sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Choque de Realidade


Dia desses alguém me mandou uma mensagem numa rede social falando sobre o que é lenda e o que é real entre praticantes de BDSM. Mas depois de tanto tempo escrevendo sobre isso e vivendo as voltas com o fetichismo confesso que passo a bola.
Porque muito do que se fala é tão surreal que acreditar custa.
Extravagâncias e hábitos pouco comuns é literatura farta em páginas que abordam o assunto. Daí cabe a quem ler acreditar. Eu passo em algumas rodadas e aceito outras.
Porque quando a gente se depara com alguma coisa fantástica demais é evidente que a comparação com a realidade se torna inevitável. Dito isso, é hora de fazer uma reflexão e imaginar algumas cenas que pra certas pessoas são corriqueiras e pra outras inverossímeis.
É quase unanimidade que a prática do exibicionismo desperta ousadia. Tá legal. Há excessos, todos concordam, mas nem tudo que se relata por aí é falácia. Um casal bem encaixado, ela a parte dominante e ele totalmente submisso levavam suas práticas pra além das paredes de casa. Garantem que se exibiam num supermercado movimentado da Capital Paulista mostrando claramente a quem estivesse interessado em assistir quem manda e quem obedece.
Eu até compreendo a necessidade fetichista de quem parte em busca da realização, entretanto eu classificaria certas atitudes como agressivas perante quem não tem nada com isso e sequer foi consultado se gostaria de ver. É simples. Um casal de namorados em plena praça de alimentação de um Shopping por mais apaixonados que estejam se esfregando e beijando com intensidade será alvo de olhares. Alguns totalmente contrários e outros curiosos ou até invejosos. Porém, tamanha ousadia soa a provocação.
Agora imaginem uma mulher montando nas costas de um sujeito para alcançar a prateleira mais alta num mercado, ou transportem este mesmo casal a uma sapataria movimentada onde ela experimenta o calçado pisando no cidadão? Galera, exibicionismo funciona quando a platéia consente, admite, sabe, curte. Quando não é uma afronta.
Esse papo de escancarar perante a sociedade soa a babaquice. Se você curte suas cenas não deve ligar para o que os outros pensem, assim eu me comporto. Mas se exibir diante de quem não pediu pra assistir o espetáculo é quase uma baixaria.
O fetichismo ou o BDSM não precisam disso.
Por conta disso, quando me deparo com bravatas contadas em textos em tom desafiador procuro analisar com cautela. Muitos defensores de tais atitudes podem até questionar minha opinião, outros podem insistir que as pessoas que não têm vergonha de se expor como fetichistas optam por produzir essas cenas em público. No entanto, exposição pela opção de se assumir fetichista não significa se exibir diante de platéias alheias as práticas apresentadas. Me assumo fetichista, coloco a cara na vitrine pra bater, aqui ou em rede social, mas me reservo ao direito de resumir minhas práticas a mim mesmo ou a quem de direito que queira compartilhar.
Numa festa, evento ou qualquer outra reunião de pessoas adeptas da mesma concepção não vejo nada demais. Todos estão cientes do que pode ou não ocorrer. Fora disso é apelação.
Fetichistas com tendências a ter fantasias por risco, ou melhor, pra ser bem especifico, a sensação do perigo iminente do flagra ficam fora desse contexto. Os casais que curtem transar numa escada, dentro de banheiro de ônibus ou avião é outra história. Porque normalmente eles não querem que alguém os veja, pois o que conta é a adrenalina que derrama pela possibilidade de serem descobertos.

Garanto que essa galera jamais se exibiria em algum local público de forma gratuita.
Resumindo, nem tudo que reluz é ouro em se tratando de contos e fantasias quando o assunto é fetichismo. Muito é produto de delírios e por se espalharem rápido num ambiente minúsculo e de pouco acesso acaba virando um mantra e se propaga com facilidade. É preciso avaliar bem antes de acreditar piamente e sair por aí tentando fazer a mesma coisa.
Sites como o Public Disgrace do Kink não passam de uma grande montagem teatral.
 
