terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Rainha do Flagelo


Você, por acaso, já ouviu falar na Madame Theresa Berkley? Bem, se não ouviu, vou lhe contar algo interessante sobre ela. Se já ouviu, paciência; vou contar assim mesmo.
Theresa Berkley foi dona de um bordel no número 28 da Charlotte Street, Portland Place, bairro de Londres. Mas, sua casa de entretenimento masculino e feminino, não era como outra qualquer do ramo.
Em 1718, quando foi publicado, na Inglaterra, anonimamente, um livro chamado Tratado sobre o Uso do Açoite - embora o título tenha um caráter um tanto científico - o conteúdo continha um teor claramente pornográfico. Rapidamente, o tratado se espalhou pela Europa e virou moda com o nome de vício inglês; o que equivalia dizer que ninguém gostava mais de apanhar na cama do que um inglês. É aí que entra madame Berkley. Determinada a atuar na área do entretenimento masculino e tendo ciência do gosto de seus conterrâneos, montou no mencionado endereço, um bordel especializado em tortura e flagelação e, assim, tornou-se a pioneira do sadomasoquismo.
Theresa era uma amante perfeita dessa arte, por isso, não ficou só na tradicional coleira e o dolorido chicotinho. Sua casa era realmente um local de tortura. Para satisfazer os clientes, ela aprimorou e criou numerosos instrumentos de tortura. Usava diversos tipos de chicotes, de vários tamanhos, com nove correias de couro, conhecido como gato-de-nove-rabos, porque tinham nas pontas unhas de metal, semelhantes a dos felinos. As varas para o açoite eram mantidas na água, de modo que quando fossem usadas, estivessem sempre verdes e flexíveis. Cintas feitas de exclusivo couro grosso com pregos de uma polegada, que perfuravam a pele mais dura e deixavam flagelos que levavam um bom tempo para cicatrizarem. Vários tipos de escovas: a escova de furze (uma sempre-viva espinhosa), de urtigas, entre outras. Além disso, na primavera de 1828, uma obra-prima de tortura foi inventada para sua casa: o Cavalo de Berkley. A descrição desse aparelho, responsável pelos gritos dos clientes de Madame, vem de um nobre inglês vitoriano, aficionado em sacanagens, chamado Henry Spencer Ashbee: “(...) era uma espécie de pau-de-arara móvel que podia ser girado tanto na vertical como na horizontal. Assim, sem muito esforço, a Madame, ou as moças e os rapazes que trabalhavam para ela, infligiam a dor exatamente no ponto desejado pelo cliente”. E, por incrível que pareça, conclui Henry, “muitos nobres exibiam com orgulho as marcas e cicatrizes deixadas pelas torturas a que se submeteram no Cavalo de Berkley”. Ele está, hoje, exposto na Sociedade Real de Artes; foi doado pelo Doutor Vance, testamenteiro da Madame.
Assim, no bordel de Theresa Berkley, quem ia com bastante dinheiro, poderia ser açoitado, chicoteado, fustigado, agulhado, pendurado, escovado, perfurado, ou seja, torturado até ficar satisfeito.
Segundo o texto abaixo, extraído da correspondência de um devoto apaixonado pela flagelação, e profundo conhecedor do assunto, naquela época, as mulheres eram muito mais apaixonadas em agitar a vara de flagelo e vice-versa, que os homens:
"Em minha experiência eu conheci pessoalmente várias senhoras da nobreza que tiveram uma paixão extraordinária e uma severidade impiedosa em administrar a vara. Eu conheci a esposa de um clérigo, jovem e bonito, que levou o gosto ao excesso. Eu soube que a pessoa quando bebia tornava-se vulgar e se permitia ser açoitada até que o fundo dela ficasse totalmente em carne viva e a vara saturada com sangue; ela durante a flagelação gritava: 'mais forte! mais forte! ' e blasfemava se assim não fizessem. De um estabelecimento em Londres, do qual eu suprimo o nome, vinham vinte meninas que passavam por todas as fases do chicote até se tornarem professoras.”
Numa noite de setembro de 1836, a famosa casa de Miss Berkley estava silenciosa. Nem um grito, nem uma visita, madame Theresa Berkley havia falecido. Foi uma morte súbita e inesperada, pois era um tanto jovem. Durante oito anos ela não só governou seu bordel com maestria, como foi uma completa mulher de negócio, acumulou durante esse tempo uma considerável soma de dinheiro...
Nessa mesma noite, chega ao número 28 da Rua Charlotte, apressado e aparentando estar nervoso, o Dr. Vance, responsável pelo testamento. “Onde está o cofre de Theresa”? Pergunta para um criado. Era nesse cofre que Theresa guardava todas as cartas, nomes e recibos dos clientes de seu bordel. O doutor, sem nenhum remorso, queimou toda a papelada.
Conta-se que algumas das figuras (masculinas e femininas), de maior destaque da nobreza britânica eram clientes exclusivas do local, como o rei da Inglaterra, George IV. Portanto, a história da Inglaterra poderia ser outra, se o doutor não tivesse ateado fogo aos papéis.
Logo após a morte de Theresa, seu irmão, missionário durante 30 anos na Austrália, chega à Inglaterra, mas quando ele tomou conhecimento de que sua irmã lhe havia deixado a mais famosa casa de flagelação da Inglaterra como herança, renunciou a propriedade e voltou imediatamente para a Austrália. Na falta de herdeiro, a propriedade passou ao Dr. Vance (médico e testamenteiro dela). Ele também se recusou a administrar o bordel, e tudo ficou para a coroa inglesa.
Por essa época, já havia em Londres diversas casas especializadas em flagelação, como a da senhora Collette e da senhora Emma Lee. No entanto, em matéria de dor como êxtase, Miss Berkley foi, indubitavelmente, a rainha de sua profissão, ninguém a superava.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Dei um Tempo


