quarta-feira, 9 de março de 2011

Linha Reta


Há quase três anos muitas pessoas não fetichistas lêem meu blog.
Algumas por curiosidade, outras por amizade e os que vêm parar aqui através de pesquisas.
Claro que muita coisa salta os olhos, soa estranho, porém, alguns termos e conceitos chamam mais atenção e são alvos de perguntas infindas. Dois deles são os chamados campeões de audiência: a submissão e a palavra negociação.
Semana passada conversei com uma amiga sobre estes temas. Vá lá que consegui explicar as diferenças básicas entre a submissão como forma de atração sexual apenas, mas o termo negociação deixou algumas lacunas. Porque aqui há um detalhe: a negociação seria uma paquera quando comparado a uma conversa baunilha?
Não. Isso eu afirmo. Embora alguns fetichistas atuem em negociações quanto a ter uma relação submisso-dominante e considerem encerrada esta etapa quando se unem no sentido de realizar as fantasias pretendidas, esse espaço de tempo entre entendimento e realização corresponde a um período que deve ser dedicado a perguntas diretas e sem subterfúgios.
A intenção é fazer com que o fetiche caminhe em linha reta, sem curvas, até atingir ao objetivo principal de ambos. Devem estar explícitos todos os prós e contras, e claramente estabelecido que onde o direto de um dos parceiros começa o do outro termina, sem importar se existem diferenças litúrgicas entre dom e sub.
É preciso deixar bem claro que a negociação não termina no instante que ambos resolvem se entregar a uma relação fetichista. Ela segue com a mesma importância dentro das práticas que farão parte do desenrolar da fantasia que os fetichistas resolvem viver.
Criar um perfil ou um blog com as iniciais da pessoa dominante ao lado para alguns é sinônimo de status. Aqui no Brasil se adotou essa prática, que não é comum no universo fetichista como um todo. Porém, antes de pensar em dar nome aos bois é preciso ter plena consciência de que todas as etapas foram vencidas com êxito, que não haverá arrependimento e muito menos uma regressão de atitudes. Fetiche deve ser encarado com seriedade e boa conduta para que a reputação no meio seja sempre cartesiana.
É muito bom ver pessoas felizes realizando seus desejos e vivendo suas fantasias. Isso é o mais importante enquanto prazer pleno e absoluto. Se será eterno ou não ninguém sabe ou é capaz de supor, porque em se tratando de vida a dois tudo é possível, dentro e fora do planeta fetiche. É imprescindível, entretanto, que o fetichista saiba que a tal “negociação” nunca termina. Sempre haverá novas práticas em mente e novas tentativas de vivenciar coisas inéditas, aprendidas no dia-a-dia, na busca frenética por fortes emoções.
Esse conceito básico serve como exemplo a qualquer tipo de prática que exista no glossário fetichista, sem discriminação ou preconceito.
Exemplos há aos montes, desde gente que quebrou a cara a pessoas que alcançaram seus principais objetivos.
A negociação auxilia os indecisos, prepara iniciantes e serve como parâmetro aos mais experientes. Durante esse período nada pode ser omitido, nem mesmo em detrimento da realização dos desejos do parceiro Top.
O termo pode ter uma conotação diferente. Pode ter um sentido estranho a quem nunca teve acesso a certos significados. Seria o fetiche um negócio? Não, claro que não, porque o termo negociação, neste caso, se resume a apresentação dos argumentos, onde os fetichistas colocam em questão aquilo que mais lhes agrada quando se preparam para uma nova aventura.

Claro que assim como em qualquer situação existe a atração, a coisa de pele, a química, o olhar, mas devido ao alto grau de risco de algumas práticas faz-se necessário que as pessoas fetichistas deixem tudo claro no momento em que se preparam para a entrega. Lembrando sempre que a entrega é mútua e um (a) dominador (a) que não se doa a causa de uma submissa (o) não deveria se intitular assim.