Um bom final de semana a todos!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

BDSM e Fetichismo



As pessoas costumam dizer que gostam de certas práticas no BDSM, mas não se assumem fetichistas.
Mas em algum lado BDSM e fetichismo se misturam. Pode apostar.
Mesmo de forma totalmente inconsciente há a mescla básica e necessária.
Descobri isso faz tempo. Exatamente quando cheguei em Amsterdam.
Porque na terra gelada dos caras rudes e mulheres grandes sadismo e masoquismo nunca foram tão bem vindos. E acho que pela primeira vez pude entender que um masoquista não se realiza enfiando uma agulha no dedo por sua conta e risco, ele precisa do sádico e da cena.
E a cena é a fantasia, o fetiche latente e pulsante.
O BDSM sempre carrega essa dúvida.
Há praticantes que pensam em cenas mortas, sem glamour. Basta ter a dor pra ter prazer. Talvez o fetiche venha depois, através de fotos, de lembranças, de glórias. Uma marca, uma cicatriz. Mas se este praticante pudesse criar sua cena e estabelecer um elo entre o que gosta e o que reluz, ele teria a simplicidade da criação atendida na plenitude e, talvez, pudesse até mesmo melhorar sua performance.
Ora, fantasias não se definem por acaso. Deve haver um contexto, razões que sutilmente acelerem o desejo. É o momento em que se cria o enredo e se traça planos pra levar os sonhos à realidade. Isso se chama identificação com o próprio desejo.
Admito que alguns dominadores e dominadoras queiram de seus parceiros a entrega nua, completa e definitiva e através dessa devoção estabeleçam seus próprios critérios de fantasia. Entretanto, com uma pitada de simbolismo a submissão cria asas e permite a quem está inclinado a admitir a relação à obtenção de doses de adrenalina para a sua própria combustão.
No bondagismo é mais simples. Alguém é vitima de um seqüestro lúdico e a cena está posta.
Nem tanto. Os desejos afloram em sentidos diferentes por quem entende a fantasia e seu conteúdo. Sapatos, botas, pés, cordas, correntes, algemas, couro, enfim, tudo isso é o fetichismo representado por objetos e ações que vão compor um cenário.
E dessa forma a relação SM também deve ser norteada. Qual submisso não gostaria de ver sua rainha em trajes de gala? A transa perfeita sempre será perfeita, mas se puder vir adornada em detalhes que provoquem todas as sensações imaginadas haverá mais libido, tesão.
Existem fetiches comuns com práticas distintas. A moça vestida de colegial, por exemplo, será para o sádico ou o bondagista a imagem do prazer. Cada qual viverá a cena a seu modo, mas o fetichismo estampado no uniforme será o mesmo.
A simbologia é sempre bem vinda. Conheço submissa que é doida pra se entregar a um dominador vestido de militar. Fácil, simples, há casas especializadas que alugam ou vendem esses trajes. Mas elas travam com medo de serem abusivas. Por isso, morrem com água na boca sempre esperando pelo dia em que tomarão coragem de dizer o que pretendem.
Não há segredos absolutos dentro do BDSM que morram trancados. Se a onda é fantasiar, criar e reinventar sentimentos guardados, o travamento é nocivo e muitas vezes relacionamentos terminam sem que tenha havido a cumplicidade necessária pra abrir o jogo.

Talvez essa seja a principal razão para que todos os praticantes façam uma releitura de suas atividades. Valorizar cada passo conquistado dentro do BDSM é sadio. Não se deve viver uma cena por viver. Às vezes o óbvio é tão mesquinho que gera até arrependimento. O sujeito diz a ele mesmo: “putz, podia ter feito melhor”.
Todos nós carregamos nossas culpas e remorsos. Não dá pra repetir e se arrepender sempre.
É preciso ousar e criar pra que a fantasia não vire algo sem sentido ou sem imaginação. Se o fetichismo existe pra quebrar a rotina, atender 

desejos diferentes, que ele seja então totalmente inusitado como o próprio nome explica. Um feitiço.
O bom disso tudo é ouvir no final da cena alguém dizendo que foi a melhor que existiu desde que se entende como fetichista. Daí basta caprichar na próxima e ser feliz.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O Tal do Roleplay…



