quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Metal e o Dente


Há quem duvide, mas é verdade. Tem mais ou menos uns doze anos.
Em plena crise dos quarenta (a gente sabe que houve crise quando chega aos cinqüenta), conheci a Myrta. Tinha tudo pra ser uma noite perfeita.
A Myrta encarnava o real espírito da submissão. De fala mansa, cultuava a obediência acima de todos os aspectos chegando à tamanha intensidade de sentidos que espantava alguns dominadores que preferiam uma dose de rebeldia.
Porém, o que nos aproximou foi o fetiche de bondage. Encantada com as cordas e seus desenhos, ela optou pelo castigo das cordas em lugar dos açoites com boas pinceladas de sexo no final.
Esfreguei as mãos e me senti o todo poderoso diante de um sonho de consumo.
O cenário estava montado, a mulher imobilizada em cima de um lençol macio com as mãos e os pés totalmente virados para o leste e o oeste respectivamente. O tipo exato do X Rated Bondage.
Pouca luz e muita sede, os ingredientes perfeitos para uma noite larga.
E tudo ia muito bem até que minha boca encontrou com alguma coisa metálica e o inevitável choque entre os dentes e as argolas doeu na hora e fez o tesão ir direto pro saco. A mulher tinha tanto piercing na boceta que parecia uma orelha de gótico.
Me disse que seu último dom a havia obrigado a colocar as argolas, muito mais pelo sofrimento do que pelo aspecto visual. Claro que ela obedeceu, afinal elas estavam ali bem diante dos meus olhos criando um bloqueio para o ponto G.
Tal e qual um centroavante raçudo, daqueles que não fogem das divididas eu encarei brother e tentei ultrapassar aquela muralha que parecia uma divisão de tanques de guerra Panzer.
Haja língua...
Lógico que a bateria de piercing não resistiria à passagem de um pênis, mas minha sede tinha de ser saciada a todo custo o que me fez insistir até que ela sucumbisse ao orgasmo.
Com os lábios cortados e o maxilar dolorido deixei a batalha com o sentimento de dever cumprido, pra mim e pra ela. Mas desse dia em diante declarei guerra a esses enfeites quando são colocados em pontos chaves. Ou eles ou eu!
Sei que posso virar vidraça e levar pedrada de muita gente, mas piercing pendurado no meu parquinho de diversão não combina. Existem vários lugares disponíveis para que esses penduricalhos sejam acomodados, menos na área de lazer, porque definitivamente não dá pedal.

Me lembro que depois daquela noite mandei o seguinte pra Myrta: ou retira essa parafernália ou ralo peito.
Menos mal que ela atendeu e deixou de alimentar aquele estranho sentimento que ainda nutria por um dono que já nem sabia que ela existia.
Nosso “caso” durou algum tempo, foi legal, gostoso de lembrar, e pelo menos durante esse tempo nunca mais tive que vencer a batalha contra aqueles pedacinhos de metal.
Fico pensando: talvez se fosse unzinho só, dava pra rolar um desvio estratégico, mas daquele jeito só mesmo chamando um ferreiro, e dos bons...