Este artigo expressa apenas uma opinião pessoal, assim como todo o conteúdo deste blog.

terça-feira, 8 de março de 2011

Eu Quero Ver Bondage


Pra quem está brincando o Carnaval fica a idéia pra uma boa fantasia.
E pra quem não está nem aí pra folia de Momo, umas dicas de como aproveitar bem esse último dia de feriadão.
Na ordem: Diana, Jamylle e Luana. Todas no Bound Brazil.



sexta-feira, 4 de março de 2011

Argumentos Fetichistas


Essa é interessante.
O site Bound Brazil funciona da seguinte forma: uma galera produz, outra cuida da parte técnica e um terceiro time toma conta da relação com os assinantes e curiosos.
Solicitação de assinantes é sempre a mesma. Os caras querem as cenas de preferência com a modelo que lhes convém. O discurso dificilmente muda. Fora um caso aqui e outro ali, mas num geral as coisas caminham tranqüilas e serenas.
Porém, o que chama a atenção são as perguntas dos curiosos. Um pelotão de prontidão formado em sua grande maioria por brasileiros lança diariamente no correio eletrônico do site as mais diferentes e variadas perguntas que alguém tem noticia. As meninas que cuidam deste setor me reenviam diversos casos exóticos e esquisitos e deixam de lado as cantadas que normalmente recebem dessa turminha. (Ainda bem!)
E os sujeitos são tão caras de pau que têm o devido cuidado de rasgar elogios antes de mandar as bombas. “Acho o trabalho de vocês magnífico, jamais imaginei que um dia pudesse existir um site brasileiro fetichista. Mas me diga uma coisa: as modelos topam programas?”
Outro manda assim: “pergunta pro ACM qual delas tem mais chulé.”
Antes de seguir com os exemplos vale responder, é claro.
As meninas – até onde eu saiba – não fazem programas, ou se fazem, não avisam ao site e sequer deixam cartão de visitas. Por outro lado, não costumo cheirar os pés das modelos para saber se alguma delas tem chulé ou não, ou ainda, quem tem esse tipo de problema (?). Muito embora já tenham existido reclamações entre elas quanto ao assunto, afinal, alguns vídeos contêm cenas de podolatria entre as moças.
E os curiosos não param por aí. Querem saber se a modelo geme de dor quando as cordas lhe apertam e se costumam ter orgasmos enquanto presas. Bom, aqui há que ter uma pausa. Porque mesmo não sendo fetichistas as garotas gemem num momento de dor e se é a essa dor que o sujeito está se referindo eu admito que sim, pois quando a mão fica pesada a bichinha reclama mesmo e costuma soltar um “ai”. Quanto a ter um orgasmo a Terps disse em entrevista ao Sexy Hot que sim, que várias vezes conseguiu orgasmo quando foi amarrada. Agora, se isso acontece à coisa rola no sigilo, ou seja, nem eu ou alguém percebeu o que estava ocorrendo entre ela e as cordas. E mesmo em cenas mais ousadas acho que não rola. A única exceção fica por conta da cena do filme “The Resort”. Lá a cobra fumou...
Perguntas menos complicadas também fazem parte deste cardápio de curiosidades que os fetichistas postam por email. Se elas chegam a discutir após certo tipo de cena um pouco mais violenta (apenas uma vez rolou desentendimento, mas foi breve), se os calçados pertencem a elas ou ao site, se podem presentear as garotas com um tipo de sandália, enfim, as questões abrangem desde tipo e tamanho de cordas até os pés das meninas.
Quando a problema é mais agudo eu mesmo respondo do meu email pessoal, caso contrário, as atendentes dão conta do recado e já têm fã clube, com promessas de assinaturas futuras caso elas aceitem posar para o site.
Noves fora aquele cidadão que pode ser considerado um “pentelho”, já que todos os dias têm sempre alguma pergunta repetida pra fazer, os fetichistas não perturbam e acho bacana que o site produza esse tipo de sentimento de curiosidade nas pessoas que estão chegando.
É, ainda, incompreensível que o número de brasileiros assinantes não chegue a dez por cento do total de membros mensais que possuem acesso ao site, mas com o tempo pode ser que estes fetichistas entendam que assistir a um vídeo em seu próprio idioma, encenado por meninas oriundas de um mesmo lugar é muito melhor que ver gringas dizendo “help!”.
Pode ser que o portal não esteja de acordo com o que muitos procuram. Quem sabe a linha do bondage estilo DiD não seja o que eles buscam, mas se a idéia de roteiro estiver próxima do que se escolheu como segmento, basta pedir e sendo assinante a gente produz.

