quarta-feira, 2 de março de 2011

Pintando o Sete


Tudo bem garota, você quis assim.
Foram sete perguntas, e conseqüentemente, você quer sete respostas.
Mas não pense que vou ser direto e sair me entregando sem antes tentar te ludibriar. Pra isso, vou deixar umas pegadas, as quais espero que você saiba seguir e achar as respostas.
Quando alguém te pergunta sobre seu último desejo é bem diferente de saber quais as coisas que você faria antes de entrar no trem pra eternidade, mas há um porém: vou responder dentro do BDSM. Tá legal? Podem ser coisas que se fez, faz ou ainda fará. Nisso tudo rola uma lógica: tudo tem seu tempo. Então, fica melhor um resumo.
Um bondagista sempre sonha em amarrar alguém. Trazer pra sua fantasia uma pessoa na qual ele pensa ou pensou. Já trouxe muita gente pra minha cena, só no site pra mais de cento e quarenta, imagine. Fora do trabalho em outras tantas exerci meu direito líquido e certo de ser fetichista. Mas falta sempre a cena perfeita. Aquela que sai do sonho e vira realidade, que não vire pesadelo, que dá sentido ao valor das cordas, que tenha complemento, que traga sinceridade, que não seja só um contra-argumento e que fique na lembrança sem causar estragos.
Nesta cena ainda devida eu não falo “corta!”. Mas ordeno que ponha as mãos pra trás, que feche a boca, que tape os olhos, que levante os pés quando atados aos pulsos num belo hogtie, que me olhe com o temor do que ainda está por vir e que no final, eu possa soltar um delicioso “puta que pariu, ficou do cacete!”.
Daí ela não precisa dizer que eu sei amarrar muito bem, que meus nós ficaram bonitos, que dali ela jamais escaparia, que nunca se sentiu tão presa ou que as marcas lhe caíram muito bem. Ela precisa saber que tremeu na base, e embora não se entregue facilmente, tenha a plena convicção que gozou como louca.
Ainda que eu saiba que foi bom demais sempre haverá a certeza de que da próxima vez poderia fazer melhor. Ah, essa mania de perfeição que não cessa! Essa incerteza absurda de procurar achar pelo em ovo, a vontade louca e desenfreada e tentar decifrar se o que ela sentiu era verdadeiro ou não. Junte-se a isso a insana mania de me achar tão intenso, de imaginar que o limite era raso demais e me aprofundei ou de supor que se não acontecer outra vez eu fui um grande babaca.
Mas fazer o que se eu amo tudo isso?
Amo tanto que não me canso de escrever sobre tudo e todos. Amo poder ajudar, amo fazer amigos e amo as minhas cenas como se fossem filhos pródigos recém saídos do ninho.
Amor é um sentimento tão grande que deveria constar da carteira de identidade quantas vezes a pessoa amou na vida. E eu amei muitas, várias, todas, mas ainda insisto em achar que quem eu amo deve entender o que eu sinto.
Sim, porque quem ama de verdade ama os defeitos e virtudes. Defeitos são iguais, todo mundo tem e quem está ao lado renega. É fácil de ver. E enxergar as virtudes? Alguém o faz facilmente? Nesse mundo de hoje onde tudo é desconfiança achar virtudes alheias é cada vez mais complicado.
Mas eu tenho as minhas, da quais não abro mão. E ser fetichista é uma delas. Assumidão, de carteirinha e cara na tela. Demorei? Claro, mas cheguei lá. Assim como não nego que ver o fetiche alheio bem praticado me fascina. Tem algo mais bacana que assistir um podólatra admirando um pé? O cara olha, deseja e baba, nele ou fora, mas baba... E eu babo por batatas de pernas carnudas. E como!

Por isso digo e repito: dentro do BDSM eu gosto de tudo e de todos, embora não seja afeito a algumas práticas as respeito e sou sempre a favor.
Acho que deu pra ter uma idéia de como pintar o sete sem ser direto.
Agora é contigo Dog Pet.
Beijo Enorme, muito grato pelo presente e pela lembrança.

