Tudo sobre fetiches. O site Bound Brazil. Vídeos, Filmes, Crônicas, Fotos e Humor. Atualizado semanalmente. Comentem, participem.
terça-feira, 7 de junho de 2011
A Porta dos Fundos
Nos tempos idos a onda era comer a empregada do vizinho. Em caso de flagra, a porta dos fundos era a saída mais próxima. Que me perdoem as domésticas, das quais tenho muito apreço e respeito, ainda mais pela minha secretária de todas as horas, afinal, cuidar de homem que mora sozinho é ter vida dura.
Mas a porta dos fundos não é o caminho mais curto apenas pra escapar de possíveis flagrantes. O perigo pré-estabelecido nas praticas fetichistas sugere a porta dos fundos como uma possível entrada sorrateira de um (ou uma) raptor (ou raptora) a procura da vitima que consciente lhe espera.
Quem se dispor a fuçar dentre as setecentas e tantas matérias aqui do blog saberá que tenho como princípio admitir que uma fantasia pra ser bem concebida precisa de total dedicação.
E o que é isto? Os personagens da trama, no caso os praticantes, devem estar cientes de que a aventura só tem graça se o teatro de sonhos estiver montado. Ora, se eu sou o algoz e ela é a vítima precisa haver a química, a entrega de ambos pra que tudo saia de forma perfeita.
Um sorriso, uma possível volta à realidade, uma frase mal colocada, qualquer ato deste tipo é o prenuncio de uma grande cagada. Neste caso, o ponteiro baixa de cem a zero num mísero segundo...
E se isso acontecer brother, a porta dos fundos poderá ser também a serventia da casa.
Por isso a necessidade extrema de tudo ser acertado antes. Como num filme fetichista em que cada ator ou atriz sabe exatamente o que vai fazer pra que tudo saia correto.
Não dizem que a vida imita a arte? Pois então, a regra aqui se aplica na totalidade.
Claro que contado causos há passagens hilárias.
Um amigo a pedido da parceira se vestiu de Batman, o homem morcego, para simular um ataque consentido que terminasse numa noite perfeita. O sujeito foi atrás, alugou a fantasia e correu o sério risco de ser flagrado pela câmera de segurança do prédio onde ela morava. Tudo ensaiado, combinado, enfim, a moça de camisola assistindo televisão e o intrépido super-herói mascarado entrando pela porta de serviço.
Ela não o tinha visto antes com o traje, o que foi o problema. Porque ao ver o parceiro vestido de Batman a mulher soltou uma gargalhada infinita que pôs tudo a perder. Foi-se a noite, e, por fim, o relacionamento.
Imagine a cara de tacho do cidadão vestido de Batman ante um sorriso descontrolado da parceira? É de doer.
Há casos, porém, em que o acaso conspira contra. Uma amiga me disse que combinou uma cena com o parceiro de estupro consentido. Até aí tudo certo. Roupa rasgada, a mulher atirada na cama, tudo indo de vento em poupa até o momento que já com o drops encapado ela percebeu que a camisinha tinha furado. Aqui a falta de sorte foi à questão.
Exemplos existem aos montes e cada um pode contar uma dessas historias em que nada dá certo. Os finais nem sempre têm o mesmo sentido. Podem terminar em lamentações entre ambos e a conseqüente promessa de tentar outra vez ou até mesmo num rompimento definitivo, quando uma das partes percebe ironia e descaso de quem deveria estar também inserido num mesmo contexto.
Uma exposição ao ridículo pode fazer do fetichista uma pessoa grosseira ou arrasada. Grosseiro se ele apontar a porta dos fundos como o caminho para que a parceira se retire, e arrasado se ele tomar esse rumo cercado por um sentimento de vergonha absoluta.
A solução pra isso é bem simples: problemas e neuras devem ficar do lado de fora.
Feito isso, a possibilidade de tudo dar certo aumenta consideravelmente e o fetichista poderá, enfim, usar a porta da frente, pra entrar e sair com o mesmo pensamento e satisfação.
Porque se alguma coisa não sair como foi combinado, basta uma conversa pra que tudo se ajeite e noutro dia se pratique mais uma vez.
