Tudo sobre fetiches. O site Bound Brazil. Vídeos, Filmes, Crônicas, Fotos e Humor. Atualizado semanalmente. Comentem, participem.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Objeto de Desejo
As pessoas às vezes me fazem perguntas curiosas sobre a relação dos fetichistas com o fetiche. Contudo, confesso que há fatos neste universo povoado de gente bacana impossíveis de serem desvendados sem a devida confissão, principalmente porque o fetiche é muito particular.
Assim como é extremamente de foro íntimo o objeto do desejo de cada um.
Não é? E confessar soa esquisito. Porque segredo de duas pessoas não existe. Contou a alguém deixou de ser segredo no mesmo instante, por isso, guardamos alguns detalhes a sete chaves.
Diriam os curiosos de plantão: “mas você tem um canal de debates há mais de três anos na rede onde é possível obter um feedback pra esse assunto”. Concordo, mas em se tratando disso, espalhar a notícia aos quatro ventos ou confidenciar a alguém um fato relatado a mim seria uma delação velada e inconcebível.
Se alguém por conta e risco resolve escrever na Internet todos os relatos possíveis sobre o objeto do seu próprio desejo eu leio, absorvo e acredito. Ponto. Caso contrário eu não pergunto. Porque acho que aqui a curiosidade matou o gato e prefiro ficar aqui contando minhas ovelhas sem entrar em terreno alheio.
Porém, antes de tudo há o livre arbítrio que permite a quem estiver interessado solicitar que seu principal objeto do desejo seja devidamente divulgado. Nesse caso, o melhor a fazer é proteger quem solicita tal divulgação através de um Nick ou de forma anônima. Assim, ele estará livre para se revelar no momento que se sinta seguro pra tanto ou ache fundamental.
Claro que alguns destes inúmeros “desejos” podem ser mencionados de forma generalizada, sem dar nome aos bois e muito menos dizer quem é o dono ou a dona da banca.
Então é hora de escrever sobre o que tantos querem saber.
Digamos que o site Bound Brazil é uma fonte inesgotável de informação capaz de saciar a curiosidade de muitos. A relação assinante/modelo embora não seja processada de forma direta, é intensa e cada vez mais participativa. As meninas recebem semanalmente uma gama de consultas sobre a possibilidade de venda ou troca de utensílios do vestuário utilizado nos vídeos. Estes objetos disputados quase como num leilão variam desde calcinhas a meias e sapatos.
O gringo escolhe as suas favoritas. Pede produções em que elas sejam as protagonistas e mesmo atendido derrama mensagens na caixa de correio do site com os mais variados desejos. Eles sugerem trocas. Pedem o sapato utilizado em determinada produção em troca de dinheiro ou até de presentes do tipo: eu envio um novo e ela envia o usado. Sai no lucro é claro, porque ela pode atribuir o preço que quiser ao calçado já com “meia vida” e ganhar um novo da forma que desejar. Com a grande vantagem de saber que este mesmo sujeito voltará a comprar o que ele deu de presente. É incrível, mas esse mercado paralelo funciona assim.
Calcinhas e meias de seda também estão sempre na vitrine.
Por aqui pelo hemisfério sul onde reside a minoria que assina o site os pedidos são parecidos.
A favor dos brazucas e sul-americanos o fato de estarem mais perto, falarem o mesmo idioma ou parecido no caso do espanhol, e poder criar um canal de comunicação com a modelo de forma livre, sem a necessidade de um intérprete para a devida tradução.
Não é difícil receber pedidos de pedaços de cordas usadas ou mordaças babadas.
As moças estranham já que não estão acostumadas a conviver com este tipo de relação, mas aos poucos se acostumam e passam a entender a relação anônima que elas mantêm com estes fãs e suas loucas manias.
O fetiche por objetos talvez seja o fator mais comum neste universo. Estão acima dos fetiches por práticas sexuais ainda que haja uma ligação direta que mostra claramente que um não sobrevive sem o outro.
Portanto, se você tem fetiche por alguma coisa em especial e ela se torna via-de-regra o seu objeto de desejo não se preocupe, porque a sua volta existem outros tantos iguais, anônimos ou não, porém, com muito em comum.
Um ótimo final de semana a todos!
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Fetiches
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Nightcomers (1971)
Causou espanto na crítica quando o ator Marlon Brando no auge de sua carreira decidiu participar do filme Nightcomers, do diretor Michael Winner. A trama bem ao estilo terror o que era fato comum entre obras do chamado Cinema B, não prometia muito e ainda representava um sério risco ao ator que um ano depois ganharia o Oscar com o filme “The Godfather”.
