quarta-feira, 8 de julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Por Todos os Meios


Dizem que somos produtos do meio em que vivemos. Eu concordo, em parte, porque muitas vezes temos que nos adequar, afinal não inventamos a fórmula e os critérios do mundo ao qual fazemos parte.
Mas o ser humano é sábio e consegue se adaptar a tudo e a todos. Senão vejamos.
Reza a lenda que quando foi criado o cinto de castidade o homem inventou o primeiro abridor de latas, e se isso é verdade ou mentira ninguém pode comprovar, ou alguém por aí tem notícia segura dessa invenção?
No “mondo fetiche” acontece à mesma coisa, pratica-se sob as normas e regras, mas em muitas vezes deve-se inventar e criar para ultrapassar a cerca. Ajeita-se daqui e dali em busca de um ponto comum.
Comigo aconteceu uma história muito interessante. Dez anos se passaram e ainda lembro com riqueza de detalhes.
Nunca tive aptidão para imprimir castigos e não faz parte do meu repertório, mas uma vez não passava pela minha cabeça deixar aquela princesa escapar, mesmo que fosse necessário fugir um pouco à regra. Ela exigia o castigo antes de qualquer relação.
Fazia um frio de rachar parede em São Paulo naquela noite de inverno e depois do jantarzinho aconchegante aquela garota bonita mostrou a que estava disposta ao tirar o sobre tudo.
E não tinha outro jeito Zé, era pegar ou largar e como quem tem anos de sereno não leva banda de tartaruga, pensei em duzentas possibilidades até que olhando para a varanda do apartamento apareceu a idéia de estalo.
Peladinha como veio ao mundo, coloquei uma cadeira na varanda e com boas laçadas realizei um bondage de tirar o chapéu, deixando a pobrezinha sentir o ar gelado da noite paulistana tal e qual apareceu nesse mundo. Mas antes me certifiquei se a parte da varanda na qual ela foi amarrada pudesse oferecer algum tipo de visão a algum voyeur da meia noite na vizinhança, até porque ela nunca havia confessado dotes de exibicionista.
Os orgasmos se sucediam cada vez que a retirava do suplicio e a trazia à cama quente e abrasiva madrugada adentro. Foram várias vezes, ela pedia o castigo pelas atitudes toda vez que se derramava num gozo profundo e sem fôlego.
Me senti realizando, sem pressa, e achei incrível aquele entra e sai de uma forma que acabei realizado com algo inédito que jamais havia planejado.
Conclusão: deixe a mente vagar e as idéias virão com naturalidade e podem se tornar uma grande jogada sempre e quando sejam discutidas antes para não ferir o principio da consensualidade.
Melhor fazer daquele jeito do que açoitar contra a vontade.
Nunca tenha receio de tentar alguma coisa diferente que de um momento pra outro pode vir a ser muito melhor do que se imagina. E deixe sempre a vergonha de lado, porque quem tem vergonha não sobe em ônibus e, como sempre é bom achar lugar de preferência na janela, pra que ficar de fora?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Diferentes Caminhos


Entre os praticantes existem duas correntes de fetichistas: os que seguem à risca os procedimentos litúrgicos e ortodoxos e os que entendem o fetiche de uma forma mais pessoal, tomando por base aquilo que mais agrada. São os anarquistas.
Essa diferença algumas vezes é notada em textos, blogues, contos, sites ou até em festas, mas ela fica mais evidente entre quatro paredes.
Alguns expressam essa opinião de forma livre e deixam escapar pelas palavras publicadas uma leitura pessoal do fetiche. Por ter essa característica, sou um anarquista sim.
Claro que adoro ler sobre procedimentos tradicionais fetichistas e considero um aprendizado importante e necessário, porém gosto do tema livre e respeito todo mundo desde os tradicionalistas ao camarada que dá um tapa na cara da mulher e depois a faz urinar em sua boca.
É o tesão do cara, o prazer acima de tudo.
Tem gente me achando libertino demais e por conta disso sentam o sarrafo porque escrevo sobre tudo e todos meio que em cima do muro. Nada disso, sem essa de subir no muro, é apenas uma questão de respeito.
A leitura sempre foi um ótimo caminho para o perfeito entendimento, mas o efeito dessa enciclopédia cultural fetichista sem prática é o mesmo que chupar bala sem tirar o papel. Nula, e sem sentido, como sair da universidade formado e esquecer o diploma no fundo de uma gaveta.
Tentar, essa é a palavra chave. Sem iniciativa nada acontece.
Há dois dias estava com a Lucia Sanny, a melhor fotógrafa e cinegrafista do Planeta, explicando a uma modelo iniciante do Bound Brazil como fazer self-bondage. Essa mulher nunca tinha escutado falar que isso existia, muito menos viu alguma foto ou vídeo relacionado com o assunto, mas na medida em que foi se amarrando soltou o seguinte: “essa ‘porra’ está me dando tesão!”
Garanto que ela vai ter uma conversa com o namorado, sei lá, e de repente tentar sentir o que eu cansei de explicar através de teoria.
Todos os dias pelo mundo afora milhares de pessoas se “acham” em caminhos que nunca imaginaram seguir, porque apesar de não ter a veia fetichista de batismo são capazes de enxergar o prazer quando dão de cara com alguma coisa interessante.
E é pra essas pessoas que também escrevo todos os dias aqui.
Não virei um libertino-anarquista-progressita-degenerado por conta da idade, mas esse túnel do tempo me fez enxergar tudo por um ângulo diferente o suficiente para admitir que o BDSM não é apenas um guia de conduta e comportamento, mas uma subcultura social capaz de agregar todos debaixo do mesmo teto.
Falar de fetiches sem frescura e com naturalidade. É só isso que eu quero!