E por falar em Bound Brazil, hoje os assinantes têm a disposição o vídeo “Mysterious Feet” com a bela Jackie de volta ao batente. Uma aventura para bondagistas podos não colocarem defeitos. Como sempre, um photoset com as melhores cenas vem no pacote.
Por algum tempo o Bound Brazil não vai contar com uma protagonista.
A razão é simples: a minha querida comadre Lucia Sanny é mamãe. A Manuela nasceu ontem e a Lucia vai ter muitas fotos pra produzir da minha afilhada.


Daqui eu mando o que já desejei pessoalmente. Um beijo na Mama e no Papai Saulo!

Um bom carnaval a todos!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Desejos Submissos


O legal do BDSM é que as amizades, de uma forma geral, são sinceras.
A gente se conhece do nada, mas não é um “nada” qualquer. Porque tem significado, porque é parte de um todo.
A Ternura é uma dessas pessoas as quais é muito bom chamar de amiga.
Parceira de um amigão que tem muita afinidade com meus conceitos, ela desfila no artigo de hoje todas as emoções e desejos que seu fetiche pode alcançar. Uma aula, um brinde ao fetiche em toda sua extensão.

Com a palavra a Ternura e sua visão da submissão

Com a devida permissão e colaboração do Dono de mim, iniciei-me em devaneios sobre nossa relação D/s. Pensei sobre as práticas em si, a sessão, o uso ou não da safe, as tarefas, os castigos/punições, hummm...tenho uma opinião meio diferenciada em relação a eles especificamente, ainda acho que eles de alguma forma representam minha falha como submissa perante os gostos, desejos e expectativas do Dono de mim, assunto meio complicado, entretanto como aprendiz de um Dom muito experiente, por meio de seus ensinamentos e sua condução já começo a mudar os antigos pré-conceitos, hummm..hora das revelações..rsss - falando baixinho -, porém continuo com a idéia de ser um sacrilégio falar safe na hora da punição, não por vergonha, pois entendo que a safe seja uma ferramenta pra lá de importante e não tenho vergonha alguma em dizê-la, vergonha pra mim é errar mesmo...opss!
Mas um dos assuntos que me instiga o ser e me chama a atenção, são os Limites, visto que, pra essa humilde e honrada propriedade a superação destes, tem grande e fundamental importância para o sucesso de uma relação D/s com história verdadeira e duradoura, a qual estamos Dono de mim e eu dia-a-dia construindo.
É assim, em minha maneira de vivenciar o BDSM, não tem nada mais gostoso, mais instigante, mais aprazível do que vencer e/ou superar limite. Sinto que é em momentos assim que a essência da relação se manifesta e precisamente nesse momento a confiança, a condução, a orientação, o comando de quem tem o Poder sobre o outro toma forma de uma maneira intensa, porém o Dom necessita estar ciente, consciente, lúcido e ponderado, pois será o responsável e responsabilizado pelo sucesso ou não da “manobra”.
Eita, ficou doida {ternura}???? Está responsabilizando apenas o Dom? Não, claro que não, pois para chegar nesse momento importante da relação, ambos devem ter a certeza das escolhas, de suas responsabilidades, da importância de seus papéis na relação, e diante disso, mais uma vez em meu humilde entendimento aponto seguramente para o Dom, pois os caminhos para isso são muitos. Nossa, nesses milésimos de segundos a grande “viagem” rumo ao intenso prazer segue caminhos inimagináveis! Os desejos se afloram a certeza e a indecisão por suas fantasias se digladiam, ao mesmo tempo em que a submissa inebriada de tanta emoção, muitas vezes está impossibilita de se mexer (hum, tomara que seja envolta por mil voltas de cordas mágicas...*pisc) nas mãos de quem escolheu e foi escolhida para dar forma aos desejos de ambos. Ah, não tem como esse não ser um dos meus momentos preferidos, pode até brotar alguns medos e receios, porém recheados de desejos e confiança!
E nessa relação tão gostosa que é a relação D/s, o grande desejo é ir um pouquinho mais longe a cada sessão, tanto o TOP quanto a submissa, devagar e sem pressa, aos poucos mesmo e nesse caso, a quebra e a superação de limites teria que ser uma das regrinhas, (adoroooo isso de regrinhas...arrepios aqui...rs), assim o crescimento e evolução da submissa e o verdadeiro desempenho do Dominador se tornarão real, além do mais, na realização de uma prática assim, a submissa, principalmente, terá certeza da exata decisão por livre e prazerosa escolha da condição do Dominador...*pisc
Humm,e os meus limites quais são? Bem acho que a lista é grandinha..(uiii), vamos a ela: existe o pavor dos clamps, já superamos os prendedores com cordinhas, e um pouco do medinho da cane, pode ter e ser um jeito diferente de spanking, de posição, ou a utilização de um novo acessório, uma amarração diferente, ....enema...hehehe, ahh sim...tarefas, novas dietinhas e por ai vai..... (humm)....