Essa foto ao lado é da gata Dominique Estrela, grande parceira, durante um set do Bound Brazil.

terça-feira, 1 de março de 2011

Viciados em Bondage (Sasha Cohen)


Por Léo Vinhas

É altamente improvável que qualquer leitor deste blog não conheça o Danger Theatre, blog que posta fotos, clipes e ilustrações bondagistas de grande qualidade (tanto técnica quanto fetichista), acompanhado por comentários breves, sensíveis e bem-humorados. E se você conhece, provavelmente já se sentiu familiarizado com sua criadora e gestora, a enfermeira norte-americana Sasha Cohen (ou Babygothgirl, ou BBG, ou Babyg). Seus textos tratam o bondage no estilo DID (damsels-in-distress, ou donzelas em perigo) com carinho e paixão, sem passar perto da pieguice ou da chatice monotemática de alguns aficionados.
Por que uma enfermeira se dedica a um blog tão completo – e que certamente demanda muito esforço – sem visar qualquer lucro? Por que uma mulher bonita (pelo que se pode ver nas raras fotos que ela publica), que teria um público cativo, não se atreveu a produzir seu próprio material? E por que uma lésbica assumida se preocupa em manter um blog cuja maior audiência é homens heterossexuais?
Perguntas tolas, é verdade, mas que certamente passam pela cabeça de quem acompanha seu Teatro do Perigo. Perguntas que podiam ser respondidas nas “Mondays Q’s & A’s” do site, mas que decidimos fazer diretamente a ela, via e-mail.

Por que você decidiu criar o Danger Theatre?
Eu o considero mais um passo em meu longo amor pela arena do bondage e a mitologia das donzelas em perigo. Ainda há alguns sites no ar, mas apenas uns poucos são gratuitos e NENHUM deles parece ter qualquer consideração pela história que leva às cenas que eles postam. Eu realmente vi uma necessidade de dar ao público um contexto a ser entendido em vez de apenas deixá-los às cegas,especialmente com o material que não é muito conhecido. Em outro nível, havia um desejo de superar os rapazes também.
Embora você tenha as Fetish Tuesdays, o que mais encontramos no Danger Theatre são cenas de filmes mainstream. O que há nesses filmes que torna o bondage mais excitante (ou pelo menos mais atraente)?
Creio que é simplesmente a sensação de desejo realizado pelos fãs deste gênero – isso é o mais próximo de qualquer trabalho fetichista que essas atrizes podem vir a fazer.Também há uma certa “honestidade”crua à tais cenas no cinema e na TV, onde não há riggers que se certificam de que tudo está perfeitamente amarrado.
Suas postagens já lhe renderam problemas legais?
Com meus clipes de filmes e TV nunca houve qualquer problema. Em relação ao material fetichista, houve apenas um produtor que me disse para postar nada dele e desde então eu evito postar clips ou fotos de produtores “sensíveis” aos seus direitos autorais. Por outro lado, aparecem sites menores que não têm muita exposição e que oferecem voluntariamente material para que eu os publique como propaganda gratuita.
Manter atualizações semanais é difícil, e você faz isso de graça. Não é a coisa mais comum nesses tempos materialistas. De onde vem a motivação?
Nem sempre é fácil, mas se eu não curtisse, eu não faria. Gosto do desafio que é rastrear clipes raros e obscuros para as pessoas apreciarem. É como uma caça ao tesouro esquisita. Também não sou fã de sites que te cobram para ver clipes extraídos da TV ou de filmes. Eu não vejo como pode ser legal cobrar as pessoas por clipes que você na verdade não possui.
Você sempre trata o tema de forma leve, gentil. É porque o bondage deve, antes de mais nada, ser divertido?
Não estou certa sobre o “antes de mais nada” mas acho que não precisamos levar tudo tããão a sério.Se você pode encontrar alegria de fato em algo, por que então se incomodar com isso?
A propósito: uma vez, quando você postou um video do YouTube em que garotas brincavam com silver tape, você escreveu algo como “rapazes, sejam legais nos comentários e elas podem ter vontade de fazer outros vídeos. Não sejam babacas”. Uma sugestão adorável – mas sabemos que babacas sempre serão babacas (risos).
A garota da brincadeira de amarrar do YouTube de hoje pode ser a diva do fetiche de amanhã ou só outra pervertida. Ou pode ser só uma fase boba que ela está passando. Quem sabe? Mas isso rola o tempo todo. Acho muito saudável que a molecada brinque desse jeito, é bom saber que o que eu fazia quando criança ainda acontece. É simplesmente uma pena que as pessoas tenham que projetar suas fixações sexuais adultas em algo que é essencialmente uma atividade inocente.
Se um garoto ou garota– como todos fomos um dia – sente que gosta de bondage, como ele pode descobrir um espaço na web sem achar que ele é um pervertido demente?
Dando um Google? Procurando no YouTube por vídeos de brincadeiras de amarrar também.
Já são três anos. Para onde o Danger Theatre vai?
Além de mais material, e melhor organizado, planejo seguir em frente. Gostaria de apresentar mais material DID Amador, feito em casa. Apenas pessoas se divertindo com cordas e mordaças.
Qual a maior conquista que você já teve nesses três anos?
Justamente a de que são três anos em que nunca, nem por um momento, pensei em abandonar o barco.