Lembrando sempre que a fantasia só se torna um fetiche quando praticada várias de vezes, e, por essa razão, passe a ser essencial para que o prazer seja alcançado na totalidade.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Protagonistas
Nunca lidei muito bem com esse negócio de me ver representando um personagem.
Até certo ponto é aceitável, principalmente em determinadas situações relevantes, nas fetichistas, por exemplo, quando a idéia de participar de um jogo de adultos define bem a questão dos personagens e seus papéis.
Seria mais ou menos como ser protagonista de uma historinha criada a partir de uma fantasia que jamais deixou de ser o principal objetivo. Ora, se eu gosto, se me atrai, se me seduz, então por que não ser eu mesmo?
Na verdade todas as pessoas com tendências a exercer o direito legitimo de realizar uma fantasia sexual tem por obrigação encarnar seus próprios personagens. E pra ter certeza disso basta fotografar ou filmar. Tudo fica registrado e num belo dia pode ser revisitado de forma simples. Lembrar, reviver é sempre bom.
Fetichista adora criar estórias e viver seus contos.
Uma fantasia sexual bem feita deveria ser como uma redação, ter começo, meio e fim. Claro que nesses anos de escolhas vivi contos pela metade quando deveriam ser na íntegra e vice-versa. Nem sempre o vento sopra a nosso favor, é verdade, mas se existe a possibilidade de uma aventura ter um começo o melhor é imaginá-la por completo, sem cortes e sem censura.
Eu me rendo a pessoas com essa incrível capacidade de tirar as coisas do papel, da cabeça, e transformá-las em atitudes. Não pensem que é fácil, porque a realidade é cruel o bastante pra nos fazer entender que uma fantasia tem que ter o aceite de alguém que estará inserido diretamente no mesmo contexto, e esta pessoa nem sempre comunga do mesmo sonho.
Mas é uma aposta, aliás, a vida é feita de boas apostas, mesmo pra aqueles que como eu não freqüentam mesas de jogos. E um dia eu fiz uma dessas apostas...
Não apostei numa fantasia ou num relacionamento, mas joguei minhas fichas na tendência fetichista de alguém. E num desses acasos da vida, uma menina que foi minha funcionária há mais de dez anos me fez entender que uma manifestação fetichista é capaz de brotar em alguém que sequer ouviu falar no assunto.
A Dani era minha secretária. Nunca cogitei me envolver com uma funcionária. Não acho legal porque cria uma mistura num lugar errado. As Sextas ela se animava e confidenciava a todos seus planos para o final de semana e as Segundas-Feiras regressava direto dos encontros e costumava trazer umas mochilas.
Um dia questionei em tom de brincadeira o que ela trazia naquela mochila. Ela me respondeu que ali dentro havia apenas roupas usadas no fim de semana. Neste dia ela abriu seu baú e me mostrou algumas peças íntimas e dentre elas havia uma lingerie preta, um chicote e uma máscara (na época isto era utilizado pela Tiazinha). No arsenal fetichista algumas velas aromáticas faziam parte do elenco e não foi difícil arrancar uma confissão de suas fantasias.
Ela sabia da minha ligação com coisas fetichistas –nunca escondi – o que motivou a conversa.
Ela arquitetava tudo com um requinte intocável. Suas fantasias com o namorado que gostava de ser dominado tinham um enredo invejável. Ela gostava de assumir o controle durante o ato o que facilitou a realização da fantasia do sujeito.
Confesso que cheguei a invejar a Dani e suas fantasias, muito embora minha veia fetichista fosse totalmente contrária ao que ela produzia nos finais de semana. Mas a maneira como construía o cenário e a energia que empregava em benefício da aventura eram perfeitas.
A Dani ficou seis meses trabalhando comigo e perdemos o contato assim que ela saiu.
Ficou a sagacidade de uma menina jovem que escutou atenta a algumas dicas que lhe passei em nossos papos informais de fim de tarde e a sua dedicação em realizar os desejos de seu namorado, e por que não dizer dela, de forma correta onde não havia coadjuvantes.
Resumo da ópera: pra protagonizar uma fantasia e vivê-la em toda a sua essência, basta seguir à risca tudo que foi planejado e caprichar nos detalhes.