Gostaria de ter postado uma matéria hoje.
Mesmo sendo feriado, daria pé, mas hoje terminamos o final do longa do Bound Brazil.
Aliás, como prometido, o trailer vai rodar aqui no blog em primeira mão, talvez na próxima Sexta, se tudo correr como previsto.
Portanto, amanhã rola um papo interessante sobre fetiche.
Agora é dar uma descansada porque tem muito trabalho pela frente, afinal, dizem que a finalização é o abacaxi...
Aproveitem o feriadão...
Sempre vale a pena.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pedras na Vidraça


O que seria do verde se todos gostassem do amarelo?
Essa é uma verdade absoluta que apesar de fora de moda guarda em cada palavra um conceito básico: se todos gostassem do mesmo, se todos fossem iguais à vida não teria o menor sentido.
Por isso existem os chamados segmentos de sociedade, onde pessoas são atraídas por terem o mesmo entusiasmo por determinadas coisas que outros. Parece simples, mas a regra se quebra quando alguém que não se identifica com uma tribo consegue acesso e resolve meter o bedelho.
Assim como várias sub-culturas, o BDSM é constantemente vitima de pedradas desferidas por pessoas com pouca imaginação que se atém a criticar o que acontece no quintal do vizinho. Sem nenhuma identidade com os fatos e tão pouco com conhecimento do significado, atribuem comentários sem conteúdo e chegam até as ofensas.
Parte dessa difusão fetichista tão comemorada aqui mesmo nesse blog, atrai esse tipo de convivência desagradável, porque a divulgação não desmistifica o fetiche e certas pessoas de fora do meio quando se deparam com esse canal procuram expor ao ridículo tudo que é noticia em nosso mundo.
A Internet é uma revolução cultural do século vinte e um e, por isso, tudo que alcança níveis elevados em sites de busca torna-se visível num simples clique. Hoje, se você digitar no Google uma frase que por acaso seja o titulo de uma matéria aqui deste blog, a pesquisa exibe sempre em primeira página. Essa ferramenta gera satisfação aos olhos de quem está à procura, mas também cria certo interesse em quem nunca ouviu falar.
Alguns desses visitantes observam e não retornam, outros, porém, escrevem emails ou comentários desagradáveis que ao longo desse um ano e poucos meses me acostumei a ignorar.
Já houve debates aqui entre os comentaristas de deixar o cabelo em pé o que é uma infrutífera perda de tempo, porque ninguém consegue mostrar nada a quem não quer enxergar, ou tem um modo de julgar de cunho próprio.
Vários segmentos sociais não me atraem, porém como qualquer pessoa dotada de esclarecimento, cultura e educação costumo ter respeito por tudo e por todos. Por isso, não perco meu tempo com criticas sem conteúdo ou tentando ensinar a missa ao Vigário.
Concluindo, essas páginas seguem abertas e os comentários sem moderação prévia, tudo que se escreve é publicado. Acredito na Democracia e vi de perto uma luta sem tréguas para que isso fosse norma no Hemisfério Sul, portanto a vidraça pode ser até apedrejada, só não vale falta de educação, principalmente de pessoas que sabem escrever, ou seja, não faltou estudo, mas faltou consciência e respeito.

