Tai uma dúvida cruel.
O que você prefere fotografias ou vídeos? Claro que o papo é sobre fetiches, todos eles.
Dois conceitos diferentes de mostrar as cenas. A animação do filme ou os detalhes da fotografia. Confesso que já topei com este assunto inúmeras vezes e as opiniões divergem.
Concordo que tirar uma foto é menos trabalhoso, instantâneo e pouca gente se importa em posar para uma câmera fotográfica. Com o vídeo o buraco é mais embaixo.
Algumas pessoas se acham “distorcidas” nas imagens em movimento quando não se vêem com aptidão pra coisa. A diferença existe, e embora sensível, ela está num simples aspecto: para uma foto basta uma pose enquanto num vídeo é preciso ação.
Até aqui a discussão girou em torno do enfoque fotógrafo e modelo ou cinegrafista e atriz.
Porém, é preciso alongar o assunto quando se fala em colecionar este tipo de imagem.
Neste caso os conceitos se mostram totalmente distintos.
Os critérios analisados são parecidos. Um bondagista, por exemplo, colecionador de vídeos, alega que a fotografia é inanimada e não desperta tanto interesse pela falta da ação. Um gemido de uma mulher amordaçada não pode ser degustado numa foto, mas num vídeo a coisa rola. Fora o struggling, aquele gesto comum em cenas de bondage onde a modelo se contorce tentando se libertar.
Outras ações comuns a este tipo de produção são fatores que desequilibram a preferência dos colecionadores de matérias de bondage pelo planeta. O chamado hand gag que se processa durante a captura da heroína quando a mesma tem a boca tampada pelo algoz, o clorofórmio e o próprio ato de imobilizar em cena.
Entretanto, aqueles que tendem a colecionar fotografias também têm as suas alegações. Afirmam que numa cena filmada não é possível a observação de pequenos detalhes das amarrações. O material de composição das cordas, o tipo de algema, fitas, lenços, enfim, uma gama de minuciosas delícias que compõem esse universo. Sem contar o fato de através de uma imagem inativa ser possível observar aspectos da cena que passariam despercebidos durante a rodagem de um filme.
Seria então uma discussão interminável?
Suponho que sim, porque noves fora estas preferências citadas, não é difícil verificar que há grupos que não ficam sem os dois temas em questão. Um aprendiz de nós de bondage ou shibari pode desenvolver sua pratica através da observação de fotografias, e após ter total controle de suas ações realizar um vídeo de sua própria performance.
O meu parceiro VH que possuiu um acervo invejável de situações de captura e bondage é um exemplo de que é plenamente possível ter atração por fotos e vídeos na mesma proporção. E tudo isso fica bem claro nos grupos que ele criou na rede, onde os bondagemaníacos se esbaldam com uma coleção super completa.
É importante perceber que toda essa celeuma transcende uma questão que eu considero fundamental: as cenas amadoras e as profissionais. Este conceito também gera alguma discussão relacionada com preferências.
Há fetichistas que somente consideram viável colecionar as próprias cenas amadoras ou até de terceiros, desde que não haja o aspecto profissional envolvido no âmbito. Para outros pouco importa. E há ainda aqueles que preferem as cenas produzidas de forma profissional pela qualidade do material exibido, tanto nas fotos como nos vídeos.Portanto, existe uma necessidade de entendimento quando se fala em admirar produções em fotos ou vídeos. Por mais que fique explícita a preferência por determinado tipo de imagem, há outros aspectos que precisam ser analisados para desmembrar a questão como um todo.
Como produtor, costumo realizar meu trabalho de forma a atender estes dois conceitos. É inegável que o fato de manter trancado todo o acervo de minhas experiências amadoras faz com que fique claro que até mesmo quem expõe seu trabalho a milhares de pessoas por ano de maneira pública também guarda seus segredos.
Em fotos ou vídeos, é claro.