Normalmente os fetichistas não vivem sem seus detalhes.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Estranhos Desejos

O LW mandou essa numa roda de amigos e amigas: “toda mulher gostaria de ser puta por um dia”. E não pensem vocês que era uma reunião fetichista onde todo mundo está acostumado a ouvir e discutir desejos estranhos. Em meio aquelas doze pessoas o único pervertido era eu.
De repente uma das moças entra na conversa e concorda. Claro que o tem era de brincadeira, afinal ela falava às gargalhadas, mas quem sabe, bem no fundo o discurso carregava verdades?
A certa altura cheguei a supor que o LW tinha razão, tamanha era a empolgação das meninas quanto ao assunto.
As mulheres viajaram entre botas de couro, mini-saia, blusa decotada e chegaram ao ponto de imaginar como seria ficar parada na rua levando cantada de todo mundo, até que seu parceiro chegasse para colocá-la no carro e juntos partissem para a noite perfeita.
Pensei: espera aí, esse negócio é fantasia, e se é fantasia essa gente está falando de fetiches.
Foi quando virei para uma delas e perguntei: você teria mesmo coragem?
Depois de um silêncio coletivo, todos os olhares apontaram para a direção da mulher em pleno exercício público de excitação, quando arrancava espanto e desejo de todos. Ela pensou, me olhou (a gente se conhecia muito pouco) e disse: “tai, acho que eu faria sim, mas não sairia com qualquer um não, tinha que ser uma fantasia entre eu e meu parceiro.”
Com raras exceções, normalmente o fetiche é praticado entre parceiros que elaboram as fantasias, combinam detalhes e as põem em prática – comentei meio arrependido, porque talvez não fosse esse o foco das conversas.
Mas não adiantou muito, porque todo mundo começou a dar palpite e cada um tinha uma história pra contar.
Foi de arrepiar. Nem pareciam as mesmas pessoas comportadas que falavam de moda, de música, de bares e lugares. Aquele povo mandou ver, soltou a voz e acabei escutando tanta fantasia que jamais imaginei surgir de cabeças de pessoas sem nenhum acento fetichista.
Pois essa diferença é fundamental. Quando um desejo de realizar uma fantasia se torna imprescindível, factível de repetições intensas, automaticamente vira um fetiche.
Nem sempre a coisa fica tão séria. Algumas pessoas vez por outra têm desejos diferentes, escutam falar de algumas fantasias sexuais e ficam com vontade de praticar. Uns até chegam a criar coragem e partem para realizá-las, outras, porém, desistem no meio do caminho já que não existe a comichão fetichista atentando.
Não é raro saber de mulheres adeptas a jogos sexuais com problemas no casamento.
Alguns caras não gostam de inserir fantasias em suas relações conjugais e, nesse caso, até simples lingeries incomodam, perturbam, assim elas acabam desistindo.
Nas minhas andanças, topei com mulheres casadas loucas por praticar dupla penetração e outras fantasias. Mas como é um assunto delicado, que envolve a participação direta de terceiros, tudo não passou de espasmos que adormeceram num mundo imaginário. Algumas confessaram que durante o ato chegaram a imaginar tais fantasias e alcançaram orgasmos incríveis em silêncio, sem jamais revelar em que estavam pensando.
Então, algumas frases feitas que sugerem fetiches, como as mulheres vestidas de prostitutas numa rua pouco iluminada ou como a velha retórica de que toda mulher fica linda nua e de salto alto, fazem parte do cotidiano e algumas vezes chegam a ser modelo para práticas dentro do casamento. Entretanto, para a grande maioria cai no esquecimento.Me fez lembrar um amigo submisso e podólatra louco para confessar seus desejos à esposa. Como dizer a ela depois de anos casados que adoraria estar sendo pisoteado numa intensa cena de trampling?
Sempre existe uma chance...
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
O Melhor Cativeiro

Lá pelo décimo encontro o cara resolveu abrir o jogo.
- Olha, tem esses brinquedinhos aqui e eu queria usar contigo.
- Mas o que é isso?
O cara abriu a caixa de ferramentas cheia de cordas, chicotes, mordaças de vários modelos, enfim, o circo estava armado e ele decidido a dar o bote.
