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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

As “Batatas” do Verão


Ainda há pouco, caminhava pelo Centro do Rio de Janeiro com meu amigo Carlos Alberto.
O destino: cortar o cabelo. Coisa simples mesmo, nada demais.
Nas ruas quentes como forno de microondas, apesar do anoitecer, um festival de vestidos curtos e pernas de fora.
Tudo de acordo com a estação do ano, aliás, todo mundo está careca de saber disso.
Mas existe um “porém” no meio, porque caminhando pela calçada estavam dois fetichistas, e quando isso acontece à rua passa a ter dois sentidos.
Como é de domínio público, pernas com batatas desenhadas terminando em tornozelos perfeitos são o meu ponto fraco. Sou daqueles fetichistas que se declaram sem a menor cerimônia e me confesso um tremendo “cara de pau” diante de uma imagem assim.
E já que olhar não ofende e muito menos tira pedaço, dei uma cutucada no Carlos e nem precisei explicar, até porque o distinto amigo está cansado de saber das minhas taras e, além disso, como uma coruja tinha o olhar tão direto que já me denunciava há um tempão.
Para que vocês possam ter uma idéia, meu radar avisa com a devida antecedência quando esse objeto de desejo está prestes a cruzar meu caminho. E dá pra ficar perdido qual cego em tiroteio porque a chapa esquenta e fixar a luneta numa única imagem é mais difícil que andar na corda bamba.
E as donzelas são tão maldosas que do nada aparece àquela batata de perna como se tivesse sido esculpida a mão com uma tatuagem um pouco acima do tornozelo...
Aí é sacanagem... Ainda passo mal em via pública por causa disso!
Acho que o Léo Jaime tinha mesmo razão quando cantou que a vida não presta. Elas passam, arrancam suspiros e olhares com certeza absoluta que a admiração parte de todos os lados e nem ligam se o sujeito entrar numa crise irreversível de paudurecência.
Seria tão simples se elas deixassem dar apenas uma mordidinha, nada demais, afinal que são alguns minutos em vinte quatro horas?
Para piorar, a brisa que suavemente refrescava o fim de tarde se fazia cúmplice dessas beldades que usam a rua como passarela. Como se fosse um assopro invisível, o vento era responsável por dar uma ligeira levantada no vestido um pouco acima dos joelhos exibindo ao vivo e a cores pernas perfeitas diante da minha sede fetichista quase incontrolável.
Puxei conversa, tentei pensar em outras coisas, talvez problemas do trabalho, mas nada tirava meus olhos das batatas ardentes que insistiam em cruzar comigo na avenida central.
De repente notei que eu e Carlos olhávamos para a mesma mulher, um pra parte de cima (O Carlos é louco por mulheres de rabo de cavalo) e outro pra baixo. Se fosse possível dividir aquele “bolo” até que seria engraçado, mas por mais maluco que possa parecer um fetichista os limites estão aí pra lembrar o próximo passo...

Bom, chegamos ao salão e o Waldir estava terminando com um freguês. O que fazer então? Seguir com o exercício pleno do masoquismo olhando para centenas de pernas que passavam na porta do barbeiro.
O celular toca, você fala com alguém, mas segue com o olhar fixo e percebe que nem a mente é capaz de controlar teus próprios instintos. É foda Zé!
O cara saiu e chegou finalmente a minha vez de fazer as pazes com o barbeiro.
Só restou pedir ao Waldir que antes de tudo molhasse minha cabeça com água gelada, assim, acalmaria minha extrema agonia que perfeitamente instalada nem dava sinais que estava a fim de ir embora.
Na volta estava escuro e já não havia tantas batatas de pernas pelo caminho.
Melhor assim, pois ainda tinha o que fazer por aqui...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Na Conta da Severina