O grande barato do fetichismo é a possibilidade de jogar.
Claro que há regras, mas também existem os jogos sem regras. Talvez parceiros mais interligados consigam jogar sem regras, o conhecimento mútuo promove a confiança e os critérios. E um dos jogos mais comentados ultimamente atende pelo nome de roleplay.
E isso gera dúvidas, diferenças, e por que não dizer, discordâncias.
Roleplay numa fantasia sexual acontece pela troca de comando das ações e faz parte do aspecto dominação e submissão no BDSM. Sim, mas os praticantes que aceitam essas regras não seriam os chamados switchers ou SW? Dentro de um jogo de SM ou sadomasoquismo sim, porque a troca de comando significa uma aceitação às práticas que regem uma sessão de SM, a entrega, muitas vezes a dor, enfim, uma gama de interesses que nem sempre são compartidos.
Por isso, considero o roleplay muito mais próximo das praticas onde não aconteça tanto desequilíbrio na fantasia. Numa cena de bondage, por exemplo, a troca de comando se dá pelo uso da imobilização e privação de sentidos. Nesse caso, não haveria a necessidade de aquiescência quanto a desejos que não fazem parte do cardápio de quem se move a realizar as fantasias. Amarrar ou ser amarrado para buscar o prazer não significa aceitar flagelação ou qualquer outro elemento intrínseco em relações de SM, o que desqualifica o termo SW.
Também não é difícil encontrar algumas pessoas, como as que vivem o estilo de vida Gorean, fazendo uso do roleplay. Elas adotam um mundo imaginário. O jogador controla e é freqüentemente chamado de superior ou dominante, enquanto o indivíduo controlado é chamado de fundo ou submisso. Por ser considerado um jogo perigoso que mexe com o psicológico das pessoas uma palavra de segurança é aconselhável, o que jamais inviabiliza a troca, a parceria e o prazer.
Dificilmente alguém encontra um roleplay em sessões de podolatria. Salvo casos raríssimos a podolatria se dá por uma via, ou seja, do homem adorando os pés femininos. Existem mulheres podos, conheço algumas, lésbicas ou não, mas não caberiam numa cena de adoração comum aos homens que gostam. Fica explicita a diferença entre ser podo ou ser podolatra.
O que prova a existência do roleplay em ações fetichistas responde pelo nome de tesão.
Ninguém pode ser desmerecido por gostar de x, y ou z. Tanto no SM ou qualquer outra manifestação fetichista se a troca for bem recebida por quem se dispõe a praticar não há qualquer demérito. Fetichistas que costumam torcer o nariz a quem admite tais iniciativas devem rever seus conceitos urgentemente.
É sempre bom lembrar que patrulhamento da vida alheia dentro e fora do BDSM é pura falta do que fazer, e comentar depois que fulano é isso e beltrana é aquilo soa a falácias flácidas para acalentar bovinos.
Portanto, conheço muita gente boa no BDSM de ontem e hoje que curte um roleplay. Ora, se a intenção é aproximar a fantasia da realidade quando se procura o prazer fica claro que cada um deve entender a fantasia da melhor maneira, no clique, no tal gatilho, no tesão.

Tenho acompanhado atento alguns fóruns onde se discute sobre comportamento e regras dentro do BDSM. Prefiro deixar esse assunto para outro artigo, tecer um comentário mais sólido e eficiente do que penso sobre certos conceitos. Vale mencionar porque as pessoas falam em roleplay e às vezes confundem as opiniões.
E como tenho um conceito básico após vinte anos de BDSM em que acredito na fonte do desejo e interesse de cada um, a possibilidade de haver mudanças de rumos quando existe a fantasia pulsante é plenamente considerável, principalmente entre pessoas que no seu dia a dia acumulam conhecimento das mais diferentes práticas possíveis.
Daí recorro a intensas palavras de uma amiga que ainda ontem trocava papos comigo: dentro de uma masoquista convicta pode residir o dom de uma temida dominatrix... Por que não?
Quem estiver no Rio, hoje tem a Rio Fetish Night. Imperdível. Vou estar por lá.

