segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Restrictive Footwear


Já ouviram este termo antes?
Restrictive Footwear é um fetiche. Traduzido ao bom e velho português diria que trata-se de castigo através de sapatos apertados, ou seja, uma pessoa que normalmente calça sapatos trinta e oito ser obrigada a utilizar sapatos trinta e seis.
Existem praticantes. Claro que este tipo de fetiche via-de-regra se enquadra com bondage, afinal, se a idéia é forçar uma pessoa a utilizar um calçado menor, nada melhor que restringir também os movimentos.
O mais intrigante desse fetiche é o feedback. As mulheres são a maioria esmagadora dentre os praticantes, aqui e lá fora. Existem mulheres masoquistas que se auto castigam com o uso de sapatos apertados. Já cheguei até a ajudar na construção de cena nesses casos.
Criei um cenário muito louco para uma amiga que pratica self-bondage e também restrictive footwear.
A instrução foi à seguinte: numa forminha de gelo colocar as chaves das algemas e cobrir com água para congelar. Em seguida, retirar o cubinho de gelo com as chaves congeladas dentro deixando ao alcance. Calçar os sapatos, com uma corda atar os joelhos e os tornozelos bem apertados. Se for do interesse uma mordaça. Prender as algemas com as mãos para trás. Daí é só esperar o gelo descongelar para sair do suplicio.
Dependendo das condições de temperatura e da época do ano o castigo será duradouro. Se for verão, as coisas tendem a acabar mais depressa. Porém, para quem gosta de sentir o aprisionamento e tirar prazer de situações doloridas é uma boa dica.
O fetiche por sapatos apertados desperta interesse em alguns praticantes de podolatria também. Embora se saiba que tudo que diz respeito a sapatos e pés faz parte de seu universo, somente um grupo de podólatras admira alguns detalhes que sobressaem após o uso desses calçados menores que os pés. As marcas deixadas nos pés e o suor proveniente do desconforto são alguns dos aspectos.
Não sei ao certo se as mulheres que gostam de ter os pés e o corpo totalmente restritos de movimentos podem ser chamadas de masoquistas. Talvez o uso do calçado apertado neste caso funcione como uma forma de restrição apenas, e assim como as mãos, os braços, pernas e pés seriam parte de um todo. Diria que tem um apelo muito mais fetichista do que masoquista, embora existam opiniões em contrário.
Existem fetichistas praticantes de bondage que não utilizam amarrações durante o ato sexual. Gostam de praticar antes do ato, ou até depois. Criam situações capazes de satisfazer seus desejos. Imaginam a parceira capturada e as libertam. Figuram em cena como vilões e as aprisionam. A fantasia é livre e ninguém está obrigado a seguir regras ou protocolos.
Por isso, numa fantasia de captura vale imaginar a posição ideal para restringir os movimentos da parceira, enquanto que durante o ato algumas dessas posições seriam descartáveis, principalmente com respeito às pernas e pés.

O fetiche chamado de restrictive footwear deve ser encarado com naturalidade, por fetichistas é claro. Se o desconforto é capaz de gerar energia e tesão em algumas pessoas, vale praticar, independente se existe bondage ou não.
E se alguma das musas que visitam este espaço quiser entrar na onda vá em frente. Pecado é não tentar e morrer de vontade de fazer.
Aproveite a dica do cubo de gelo.
A vantagem: você pode fazer sozinha, e depois, quem sabe, dividir essa delícia com alguém.

(Foto: Miranda - cortesia David Knight)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Be Happy


