
Tudo bem garota, você quis assim.
Foram sete perguntas, e conseqüentemente, você quer sete respostas.
Mas não pense que vou ser direto e sair me entregando sem antes tentar te ludibriar. Pra isso, vou deixar umas pegadas, as quais espero que você saiba seguir e achar as respostas.
Quando alguém te pergunta sobre seu último desejo é bem diferente de saber quais as coisas que você faria antes de entrar no trem pra eternidade, mas há um porém: vou responder dentro do BDSM. Tá legal? Podem ser coisas que se fez, faz ou ainda fará. Nisso tudo rola uma lógica: tudo tem seu tempo. Então, fica melhor um resumo.
Um bondagista sempre sonha em amarrar alguém. Trazer pra sua fantasia uma pessoa na qual ele pensa ou pensou. Já trouxe muita gente pra minha cena, só no site pra mais de cento e quarenta, imagine. Fora do trabalho em outras tantas exerci meu direito líquido e certo de ser fetichista. Mas falta sempre a cena perfeita. Aquela que sai do sonho e vira realidade, que não vire pesadelo, que dá sentido ao valor das cordas, que tenha complemento, que traga sinceridade, que não seja só um contra-argumento e que fique na lembrança sem causar estragos.
Nesta cena ainda devida eu não falo “corta!”. Mas ordeno que ponha as mãos pra trás, que feche a boca, que tape os olhos, que levante os pés quando atados aos pulsos num belo hogtie, que me olhe com o temor do que ainda está por vir e que no final, eu possa soltar um delicioso “puta que pariu, ficou do cacete!”.
Daí ela não precisa dizer que eu sei amarrar muito bem, que meus nós ficaram bonitos, que dali ela jamais escaparia, que nunca se sentiu tão presa ou que as marcas lhe caíram muito bem. Ela precisa saber que tremeu na base, e embora não se entregue facilmente, tenha a plena convicção que gozou como louca.
Ainda que eu saiba que foi bom demais sempre haverá a certeza de que da próxima vez poderia fazer melhor. Ah, essa mania de perfeição que não cessa! Essa incerteza absurda de procurar achar pelo em ovo, a vontade louca e desenfreada e tentar decifrar se o que ela sentiu era verdadeiro ou não. Junte-se a isso a insana mania de me achar tão intenso, de imaginar que o limite era raso demais e me aprofundei ou de supor que se não acontecer outra vez eu fui um grande babaca.
Mas fazer o que se eu amo tudo isso?
Amo tanto que não me canso de escrever sobre tudo e todos. Amo poder ajudar, amo fazer amigos e amo as minhas cenas como se fossem filhos pródigos recém saídos do ninho.
Amor é um sentimento tão grande que deveria constar da carteira de identidade quantas vezes a pessoa amou na vida. E eu amei muitas, várias, todas, mas ainda insisto em achar que quem eu amo deve entender o que eu sinto.
Sim, porque quem ama de verdade ama os defeitos e virtudes. Defeitos são iguais, todo mundo tem e quem está ao lado renega. É fácil de ver. E enxergar as virtudes? Alguém o faz facilmente? Nesse mundo de hoje onde tudo é desconfiança achar virtudes alheias é cada vez mais complicado.
Mas eu tenho as minhas, da quais não abro mão. E ser fetichista é uma delas. Assumidão, de carteirinha e cara na tela. Demorei? Claro, mas cheguei lá. Assim como não nego que ver o fetiche alheio bem praticado me fascina. Tem algo mais bacana que assistir um podólatra admirando um pé? O cara olha, deseja e baba, nele ou fora, mas baba... E eu babo por batatas de pernas carnudas. E como!
Por isso digo e repito: dentro do BDSM eu gosto de tudo e de todos, embora não seja afeito a algumas práticas as respeito e sou sempre a favor.Acho que deu pra ter uma idéia de como pintar o sete sem ser direto.
Agora é contigo Dog Pet.
Beijo Enorme, muito grato pelo presente e pela lembrança.
Essa foto ao lado é da gata Dominique Estrela, grande parceira, durante um set do Bound Brazil.