Você nunca pensou em entrar na indústria de bondage? Afinal, você tem bom gosto e imaginação para histórias, e um grande grupo de fãs. Por que não tentar?
De coração, já tenho um emprego que me paga muito bem e embora eu tenha brincado com a idéia e tenha feito umas investidas furtivas nessa seara, eu tenho essa garota que me ama muito e que prefere que eu não faça isso, e ela é a consideração mais importante.

As Fotos que ilustram essa super entrevista do Léo são do site da Vesta (Bondage Divas)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Prisioneiro do Tempo


Por Marcelo V.

Tudo aconteceu há sete anos.
As conversas pela Internet tomavam quase todo o dia. Até o trabalho estava complicado (eu trabalho com eventos). E de tanto insistir ela me enviou o que eu mais queria: as fotografias dos seus pés.
Sou podólatra, mas um daqueles muito tímidos, capaz de arranjar mil desculpas quando passo na rua e não consigo desgrudar os olhos do que me atrai. Antes desse caso, vivi relacionamentos e fui incapaz de falar sobre meu fetiche. Quando achava que ia ser a hora tentava um beijinho aqui e outro ali e sempre as malditas cócegas pra atrapalhar. Aliás, cócegas e podólatras é um caso sério, porque quando você consegue chegar perto a mulher fala: “nem pensar em tocar no meu pé, eu morro de cócegas”.
Mas com ela foi diferente, e acredite, depois de falarmos pela Internet durante quase seis meses criei coragem pra confessar que morava na mesma cidade. Até o dia em que marcamos de nos encontrar.
Ela queria um relacionamento sério e eu queria os seus pés. Nem me importava com mais nada além disso, porque via a chance de pela primeira vez encontrar com alguém que sabia o que eu queria. E quando olhei pra aquela mulher de mais de um e setenta em cima de um salto que a deixava mais alta que eu quase tive um troço. Tremia mais que vara verde e ela notou minha timidez.
Em poucos dias estávamos namorando e por conta disso eu tinha a minha disposição aqueles pés tamanho trinta e oito (ou trinta e nove) prontinhos pra mim. Ela só usava salto alto o que aumentava o meu desejo consideravelmente. Passava o dia inteiro trabalhando numa empresa na Rua Uruguaiana e sempre que nos encontrávamos no final do dia desembrulhava seus pés de dentro do sapato e saciava seu cansaço com longos beijos e massagens.
Foram quatro anos vivendo a mais pura felicidade que até hoje pude experimentar.
Guardei todas as fotos, todas as meias que ela me presenteou depois de usadas, enfim, colecionei as coisas materiais e esqueci do mais importante: a continuidade da nossa relação.
Minha vida desregrada devido ao meu trabalho e o imediatismo dela foram às razões que fizeram com que nossos caminhos seguissem rumos diferentes. Ela nunca se importou em realizar meu fetiche, jamais questionou o que eu gostava e, talvez essa seja a razão de tanto arrependimento que carrego comigo.
Hoje ela está casada, tem uma filha, vive com alguém e nem sei se ainda lembra daqueles anos da mesma forma que eu. Será que conheceu outro sujeito que gostasse de pés?
Pode parecer dor de corno, mas isso ainda insiste em martelar minhas lembranças.
Nunca mais consegui viver meu fetiche como naqueles anos. Pode ser que hoje não me falte coragem de abordar alguma mulher e lhe confessar meus desejos, mas a sensação é de que alguma coisa ficou no passado e se perdeu pra sempre, porque sinto que jamais será a mesma coisa.
Sempre que leio seu blog ACM e presto atenção nos casos que descreve aqui me dá uma vontade enorme de falar sobre esse episódio. Então resolvi escrever. Já cheguei a pensar em buscar uma terapia, em fazer uma análise, mas tenho pra mim que o problema está muito mais ligado ao fetiche do que outra coisa.