terça-feira, 29 de junho de 2010

E Rolou um Bondage…


Cá pra nós: alguém já viu encontro de bondagistas onde o cardápio é somente uma deliciosa feijoada?
Pois é, não fiquei com cara de paisagem. Meti a mão na massa, a pedidos, e rolou um bondage no final da tarde. Claro que estou me referindo ao último Sábado, quando aconteceu o lançamento e primeira exibição do filme “The Resort” na Serra de Petrópolis, pertinho da maravilhosa Itaipava.
Vale um registro. Como o filme foi gravado em cenas em que nem todas as meninas do elenco estavam presentes, a grande maioria não sabia o final da trama, o que gerou um misto de surpresa e aplausos quando as legendas começaram a aparecer na tela.
Foi compensador despertar bem cedinho e subir a Serra. Lá estavam as meninas que protagonizaram o filme, a galera que trabalhou detrás das câmeras e dezenas de convidados e convidadas que deram o brilho necessário ao evento.
Vou ficar devendo o vídeo com as entrevistas de algumas dessas pessoas que ajudaram a construir essa obra que está bombando na Internet, mas prometo pagar essa dívida ainda esta semana. Já são vários pedidos daqui do Brasil para o envio do DVD e do exterior, onde só é possível adquirir por meio de download.
E o dia foi passando tranqüilo e calmo como um som de Crosby, Stills & Nash.
As tribos se formaram e cada qual comentou sua participação no filme. Cenas foram revisitadas, ouviu-se autocrítica e, principalmente, muita vontade de fazer o próximo, mas essa história ainda nem passa pela minha cabeça.
Faltava pouco pra pegar o caminho de volta e a galera pediu uma cena de bondage.
Não havia cordas, nada, mas a veia fetichista tem tanta força que fuçando daqui e dali, apareceu um cordão e uma corda daquelas que ninguém coloca as mãos há cerca de um mês. Estava montado o circo.
A suspensão ficou a meia bomba, afinal o material deixava a desejar e pelo estado de conservação daquelas cordas o melhor era ter uma base que fosse funcional ao primeiro sinal de que a arapuca pudesse desmoronar. Ainda assim a Anandinha curtiu bastante e pode ser que em breve venha a fazer parte do elenco do Bound Brazil.
O fetiche é assim, apaixonante quando é praticado na hora certa, por quem está louco de vontade de experimentar novas emoções.
Fica também o registro de um agradecimento mais que especial a galera do Sexy Hot pela cobertura do lançamento do filme, e a toda aquela gente boa que faz parte do staff do Hotel Pousada da Represa.
É incrível como o tempo passa rápido.
Partimos com a mesma ansiedade de quando chegamos pra começar a gravar as primeiras cenas...

Deixo aqui uma amostra do bondage que rolou num dia de muita alegria e plena satisfação.
Dá pra guardar pra sempre brother!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Arte de Nobuyoshi Araki


Poucos olharam o Shibari Japonês como o fotógrafo contemporâneo Nobuyoshi Araki.
A fotografia de Araki começou nos anos 60.
Livre de todos os tabus o artista se concentrou em temas de sexo, vida e morte em Tóquio. Numa altura em que a noção de feminilidade e da sexualidade passava por mudanças radicais na sociedade japonesa, Araki foi mostrando mulheres jovens em posições totalmente submissas.
Além da complexidade de arte de bondage, estas fotos são testemunho das convenções da sociedade, a complexidade da tradição erótica japonesa de Shibari e a referência biográfica que serviu como primeiro modelo para Nobuyoshi Araki, foi sua mulher Yoko, que morreu jovem.
A fotografia de Nobuyoshi Araki é exibida no mundo inteiro, incluindo exposições no LACMA em Los Angeles, Centre Georges Pompidou, em le Fotomuseum Winterthur e Moderna Museet, em Estocolmo.
Nascido em 1940, Nobuyoshi Araki completa este ano cinqüenta anos de carreira e para ilustrar seguem algumas amostras de um fotógrafo que com sua lente entendeu o fetiche nos mínimos detalhes.



sexta-feira, 25 de junho de 2010

Looking for Miss Goodbar


Chegou na boate e tratou de procurar quem veio ver.
Foi logo perguntando:
- Lembra de mim?
- Na verdade, não, aliás, isso aqui é um pouco escuro, você sabe né...
- Sou aquele cara que gastou uma saliva danada, mas consegui te amarrar.
- Ah! Claro, como não ia lembrar. Tudo bom? Gostou?
- Lógico. Voltei não?
Pensando bem, o sujeito estava atrás de uma pratica a vera. No primeiro encontro encharcado de álcool pouco produziu, e demorou tanto tempo tentando convencer aquela mulher de vida horizontal a sucumbir aos seus caprichos que a história foi curta.
- Pô! Fala sério cara! Me caguei de medo quando você veio com aquele papo, achei que você era um tarado...
- Era não, eu sou tarado...
- Não é bem isso. Uma vez um cara me pediu pra dar uns tapas nele, umas pisadas. Tem sempre gente estranha pintando por aqui.
- E hoje eu vim muito mais preparado. Trouxe minhas cordas...
- Tá maluco! Você acha que eu vou deixar você me amarrar de verdade?
- Mas eu te amarrei com meu cinto e minhas meias...
- Isso tudo bem, mas corda? Vai me machucar e não gosto disso. O que eu vou dizer ao meu namorado quando chegar em casa toda marcada?
- Que nada, até chegar em casa já sumiu tudo...
- Cara, prefiro ficar dura que correr riscos.
- Risco? Que risco? Já fizemos antes. Não dói e você sabe que meu negócio não é dar porrada!
- Quem me garante? Depois que eu estiver amarrada meu filho, você pode fazer o que quiser.
- Tá certo. Nenhuma chance?
- Não. Cai fora. Procura outra, aliás, é melhor desistir, porque ninguém aqui vai topar isso.
- Ok, sem cordas. Rola um drinque?
- Tá legal, mas esquece isso.
Passadas umas quatro horas os dois conversavam na cama do motel.
- Cara essas marcas saem mesmo?
- Lógico, daqui à uma hora não tem mais nada... Sumiu tudo.

