
Basta abrir os olhos de manhã pra perceber que existe um novo desafio à nossa frente. Algumas vezes simples, outras mais complicado, mas viver os desafios ou vencer os limites do dia-a-dia é sempre uma tarefa, árdua ou não.
Certos desafios nos impõem limites. E todo dia é assim.
Uns gostam e alguns detestam, porém faz parte da vida. E apostar em encarar o sexo com erotismo é sempre um desafio a mais. Embora prazeroso, é preciso vencer alguns limites.
O primeiro desafio é o medo. Muita gente tem medo de encarar sentimentos, principalmente aqueles que a sociedade taxa, renega e rejeita. Ninguém quer se sentir um rejeitado, obrigado a viver relegado a escombros sociais por preconceito ou vergonha.
A primeira pergunta que vem a cabeça é: como vou olhar pra minha família, para meus filhos?
Daí vem o primeiro passo que a principio é o grande desafio.
Só que até chegar a esse ponto alguns fetichistas travam batalhas inglórias contra eles mesmos, abusam de desculpas e colocam sistematicamente a culpa na preservação. E assim que vencem a barreira adentram num universo tão desejado quanto um filho pródigo e se esbaldam numa carreira desenfreada como se cada dia fosse o último. Neste ponto, muitos quebram a cara, vivem conflitos e alguns nunca mais retornam. É preciso ter persistência e harmonia de pensamento, que só o profundo conhecimento é capaz de trazer.
Então é hora de fazer valer a própria vontade, o desejo que os trouxe até aqui.
A Internet ajuda. Os sites de relacionamento são um convite farto e o fetichista descobre através das redes sociais que não está sozinho, que muitos têm os mesmos problemas.
É hora de escolher um nome, o chamado “Nick” e conseguir um avatar que esteja alinhado com a fantasia que ele pretende viver. No perfil, fotos da rede são colocadas quase diariamente e retratam tudo aquilo que se espera ser parte de um universo restrito, ainda, ao campo da imaginação.
Até que chega finalmente à hora de dar os primeiros passos reais, transportar a fantasia do imaginário para vivê-la entre quatro paredes. A primeira experiência real, aquela que ninguém esquece e que vai ficar guardada a sete chaves, relembrada ainda que suplantada posteriormente por outras bem sucedidas.
O fetichista estará diante de seu segundo grande desafio: saber o seu próprio limite diante da fantasia e da parceira.
Até onde a submissa (ou o submisso) vai suportar os castigos? Onde está o limite da dor para o masoquista? E o sádico, qual a barreira a ser transposta?
Será que o bondagista sabe onde terminam todos os desenhos e nós?
Diante dos limites os fetichistas precisam refletir. E isso vale pra todos. Podólatras, exibicionistas, voyeurs, infantilistas, enfim, a lista é extensa e a reflexão iminente. A busca por ultrapassar os limites e vencer desafios pode ser benéfica por um lado e prejudicial por outro, uma vez que os limites de uma relação podem ir de encontro a uma segunda tentativa em caso de insucesso. O que um dominador impõe a sua parceira pode não ser o mesmo que um segundo imponha a mesma. Portanto, é preciso entender que o limite pertence àquela relação, mas numa segunda chance as coisas podem caminhar de forma distinta.
Vencer os limites é válido desde que não se torne uma agonia ou obsessão.
Durante muito tempo meu objetivo foi fazer uma amarração perfeita, usar as cordas como castigo ou fazer delas a razão do tesão de algumas mulheres.
Antes disso também exorcizei fantasmas e briguei com o espelho, mas nunca perdi a esperança de um dia vencer os desafios que o universo fetichista me mostrou.Ainda há desafios pela frente e limites a superar.
Assumir o lado B já foi uma etapa difícil e acho que depois disso tudo fica muito mais simples.
Quem sabe o próximo passo esteja em produzir um filme que me dê tanta satisfação quanto The Resort? Pois é, quem sabe?
As fotos que ilustram o artigo de hoje são uma homenagem a um grande parceiro: Robert Deane do site Bondage Damsels.
Keep your good work Robert!