Outros relacionamentos vieram e já beijei outros pés com muita dificuldade pela minha timidez, mas independente disso acho que aquela aventura fetichista ficará guardada pra sempre e tenho absoluta certeza de que será impossível esquecer ou viver alguma coisa parecida outra vez.
Abraços
Marcelo

(Minha opinião sobre a mensagem do Marcelo está no espaço de comentários a esta matéria)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rabiscando Nós


Toda imobilização termina com um nó.
Talvez alguém possa pensar que ando viajando na maionese ao fazer tal afirmação, afinal qualquer pessoa sabe disso. Mas esta semana conversando no Fetlife com uma pessoa muito especial, tipo uma jóia rara lapidada com excelência, um assunto veio à tona: o nó de marinheiro.
Por quê? Porque é hábito de muita gente associar nós bem feitos numa cena de bondage com aqueles velhos e conhecidos nós com nomenclatura própria, os quais a grande maioria conhece porque enfeitam quadrinhos. São os nós navais que o marinheiro aprende quando o assunto é navegação.
Então me lembrei das várias vezes em que deparei com fatos onde os nós de uma imobilização de bondage totalmente erótica são comparados com estes nós. Algumas modelos do Bound Brazil falam isso, chegam a perguntar se eu teria sido marinheiro devido à harmonia dos nós.
Não. Nunca fui marinheiro ou icei velas num barco.
Na verdade um bondagista busca um traço. Começa copiando o traçado de alguém até acabar descobrindo a sua própria vocação. Talvez por esta razão os americanos nos chamem de “riggers”, que traduzido para o português seria um armador. Alguém que constrói através de uma armação segura e eficaz. Nada impede que uma pessoa com conhecimento dos nós navais se aventure por esta estrada, aliás, muitos o fazem ou devem fazer, entretanto em todos esses anos não conheci um bondagista com esta técnica, ou pelo menos, ninguém me falou sobre suas origens.
Embora nunca tenha tido experiências com o escotismo, devo confessar que o chamado “nó direito” me fascina. Trazido para o bondage erótico, o nó direito é aquele em que os pulsos da parceira ficam cruzados e as cordas tratam de unir como se fossem os dois galhos que os escoteiros usam para fazer uma cruz.
Como sempre costumo dizer por aqui, o importante de uma imobilização é que seja eficiente. Se der pra ficar bonita melhor, parabéns ao construtor da armação. O aspecto visual conta dentro e fora do quesito exibição, em festas ou em sites. Há também casos em que os bondagistas fazem questão de levar a imobilização simétrica pra dentro de suas experiências sexuais. Desde que a parceira goste, permita e tenha paciência tudo fica natural.
Talvez um dia mude meus traços e tente aprender a técnica náutica com o intuito de realizar uma boa imobilização. Não sei se dará certo ou se visualmente ficará atraente, mas a idéia está começando a me seduzir, principalmente depois das conversas com a Kamahleoa. E pasmem, a moça sabe tudo e mais alguma coisa sobre os nós navais.
O que deve ficar claro quando se fala de bondage como fetiche erótico é a busca do prazer através da privação de movimentos. É lógico que a imobilização pode ser atribuída a uma cena que represente uma mulher em perigo, como nos sites especializados, onde o seqüestro lúdico e consentido dá o tom, mas enquanto posições ou simetria de nós o resultado sempre busca o aprisionamento como forma de domínio.