Relaxe, você acaba de terminar uma cena de bondage.
O sorriso no rosto estampa a alegria de ter realizado com prazer, ainda que esta satisfação seja apenas pelo trabalho bem feito. Mas pense por outro lado. Analise o olhar de quem vai delirar com cada detalhe, com seu semblante indefeso e em perigo real e absoluto.
Bondage é assim ou começa assim.
Cordas, fitas, algemas, lenços, pouco importa, desde que haja a imobilização, a privação de sentidos. Gemidos fartos e gestos restritos, tudo na mesma proporção.
Essa parte do fetiche é interessante. Aos que se deparam com a imagem pela primeira vez a impressão que fica é que se renega as carícias, a troca, porém, o que se busca é a sedução.
Como pode uma mulher amarrada seduzir alguém?
Pergunte a um bondagista que ele terá a resposta na ponta da língua. Mas é fácil, afinal são tantos encantos e planos que o juízo nessas horas deve ficar o mais longe possível. Eu acho assim: melhor que os prazeres incontáveis de uma cena de bondage só mesmo aquela sensação gostosa de dizer bem no final: tudo isso vale muito a pena...
Outro dia me perguntaram no Fetlife sobre as reações das modelos do Bound Brazil antes, durante e depois de uma sessão de fotos e vídeo. Bom, se for à primeira vez rola um misto de ansiedade e medo. Medo do aprisionamento, medo de não corresponder e ansiedade por saber simplesmente como ficou.
Neste caso, a vida imita a arte, porque durante uma sessão fetichista que não tenha cunho profissional as emoções são idênticas. Os medos são iguais, embora possam ter razões diferentes. Talvez o fato de querer agradar e realizar da melhor maneira seja a principal razão.
Esse “agradar” não significa apenas fazer a vontade alheia. Muitas vezes tentamos agradar a alguém quando procuramos fazer o nosso melhor. A vida é assim, o fetiche também é assim.
O importante é ser feliz.
E essa felicidade é a mesma que atinge em cheio o fetichista diante do que ele mais gosta. Assim como alguns se isolam para admirar essas imagens outros preferem compartilhar, dividir com alguém a sensação de estar de frente para o seu desejo.
Por que eu publiquei esse sorriso gostoso da modelo hoje aqui no blog?
Por querer dividir com todos os leitores o resultado de um trabalho impecável e a reação de quem ajudou a construir a cena? Quem sabe mostrar que é possível achar algo além do que o final de um simples castigo quando o ensaio termina?
A escolha é livre, todos podem pensar aquilo que for conveniente. Da mesma forma que essa bela modelo através desse sorriso largo resume tantas dúvidas num simples gesto.
O nome dela: Diana Vidal.
Nós, bondagistas, te agradecemos.

Luana Fuster Week

Pra encerrar a semana dedicada à modelo Luana Fuster, o Bound Brazil exibe hoje aos seus assinantes o vídeo “Luana: tickle and ropes”, em bom português cócegas e cordas.
O fetiche por cócegas é daqueles tipo campeão de audiência. Nem sempre as meninas topam realizar essa espécie de trabalho porque não tem outra forma de fazer que não seja real.
A Luana topou e ganhou de brinde uma semana inteira.


Ou será que fomos nós que recebemos esse presente? Afinal, ver essa Musa em dose dupla é um bilhete premiado.
Portanto, aos que pediram cócegas reais com “peninha” e tudo o mais, é chegada a hora de perder o rumo.

Um bom final de semana a todos!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O que rola na Rede


Pra quem gosta de bondage algumas imagens resumem preferências.
Quatro pérolas, quatro sites diferentes.
Bound Brazil, Bondage Divas, Shadow Play e David Knight.
Não precisa escolher basta ficar com todas elas.
Um regalo.




quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Equação Submissão x Travestismo


Dizem que o que se repete muitas vezes acaba se tornando verdade.
Não é de hoje que leio a respeito de travestis que assumem ser submissos. Se é um fato eu não posso afirmar, mas por outro lado, algumas evidências e depoimentos não podem ser ignorados.
Mickey é um travesti e fetichista. Faz parte da minha lista de amigos no Fetlife.
Vive em East Sussex, uma localidade distante noventa quilômetros de Londres. Em seu perfil conta um pouco da sua vida e, principalmente fala sobre a sua relação com o fetiche. Fotos e palavras explicam um pouco disso tudo. Confiram.
“Eu sou um travesti e uma escrava submissa.
Sim, sou eu na foto. Eu sou bissexual, assumido, feminina, descontraída, romântica, mocinha em apuros, ainda que seja um travesti. Eu adoro abraços, beijos e vincilagnia (jogos de bondage). Mantenho as unhas muito bem pintadas, sobrancelhas feitas e conservo a pele lisa, o que me ajuda a conseguir minha aparência feminina ideal.
Eu era um menino de aproximadamente sete anos quando eu descobri as maravilhas de usar roupas femininas e os prazeres de ser amarrado, amordaçado e ficar impotente.
Vestida como uma mulher, amarrada e amordaçada passou a ser a razão da minha existência. É por isso que eu acredito que o travesti, em sua grande maioria, tem prazer pela submissão e quase afirmo isso por ver tantos travestis desfrutando do fetiche de bondage.
Bons amigos são o meu bem mais valioso, especialmente quando eles me amordaçam e amarram com as minhas mãos atrás das costas. Eu amo a privação sensorial e passeio pelo espaço quando uso plugue auditivo, sou amordaçada, encapuzada e encapsulada em um dos meus sleepsacks (sacos de dormir).”
Mickey assume sua condição homossexual e fetichista sem problemas. Não esconde nada e tem milhares de fotografias espalhadas por várias redes sociais na Internet. Exibicionista? Talvez, ou orgulhosa de sua escolha.
Por aqui alguns depoimentos vão ao encontro desta tese.
Em março passado produzi um ensaio a pedido de um travesti. A Larissa me disse que queria fazer um ensaio amarrada. Aceitei o desafio de amarrar um transexual pela primeira vez, presenteei e guardei as fotos que me fez sentir bem por ter ajudado a realizar uma fantasia.
Claro que fiquei curioso e quis saber o porquê das fotografias. Curiosamente as razões apresentadas foram idênticas as relatadas pela Mickey em seu perfil. E olha que existe um oceano entre as duas e milhas e milhas de distância.
Larissa não assumiu a submissão total e irrestrita, mas confessou-se atraída por ficar indefesa e vulnerável diante do parceiro durante o sexo. Disse que dessa forma, se sentia mais feminina e o fato de parecer em apuros, assim como Mickey, a fazia extravasar um desejo que vinha desde a infância.
O resultado da equação submissão e travestismo pode não ter um valor final igual a cem por cento. A regra aqui permite exceções e há de existir travestis com tendências dominantes. Prefiro ficar com a idéia de uma tremenda coincidência entre esses dois exemplos.

