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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Vida Bandida?


Se existe algo em voga nos dias de hoje é saber da vida alheia.
Não bastasse a jaula apelidada de BBB onde é possível saber até a marca do sabonete de quem se submete a um confinamento voluntário – claro que além do milhão e tal existe o desejo incontrolável de ficar famoso – cada vez mais é chique saber sobre a vida dos outros.
Pode parecer um começo de matéria ranzinza, contestador, mas não é nada disso.
A idéia é saciar um desejo que pode parecer estranho ou até diferente. Um fetiche que muitas mulheres têm de saber detalhes da vida das prostitutas.
Algumas confessam, outras não ligam e a minoria vira as costas. Porém, isso é fato. Já conheci mulheres que tinham vontade de ser prostitutas por um dia e dizem por aí que há empresas especializadas nos Estados Unidos, tipo “fantasy makers”, que elaboram planos mirabolantes para satisfazer as meninas.
Ora como dançarinas, subindo e descendo nos postes em cima de passarelas com uma liga bordada na coxa onde homens babam e colocam as propinas, ora passeando por uma calçada deserta numa rua de baixo meretrício.
Aqui não existe subterfúgio. Pra falar sobre fetiches o papo tem que ser reto.
Que me perdoem as conservadoras, mas mulher que não vive o papel de puta na cama acaba contando os galhos na cabeça. E isso vale também para os valetes, porque pode tirar o cavalo da chuva aquele que se acha acima do bem e do mal, que só enxerga putaria longe de casa.
Mas pera aí: pra ser puta na cama é preciso viver a fantasia de prostituta?
Claro que não, longe de mim dizer isso.
Viver a fantasia de ser prostituta por uma noite é um fetiche, nada a ver com via a dois, a três, a quantos quiserem.
Numa recente pesquisa realizada na Inglaterra, chegou-se a conclusão que os livros mais vendidos contam casos e histórias de ex-prostitutas em orgias lá pelas bandas da terra da Rainha. Sinal de que tem gente demais querendo saber de detalhes, e quem sabe, experimentar algumas coisinhas extras debaixo dos lençóis.
Por maior que possa parecer à rodagem fetichista, conversar com uma prostituta com boa bagagem a respeito de fetiches é um prato cheio. Eu adoro entrevistar essas meninas, aliás, tem uma boa matéria aqui.
Elas contam causos de arrepiar os cabelos. Simplificam fetiches complicados e de difícil aceitação publica e até privada, com a naturalidade de quem está acostumada a viver esses momentos com bastante freqüência. Deitam em caixões, evacuam em xícaras, urinam em rostos com a tamanha facilidade que assusta.
Suas vidas são como um grande teatro de comédia humana. Viajam através de contos de fadas e cenas de horror dignas de um Vincent Price e não se abalam, faz parte do clichê.
Talvez se não fosse preciso ter com este estilo de vida uma relação de sustento a vida para elas seria um mar de rosas, mas nem sempre é tão fácil viver esse lado “B” com a cara limpa, deixando em casa filhos e responsabilidade, totalmente diferente de uma simples fantasia sexual.
Neste caso a vida imita a arte.
Mas nosso caso aqui é fazer o contrário. Fazer a arte imitar a vida.
Portanto, escolha o visual adequado e aventure-se por aí em busca de novas aventuras que possam ser inesquecíveis.

Quer uma dica: o blog do meu amigão MrZ. Basta clicar e ver pedaços dessa matéria retratados em fotos reais, sem medo ou preconceito.
Se ainda assim houver a necessidade de impor um limite a sua fantasia, não custa elaborar um plano menos ousado, mas que funcione e se transforme na noite perfeita.

O fetiche é como uma roupa que não pode ser deixada a vida inteira no armário. Deve ser usado, pelo menos em ocasiões especiais.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Lia tem Sonhos