Irritando Scarlet

Ninguém deve incomodar uma tigresa. Essa é uma das leis da selva.
Nesta fantasia de bondage a interpretação da verdade ao pé da letra faz sentido. Porque deixar uma fera como a Scarlet toda amarrada tem as suas conseqüências.
Quem prova tudo isso é a belíssima Barbara Lopes no vídeo de hoje do Bound Brazil: “don’t piss me off”.



Nessa trama as cordas aparecem de forma simétrica e também com o claro objetivo de aprisionar, ou ainda, castigar.
Um bálsamo para os loucos pelo fetiche em todas as formas.
As melhores imagens estão registradas num lindo photoset.
A matéria de hoje é dedicada a Kamahleoa e sua doce interpretação do fetiche de bondage. Nós, bondagistas, te agradecemos por gostar tanto do que mais nos excita.
Beijos

Um bom fim de semana a todos!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Agonia dos Limites


Basta abrir os olhos de manhã pra perceber que existe um novo desafio à nossa frente. Algumas vezes simples, outras mais complicado, mas viver os desafios ou vencer os limites do dia-a-dia é sempre uma tarefa, árdua ou não.
Certos desafios nos impõem limites. E todo dia é assim.
Uns gostam e alguns detestam, porém faz parte da vida. E apostar em encarar o sexo com erotismo é sempre um desafio a mais. Embora prazeroso, é preciso vencer alguns limites.
O primeiro desafio é o medo. Muita gente tem medo de encarar sentimentos, principalmente aqueles que a sociedade taxa, renega e rejeita. Ninguém quer se sentir um rejeitado, obrigado a viver relegado a escombros sociais por preconceito ou vergonha.
A primeira pergunta que vem a cabeça é: como vou olhar pra minha família, para meus filhos?
Daí vem o primeiro passo que a principio é o grande desafio.
Só que até chegar a esse ponto alguns fetichistas travam batalhas inglórias contra eles mesmos, abusam de desculpas e colocam sistematicamente a culpa na preservação. E assim que vencem a barreira adentram num universo tão desejado quanto um filho pródigo e se esbaldam numa carreira desenfreada como se cada dia fosse o último. Neste ponto, muitos quebram a cara, vivem conflitos e alguns nunca mais retornam. É preciso ter persistência e harmonia de pensamento, que só o profundo conhecimento é capaz de trazer.
Então é hora de fazer valer a própria vontade, o desejo que os trouxe até aqui.
A Internet ajuda. Os sites de relacionamento são um convite farto e o fetichista descobre através das redes sociais que não está sozinho, que muitos têm os mesmos problemas.
É hora de escolher um nome, o chamado “Nick” e conseguir um avatar que esteja alinhado com a fantasia que ele pretende viver. No perfil, fotos da rede são colocadas quase diariamente e retratam tudo aquilo que se espera ser parte de um universo restrito, ainda, ao campo da imaginação.
Até que chega finalmente à hora de dar os primeiros passos reais, transportar a fantasia do imaginário para vivê-la entre quatro paredes. A primeira experiência real, aquela que ninguém esquece e que vai ficar guardada a sete chaves, relembrada ainda que suplantada posteriormente por outras bem sucedidas.
O fetichista estará diante de seu segundo grande desafio: saber o seu próprio limite diante da fantasia e da parceira.
Até onde a submissa (ou o submisso) vai suportar os castigos? Onde está o limite da dor para o masoquista? E o sádico, qual a barreira a ser transposta?
Será que o bondagista sabe onde terminam todos os desenhos e nós?
Diante dos limites os fetichistas precisam refletir. E isso vale pra todos. Podólatras, exibicionistas, voyeurs, infantilistas, enfim, a lista é extensa e a reflexão iminente. A busca por ultrapassar os limites e vencer desafios pode ser benéfica por um lado e prejudicial por outro, uma vez que os limites de uma relação podem ir de encontro a uma segunda tentativa em caso de insucesso. O que um dominador impõe a sua parceira pode não ser o mesmo que um segundo imponha a mesma. Portanto, é preciso entender que o limite pertence àquela relação, mas numa segunda chance as coisas podem caminhar de forma distinta.
Vencer os limites é válido desde que não se torne uma agonia ou obsessão.
Durante muito tempo meu objetivo foi fazer uma amarração perfeita, usar as cordas como castigo ou fazer delas a razão do tesão de algumas mulheres.