Entretanto, segundo um amigo dominador, realizar o fetiche com travestis é a garantia de ter a submissão garantida. Afirma que nunca errou na escolha e nas vezes que apresentou o fetiche foi plenamente atendido, com um índice de satisfação total.
Quando perguntei sobre a sua suposta homossexualidade ele foi categórico: não há sexo, só fetiches. Na hora, imagino que estou diante de uma mulher, daí rola fácil.
Vale esclarecer que os travestis a quem meu amigo se refere praticam prostituição.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Qual é o seu Fetiche?


Pra começar essa conversa vale citar o camarada bêbado que entra no táxi e ao ser indagado pelo motorista sobre o destino responde: jamais saberás...
Pois é, assim como o motorista do táxi várias vezes nos vemos em apuros para decifrar Códigos Morse ao tentar desvendar segredos, principalmente quando a intenção é descobrir a fantasia sexual, o fetiche, da parceira ou do parceiro. Os mais conservadores dirão que tudo vem com o tempo, que o relacionamento na medida em que avança traz confiança e credibilidade, mas devem concordar também que existem exageros. Mentes indecifráveis que fazem absoluta questão de permanecer dessa forma por tempo indeterminado.
Os apressados dirão: a paciência tem limite.
Mas é bom começar a admitir que a excentricidade pode ser um fetiche também. Por que não? Se for assim, aqui vale um conselho: quem muito espera, um dia cansa.
Muitas vezes a vergonha ou a timidez retarda esse processo. Para algumas pessoas as palavras pesam, causam engasgos, e mesmo que haja vontade de expressar sentimentos e desejos a válvula emperra a tal ponto que destravar é muito complicado.
Uma dica: vá com calma e procure escolher a pessoa que nas conversas preliminares mostrou-se aberta a novas descobertas e experiências, assim é mais fácil chegar ao destino.
Não faça como um amigo sádico que na primeira noite revelou-se a uma nova conquista. Segundo ele, foi necessário muito diálogo para que ela não chamasse a polícia. Depois disso, nunca mais. A mulher preferia ver o diabo a escutar falar do nobre fetichista.
Há exemplos de tentativas frustradas e bem sucedidas.
A simplicidade ou a complexidade do fetiche são fatores determinantes. Fetiches mais fáceis de serem introduzidos na relação saem em vantagem. Outros, porém, necessitam de consenso e, principalmente, aptidão para realizar. Ninguém pode obrigar alguém a ter prazer através da dor, de açoite ou eletro-estimulação. Nem todas as mulheres que admitem ter os cabelos puxados ou um tapinha na bunda durante o ato sexual se submetem a sessões de espancamentos ou pingos de vela.
Claro que existem casos de pessoas que descobriram o prazer nesse tipo de atividade sexual depois de experimentar. Nem todos nascem com a essência, e nesses casos, é preciso flertar com as experiências para fazer a opção. Vai que dá resultado?
Os fetiches habitam um universo particular. O ar que se respira nessa atmosfera é diferente.
Sempre é bom lembrar as dificuldades que existem quando alguém que ignora fetiches se relaciona com uma pessoa que alcança prazer com essas fantasias. Da mesma forma que é bastante nocivo aceitar um relacionamento onde o fetiche não faça parte da vida a dois. Inevitavelmente as fantasias serão praticadas de forma extraconjugal, com isso, as chances de aparecerem problemas são muitas.
Como diz um grande amigo, viver sem dificuldades deve ser bastante monótono...