Bom feriado e ótimo final de semana a todos!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Noções



Soa como uma espécie de mantra citar critérios quando se fala em BDSM. Porque antes de qualquer escolha há que se ter critério. O praticante pode estar diante do seu fetiche, a dois passos da fantasia mais desejada, mas sem critério nem mesmo uma criança escolhe um picolé.  
A cultura BDSM é um campo de atração, pra quem chega e pra quem está também. Às vezes o fato de haver compartilhamento de idéias e fantasias é um estimulo. Evidente que esse compartilhamento deve ser sempre baseado em critérios. Porque gente de cabeça oca e mente em desalinho tem em qualquer lado, quanto mais num ambiente aonde se tem a impressão de que tudo é permissivo?
Mas reparem: se tem a impressão. Porque se houver o mínimo de bom senso o interessado precisa analisar até onde é permitido ou não chegar. A noção exata dos nossos limites várias vezes precisa ser testada, até por nós mesmos, mas seria insano e inconseqüente admitir que um simples convite para a pior das perversidades caberia na sua algibeira.
Cada qual que se aproxima do centro onde tudo ferve tem suas convicções. Chega admitindo e rejeitando. É fato, as pessoas trazem com elas de berço ou de apegos suas preferências, ou nem aqui estariam. Porém, existem desvios que muitas vezes passam a ser interessantes e que fazem o fetichista mudar de rumo. E ele pode mudar, sempre pode, desde que os critérios não se modifiquem.
E qual a razão de estar dissertando sobre isso?
Simples. Essa semana a mídia noticiou o envolvimento de praticantes de BDSM com uma menina menor de idade. Sabe-se lá o motivo que esta gente alega pra cometer um ato desse nível tão combatido dentro do meio. Mas como eu sempre insisto na tese de que a vida dentro do BDSM é um reflexo do que se traz de casa, essas pessoas provaram que não tem o menor critério ou noção. Porque toda prática deve obrigatoriamente ser precedida de consenso e uma pessoa fora da faixa adulta legalmente não tem.
Sim, alguém poderá dizer que esse tipo de conduta ocorre em qualquer camada social, em qualquer nicho ou comunidade. Concordo, porém, aqui, num meio aonde existe patrulhamento dos próprios condôminos quanto a esse tipo de atitude mundana o exercício da boa conduta deveria prevalecer dentro dos critérios destes praticantes.
Isso abala algum alicerce da cultura BDSM? Socialmente é um desastre. Porque nos jornais televisivos onde impera o sensacionalismo e o mundo cão as manchetes jogaram tudo pra dentro do mesmo ralo.
As práticas de BDSM receberam condenação social faz tempo e nem cabe recurso. E atos desta natureza somente colaboram para o linchamento que todos sentiram na pele. Porque ninguém prevê o desvio com a devida antecedência para que seja sugerido o banimento. Ele é sorrateiro, cretino, e vive camuflado numa masmorra qualquer. O exibicionismo pulsante o faz vir à tona e este tipo de pessoa se expõe baseado num anonimato que muito se vê por aqui. Mas todo anonimato é burro e percebível quando se faz uma grande cagada.
Claro que como tudo que se varre pra debaixo do tapete por essas bandas essa historia vai desaparecer e ficar esquecida numa pagina de internet ou nos arquivos da Record.

Mas sempre haverá uma mancha, e ainda que ela não seja lembrada dos portões pra fora, aqui dentro será assunto num fim de noite de um evento fetichista qualquer.
No exterior algumas praticas de sadomasoquismo são garantidas por contrato.
Por aqui isso foi ventilado no comecinho dos anos noventa e pouquíssima gente ainda faz uso desse instrumento. Há flagelos visíveis em algumas fotos postadas em sites, blogs ou redes sociais, que amanha poderá ser parte de um problema para quem se envolveu com isso.
Portanto, é hora de fazer uma releitura de tudo que envolve BDSM, seus praticantes e suas 

regras. Há muita migração de novos inquilinos para viver nesse condomínio. E isso faz com que o deslumbramento seja o grande inimigo da consciência.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Criando Cenas