Antes disso também exorcizei fantasmas e briguei com o espelho, mas nunca perdi a esperança de um dia vencer os desafios que o universo fetichista me mostrou.
Ainda há desafios pela frente e limites a superar.
Assumir o lado B já foi uma etapa difícil e acho que depois disso tudo fica muito mais simples.
Quem sabe o próximo passo esteja em produzir um filme que me dê tanta satisfação quanto The Resort? Pois é, quem sabe?

As fotos que ilustram o artigo de hoje são uma homenagem a um grande parceiro: Robert Deane do site Bondage Damsels.
Keep your good work Robert!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Stolen Souls (2003)


Da série “clássicos do BDSM” uma excelente dica pra quem gosta de ver na tela uma aventura que transborda fetiches, e melhor, com qualidade. Os trabalhos do diretor Lloyd A. Simandl agradam pela trama bem executada e pela excelente escolha do elenco.
Ele reitera total confiança no talento de Marcela Hodna e desfila lindas garotas da Republica Checa como de costume.
Em “Stolen Souls” Simandl aposta novamente na captura e venda de belas mulheres, só que desta vez num mundo moderno, onde o mercado da prostituição milionária é o alvo.
O filme conta a história de uma louca homicida que escapa de uma instituição mental e se junta a um criminoso, especializado na importação de mulheres da Europa para a América. Com a sua chegada a operação cresce e até mesmo seu chefe mafioso se apaixona devido as atitudes cruéis de sua parceira. Nada a impede, porém, de seduzir seu receptador o obrigando a aceitar todas as suas condições, e ao mesmo tempo, saciando seus desejos.
O filme foi lançado em DVD no ano de 2003. Os diálogos são em Inglês e só é possível adquirir com legendas em holandês por conta dos distribuidores a Focus Film Facts / Three Line Pictures.
Na Internet o filme é comercializado pelo site Bound Heat.
Simandl é uma daquelas raras reminiscências dos anos setenta e oitenta, do cinema especializado na exploração do que atualmente é chamado de WIP – woman in prison "mulheres na prisão" ou, ainda, DiD – damsels in distress "mulheres em perigo".
Numa altura em que a maioria dos diretores se policia demais com medo de suas próprias sombras ou se escondendo atrás das saias da correção política, Simandl optou por um nicho de gênero politicamente incorreto e busca sucesso com ele. Mais do que isso, ele conseguiu trabalhar bem esse filão e, muitas vezes, com total controle sobre o assunto ou em execuções bem nítidas, sem nenhuma contestação vinda de patrulheiros da ordem fetichista em questão.
Simandl outra vez aposta suas fichas em cenas lésbicas onde a sedução, mesmo imposta pela captura, acontece de forma suave e convincente. É a chamada lei de mercado, onde o que importa é agradar ao público que consome este tipo de produção. Buscam-se detalhes que possam refletir na tela pequenos desejos que juntos formam um todo.
Algumas tomadas de “Stolen Souls” são de tirar o chapéu, principalmente, quando existe a resistência das garotas forçadas a realizar cenas de BDSM. É o fetiche pulsando em sua forma mais pura ofuscando cenários bem montados e harmoniosos com a trama, e fazendo com que o espectador nem se importe se a arma é de brinquedo ou de verdade, ou ainda, que não existam especialistas em efeitos especiais por trás das câmeras.
Para os colecionadores o DVD está disponível em sites como o Amazon, porém, pela rapidez da entrega é totalmente aconselhável que os interessados utilizem o Bound Heat onde é possível comprar o arquivo e executar o download.
Para os loucos por BDSM, cenas lésbicas e garotas em perigo, o trailer abaixo mostra tudo isso com requintes de crueldade.