SELF-BONDAGE

Nauticus meu velho, já era hora de rodar teu roteiro.
Há tempos leio e escuto o cara falando num vídeo de self-bondage.
Então, taí o que você queria!
O vídeo de hoje do Bound Brazil trás novidades além do roteiro do Nauticus.
Self-Bondage é a primeira parte de uma história que tem início na curiosidade de uma linda garota com traços orientais (Miuky), pelas fotos de uma antiga revista de bondage.
Estando sozinha, resolve repetir as cenas das fotos através uma auto-amarração com cordas, silver tape e algemas.
Lentamente e com muita categoria, ela começa pelos pés, passa pelos joelhos, coloca a mordaça e finaliza com as algemas prendendo suas mãos para trás.
Com o cuidado necessário, as chaves são deixadas ao seu alcance para uma emergência, mas naqueles momentos ela se sente prisioneira e experimenta as delicias de uma sessão de bondage pela primeira vez.
Surpreendida pela amiga Jessy, impossibilitada de se livrar das algemas e cordas ela fica à mercê dos caprichos da maldosa colega.
O vídeo terá a continuação na próxima semana, mas essa primeira parte mostra toda a sensualidade de uma excelente prática de self-bondage. Basta conferir.
Nas fotos, um screen set com cenas do vídeo e belas roupas íntimas.

Um ótimo fim de semana a todos!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pillow Talk II (Epílogo)


Bom, a conversa mudou e de agora em diante você é dono e senhor da situação pronto para o que der e vier.
Arranjou a namorada fetichista, ou que tem as tendências necessárias apesar de estar ainda em processo de descoberta pessoal. Aliás, nada mais chato que essa história de achar o caminho certo como se vendesse um mapa na esquina...
Mas você ouviu e leu o suficiente para saber que existe o princípio consensual, e por isso, procura dar mostras à parceira de entendimento total do fetiche em busca de uma confiança ímpar para que ela desabroche em suas mãos.
Aos poucos, porém, você percebe duas coisas: a primeira que ela tem “certa” dificuldade de entender todas as suas manias adquiridas, e por mais submissa que possa parecer ela precisa de afeto e compreensão, e a segunda é que ela tem seus desejos que devem ser respeitados assim como os seus.
Nada de guerra dos sexos e muito menos conflitos fetichistas, mas a barra pesa quando alguma coisa sai do eixo e desejos diferentes batem de frente. Daí a ver o trem descarrilar é um pulo, porque o que cada um aprende durante o convívio é o suficiente para imaginar onde está o certo ou o errado.
Resumo da ópera: ou cede ou vai tudo para o espaço.
Compromisso desfeito, não é raro encontrar sua antes submissa ditando ordens e com um escravo na coleira na próxima festa do gueto. Você se espanta, mas ela esbanja a energia que vocês trocaram durante o relacionamento e mostra claramente que aquele aprendizado era o verdadeiro caminho.
No começo você fica puto, mas depois amadurece e entende que aquela era realmente a tendência da sua ex cadelinha.
E como a fila anda, você parte pra caçada outra vez disposto a dar uma resposta a altura ao insulto de ver sua outrora submissa de botas longas, maquilagem escura, cabelos com gel e um escravinho de segunda na ponta da corrente.
Procura daqui e dali, vaga pela internet em salas de bate-papo fetichistas, envia e recebe fotos sem ter certeza de estar lidando com a pessoa certa, perde um tempão tentando convencer sua nova parceira em potencial a dar a cara, esquecer preconceitos e “se assumir” a seu lado, enfim, passam meses e a “dor de corno” aumenta na medida em que você imagina que passou recibo de babaca, inflando o ego de uma agora admirada dominadora rodeada de submissos que fariam de tudo para lhe lamber as botas.
Esses fatores te fazem afastar um pouco do underground e você sucumbe ao mundo baunilha renegando seu próprio prazer. Inventa casos, cria monstros e tenta uma vida fora do circuito com uma mulher que nunca ouviu falar do assunto de forma direta.
Com um cuidado extremo você inicia todo um processo de catequese junto a sua namorada e aos poucos a convence a “liberar” algumas coisas diferentes. Ela percebe suas artimanhas e ciente de realizar seus desejos, coloca em prática seu plano mais ardiloso possível e o deixa literalmente debaixo de seu absoluto controle, quebrando a barreira em doses homeopáticas.
Sem perceber, você se encontra dominado por ela Zé, experimentando uma coisa totalmente diferente e se apaixona a cada nova dose do remédio que ela prescreve.
Nesse novo relacionamento ela dá as cartas, aceita e nega de acordo com o que você faz por merecer e controla sua vida sexual de forma taxativa e soberana.
Um dia, cada vez mais dependente você percebe que essa “liderança” de relacionamento pode transformá-la numa perfeita domme, e vacinado de vezes anteriores nem passa por sua cabeça um retorno ao gueto fetichista com ela a tira colo.
Louco para experimentar novas emoções você deixa escapar um pedido entre os dentes, faz com que ela te imobilize para as práticas sexuais e se transforma no mais novo switcher da praça.
É..., assim é a vida com muitas surpresas pelo caminho, mas desde que exista a felicidade nada mais interessa.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Tempos Modernos