Mas Brando gostou do roteiro e topou contracenar da produção inglesa de 1971 ao lado da belíssima Stephanie Beacham num filme que embora apresentasse um conceito ousado e até duvidoso para os padrões da época, foi bem recebido, não só pela eficiente atuação de Brando e Beacham como também pelas altas doses de suspense e horror do enredo.
Cenas de voyeurismo infantil desvendam um universo de práticas fetichistas representadas por cenas de BDSM em parte do filme que conta a história de duas crianças órfãs que tomam lições de sexo através de vigília dos encontros entre o jardineiro Quint, interpretado por Brando, e a governanta Miss Jessel (Stephanie Beacham).
A estranha filosofia sobre sexo e morte que toma corpo através das conversas entre Quint e Jessel, acaba atraindo as crianças que observam atentamente todos os movimentos do casal e seus encontros noturnos. A partir de então, os órfãos passam a imitar aquilo que vêem e são severamente reprovados por sua nova governanta que não admite que crianças assistam tais cenas. Aqui o filme se mostra elucidativo quanto ao comportamento, tentando passar uma importante lição ainda no começo da década de setenta sobre o necessário cuidado de preservar a infância de atos adultos.
Entretanto, o público que baba por cenas fetichistas não fica na mão e ao assistir ao filme é brindado por imagens de tirar o fôlego. Imobilizações de bondage bem feitas e com material adequado, além de excelente desempenho dos protagonistas das cenas. Tudo isso condensado em poucos, mas generosos minutos em que o diretor Michael Winner não economiza ao colocar à disposição de quem assiste a trama.
É possível conferir uma prévia dessas imagens no pequeno clipe no final da matéria.
O filme traz, ainda, um final empolgante e totalmente imprevisível para quem se arrisca em apostar num determinado desfecho. Desafiando a lógica o diretor parte para uma noção de continuidade que bem analisada tem tudo a ver com o fetiche e algumas teorias do personagem interpretado por Brando. Porém, o final fica reservado para quem tiver o prazer de assistir aos noventa e sete minutos de filme na íntegra. Perderia a graça contar por aqui.
Nightcomers é considerado o melhor filme com temática fetichista do ano de 1971. Será?
Recentemente uma versão remasterizada por completo está à venda em alguns sites especializados como CD Universe e Amazon. É possível encontrar em “torrents” o filme disponível para download, mas o internauta deve estar preparado para garimpar pela Internet, porque as versões disponíveis não são as remasterizadas o que fica bem longe da qualidade do que é posto à venda.
Portanto, o filme Nightcomers é muito recomendado para quem se dispõe a sentar na poltrona no intuito de assistir a um ótimo roteiro recheado com cenas de BDSM.
Arriscaria em dizer que os amantes da sétima arte (fetichistas ou não) devem ter essa obra num espaço reservado em sua coleção. Fetiche, conflitos e drama é sempre um prato cheio para quem gosta de emoções fortes na tela.
Confiram.
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Filme
terça-feira, 6 de setembro de 2011
A Busca do Conceito

Cinco e meia da tarde e nem acredito que consegui encerrar o batente em véspera de feriado.
Deu até tempo pra bater um papinho com a galera do Hemisfério de cima no Fetlife. Teclando para lá e pra cá não é difícil formar opinião sobre o que os caras pensam a respeito do trabalho apresentado em sites comerciais fetichistas.
O que do lado de cá do globo é “coisa esquisita”, perversão e outros bichos, lá é chamado de arte. Esse é o conceito que os camaradas têm a respeito do que se exibe na Internet.
O grande mercado consumidor norte-americano olha uma mulher amarrada como uma obra de arte. Consideram uma escultura, comentam detalhes como se estivessem diante de uma pintura de um artista famoso. Compram e colecionam, por isso escolhem as melhores com profundo conhecimento de causa.
Embora eu tenha um conceito definido quando comparo esse material à exibição de uma fantasia sexual fetichista, devo concordar que muitas vezes, ao longo dos anos, tive meus momentos de turista em visita a um Museu. Várias vezes curti aquela assim: uma pausa, um café, um cigarro e a imagem preferida na tela a um palmo do meu nariz.