LADIES IN RED

Alô galera fetichista que curte algemas e correntes.
Como prometido, o site Bound Brazil exibe hoje aos seus assinantes o filme Ladies in Red.
Duas belas garotas (Samyra e Brenda Lee) com sensuais trajes vermelhos lutam desesperadamente contra as algemas e correntes em cima da cama. As mordaças com lenços vermelhos dão o toque monocromático ao filme de 16 minutos que estará disponível aos assinantes esta noite.


Como sempre, um photoset com as melhores tomadas fazem parte da atualização.

Hoje, também, estará disponível o filme “The Resort”.
A jóia da coroa do site estará pronta para ser adquirida no link “Vault” e não precisa ser assinante do site para levar a versão em download ou em DVD.
Basta seguir as instruções e ver essa maravilha. Uma hora e dezesseis minutos de bondage, damsels in distress, suspense, ação e sensualidade.
Imperdível.
Segunda eu falo da festa de lançamento do filme “The Resort”.


Aos dois sortudos relacionados para o evento, já devidamente avisados, um recado: tem espaço na Van.
Bom fim de semana a todos.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Primeira Fração


Escrevi esta matéria há meses atrás, quase um ano.
Alguns amigos pediram para rever e por isso resolvi repostar na íntegra, inclusive com os links.
Taí.

Ontem foi mesmo o “lazyday”.
Preguiça por todo lado devido à falta de uma boa noite de sono desde Sexta passada.
Saí do 24/7 na companhia de três dominadoras perversas.
Qualquer submisso daria um cesto de ouro se pudesse para estar em meu lugar, mas dividir apartamento com essas feras soltas é complicado Zé, você dorme na sala de preferência fechando só um olho.
A bem da verdade elas são uns “amores”, mas por não terem praticado como esperavam senti que passaram a me olhar com ares demoníacos e água na boca, tipo cachorro em frente àquelas máquinas onde o franguinho roda nas padarias...
Mas pra minha alegria incontida tudo passou e não virei o personagem do filme “O Livro das Revelações”, aliás, tem até matéria dessa trama aqui no blog onde o cara passa o diabo na mão de três dominadoras, contra a vontade é claro.
Sobrevivi.
E ontem na reminiscência de meus últimos suspiros de uma Segunda-Feira preguiçosa, pestanejando, topei com um filme no Canal Brasil muito interessante para os adoradores de pés: Cinco Frações de uma Quase História (2008).
Num trabalho de seis diretores experientes em longas e curtas metragens, o filme é dividido em cinco histórias interligadas, como frações, sendo a primeira delas o motivo da matéria de hoje.
Carlos, personagem interpretado pelo ator Leonardo Medeiros é um fotógrafo obsessivo que entrou numa fase podólatra.
Sua tara pelos pés das moças é tão insana que o torna capaz de protagonizar cenas absurdas em plena luz do dia na Cidade de Belo Horizonte. Como uma raposa perdida no galinheiro, ele não sabe atrás de qual das presas vai primeiro. Cada pé que se depara ele fotografa em busca de uma obsessiva idéia de montar uma exposição sobre pés femininos.
Taxado de tarado e pervertido pelas mulheres de quem se aproxima, desde a namorada, transeuntes e garotas de programa, a louca corrida pelas fotos para compor a exposição dá lugar a uma verdadeira busca frenética que o transforma num podólatra desgovernado, a ponto de se atirar aos pés da própria analista para saciar sua sede.
Normalmente os amantes e adoradores de pés, carinhosamente chamados de podólatras, costumam andar pela rua com os olhos grudados na calçada ou em qualquer lugar onde um belo par de pés lhe chamem a atenção. Mas quando a coisa foge ao controle e transborda o balde, como no filme, é preciso refletir para que um fetiche não se torne obsessivo a ponto de criar um abismo profundo entre o sonho e sua realização.
Não pensem que é fácil para um podólatra conviver com esse desafio, porque se o sujeito for um “louco por bundas” nem na praia terá a possibilidade de ter uma inteira a suas vistas, enquanto o podólatra sofre, principalmente nos dias de verão com os muitos pés à mostra em sandálias cada vez mais atraentes.
Portanto, a primeira das cinco frações aborda um aspecto fetichista comum e interessante, deixando de lado alguns exageros como a namorada que lhe negava fotografar os pés e a prostituta que o agride por lavar, beijar e cheirar os seus. O filme, porém, é recheado de passagens interessantes para os podólatras e cenas ousadas e sensuais como a que eu posto aqui em vídeo.
De quebra, vai o link para baixar o filme na íntegra porque as outras partes também são muito legais.