Eles começaram a produzir filmes de bondage em 1994.
Lá se vão quinze anos e a dupla Eliot Shear & Eric Holman segue firme em seu propósito levando o fetiche a milhares de pessoas nesse Planeta.
Vencidos pelo avanço tecnológico já não encontram espaço para suas grandes produções, e hoje apresentam suas obras na novíssima versão HD em sua cadeia de sites liderada pelo selo FM Concepts.
E o que mudou desde a produção de seu primeiro sucesso reconhecido, o Clássico “Bondage on Stage” de 1995 pra cá? O fetiche é o mesmo e a fórmula é exatamente igual, mas aos poucos a tecnologia sugeriu que esses filmes fossem vistos diretamente no computador fazendo com que a história seja mais direta, com enredos mais simples.
Em “Bondage on Stage” Elliot cuidou da edição e finalização deixando para Eric o encargo de dirigir o vídeo. A idéia foi introduzir cenas de podolatria misturadas com seqüências de bondage num roteiro de suspense muito bem elaborado.
Campeão de vendas da antiga Harmony Concepts, onde tudo começou, o filme é destaque até hoje no IMDb (The Internet Movie database), um imenso catálogo de todos os sucessos que o cinema A ou B e a televisão produziram.
Mas eles queriam mais e a Harmony não permitia que diretores atuassem diretamente junto as modelos com exceção às cenas em que esses produtores amarravam as meninas.
Porém, Elliot sucumbiu a seu desejo por pés e não havia outra maneira de atuar diretamente nos filmes em cenas de podolatria sem contrariar as regras rígidas impostas. De mãos dadas, buscaram o desafio da independência e criaram dois anos mais tarde um selo que gerou mais de doze sites com grande êxito na rede.
Passado todo esse tempo, Shear e Holman recentemente decidiram por mudanças radicais e seu portal exibe um novo padrão.
Essa aposta atual da FM Concepts em só produzir vídeos, elimina do cenário alguns itens importantes no desenvolvimento do fetiche ao longo desses anos, como as fotografias e as grandes sinopses que funcionavam como contos erótico-fetichistas, despertando interesse nos assinantes.
Troquei algumas idéias e conceitos com o Eric ontem pelo Google Talk e coloquei meu ponto de vista que é totalmente diferente da visão que ambos têm sobre o futuro dos portais comerciais fetichistas. Enquanto estou preparando uma revitalização das revistas bondagistas e sigo valorizando o material fotográfico, Eric acha que o momento não requer esse tipo de atividade, e joga todas as suas fichas num novo conceito, afirmando que em pouquíssimo tempo o “live show” através de webcams será a grande sacada.
Creio que essa divergência de idéias existe face ao interesse de mercado que surge em torno do local onde são produzidos os sites. A cadeia da FM Concepts é estabelecida na Califórnia, berço do cinema mundial e palco de grandes novidades que chegam a assombrar pela forma veloz como tudo acontece, enquanto outros sites dividem-se em outros locais onde a concorrência não é tão direta assim.
Mas nem sempre a galinha do vizinho é mais gostosa e há que se levar em conta que o publico para esse tipo de produção ultrapassa as fronteiras da costa oeste americana. Por isso, ainda acredito no balanceamento da cadeia fetichista alimentar, ou seja, com espaço para tudo e pra todos, onde o novo pode ser o antigo com outra roupagem.
Em breve, sites como o Bound Brazil ou o Bound Hotties de Jake Ryan, estarão apresentando seus vídeos em HD e aderindo às produções em tempo real com transmissão programada em webcam, entretanto, não precisarão abrir mão de seus conceitos e métodos em nome de avanços tecnológicos, preservando aspectos e fatos que sempre foram receita de sucesso.
Particularmente, devo a Eric Holman muito de meu aprendizado que hoje coloco em prática, respeito sua opinião e seu senso profissional que o fez chegar ao topo, mas não abro mão dos meus conceitos e aposto num fetiche tradicional apresentado da forma devida aceitando desafios enquadrados nas novidades dos tempos modernos.
Pra mim bondage está acima de qualquer discussão sobre presente, passado ou futuro, e suas obras e realizações vencerão o tempo e qualquer nova tecnologia.

(Foto: Cenas do filme Bondage on Stage)