O FILME DE HOJE NO BOUND RBAZIL

The Money Collector trás de volta à belíssima Nissey Miuky numa trama para agradar em cheio qualquer praticante de bondage que tem uma queda pelo gênero “Girl Next Door” ou “Damsels in Distress”.
Nossa querida princesinha oriental é a mais nova vitima do inescrupuloso Chacal que vai a sua residência para cobrar uma dívida. Com o rapto inevitável na porta de casa, Miuky é amarrada e amordaçada pelo vilão que mesmo conseguindo seu objetivo, deixa nossa heroína entregue a própria sorte numa linda posição hogtied.
Acompanha o vídeo, uma seqüência de sessenta fotos dessa bela carioca com carinha de Japa.
No mais, um ótimo final de semana a todos, inclusive aos que perdem tempo com ofensas vazias, porque se eu tivesse medo de bicho papão não colocava minha cara na vidraça...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

BDSM x Stress


Está na TV.
Ontem assistindo a um programa sobre práticas BDSM no GNT uma declaração de um médico psicanalista me fez escrever essa matéria de hoje.
Segundo suas palavras, uma das razões que leva uma pessoa a gostar de sofrer castigos e se excitar com eles é o stress diário, contraído no trabalho. Ainda seguindo seu raciocínio, estas pessoas ao receberem essas punições e obterem prazer, estão na verdade experimentando um sentimento de liberdade, por se verem livres do stress diário através de sessões consensuais de sadomasoquismo, principalmente.
O programa aborda também a participação das dominadoras e dominadores nessa “terapia” e explica o porquê de altos executivos chamados de “workaholic” se submeterem a práticas escondidas em estúdios dotados de luxo e conforto.
Outros aspectos que levam as pessoas a se assumir como masoquistas também são abordados, porém essa co-relação entre stress e BDSM é novidade pra mim.
No fundo faz sentido, se for observada a questão do prazer, mas se toda pessoa que pretenda se curar de horas de trabalho estressante tiver que se submeter a açoites impiedosos, prefiro trabalhar como um louco e me estressar pelos próximos cem anos.
Claro que esse analista aborda a questão pelo aspecto submisso das pessoas que foram referidas na reportagem, e entendo que essa ótica deve ser estendida aos dominantes da mesma forma, que utilizariam os castigos sadomasoquistas que aplicam para se livrar de seus anseios e perturbações do dia a dia.
Nos dias globalizados de hoje o stress é inevitável em vários segmentos da sociedade, mas cada um precisa encontrar uma forma de ultrapassar esse problema sem necessariamente recorrer a práticas de BDSM. Mas se houver o impulso nesse sentido, não vejo nada demais em aceitar a tese desse médico.
As aulas de dominação que o programa exibiu, as entrevistas com as dominadoras profissionais onde relatam os casos e fazem questão de frisar que não se envolvem sexualmente, também chamaram a atenção.
A lamentar somente o horário que o programa vai ao ar, por razões obvias, e estar restrito a um canal a cabo. No mais, muito realismo com um roteiro bem elaborado, portanto se exibido outra vez, vale a pena ver de novo.
Muito bom.

