a propaganda da boate que eu trabalhava, debaixo de um blazer azul marinho e calça jeans.
Três dominadoras comandavam a play com mão de ferro, distribuíam as cenas de acordo com os praticantes e estavam atentas a tudo e a todos. Uma delas me deu um toque sobre a roupa e disse que se eu quisesse trilhar por aquele caminho tinha que me apresentar como tal. Me senti pequeno, pobre, fudido, mais brasileiro do que nunca numa terra de gente bem sucedida, mas jurei que na próxima viria mais elegante que o Príncipe de Gales.
E chegou a minha vez. A pouca experiência que havia acumulado em bondage de nada me serviria naquele momento, apenas meu feeling foi capaz de me fazer sentir a vontade quando aquele cara troncudo de pele morena, fato raro por ali, tirou de uma pequena mala um arsenal de cordas de fazer inveja. Manuseava-as como um artista, com tamanha classe e habilidade que meu queixo caiu.
Hirsh era um cara paciente e notou que eu tinha apenas o fetiche na veia, noções de imobilização e muito imput tirado de fotos e filmes de bondage americano, através de contatos recentes nos sex shops espalhados pelas vielas e poucas práticas acumuladas sem as noções básicas. Me mostrou os cortes exatos, e com a precisão de um cirurgião começou a trançar as cordas no corpo de uma loira magrela trazida pela coleira das mãos de um sujeito com a cara do Zé do Caixão.
Reparei que as cordas sempre terminavam com duas pontas de 15 centímetros para o nó derradeiro, sem importar o desenho tatuado no corpo daquela mulher. Passei a festa toda auxiliando o mestre e captando seus ensinamentos atento a detalhes que a muitos podiam parecer idiotas.

Aceitei todos os conselhos, comprei minhas cordas no local certo, preparei os cortes, aprendi o manuseio e parti resoluto em busca de práticas sem sua presença.
Tinha um pequeno namoro com uma recepcionista do hotel onde eu morava e Esther passou a ser minha modelo favorita, mesmo sendo a única. Ela topou me ajudar, embora levasse uma vida quase baunilha, aturando minhas repetições que se sucediam centenas de vezes. De início errava no começo, depois passei a falhar no meio da amarração, mas o que mais me tirava do sério era quando o erro acontecia no final. Nestas ocasiões minha namoradinha Holandesa passou a conhecer o significado da palavra merda.
Depois de tanto tentar e insistir em criar minha própria seqüência de bondage, finalmente cheguei as tais pontas de 15 centímetros e assim que finalizai os nós perguntei a Esther como se sentia. Ela me disse: “me sinto toda amarrada”.
A alegria foi tanta que resultou na melhor trepada de mil novecentos e noventa!

Meus dias de aprendiz tinham acabado e diante das feras mostrei meu talento pela primeira vez numa play-party Holandesa seis meses após ter colocado meus pés naquela casa da Herenstraat.
Montei minha primeira cena com a escrava de uma das rainhas.
Ela trajava um corset que lhe deixava os seios à mostra e me possibilitava ousar num bondage de seios que ficavam expostos assim que seus cotovelos eram amarrados às costas.
Sujeitada pelas cordas que lhe prendiam de forma inescapável, derramei-lhe uma garrafa de Prosecco por todo o corpo e bebi as gotas que lhe escorriam.
Já como um Mestre em Bondage vivi muitas outras cenas incríveis na Herenstraat e noutras plays durante os quase três anos que fiquei em Amsterdam até voltar ao Brasil e começar uma outra história.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Minhas Relíquias


Costumamos chamar de relíquia alguns objetos que guardamos pra lembrar ou porque nos apegamos a pequenas coisas que fizeram parte da nossa vida. No fundo achamos que é uma forma de eternizar a nossa existência. Cada um tem uma maneira particular de juntar esses souvenires e as minhas relíquias são minhas lembranças.
Basta colocar uma musica pra tocar e logo a memória me leva de volta a lugares, pessoas, épocas, coisas que ficaram marcadas e tiveram a sua importância. Talvez um dia escreva essas memórias e daí tenha um livro para ser guardado, ao mesmo tempo imagino que o interesse é muito pessoal para ser dividido.
Algumas dessas lembranças, porém, valem ser relatadas por aqui, principalmente as fetichistas porque é uma forma de expor fatos que podem ser do interesse de quem quer começar uma vida nesse mundo particular onde o tempo não modifica sentimentos ou razões.
Pra começar essa séria série vou falar da minha primeira Play-Party.
Quis o destino que toda minha ansiedade fosse saciada justamente no olho do furacão, onde tudo acontece da forma mais natural possível e, pensando bem, devo ter tirado dessa experiência esse caráter libertino que tanto apavora a quem me conhece.
Descolar o convite foi uma barra. Amsterdam é uma cidade diferente, porque ao mesmo tempo em que te dá a plena noção do conceito de liberdade total, tem seus dogmas preservados num clube fechado, onde os que aprendem à liberalidade ficam do lado de fora. Tudo é possível desde que não seja porta adentro.
Mas após superar a desconfiança dos que me achavam apenas mais um curioso, fui levado ao primeiro gueto pelas mãos de um casal de Mexicanos proprietários de um pequeno restaurante nos arredores da Dam Square, uma praça bem no coração da cidade.