Por isso, mãos à obra. Crie um perfil, um blog, uma página no fetlife, arrisque os primeiros passos. Pode demorar, mas sempre haverá alguém do outro lado da linha querendo saber qual é o seu fetiche.
Basta deixar a vergonha e a timidez trancadas no armário.
A melhor maneira de saber os segredos de alguém é começar falando dos seus. Abrindo o jogo, devagar, sem pressa, para colher o que virá mais tarde. Sempre funciona.
Quer tentar?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Fetiche por Sapatos (História)


O fetiche por sapatos no ocidente e os minúsculos sapatos Lótus da China, apesar das culturas diferentes, transformam quem os usa e aguçam o apetite sexual de quem olha. Mas, enquanto os fetichistas ocidentais estão mais interessados em dominar, na China, a passividade, simbolizada pelos pés enfaixados, é a chave da felicidade erótica.
A historiadora de calçados Mary Trasco resume estas diferenças fazendo notar que o fetiche por calçado no ocidente sempre foi "elegante, agressivo e com a aparência de uma arma branca", enquanto que no oriente "lembra lingerie, com detalhes em cetim e solas delicadamente bordadas".
Os amantes de sapatos existem desde a antiguidade, mas o fetichismo só surgiria com o nome que tem hoje na Inglaterra do século XIX. A repressão e o puritanismo vitorianos geraram novos escapes para a expressão sexual. A campanha para esconder as pernas femininas debaixo de saias até ao chão e botas de cano foi tão eficaz que o simples vislumbre de um tornozelo de mulher era suficiente para causar excitação sexual. Os tornozelos femininos e, por extensão os sapatos e as botas, tornaram-se símbolos de outras partes do corpo mais escondidas, sendo o desejo e as fantasias desencadeadas pelos pés ou pelo calçado algo absolutamente tabu. Por volta de 1850 floresceu em Londres um mercado clandestino de pornografia e sapatos com saltos de 15 cm.
Mais de um século depois, apesar da existência de revistas com nomes como High Heel Honeys (Garotas de salto alto), e Super Spikes (Super saltos), o fetiche por sapatos continua a ser um tabu, em parte devido à sua associação com o sadomasoquismo. O fetichista ocidental clássico prefere sapatos pretos de verniz (que dão um ar "molhado"), longos saltos agulha (associados a mulheres sexualmente agressivas) ou botas altas. Os saltos muito altos impedem os movimentos - uma forma de submissão feminina - e a sua semelhança com uma arma branca excita o homem passivo que sente enorme prazer em ser ameaçado.
Os fetichistas têm preferências particulares. Há sapatos com cadeados, tiras de couro e coleiras para os tornozelos, que tanto sugerem subjugação como dominação e que apresentam o pé, segundo palavras da historiadora de moda Anne Hollander, como um belo escravo. Em casos extremos a mulher é completamente dispensada e o fetichista prefere passar a noite de sábado contemplando um sapato de salto alto.
A restrição, a limitação, real ou ilusória, parece ser fundamental para que o fetiche por sapatos tenha a capacidade de causar excitação sexual, qualquer que seja o contexto cultural. Mas enquanto a altura de um sapato é sinal de erotismo no ocidente, na China, o que é valorizado é o tamanho. Os pés minúsculos já eram admirados pela sociedade chinesa muito antes do “enfaixamento” dos pés ter adquirido os traços de um fetichismo cultural. Segundo alguns historiadores da sociedade chinesa, no século X, as bailarinas exóticas da corte imperial usavam meias apertadas para que os seus pés parecessem menores.
Este costume espalhou-se pelas classes altas até que o mais doloroso método de enfaixamento acabaria por substituí-lo e por se tornar um rito de passagem. Era através da astrologia que uma mãe de elevada condição social determinava a data apropriada para a iniciação “gien lein” da sua filha, que acontecia entre os três e os oito anos de idade. Depois de lavar e tratar os pés da criança, quatro dos dedos eram curvados para trás e bem apertados com uma faixa enrolada em volta do pé (o dedo grande não era dobrado para que o pé, ao ser enfaixado tivesse o formato de meia lua).
Após cada banho, o pé, ao ser enfaixado, era sempre apertado um pouco mais e calçado com um sapato de um número abaixo. O que se esperava alcançar com este processo era uma raridade cultural: um "Lótus Dourado", um pé de 7,5 cm.

O enfaixamento dos pés caiu em 1912, quando a China se tornou república. Já havia desaparecido na maioria das províncias quando Mao o proibiu oficialmente em 1949. Praticado abertamente por mais de mil anos, este ritual é hoje em dia considerado vergonhoso, tendo os sapatos lótus passado a relíquias colecionáveis de um costume que os chineses querem esquecer.
No ocidente onde o fetichismo sempre foi considerado subversivo, uma mudança nas atitudes fez com que surgisse o fetichismo chique, tendo nas ultimas décadas integrado a alta-moda.

(Fonte de Consulta: Internet)