5 Frações de uma Quase História: http://www.megaupload.com/?d=DMJ2TTU7

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Extravagâncias


Alguma coisa já foi dita diante dos seus olhos e com certeza você achou extravagante, absurda ou até impossível.
Em se falando de fetiches a coisa fica preta.
Escutei, faz pouco tempo, de um “new” fetichista, recém chegado as maravilhas desse underground, que seu sonho de consumo é ser induzido por uma dominatrix a sentar numa garrafa pet de “Big Coke” até o talo, começando fininho até engrossar. Cravejado de agulhas nas costas ele disparou essa confissão, e pela quantidade de objetos pontiagudos cravados em seu corpo não sou louco de duvidar.
Da mesma forma outras pseudas aventuras que vivem no imaginário de fetichistas causam espanto a pessoas acostumadas a lidar com todo tipo de impulso. Aliás, haja imaginação...
Bondagistas costumam delirar com duas, três ou mais mulheres amarradas e amordaçadas na cama para ter com elas tudo que seu senso fetichista permitir. Será possível? Para eles sim, porque é parte de um sonho que ainda sendo taxado impossível sobreviverá enquanto a veia fetichista existir.
Se rolar, haja Viagra Brother!
Temos sonhos, claro, todos nós. Não precisa ser fetichista pra sonhar. É de graça e é bom.
De alguns sonhos que parecem impossíveis nascem idéias tão interessantes que se realizadas ninguém acredita que começou no fundo da imaginação.
Mas há um “porém”. Porque sonhar o absurdo é temerário e insano.
De repente o sujeito começa com certos delírios que terminam no consultório de um psiquiatra. Deve existir discernimento, as diferenças entre o que é sadio ou não.
Entretanto, o universo fetichista costuma ser habitado por pessoas que adoram viver no mundo da Lua.
Mulheres masoquistas que acham que a dor extrema e ainda desconhecida é o único elemento que prova a devoção total ao seu parceiro dominador, precisam entender que existe um limite entre o que é desejo e o que é são. Submissão e devoção não são medidas por capacidade de suportar a dor, mesmo que esta dor traga prazer.
O sentimento de humilhação quando leva o fetichista submisso a se submeter ao papel de vaso sanitário de um encontro fetichista é espantoso. A condição degradante pública é o clímax da humilhação. Estes fetichistas comem fezes e bebem urina sem o conhecimento necessário, ficando sujeitos a todo tipo de doença que esses excrementos humanos produzem num organismo.
Mais do que ter nojo de certas atividades as pessoas deveriam simplesmente orientar esta gente que deixa o desejo incomum sobrepor à razão.
Apesar de alguns destes exemplos serem somente um sonho para muitos fetichistas, outros os praticam ou tentam fazê-lo sem ter conhecimento ou doutrina necessário para tanto.

Enquanto delírio desperta ereções ou umedecimento em quem deseja, porém pode representar um perigo iminente a quem tenta fazer sem saber o próximo passo.
Os fetiches bizarros sempre serão extravagantes e arriscados.
Asfixia, cortes com lâminas, fogo e outras tendências devem ser estudadas a fundo antes de deixarem o mundo da imaginação para fazer parte do prazer.