Excita, mas também relaxa. Faz a cabeça girar e o pensamento voar. Prá trás ou lá na frente, pouco importa. Até hoje encontro inspiração em sites de amigos e tento produzir algo semelhante, sem cópia exata, apenas uma idéia e nada mais. Aqui a recíproca é verdadeira, porque já discuti sobre sets, posições e os caras também viajaram nas minhas convicções.
O conceito de imagens fetichistas pode estar ligado diretamente à vontade de reproduzir as cenas em fantasias privadas. Nesse caso, funciona como uma preliminar, um aperitivo de uma noite longa entre dois adultos que tenham interesse de apostar nesse game.
A particularidade do fetiche impede que todos, sem exceção, tenham interesse pela mesma coisa. A lógica não perdoa.
Mas nem tudo que se cria na rede é repetido ao vivo e a cores na vida real.
Algumas fantasias ficam por lá. Quem sabe adormecidas no subconsciente de alguém que as deseja e não consegue a tão sonhada reprodução, ou simplesmente não combinam com as idéias dos espectadores.
Não encontro razões para sentimentos como inveja ou desdém, porque quem está na pista respeita o que sai da cabeça do parceiro. Da minha parte prefiro o aplauso pelo belo trabalho realizado. É a expressão do fetiche e se meus olhos captam a mensagem é porque há uma boa razão pra isso.
O legal nessas conversas é comentar sobre o que está em moda e sobre o que já caiu em desuso. Quer um exemplo? Cordas de seda, daquelas que se usava em adereços de cortinas. Quase não se vê mais, com exceção a alguns remakes dos anos oitenta onde elas eram a cereja do bolo. Hoje a moda é o algodão, a juta ou o cânhamo. Há espaço para nylon e cordas de alpinismo, mas em escala bem abaixo de uma quase unânime preferência.
O resultado desses papos, dessa troca de conceitos acaba na tela do consumidor.
Nesse mundo diferente a tendência é tudo, afinal existe o lado comercial, o sucesso ou a sobrevivência acima do sentimento fetichista.
Ficam de fora dessa história as cenas pornográficas. Nada contra, aliás, ninguém da indústria fetichista discrimina, apenas pertencem a outro segmento, mesmo que muitos considerem também como arte.São horas de conversas transparentes e interessantes que o tempo passa e nem nos damos conta. Bom é saber que amanhã tem mais...
Agradecimento especial a dois amigos por cederem as fotos que ilustram o texto de hoje: Dom (Paragon Videos) e Andre.
Um ótimo feriado a todos!
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bondage
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Gostar por gostar
Então fica muito difícil responder por que se gosta tanto de alguma coisa.
Mas vá lá que eu tenha decidido torrar a cuca e pensar numa forma de expressar um sentimento?
Porque aquilo que está dentro de nós se exterioriza melhor enquanto forma viva, sem retoques, direta e, principalmente, participativa.
Ora, gostar de bondage é bem simples. O sujeito começa se apaixonando pelas heroínas em perigo num programa de televisão qualquer ou numa revista. Parece simples, é verdade, mas com o tempo ele precisa estender este tipo de sentimento à sociedade onde vive.
Daí o garotão brinca com as primas, com as coleguinhas de rua e pratica em silêncio com o tesão reprimido dentro de uma brincadeira banal. Ninguém desconfia e ele dessa forma ultrapassa os anos de adolescência como uma pessoa de um bairro qualquer.
Porém, chega uma hora em que o calor começa a aumentar e a masturbação não é mais a única fonte de saída possível para sua aventura que aflora. As namoradas vêm e vão e a vergonha de se expressar permanece. Passa o tempo, ele se cobra, estabelece prazos e limites, mas nada o faz se decidir.
Os inevitáveis conflitos aparecem, se multiplicam, e o adulto já não sabe se é bom ou mal seguir enraizado nas suas brincadeiras infantis. Sente saudades de quando tudo era fantasia de guri, onde as coisas davam certo e ninguém imaginava o que se passava entre pensamentos.
E quando ele vence a primeira batalha é normal imaginar que todas que virão serão barbada, moleza absoluta, que se deu certo de cara nada o impedirá de seguir com seus planos ousados. Porque um praticante de bondage não precisa de submissa, de dominadora, de masoquista, ele apenas busca uma mulher como qualquer outra que passa na rua e lhe dirige um olhar. Lá fora, na terra do Tio Sam, tal coisa é tão normal que se intitulou chamar a garota que pratica bondage de “girl next door”. Mas a briga é aqui, num lugar onde tudo é proibido até de pensar e se já não existe vergonha de falar do desejo ainda há uma imensa batalha esperando na próxima esquina: transformar a paixão ideal na mais bela parceira fetichista que o universo colocou nas mãos.