Ela é uma mulher linda, atraente e com sensualidade acentuada.
Vinte um anos de idade, muita história pra contar de aventuras em que cada capítulo retrata coisas incríveis. Vamos a elas.
Moradora da Cidade de Deus no Rio de Janeiro sofreu um estupro aos quatorze anos de idade de forma brutal, por um vizinho que até hoje olha nos olhos. “Na verdade eram três caras, amigos de uma prima viciada em maconha que me levou ao apartamento deles. Drogada e sem possibilidade de reagir diante da violência, pensei em me atirar da janela e só não fiz porque com o efeito da droga as minhas forças eram mínimas”.
Entregue a vida mundana desde o fato, Lia conta que seus dias passaram a ser páginas de publicações pornográficas em todos os modos e atitudes, até que um dia ainda menor de idade, encontrou nas páginas de um jornal uma “agenciadora” que lhe mostrou o caminho da prostituição. Mesmo correndo riscos por abraçar uma vida de meretrício ainda menor, Lia deu os primeiros passos para um submundo onde impera a lei do silencio e do temor.
Nessa conversa informal, ela apresentou um leque de experiências fetichistas de fazer inveja a qualquer livro ou manual de práticas. “O primeiro caso foi incrível. O cara tinha o aspecto do Pingüim, personagem do Batman, morava numa mansão na Estrada do Joá que tinha até elevador interno. Minha colega que me acompanhou já tinha me dado um toque de suas manias e logo quando chegamos ele nem quis me ver nua, mandou que eu evacuasse em cima de seu peito e assim que consegui tive que espalhar a merda por seu corpo até o pescoço. Saí assustada, mas dali em diante o que veio passou a ser tão normal quanto escovar os dentes”.
Lia sorri e continua com suas jóias raras: um cara que se vestia de empregada, lavava a louça na sua frente e ainda queria umas palmadas, outro que se vestia de mulher (feminização) e gostava que ela fizesse sexo oral com seu membro preso entre as pernas e virado na direção do ânus. Um segundo feminizado era passista e gostava de sambar de biquíni fio dental diante de seus olhos atônitos.
Vários podólatras fizeram parte de seus “clientes”. Desde um cara que exigia que ela usasse salto alto e se masturbava dentro do Escarpin, um outro que pedia que ela se apresentasse de tênis ou longas botas. “Esse era especial, porque além do chulé variado entre os diversos tipos de calçado, delirava quando eu esfregava a bota com força em seu rosto, ou com o cheiro da minha meia usada. Depois era só esperar ele terminar de se masturbar, pegar meu cachê e ir embora. Me davam pouco trabalho e eram muito educados”.
Dentro dessa educação fetichista colhida através desses contatos, Lia despertou ainda mais a cobiça da Cafetina a quem prestava seus “serviços”. Ela conta que havia um sujeito que gostava de ser humilhado desde o momento que ligava para a agencia, então passou a atender seus telefonemas e o ofendia de todas as maneiras possíveis. Excitado, o cara não hesitava em contratar o serviço imediatamente, a tal ponto de atingir o orgasmo em pouquíssimos minutos tão logo ela chegava ao local de encontro.
“Foram muitos, há até os que não me lembro, porém alguns marcaram e ainda fazem parte dos meus dias. O cara que queria ser amarrado com fio de nylon, o que adorava ser penetrado por um consolo e ser queimado com ponta de cigarro, até um bem velhinho que pedia para que eu cagasse numa xícara e depois de jogar o cocô fora dava uma levada superficial e dizia que no dia seguinte daria para a esposa tomar café”.
Lia garante que recebeu várias propostas de fazer sexo amarrada, mas nunca aceitou com medo de sofrer algum tipo de violência por estar indefesa.

Com um largo sorriso estampado na face, Lia contou suas histórias e com toda estrada fetichista que levo nas costas, garanto que muitas delas são mesmo verdadeiras, porque de outra forma ela não teria esse vasto conhecimento para entender de tantas coisas.
O que mais me impressionou foi à maneira despojada e sem subterfúgios que ela me concedeu essa entrevista.
Assumida, ela não se envergonha de nada e alguns arrependimentos a parte de coisas que ela mesma garante que não faria outra vez, Lia tem sonhos com uma vida normal, sem passar pelos abismos que ela tem que enfrentar todos os dias.
As pedras que apareceram em seu caminho jamais conseguiram tirar sua alegria de viver, mesmo tendo que se submeter a tanta maldade e falta de sentimento, o que faz essas experiências fetichistas parecerem os melhores momentos de sua vida de prostituição.
Ela me negou contar seus sonhos e desejos secretos e muito menos assumiu ter gostado de qualquer uma dessas práticas que ela teve que aprender, mas quando foi embora deixou um vazio que é até difícil de entender.