- É minha tara meu amor. Sou fetichista e adoro essas brincadeiras.
A mulher, ainda que relutante, topou na boa. O cara a levou direto para o banheiro e escolheu que ali seria o melhor cativeiro para sua prática. Ela estranhou, aliás, estranhava tudo, mas foi sendo conduzida e até por curiosidade foi consentindo.
Ele fez o dever de casa como manda o figurino. Com chance zero de escapar, a mulher se deu conta de que estava toda amarrada peladona dentro de uma banheira. Antes que ele colocasse a mordaça resolveu ponderar.
- Me explica melhor. Pra que essas cordas tão apertadas?
- Tem que parecer real.
- Ok, mas por que aqui dentro da banheira? Não seria melhor na cama?
Ela tinha razão, afinal, sexo costuma ser praticado numa cama macia, ainda mais de motel, com toda a estrutura possível. Mas ele insistiu e tinha argumentos.
- A brincadeira é assim: você está presa e deverá permanecer dessa forma como se fosse um seqüestro. Daí eu como um bom seqüestrador, me apaixono por você e te liberto, mas sempre depois de muita insistência, sabe como é, aqueles pedidinhos especiais...
- Sim, mas por quanto tempo?
- Pô, sei lá! Talvez uma hora, hora e meia...
- Você está louco? E se me der vontade de ir ao banheiro?
- Mas você já está no banheiro.
- Você sabe, xixi, essas coisas.
- Pra isso te coloquei na banheira. Tens toda a liberdade do mundo de fazer o que necessitar aí mesmo.
- Porra me tira daqui Zeca! Desamarra essa merda porque estou vendo que vai acabar mal.
- Vai nada, você vai gostar do resultado.
- O cacete! Você vai me levar pra cama toda mijada? Pára com esse negócio.
O tempo fechou, mas nosso ilustre fetichista estava mesmo decidido a tirar a prova dos nove. Houve consenso, é claro, mas até certo ponto. O ideal a fazer era contar a história toda, sem surpresas e deixar que ela aceitasse do começo ao fim.
Mas o pior ainda estava por chegar. Foi quando ele tirou da bolsa onde estava seus brinquedos uma máquina fotográfica digital.
- Você vai tirar foto disso? Você é um demente Zeca. Vira essa merda pra lá!
- Vou esconder seu rosto. Só vale suas costas e sua bunda meu amor. Lá na comunidade todo mundo posta assim e faz o maior sucesso.
- Você vai colocar na Internet? Minha bunda na Internet? Alguém me ajude...
O grito foi abafado pela mordaça e o Zeca tirou as fotos. Mas a fantasia durou exatos dez minutos, porque depois disso ela começou a chorar e já engasgava com os soluços. O cara ficou com medo e a libertou.
A noite foi uma completa cagada.Apagou todas as fotos na frente dela, mostrou que os arquivos tinham sido cancelados, mas mesmo assim ela quis ir embora e o Zeca ficou só na vontade.
Boa pinta, hoje percorre os classificados atrás de uma nova aventura. Espero que faça a coisa certa, que leia, que ouça conselhos e, principalmente, aprenda como se faz.
Fantasias sexuais são uma delícia, quando ambos estão de pleno acordo.
Fica a lição.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Castidade Preservada
Passaram-se os séculos e o cinto de castidade ainda coexiste em algumas práticas de sadomasoquismo. Masculinos ou femininos, o castigo é a palavra chave, em quem recebe ou para quem impõe.Dizem de sacanagem que o abridor de latas foi inventado após o advento do cinto de castidade, que no passado tinha um significado totalmente diferente de hoje em dia.
Antes, nada era consensual, o guerreiro viajava e preservava a castidade de sua amada através de um instrumento trancado a sete chaves.
Nos dias de hoje, praticantes de BDSM utilizam-se dessas engenhocas para punir com claros intuitos fetichistas. Verdadeiras obras ornamentadas são vendidas pela internet em lojas especializadas e, também, é possível encontrar auxílio para criar essas peças.
Mas se no passado representava um martírio sem fim a utilização desses cintos, hoje em dia funciona como um objeto de prazer para pessoas que tem fetiches dominantes e submissos.
