Há quase três anos muitas pessoas não fetichistas lêem meu blog.
Algumas por curiosidade, outras por amizade e os que vêm parar aqui através de pesquisas.
Claro que muita coisa salta os olhos, soa estranho, porém, alguns termos e conceitos chamam mais atenção e são alvos de perguntas infindas. Dois deles são os chamados campeões de audiência: a submissão e a palavra negociação.
Semana passada conversei com uma amiga sobre estes temas. Vá lá que consegui explicar as diferenças básicas entre a submissão como forma de atração sexual apenas, mas o termo negociação deixou algumas lacunas. Porque aqui há um detalhe: a negociação seria uma paquera quando comparado a uma conversa baunilha?
Não. Isso eu afirmo. Embora alguns fetichistas atuem em negociações quanto a ter uma relação submisso-dominante e considerem encerrada esta etapa quando se unem no sentido de realizar as fantasias pretendidas, esse espaço de tempo entre entendimento e realização corresponde a um período que deve ser dedicado a perguntas diretas e sem subterfúgios.
A intenção é fazer com que o fetiche caminhe em linha reta, sem curvas, até atingir ao objetivo principal de ambos. Devem estar explícitos todos os prós e contras, e claramente estabelecido que onde o direto de um dos parceiros começa o do outro termina, sem importar se existem diferenças litúrgicas entre dom e sub.
É preciso deixar bem claro que a negociação não termina no instante que ambos resolvem se entregar a uma relação fetichista. Ela segue com a mesma importância dentro das práticas que farão parte do desenrolar da fantasia que os fetichistas resolvem viver.
Criar um perfil ou um blog com as iniciais da pessoa dominante ao lado para alguns é sinônimo de status. Aqui no Brasil se adotou essa prática, que não é comum no universo fetichista como um todo. Porém, antes de pensar em dar nome aos bois é preciso ter plena consciência de que todas as etapas foram vencidas com êxito, que não haverá arrependimento e muito menos uma regressão de atitudes. Fetiche deve ser encarado com seriedade e boa conduta para que a reputação no meio seja sempre cartesiana.
É muito bom ver pessoas felizes realizando seus desejos e vivendo suas fantasias. Isso é o mais importante enquanto prazer pleno e absoluto. Se será eterno ou não ninguém sabe ou é capaz de supor, porque em se tratando de vida a dois tudo é possível, dentro e fora do planeta fetiche. É imprescindível, entretanto, que o fetichista saiba que a tal “negociação” nunca termina. Sempre haverá novas práticas em mente e novas tentativas de vivenciar coisas inéditas, aprendidas no dia-a-dia, na busca frenética por fortes emoções.
Esse conceito básico serve como exemplo a qualquer tipo de prática que exista no glossário fetichista, sem discriminação ou preconceito.
Exemplos há aos montes, desde gente que quebrou a cara a pessoas que alcançaram seus principais objetivos.
A negociação auxilia os indecisos, prepara iniciantes e serve como parâmetro aos mais experientes. Durante esse período nada pode ser omitido, nem mesmo em detrimento da realização dos desejos do parceiro Top.
O termo pode ter uma conotação diferente. Pode ter um sentido estranho a quem nunca teve acesso a certos significados. Seria o fetiche um negócio? Não, claro que não, porque o termo negociação, neste caso, se resume a apresentação dos argumentos, onde os fetichistas colocam em questão aquilo que mais lhes agrada quando se preparam para uma nova aventura.
Claro que assim como em qualquer situação existe a atração, a coisa de pele, a química, o olhar, mas devido ao alto grau de risco de algumas práticas faz-se necessário que as pessoas fetichistas deixem tudo claro no momento em que se preparam para a entrega. Lembrando sempre que a entrega é mútua e um (a) dominador (a) que não se doa a causa de uma submissa (o) não deveria se intitular assim.Este artigo expressa apenas uma opinião pessoal, assim como todo o conteúdo deste blog.