Pensemos assim, em uma nova relação, sobretudo Dono de mim e eu, que estamos construindo nossa história, somos dois virgens a procura de novos desafios, novas descobertas, novas reinvenções e tudo pode ser considerado um limite a ser superado. Prestenção! Isso vai se voltar contra mim ainda...ahhh, então acho que vai do Dominador querer avançar ou não, até que dessa eu me saí bem, pois eu disse querer do Dom né?



E é sempre bom lembrar que se passamos pela fase da negociação e escolhemos mais que isso, resolvendo nos ENTREGAR, então é curtir. E um dos pontos fundamentais, já que sou submissa e por esta minha condição vou ADORAR fazer algo novo para agradar ao Dono e nada melhor que uma superaçãozinha para isso. Delícia!*pisc

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pintando o Sete


Tudo bem garota, você quis assim.
Foram sete perguntas, e conseqüentemente, você quer sete respostas.
Mas não pense que vou ser direto e sair me entregando sem antes tentar te ludibriar. Pra isso, vou deixar umas pegadas, as quais espero que você saiba seguir e achar as respostas.
Quando alguém te pergunta sobre seu último desejo é bem diferente de saber quais as coisas que você faria antes de entrar no trem pra eternidade, mas há um porém: vou responder dentro do BDSM. Tá legal? Podem ser coisas que se fez, faz ou ainda fará. Nisso tudo rola uma lógica: tudo tem seu tempo. Então, fica melhor um resumo.
Um bondagista sempre sonha em amarrar alguém. Trazer pra sua fantasia uma pessoa na qual ele pensa ou pensou. Já trouxe muita gente pra minha cena, só no site pra mais de cento e quarenta, imagine. Fora do trabalho em outras tantas exerci meu direito líquido e certo de ser fetichista. Mas falta sempre a cena perfeita. Aquela que sai do sonho e vira realidade, que não vire pesadelo, que dá sentido ao valor das cordas, que tenha complemento, que traga sinceridade, que não seja só um contra-argumento e que fique na lembrança sem causar estragos.
Nesta cena ainda devida eu não falo “corta!”. Mas ordeno que ponha as mãos pra trás, que feche a boca, que tape os olhos, que levante os pés quando atados aos pulsos num belo hogtie, que me olhe com o temor do que ainda está por vir e que no final, eu possa soltar um delicioso “puta que pariu, ficou do cacete!”.
Daí ela não precisa dizer que eu sei amarrar muito bem, que meus nós ficaram bonitos, que dali ela jamais escaparia, que nunca se sentiu tão presa ou que as marcas lhe caíram muito bem. Ela precisa saber que tremeu na base, e embora não se entregue facilmente, tenha a plena convicção que gozou como louca.
Ainda que eu saiba que foi bom demais sempre haverá a certeza de que da próxima vez poderia fazer melhor. Ah, essa mania de perfeição que não cessa! Essa incerteza absurda de procurar achar pelo em ovo, a vontade louca e desenfreada e tentar decifrar se o que ela sentiu era verdadeiro ou não. Junte-se a isso a insana mania de me achar tão intenso, de imaginar que o limite era raso demais e me aprofundei ou de supor que se não acontecer outra vez eu fui um grande babaca.