É tempo de estabelecer um critério, ou seja, encontrar uma fórmula que possa unir os dois pólos num mesmo destino. Ela e o fetiche. Complicado? Mas não era apenas mais uma simples batalha? Pois é, o desafio parece infinito porque diversos fatores podem contribuir ou não para que exista o êxito total ou um fracasso iminente. Por conta disso, é preciso gostar do fetiche, gostar por gostar mesmo, ainda que signifique abrir mão de fatos e situações importantes em nome de um bem maior, de um sonho.
Claro que nem sempre essa regra funciona de forma perfeita e o praticante, o apaixonado pelo fetiche desde os primeiros passos, encara momentos de imensa frustração justamente por não alcançar a plenitude daquilo que idealiza.
Entretanto, o importante é saber lidar com isso. Não num instante de pura explosão, de altas doses de turbulência, e sim num momento de calma e raciocínio profundo. Na vida nada é fácil, e saber conviver com o desejo e a paixão para procurar uma maneira de encaixar os dois sentimentos somente após alguns deslizes pra se ter pelo menos alguma compreensão.
Mas quem sabe um dia você desperta de bem com a vida e topa com a plenitude na primeira avenida? Nunca se sabe, o destino costuma pregar peças e escrever o caminho por linhas totalmente tortas.
A relação do fetichista com o fetiche só não reserva lugar para o arrependimento. Mesmo diante de fatos desagradáveis, de experiências nada alentadoras, o tempo dispensado deve servir como aprendizado. E se existe uma matéria que os apaixonados por bondage podem ser considerados especialistas é a de saber dar a volta a este tipo de situação, porque
simplesmente gostamos demais!
Bravo VH, essa é pra você. Mas serviria pra mim, pro Carlos, pro Shinobi, pro Jonas...
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Devotees
Repostando
Hoje vamos falar dos Devotees, pessoas que se sentem sexualmente atraídos por mulheres amputadas ou homens amputados.
Existem sites contendo fotos e vídeos de mulheres com deficiência, como se fossem uma espécie de Playboy virtual, especificamente destinada a esses homens e seus desejos, como o http://www.amphouse.com/.
Porém, esses casos não são manifestações isoladas, sem interesse. Esse universo paralelo, regido por leis desconhecidas, é parte de um evento muito mais sofisticado do que se imagina.
Existem os devotees que são pessoas (homens ou mulheres, hetero ou homossexuais) que se sentem sexualmente atraídas por pessoas com deficiência.
Há também os pretenders que são pessoas que, além de serem devotees, sentem-se sexualmente estimuladas quando fingem ser deficientes, utilizando, em público ou privadamente, equipamentos como cadeira de rodas, muletas, bengalas, aparelhos ortopédicos como fantasia sexual (fetiche). Além disso, existem os wannabes, que são devotees que desejam tornarem-se, de fato, deficientes.
Embora tenha ganhado visibilidade a partir do advento da Internet, a literatura médica relata casos de devotees desde 1800 e casos de wannabes são documentados a partir de 1882, "sem que, no entanto, suas causas tenham sido devidamente esclarecidas".
Em outros países como, por exemplo, Estados Unidos e Inglaterra, esse assunto tem sido objeto de estudo e discussão, não apenas entre os profissionais da área médica, mas também entre as pessoas com deficiência e suas organizações representativas.
Não existem estudos sobre o devoteísmo no Brasil.
Algumas pessoas com deficiência que (em virtude das limitações físicas e sociais impostas pela própria deficiência) não tiveram muitas oportunidades de ter experiências sexuais e/ou afetivas, ao tomarem conhecimento da existência dos devotees, imaginam que estes podem ser a resposta às suas preces. Outras, por outro lado, crêem que envolver-se com devotees significa necessariamente expor-se ao abuso.
O objetivo desta matéria - mais do que difundir a informação - é suscitar a discussão, que pode colaborar para o estabelecimento de contatos positivos entre as partes. Creio que é possível amenizar a angústia do isolamento e o medo do desconhecido através da nomeação deste lugar ainda oculto pelas sombras da ignorância.