O lugar era singular, tipo um sobradão de três andares na Herenstraat de frente para o canal e tinha a mesma aparência torta como todas as casas antigas de Amsterdam. As paredes cinza com janelas brancas desbotadas, pé direito alto o cheiro de velas queimando e um ar típico underground.
Na porta recebi um adesivo vermelho que me proibia de tentar qualquer prática e nem o contrato que se assina de responsabilidade por nossos atos dentro do recinto me foi apresentado. Estava ali não mais que pra olhar, aprender, o que na visão daquelas pessoas já seria um motivo de orgulho pra mim.
Tive que me virar sozinho quando meus amigos se embrenharam no meio da play e partiram para fazer o que tinha de ser feito. Ao meu lado notei uma meia dúzia de pessoas que como eu também possuía o adesivo vermelho e pensei: achei minha turma, aqui é meu mundo e com eles tenho que encostar.
Atentos e evitando alguns comentários mais agudos, assistimos a castigos impossíveis de imaginar antes de estar ali. Me vi na pele daqueles submissos e agradeci por não ter aquele tesão. Que me perdoem os amigos e amigas que gostam, mas por mais que respeite foi difícil encaixar ao vivo pela primeira vez. E tanto outros atos que minha mente gravou de tal forma que somente conseguiria descrever se inventassem uma máquina que salvasse meus registros de memória.
Impressionado, atônito, perplexo, invente o adjetivo que quiser, pois foi assim que nem notei as horas passarem e só me dei conta que era uma Segunda-Feira quando o dia estava clareando. Nem me importei com meus amigos, já estava entrosado o suficiente para andar com minhas próprias pernas.


Mas havia ainda a derradeira cena que me fez sentir um gelado no peito quando uma das rainhas presentes me chamou. Pensei, vai querer me encher de porrada e vou embora no ato!
Aquela mulher esguia e elegante envolta em Látex me tratou com tanto carinho quando me aproximei que me fez ter a definitiva certeza de que aquele era meu lugar.
Me perguntou se eu havia gostado, quis saber da minha visão fetichista e quando falei de bondage ela disse: “você não acha que vai vir aqui só pra amarrar? Tem que fazer mais...”
E assim ganhei meu adesivo verde a partir da terceira Play e aprendi a fazer meus primeiros nós.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quinta de Fetiches na “Festa Fetixe”


A parada é a vera!
Nessa Quinta, dia 6 a partir das 8 da noite no Heavy Rock na Lapa, Rio de Janeiro, tem a Fetixe Feet Party. Imperdível.
Para quem não sabe onde fica o Heavy Rock anote o endereço: Rua do Riachuelo 18.
A Festa Fetixe tem sempre uma atração especial em cada edição, e nessa agora acontece o Feet Party, onde os podólatras podem se atirar aos pés de suas Deusas num espaço especial preparado pelas mãos competentes da Nefer e da Lucia.
Mas a Fetixe não é só podolatria e cenas diversas não faltam com vários fetiches realizados de forma competente pela plêiade Carioca.
E vamos a eles: spanking, poney play, wax, crushing, trampling, e uma infinidade de práticas que se transforma numa verdadeira play-party.
Assim é a Festa Fetixe que ao longo de seus seis anos de existência conseguiu agrupar muita gente e servir de aprendizado para diversos fetichistas. Mas a missão nunca foi fácil e só quem está deste lado da trincheira sabe o quanto é complicado reunir, criar um grupo, vencer desavenças, enfim, assumir a responsabilidade que nem sempre é reconhecida.
Pra muita gente as portas se abrem numa festa como essa e jamais se fecham, para outros, porém, termina num divã de psicanalista ou em conversas num bar de esquina e ninguém acredita.
Realizar uma festa temática fetichista como várias que de um tempo pra cá começaram a proliferar, afinal a mídia adora certas cosias “esquisitas”, é muito fácil: coloca-se uns três ou quatro atores num palco e realizam-se cenas ensaiadas e de resolução pífia.
Mas vai tentar criar uma festa de verdade, onde as práticas são reais e os personagens autênticos como uma caixa de charuto cubano? Aí tem que saber pular a amarelinha até a última casa e não vale escorregar!
Para isso exige-se dedicação e entrega, conviver com todos como se fossem únicos, fechar os olhos a preconceitos, ser o curinga de um jogo de cartas que chega para resolver todos os problemas do mundo sem se importar com descontentes.
Não existe nenhum meio mais preconceituoso que o mundo fetichista, por incrível que pareça, porque justamente onde tanto se reclama desse mal horroroso volta e meia alguém solta uma bomba contra alguma prática, roupa, cena, ou seja, o meu é o que presta e o dos outros é tão medíocre quanto o da pessoa ali do lado esquerdo.