A imaginação liga o fetichista diretamente à sua cena.
Não fosse assim os fetiches não seriam fantasias que se tornam necessárias.
Desse modo, algumas imagens colhidas no dia a dia se transformam no nirvana dessa gente que pira em seus delírios. O bondagista convicto que observa a moça parada para atravessar a rua com os braços pra trás ou no trabalho mordendo uma caneta, o submisso que baba ao ver uma mulher de porte dando ordens ao cachorro na rua e os podos e podólatras (sim há diferenças!) que acendem o fascínio quando deparam com as mulheres e seus pés.
Porém, nem todo dia é o dia da graça e as pessoas ao depararem com alguém que lhes chama a atenção bolam cenas indescritíveis que se resume num pensamento impregnado de lirismo.
Sim, o fetiche é um lirismo, quer alguns queiram ou não.
Perguntem a qualquer podólatra se ele ao vislumbrar um rosto que lhe salta os olhos não encaminha o olhar para os pés? Dá à lógica, ele desce em linha reta. Mas de repente a moça calça um sapato fechado e ele fica distante do objeto de desejo. Nesse momento cria a cena no imaginário. Lá ele identifica seus prazeres. O contorno dos pés se molda ao rosto que ele percebeu, assim como seu gosto pessoal define como ele desejaria que cada detalhe lhe coubesse como uma fórmula perfeita.
Entretanto, esse indivíduo literalmente consciente de seus limites irá guardar sua cena para uma aventura pessoal que virá. Porque não tem a menor lógica o camarada se atirar no chão em plena via pública para saciar sua fome fetichista. Tudo tem que seguir uma regra social de comportamento e a consensualidade é obrigatória.
Da mesma forma que não saio por aí vestido de cowboy com um laço na mão dando laçadas nas moças bonitas que cruzam meu caminho. Seria o cúmulo admitir que um fetichista se porte dessa maneira. Idealizar uma situação a partir de determinada ilusão tem lógica e é isso que se coloca em questão aqui.
Uma amiga dominadora por excelência e vocação me contou que surtou num dia desses ao ver um casal num shopping em meio a uma discussão. Parece banal o fato. No entanto, o cidadão era a síntese da obediência diante dos esporros que a mulher lhe dava em altos brados. Para as pessoas sem o fetiche martelando na mente a cena conotaria uma briga de casal e a mulher, no caso, seria taxada de mal educada. Mas a dominatrix viajou na história e criou seu cenário perfeito. Diz ela: “ACM, naquele momento eu só pensava naquele cara em minhas mãos e afloraram todos os meus instintos mais rústicos.”
Então, uma cena corriqueira que para qualquer pessoa sem tendências fetichistas teria um significado, acaba se transformando numa espécie de registro que posteriormente pode gerar um roteiro de uma prática.
Mas isso tudo não procura justificar qualquer comportamento tosco. Um bom fetichista conhece seus próprios limites e não pensa toda hora no seu desejo. Quando a cena sugere ele a enquadra no pensamento e guarda para sua próxima aventura. Evidente que há casos que extrapolam, como um que contei aqui de um sujeito louco por bondage que pirou numas cordas velhas de um caminhão de mudança e negociando por um bom preço as comprou no ato.
Muitos fetichistas não se dão conta desses detalhes, outros, porém, reconhecem a sua importância. E embora algumas cenas de imediato provoquem à libido de quem as identifica, outras, como os exemplos citados aqui, tornam-se relevantes para alimentar a veia da fantasia.

Casos como fetiche de “dangling”, por exemplo, provocam o efeito imediato porque acontecem de forma corriqueira e as pessoas que o fazem nem imaginam as suas conseqüências diante dos admiradores. Lembrando que dangling é o fetiche que desperta quando a mulher coloca e tira o sapato sem o auxílio das mãos, e ao mesmo tempo, equilibra o calçado em alguma parte dos pés, preferencialmente nos dedos.
Portanto, se a sua cena fetichista aparecer sobreposta por qualquer situação na próxima esquina, o melhor é gravar com cuidado na memória e fazer o dever de casa para tirar nota máxima!