Portanto, conhecer os sentimentos, tanto dos devotees quanto das pessoas com deficiência, a partir de uma discussão desarmada sobre o assunto, é a melhor (e talvez a única) estratégia de que dispomos para compreender o devoteísmo e o que ele representa, ou pode representar, tanto para os devotees quanto para as pessoas objeto de seu desejo.
Dessa forma, cada vez mais pessoas deficientes podem desfrutar de certas emoções que dantes pareciam relegadas às pessoas que não possuem deficiência alguma.
Um excelente final de semana a todos!
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Uma Noite de Primavera
Ele olhava para o celular e não se importava muito com o que se passava ao redor naquele bar.
Sequer sabia a razão de estar ali. Mas estava. Não esboçava emanar simpatia gratuita e tão pouco dirigia o olhar a algo específico. Parecia um turista em terra estranha.
De repente um vulto e um cabelo milimetricamente cuidado lhe chamaram a atenção.
Era impossível ver o rosto que ostentava o penteado alinhado e o corpo perfeito. Ela estava de costas.
Bradou pra si mesmo: “santa perdição! Se eu pudesse...”
Naquele instante ela deu uma guinada e ele pode ver a magia absoluta através de um olhar lindo que lhe chamara tanta atenção e cada vez mais se convencia que a bela imagem seria somente admirada, e nada mais.
Distraiu-se com o celular e num instante aquela bela mulher já não estava. Lamentou.
Pôs-se a levantar em busca de um trago e ao fazer a volta no estreito corredor recebeu um pisão na ponta do dedo junto com um esbarrão. Nessas horas que se admite a cumplicidade do Cosmos com o desejo. Porque a dona do cabelo inconfundível encabulada lhe pediu desculpas. Retribuiu com um sorriso, e se lixando se doía ou não a convidou para um drinque. Foi a melhor dor do universo!
Todas as conversas que se seguiram desde então traduziam um encontro que tinha ares de estar previamente marcado. Não se sabia onde ou por que, mas o destino os levava a algum ponto qualquer, parecido com o oceano em busca do céu. O limite não tinha lógica alguma.
Até acontecer a inevitável primeira noite.
Do alto de sua experiência tinha total ciência que deveria saber como lidar com o vaso de porcelana chinês que trazia em mãos. Pensou em Dustin Hoffman, na primeira noite de um homem e seduziu. Era preciso. Aquela Deusa de Negro não cairia num conto qualquer. Era inteligente, sagaz e perceptiva demais pra cair num canto do cisne sem graça.
Porque a idéia era conflitante com o que hoje se entende por encontros. Ela a queria, pra ele, pra sempre, como um todo.
E aquele quadrado mágico rodeado de espelhos e com uma linda banheira próxima a cama era o pedaço mais valorizado do universo naquele dia. Foi então que ele tremeu. Quem sabe o coração quarentão não estivesse pronto para viver aquele tipo de sentimento, mas como ele se preparara a vida toda pra viver a melhor de todas as fantasias que havia sonhado não se deixou abater.
Desembrulhou pernas perfeitas enrolando a meia fina de seda para baixo. Pôde contemplar a olhos nus o que a natureza havia desenhado com extrema relevância. Os pés irretocáveis davam um contorno final a todo o contexto emanando volúpia. E lá estava ela com o busto desnudo como tivesse sido esculpida durante anos em que esperou por aquele dia.
Imaginou o fetiche. A parceria estava numa tira de roupão e com ela amarou-lhe as mãos.
Ela consentiu com um breve sorriso enquanto ele explorava cada pedaço de pecado que tinha diante de si. Chamou-a ao orgasmo, uma, duas, várias vezes. Ela palpitava doses de tesão como quem toma um Martini.
Nem se importou quando ela sem qualquer delicadeza livrou-se das amarras e iniciou uma cavalgada sem fim. Àquelas horas estavam destinadas a que o prazer fosse todo dela, porque o maior dos gozos que ele poderia sentir aconteceu quando cruzou a porta.
Daquela noite levou uma fotografia de um sorriso no celular. Eternizou o momento num simples registro do que foi uma noite fria de começo de primavera.
Sabia que haviam feito um pacto de cumplicidade que o tempo seria incapaz de destruir, e nem mesmo qualquer desistência mudaria o destino traçado por eles naquele dia.
Passado tanto tempo eles conservam o amor e o desejo que construíram através de olhares e doses exatas de fetiche bem feito. Hoje ele a pediu em casamento e ela anda pensando no assunto.
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