Mas fazer o que se eu amo tudo isso?
Amo tanto que não me canso de escrever sobre tudo e todos. Amo poder ajudar, amo fazer amigos e amo as minhas cenas como se fossem filhos pródigos recém saídos do ninho.
Amor é um sentimento tão grande que deveria constar da carteira de identidade quantas vezes a pessoa amou na vida. E eu amei muitas, várias, todas, mas ainda insisto em achar que quem eu amo deve entender o que eu sinto.
Sim, porque quem ama de verdade ama os defeitos e virtudes. Defeitos são iguais, todo mundo tem e quem está ao lado renega. É fácil de ver. E enxergar as virtudes? Alguém o faz facilmente? Nesse mundo de hoje onde tudo é desconfiança achar virtudes alheias é cada vez mais complicado.
Mas eu tenho as minhas, da quais não abro mão. E ser fetichista é uma delas. Assumidão, de carteirinha e cara na tela. Demorei? Claro, mas cheguei lá. Assim como não nego que ver o fetiche alheio bem praticado me fascina. Tem algo mais bacana que assistir um podólatra admirando um pé? O cara olha, deseja e baba, nele ou fora, mas baba... E eu babo por batatas de pernas carnudas. E como!

Por isso digo e repito: dentro do BDSM eu gosto de tudo e de todos, embora não seja afeito a algumas práticas as respeito e sou sempre a favor.
Acho que deu pra ter uma idéia de como pintar o sete sem ser direto.
Agora é contigo Dog Pet.
Beijo Enorme, muito grato pelo presente e pela lembrança.

Essa foto ao lado é da gata Dominique Estrela, grande parceira, durante um set do Bound Brazil.

terça-feira, 1 de março de 2011

Viciados em Bondage (Sasha Cohen)


Por Léo Vinhas

É altamente improvável que qualquer leitor deste blog não conheça o Danger Theatre, blog que posta fotos, clipes e ilustrações bondagistas de grande qualidade (tanto técnica quanto fetichista), acompanhado por comentários breves, sensíveis e bem-humorados. E se você conhece, provavelmente já se sentiu familiarizado com sua criadora e gestora, a enfermeira norte-americana Sasha Cohen (ou Babygothgirl, ou BBG, ou Babyg). Seus textos tratam o bondage no estilo DID (damsels-in-distress, ou donzelas em perigo) com carinho e paixão, sem passar perto da pieguice ou da chatice monotemática de alguns aficionados.
Por que uma enfermeira se dedica a um blog tão completo – e que certamente demanda muito esforço – sem visar qualquer lucro? Por que uma mulher bonita (pelo que se pode ver nas raras fotos que ela publica), que teria um público cativo, não se atreveu a produzir seu próprio material? E por que uma lésbica assumida se preocupa em manter um blog cuja maior audiência é homens heterossexuais?
Perguntas tolas, é verdade, mas que certamente passam pela cabeça de quem acompanha seu Teatro do Perigo. Perguntas que podiam ser respondidas nas “Mondays Q’s & A’s” do site, mas que decidimos fazer diretamente a ela, via e-mail.