Explique-se: em algumas relações desse tipo é comum a elaboração e o cumprimento de tarefas indicadas pelo fetichista dominante. Por isso, a pessoa submissa é obrigada a utilizar o cinto por dias, por horas, dependendo do grau que atingem durante essas práticas.
Alguns cuidados devem ser observados por quem deseja utilizar cintos de castidade em práticas fetichistas: a higiene e o ponto de saturação. O primeiro aspecto dá conta de esterilização do instrumento antes e depois de ser utilizado, evitando bactérias ou doenças sexualmente transmissíveis quando não existe monogamia entre os praticantes.
A saturação deve ser preservada e ninguém deve suportar o uso do aparelho quando existam desconforto e dores intensas. Lembre-se que Gangrena é uma necrose isquêmica que pode aparecer devido ao uso indiscriminado destes cintos.
Conheço submissos que atingem um nível de satisfação intenso quando o pênis é colocado num desses suportes e trancafiado. Nas submissas o tesão está no impedimento do coito já que o cinto cobre o orifício anal e o vaginal.
Essa tendência de utilizar objetos medievais em praticas de BDSM não modifica com o passar dos anos, por essa razão certos instrumentos da época em que se torturava amparado na legalidade tem tamanha representação.
A atração, o feitiço, daí a origem da palavra “fetiche”, funcionam como um imã ligando o passado e o presente de forma direta. Assim explicam-se as velas, as camas de pau, as cangas, correntes e outros instrumentos.
Enfeitiçados por cintos de castidade e loucos por práticas em ambientes que lembrem antigas masmorras de palácios, fetichistas apostam suas fichas nessa química entre prazer, luxuria e equipamentos para garantir cenas que esbanjam criatividade.A grande vantagem dessa união entre épocas é a garantira de que tudo acaba numa palavra de segurança (safe word) ou quando os sorrisos remetem ao presente, denunciando que tudo não passou de uma simples brincadeira entre adultos.
Assim se vive uma fantasia, um jogo entre pessoas que estejam dispostas e combinadas a participar de alguma coisa em prol de aumentar o prazer e não sucumbir à rotina do sexo sem tempero.
Portanto, tudo é importante para quem tem prazer em realizar.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
The Fantasy Maker
Éramos um grupo de pessoas que se juntou num antigo site chamado Mandic e que uma vez por mês se reunia no Bar América, na Alameda Santos em São Paulo.
Tínhamos desejos e visões de BDSM distintas como todo grupo fetichista e uma integração enorme onde idéias e sonhos se misturavam num debate infinito, criando milhares de fantasias em nossas cabeças.
Pensava-se em festas e plays, todas as formas de cada um mostrar o que tanto se teclava durante os papos com hora marcada e senha de acesso, porque a bem da verdade todo mundo queria ver as bravatas contadas com o orgulho de saber fazer.
Só que o que era inevitável aconteceu e algumas pessoas começaram a formar par levando o fetiche pra dentro de quatro paredes. Nasceram paixões ardentes, momentâneas e duradouras, enfim, tudo se tornou real a partir de um mundo imaginário.
Nem todos tinham os mesmos sentimentos ou possibilidades, e foi então que o Carrasco começou a criar relatos de fantasias sexuais realizadas teoricamente por ele que logo chamaram a atenção de algumas das garotas. Mas na verdade era um grande delírio, porque o Carrasco era casado e aquelas histórias tórridas eram buriladas demais, parecendo saídas de sua imaginação.
Porém tudo tem seu preço e hora pra acontecer.
Certa vez, trabalhando aqui no Rio, recebi um telefonema do cara através de uma chamada local, tinha acabado de chegar à cidade, disse que estava a trabalho e me falou sobre a possibilidade de um encontro mais tarde. Topei.
Fomos a um bar na Praia do Flamengo e o Carrasco começou com umas histórias cabeludas que custei a acreditar. Me contou de um encontro que teria por aqui, se confessou iniciante no BDSM e revelou que seus contos eróticos nunca tinham se materializado, eram copiados de publicações que achava pela Internet ou em revistas masculinas e necessitava desesperadamente de minha ajuda para bolar um cena fetichista com alguém especial. Minha suspeita acabara de se confirmar.