Mas a Nefer tira isso de letra e por isso sua festa resiste ao tempo e cada vez fica mais linda, atraente e cheia. Aliás, é a festa que reúne o maior numero de podólatras por metro quadrado!
Alguns irão dizer que falo com o coração, pela amizade que tenho por ela e por sua gente, mas como iria falar o contrário de um lugar onde me sinto tão a vontade que é difícil ir embora?
É simples como dois mais dois: se estiver em São Paulo vou ao Dominna e se estiver no Rio vou a Fetixe. Vou porque gosto, porque quero, porque é bom pra cacete!
E para que você leitor do blog tenha a oportunidade de ganhar um passaporte grátis para a Fetixe de Quinta-Feira, basta comentar na matéria de hoje e irei escolher dentre todos os dois melhores, os quais terão direito à entrada grátis nesse super evento.
O tempo é curto e se rolar um clima para ir a Fetixe faça rápido, porque os convites estão quase esgotados e pra descolar esses dois com a Nefer quase fui parar no X.
Vejo vocês por lá e vou fazer um numero especial de bondage com a Jackie do Bound Brazil. Me aguardem!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Dama da Zona


Era uma cidade do interior e bem perto da estrada que levava rumo à capital havia uma Zona de Meretrício.
Três amigos resolveram um dia afogar as mágoas no bordel, mas antes pararam num boteco para tomar uma cerveja já que o preço era dobrado no destino final. Daí conversa vai, conversa vem um deles, visitante, vindo da capital com novas idéias se declarou fetichista.
Risos, perplexidade, a isso seguiram perguntas inevitáveis que o fetichista, já declarado, nem pestanejou em responder. “Você vai pagar cinqüenta pratas pra levar uns tapas e beijar os pés da mulher? “.
Se houvesse a possibilidade não sobrava duvidas de que pagaria até o dobro ou mais, porém restava a incerteza cruel e incomoda de achar um bom fetiche naquele casebre de beira de estrada. Partiram.
Cada bordel tem sua peculiaridade, mas o ambiente escuro, quase sempre com um tom avermelhado é de praxe. Na jukebox baladas românticas que fazem as meninas lembrar de amores perdidos, viajar na melodia a procura de sonhos impossíveis, bebidas, pouca roupa e meia dúzia de caminhoneiros famintos. Aliás, por que caminhoneiro gosta tanto de bordel?
Seus dois amigos anfitriões mostravam-se conhecidos naquela Zona e logo buscaram deixar o fetichista embaraçado quando a primeira mulher sentou à mesa para dar as boas vindas. De cara, o fetichista foi devidamente enquadrado como aberração e passou a ter o desdenho da moça antes solícita.
“Tem a Daisy, ela já comentou comigo algumas coisas desse tipo, mas só falando com ela”. Sorriu e se foi...
Daisy era uma mulher madura na casa dos quarenta. Longos cabelos loiros fabricados pela farmácia mais próxima, unhas compridas pintadas em tom forte e com mais de vinte anos de experiência atestados em casas de tolerância.
A mulher chegou e não causou tanto entusiasmo no fetichista, afinal se vestia como as outras e se comportava igual, bebendo, sorrindo, beijando todos os homens como velhos amigos sem demonstrar-se a tão esperada rainha de copas que o cara ansiava.
Uma vez a sós, tocou-lhe de leve o braço e em tom forte perguntou sobre o que ele estava procurando naquele lugar. Desajeitado e com medo de se expor ainda mais ao ridículo, o sujeito comeu pelas beiradas deixando escapar pequenas gotas de um assunto que deveria ser direto.

Mas aquela Dama era experiente e sentiu que o gelo no olhar e o ar cabisbaixo queriam perguntar coisas estranhas àquele mundo onde ele estava de passagem. Tomou-lhe pela mão, o fez pagar o programa e subiu através de uma escada de madeira e estreita para um quarto de pouco conforto com apenas uma pia pequena para higiene.
A música vinha do salão em baixo. O local era limpo, porém com aspecto nebuloso devido a pouca luz. Nada além de uma cama com um colchão imperfeito e uma velha cadeira onde a roupa foi estendida.
Ela pediu licença, mandou que tirasse a roupa enquanto iria se trocar.
Foram longos e intermináveis minutos até que a mulher voltou trajando uma lingerie negra que lhe cabia bem, batom vermelho nos lábios, perfume forte e um belo salto.
O cara tremeu na base quando ela sentou na beira da cama, bem em frente à cadeira onde o fetichista incrédulo assistia a tudo passivo e espantado com a proximidade de realizar sua fantasia onde sequer havia sonhado.
Ordenado a ficar de joelhos perante sua rainha, chegou bem próximo a ela que com voz firme ordenou:
“Acenda meu cigarro!”.