Por que você decidiu criar o Danger Theatre?
Eu o considero mais um passo em meu longo amor pela arena do bondage e a mitologia das donzelas em perigo. Ainda há alguns sites no ar, mas apenas uns poucos são gratuitos e NENHUM deles parece ter qualquer consideração pela história que leva às cenas que eles postam. Eu realmente vi uma necessidade de dar ao público um contexto a ser entendido em vez de apenas deixá-los às cegas,especialmente com o material que não é muito conhecido. Em outro nível, havia um desejo de superar os rapazes também.
Embora você tenha as Fetish Tuesdays, o que mais encontramos no Danger Theatre são cenas de filmes mainstream. O que há nesses filmes que torna o bondage mais excitante (ou pelo menos mais atraente)?
Creio que é simplesmente a sensação de desejo realizado pelos fãs deste gênero – isso é o mais próximo de qualquer trabalho fetichista que essas atrizes podem vir a fazer.Também há uma certa “honestidade”crua à tais cenas no cinema e na TV, onde não há riggers que se certificam de que tudo está perfeitamente amarrado.
Suas postagens já lhe renderam problemas legais?
Com meus clipes de filmes e TV nunca houve qualquer problema. Em relação ao material fetichista, houve apenas um produtor que me disse para postar nada dele e desde então eu evito postar clips ou fotos de produtores “sensíveis” aos seus direitos autorais. Por outro lado, aparecem sites menores que não têm muita exposição e que oferecem voluntariamente material para que eu os publique como propaganda gratuita.
Manter atualizações semanais é difícil, e você faz isso de graça. Não é a coisa mais comum nesses tempos materialistas. De onde vem a motivação?
Nem sempre é fácil, mas se eu não curtisse, eu não faria. Gosto do desafio que é rastrear clipes raros e obscuros para as pessoas apreciarem. É como uma caça ao tesouro esquisita. Também não sou fã de sites que te cobram para ver clipes extraídos da TV ou de filmes. Eu não vejo como pode ser legal cobrar as pessoas por clipes que você na verdade não possui.
Você sempre trata o tema de forma leve, gentil. É porque o bondage deve, antes de mais nada, ser divertido?
Não estou certa sobre o “antes de mais nada” mas acho que não precisamos levar tudo tããão a sério.Se você pode encontrar alegria de fato em algo, por que então se incomodar com isso?
A propósito: uma vez, quando você postou um video do YouTube em que garotas brincavam com silver tape, você escreveu algo como “rapazes, sejam legais nos comentários e elas podem ter vontade de fazer outros vídeos. Não sejam babacas”. Uma sugestão adorável – mas sabemos que babacas sempre serão babacas (risos).
A garota da brincadeira de amarrar do YouTube de hoje pode ser a diva do fetiche de amanhã ou só outra pervertida. Ou pode ser só uma fase boba que ela está passando. Quem sabe? Mas isso rola o tempo todo. Acho muito saudável que a molecada brinque desse jeito, é bom saber que o que eu fazia quando criança ainda acontece. É simplesmente uma pena que as pessoas tenham que projetar suas fixações sexuais adultas em algo que é essencialmente uma atividade inocente.
Se um garoto ou garota– como todos fomos um dia – sente que gosta de bondage, como ele pode descobrir um espaço na web sem achar que ele é um pervertido demente?
Dando um Google? Procurando no YouTube por vídeos de brincadeiras de amarrar também.
Já são três anos. Para onde o Danger Theatre vai?
Além de mais material, e melhor organizado, planejo seguir em frente. Gostaria de apresentar mais material DID Amador, feito em casa. Apenas pessoas se divertindo com cordas e mordaças.
Qual a maior conquista que você já teve nesses três anos?
Justamente a de que são três anos em que nunca, nem por um momento, pensei em abandonar o barco.

Você nunca pensou em entrar na indústria de bondage? Afinal, você tem bom gosto e imaginação para histórias, e um grande grupo de fãs. Por que não tentar?
De coração, já tenho um emprego que me paga muito bem e embora eu tenha brincado com a idéia e tenha feito umas investidas furtivas nessa seara, eu tenho essa garota que me ama muito e que prefere que eu não faça isso, e ela é a consideração mais importante.

As Fotos que ilustram essa super entrevista do Léo são do site da Vesta (Bondage Divas)