Depois de tanto insistir para saber de quem do nosso grupo se tratava, Carrasco me surpreendeu com uma amiga que assim como ele era casada com um bem sucedido diretor de um banco. Tinha que cumprir com o combinado, estava na cidade com todas as despesas pagas por nossa amiga em comum e como um bom “amante profissional” iria receber por seus préstimos.
Me senti cúmplice daquilo tudo, não só do Carrasco como dela também, mas mesmo assim tracei o roteiro, dei as dicas de alguns truques e ele foi embora ensaiado sabendo exatamente o que iria fazer para realizar a fantasia daquela mulher.
Ele fez várias viagens ao Rio durante os meses em que manteve essa relação e muitas das sessões eram elaboradas por mim e lhe enviava por email. Acredito que tudo tenha funcionado a contento pelo tempo que estiveram juntos.Na verdade, Carrasco nunca quis realizar as suas fantasias, se manteve firme no propósito de ser um “fantasy maker” profissional. Vim descobrir um ano depois que ele estava desempregado e sustentou sua vida por um bom tempo às custas dessas visitas ao Rio e outras que se soube mais tarde. Algumas dessas histórias se tornaram lenda e ninguém ficou sabendo que eu fui o roteirista daqueles encontros escondidos.
Nunca me arrependi de ter participado do caso, mesmo de forma indireta e, também, jamais entrei em detalhes ou tentei emitir opinião sobre o assunto.
Prefiro relembrar aqueles anos como uma época maravilhosa cercada de gente interessante e como parte de meu aprendizado fetichista.
Assim como o Carrasco muita gente prefere esse caminho dentro do BDSM e se sente bem realizando a fantasia alheia, algumas vezes com o intuito financeiro ou atendendo a uma questão pessoal.
Tudo isso é parte de um mundo com virtudes e desvios como outro qualquer e a questão de aceitar ou não fica a critério de cada um.
Embora nada tenha contra, jamais faria, mas em momento algum viraria às costas a quem se dedica a essa prática.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Perigo Iminente

Dizem por aí que quando um casal transa na escada de um prédio e existe o perigo de aparecer alguém para dar o flagra, as sensações triplicam e o tesão fica mais intenso mostrando que o medo é capaz de modificar as emoções.
E quem já experimentou tais sensações deve concordar com essa tese, pelo menos dentre as pessoas que eu conheço e já passaram por isso a aceitação é geral.
Nesse conjunto o fetiche é outro caminho que pode despertar essas emoções, principalmente se alguém tem os movimentos restritos e a impossibilidade de reagir aos estímulos de quem comanda a festa.
Entretanto, ressalte-se que assim como a transa na escada é uma decisão tomada a dois, com o fetiche esse principio consensual é mais necessário ainda, mesmo que alguns pequenos detalhes fiquem de fora. E que detalhes seriam esses? Vários, porque o ideal é que a pessoa que participe de qualquer prática fetichista tenha sempre uma sombra de dúvida sobre o que poderá ocorrer, justamente para que aquela pontinha de curiosidade se transforme no medo necessário para dobrar a excitação.
O escuro, o que está na porta ao lado, sempre aguçam os sentidos e quando inserido dentro de um contexto sexual fica evidente que as reações das pessoas se modificam e por isso, quando existem desejo e vontade de realizar uma fantasia ela tem que ser bem elaborada, e quem participa deve entrar de cabeça e viver aquele momento, caso contrário à coisa não funciona.
Como aparecer vestido de policial na frente da mulher amada com um par de algemas na mão e ouvir uma sonora gargalhada? A casa cai na hora, acaba a graça do enredo e vai tudo para o ralo... As conseqüências são desastrosas e podem até colocar em risco a relação, tanto pela humilhação de se ver diante de uma cena patética como pelo pouco caso quanto ao esforço dispensado.
Quem quer viver uma fantasia deve idealizar cada detalhe, por completo, e entrar naquele mundo imaginário mesmo que seja por poucas horas ou minutos, criando uma relação com o quadro como se fossem atores ao abrir as cortinas de teatro.
Nesses anos de experiências com fetiches, em palestras, workshops ou aqui mesmo através dos emails recebidos e no contato com leitores, já li e ouvi coisas de arrepiar os cabelos, desde descaso com o que é preparado até comentários escabrosos antes, durante ou depois da fantasia realizada.