O NOVO ENDEREÇO DO GRUPO NAÇÃO BDSM

A Domme Morrigan está uma fera!
Também pudera afinal o Yahoo está banindo todos os grupos que abordam temas BDSM, e por isso o Grupo Nação perdeu sua casa que durante tanto tempo reuniu muita gente boa que gosta e pratica BDSM nesse país.
Mas quando isso acontece e existem pessoas competentes no comando, as dificuldades são ultrapassadas e tudo volta ao normal. Se depender da Morrigan, garanto que vem muito mais forte.
Após um esforço hercúleo do seu fiel Labrador, o grupo foi remontado e agora tem novo endereço no google, que acolheu esse canal de elevada importância para a divulgação e desenvolvimento do BDSM por essas bandas. Então, anote aí o novo link onde o Grupo Nação BDSM está sendo hospedado:
http://groups.google.com.br/group/nacaobdsm
É só clicar e participar. Para quem já era membro basta voltar, quem acessar pela primeira vez, será bem-vindo!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pelos e Cabelos


Questão de moda?
Pode ser. Se compararmos algumas fotografias das famosas modelos nos anos setenta, ou antes, com as atuais, nos damos conta que de uns anos pra cá à região pubiana dessas belezas ficou cada vez menos povoada.
Questão cultural?
Também vale. Em alguns paises as mulheres por razões culturais cultivam pelos em seu púbis ou mesmo nas axilas, e parecem agradar tanto a seus parceiros que eles estranhariam deparar com vaginas depiladas.
E os homens?
Alguns caras nem reparam para esse detalhe, mas muitas mulheres adoram homens que aparam seus pentelhos e não cultivam uma floresta em volta do pênis. Outras, porém, fazem questão daqueles que nunca viram uma tesoura.
Além disso, pelos pubianos ou cabelos nas axilas são fetiches para quem gosta ou mesmo para quem quer utilizar como castigo na hora de depilar.
Conheço uma dominadora muito linda, encantadora, que tem ojeriza por homens peludos e um desejo incontrolável de arrancar seus pelos com os dentes. Incrível, mas para essa Deusa Dourada, cera quente é um mero detalhe e se o sujeito pensa em se aproximar sem querer sofrer tanto, deve pelo menos diminuir seu matagal ou ter delírios masoquistas extremos.
Subindo o elevador, vamos ao andar de cima para falar dos cabelos.
Aqui entra um milhão de opções e com absoluta certeza posso garantir que até as pessoas chamadas de baunilhas, por não pertencerem a nenhum segmento fetichista, são possuidoras de taras por cabelos longos ou curtos, com rabos de cavalos, coque, ou mesmo as mulheres, que preferem os marmanjos de cabelo cortado ou grande.
Qualquer desejo intenso por determinado objeto corpóreo ou não, é um fetiche. Porque enfeitiça, como é a origem do significado da palavra.

Durante muito tempo tive uma queda por mulheres de cabelos curtos, mas com o passar dos anos a moda desapareceu quase que pra sempre e fiquei a ver navios. Hoje, a onda é ter longos cabelos lisos, naturais ou através dos milagres que os salões de beleza produzem.
Para uma pessoa que passou por algumas gerações e presenciou essas mudanças de comportamento na questão capilar, íntima ou visual das meninas, fica fácil traçar um parâmetro e analisar friamente a forma mais atrativa. Porém, aqueles que não tiveram essa oportunidade com certeza ainda vão ter, pois a moda se renova e os conceitos também, na medida em que os hábitos mudam ou renascem com o tempo.
Somente o fetiche permanece intacto, porque sempre haverá gosto por púbis depilado ou cabeludo de acordo com o desejo de cada um.

ONDE OS FORTES SOBREVIVEM

Semana passada publiquei uma matéria aqui com o titulo: “Um por todos e todos por um”.
Nela, falei sobre os amigos que junto comigo ajudam a divulgar bondage pela internet ao longo dos anos.
Hoje, um desses amigos tem que mostrar que sua força deve sobrepor os limites e ir além, porque nunca é fácil quando se conhece o inimigo a ser vencido.
Uma justa e merecida matéria sobre a luta sem tréguas de nosso espadachim VH Carioca em seu maior desafio, você pode ler no blog SINTESE: http://sintese-acm.blogspot.com/2009/09/onde-os-fortes-sobrevivem.html