Mas no meio desse contexto existem os casos perfeitos, aqueles que são planejados e executados com êxito, com a conivência de ambos e efeitos maravilhosos de quem ousou viver uma dessas aventuras, explorando os limites entre o consciente e o imaginário, fazendo do mundo real o palco para uma deliciosa brincadeira de adultos.
Pseudos bombeiros, policiais, taxistas, vagabundos, militares, (até mendigos já ouvi falar), todos esses personagens que os homens costumam incorporar contracenam com prostitutas, enfermeiras, aeromoças e tantas outras fantasias que as mulheres adoram interpretar, isso é fetiche e não existe outra conotação.
As fantasias que começam no carro, como um conhecido que alugou um táxi para seqüestrar a mulher vestida de prostituta parada numa esquina deserta e levá-la amarrada para um motel, são as mais excitantes, porém as mais simples, realizadas em casa, também provocam um efeito muito bom para quem as pratica.
O sexo povoado de fantasias e jogos eróticos tem sempre um “q” a mais e diversos blogs apresentam uma boa literatura com esse tema, sem necessariamente falar de fetiches, como o “Íntimo e Pessoal” do Ricardo e da Nathalia com link aqui ao lado.
Só não fique na vontade, vá em frente sem medo de ser feliz...
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Devotees

Existem sites contendo fotos e vídeos de mulheres com deficiência, como se fossem uma espécie de Playboy virtual, especificamente destinada a esses homens e seus desejos, como o http://www.amphouse.com/.
Porém, esses casos não são manifestações isoladas, sem interesse. Esse universo paralelo, regido por leis desconhecidas, é parte de um evento muito mais sofisticado do que se imagina.
Existem os devotees que são pessoas (homens ou mulheres, hetero ou homossexuais) que se sentem sexualmente atraídas por pessoas com deficiência. Há também os pretenders que são pessoas que, além de serem devotees, sentem-se sexualmente estimuladas quando fingem ser deficientes, utilizando, em público ou privadamente, equipamentos como cadeira de rodas, muletas, bengalas, aparelhos ortopédicos como fantasia sexual (fetiche). Além disso, existem os wannabes, que são devotees que desejam tornarem-se, de fato, deficientes.
Embora tenha ganhado visibilidade a partir do advento da Internet, a literatura médica relata casos de devotees desde 1800 e casos de wannabes são documentados a partir de 1882, "sem que, no entanto, suas causas tenham sido devidamente esclarecidas".
Em outros países como, por exemplo, Estados Unidos e Inglaterra, esse assunto tem sido objeto de estudo e discussão, não apenas entre os profissionais da área médica, mas também entre as pessoas com deficiência e suas organizações representativas.
Não existem estudos sobre o devoteísmo no Brasil.
Algumas pessoas com deficiência que (em virtude das limitações físicas e sociais impostas pela própria deficiência) não tiveram muitas oportunidades de ter experiências sexuais e/ou afetivas, ao tomarem conhecimento da existência dos devotees, imaginam que estes podem ser a resposta às suas preces. Outras, por outro lado, crêem que envolver-se com devotees significa necessariamente expor-se ao abuso.
O objetivo desta matéria - mais do que difundir a informação - é suscitar a discussão, que pode colaborar para o estabelecimento de contatos positivos entre as partes. Creio que é possível amenizar a angústia do isolamento e o medo do desconhecido através da nomeação deste lugar ainda oculto pelas sombras da ignorância.
Portanto, conhecer os sentimentos, tanto dos devotees quanto das pessoas com deficiência, a partir de uma discussão desarmada sobre o assunto, é a melhor (e talvez a única) estratégia de que dispomos para compreender o devoteísmo e o que ele representa, ou pode representar, tanto para os devotees quanto para as pessoas objeto de seu desejo.
Dessa forma, cada vez mais pessoas deficientes podem desfrutar de certas emoções que dantes pareciam relegadas às pessoas que não possuem deficiência alguma.
Fonte de informação da matéria: Lia Crespo
Sites de pesquisa: http://www.amputee-devotee.com/, http://www.ampworld.de/