O cara estava vidrado numa linda mulher que acabara de chegar ao bar.
E dava para ver detalhes, afinal era começinho de noite de verão com céu ainda claro e o Bar do Bardo é muito bem iluminado.
Coçava a orelha, apontava o celular na direção das pernas torneadas da dita cuja num disfarce perfeito, ninguém notava enquanto ele fingia que lia recados ou procurava algum número. O sujeito na maior cara de pau não dava pinta de modo algum. Ao seu lado, na mesma mesa, homens e mulheres num papo animadíssimo e ele totalmente em outro mundo, cara grudada no telefone, mas os olhos percorrendo da ponta do dedão do pé até a bainha da mini-saia.
Ela trajava uma micro saia jeans e uma sandália de salto médio daquelas com duas tiras feito as havaianas. E para piorar a situação toda vez que se esticava para pegar alguma coisa no balcão, ficava na ponta dos pés expondo solas limpinhas como se tivesse saindo do banho. A saia subia junto com a flexão dos pés e com um pouco de esforço dava até pra ver a cor da calcinha...
Impossível não perceber e como barata não desce escada de salto alto, aquela bela mulher já tinha notado que o cara não lhe tirava os olhos.
De repente alguém do grupo onde ela estava levantou e ela sentou naquele banco alto de balcão bem na frente do cidadão. Maldade pura. Dava pra ver o sadismo em seus atos...
Daí ele perdeu a linha e o disfarce foi pro espaço. Ajeitou-se na cadeira e grudou no vácuo da mulher que conversava com os amigos e matava o infeliz aos poucos com cruzadas de pernas de quebrar vidraça.
Claro que se eu estava percebendo e ela vigiava seu olhar, seus amigos e amigas aos poucos foram notando as atitudes do cara que fitava a bela morena clara como se fosse um filme no epilogo. Chamado às falas pelas pessoas de sua mesa, deu com os ombros e fez-se desligado com a cabeça em outro lugar, só que este local estava a apenas uns seis metros diante do seu nariz e sem se dar conta estava dando bandeira.
É bom que se diga que afastar um fetichista de sua imagem favorita é um problema dos mais sérios, e quanto mais ele se apaixona pela visão fica mais difícil quebrar o “vinculo”. O descontrole é quase certo se o cenário for aquilo que o fetichista anseia e mesmo sem saber se há reciprocidade ou não, absorve na mente cada momento que ficou diante da cena.
E o Bar do Bardo ficou pequeno pra tanta “emoção” e lá pelas tantas o sujeito nem se importava com nada só com aquelas pernas cada vez mais indecentes e descontraídas.
Mas a garota era mesmo de parar o transito. Dirão as más línguas que o cabelo era assim ou assado, que os olhos não eram lá essas coisas, mas as pernas pareciam sido esculpidas por uma artista em sua mais profunda inspiração.

Como um pernólatra assumido confesso que olhei também, não com a mesma volúpia do meu concorrente, mas guardando o mesmo desejo. E era bacana ver a disposição do rival com os olhos colados naquelas pernas e pés vociferando os piores palavrões para seu subconsciente quando alguém cruzava seu campo de visão e dava também pra notar a cara de poucos amigos nessas horas.
Nessa altura do campeonato acho que dava mais importância a reação do sedento fetichista que para aquelas pernas perfeitas. Era visível a insatisfação dos seus amigos diante dos fatos.
Só desliguei quando me cutucaram para me chamar a atenção por estar tão distante de tudo como aquele sujeito. Aí me dei conta que tinha que mudar de estação para entrar em sintonia com o que estava ao meu redor.
Ver uma expressão fetichista sempre me tira do sério. Gosto de analisar comportamentos e comprovar a felicidade que o cara exibia diante de uma imagem perfeita. Mas imaginem se ele pudesse tocá-la o quanto lhe faria ainda mais feliz? Quem sabe é melhor nem imaginar porque daria uma dor de corno de doer...
Sei que era hora de ir embora e pagar a conta, por isso fiquei com ódio da pobre da Severina que melou a noitada da galera porque queria ir cedo pra casa.
Essa está literalmente na conta dela...
Pensando bem foi melhor não saber o fim da história para o bem dele e, claro, para minha própria noite de sono.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Pernas


Sou totalmente contra aquela frase que diz: perna é a primeira coisa que se põe de lado numa transa. Afinal de contas, trepar sem olhar uma perna tesuda é o mesmo que beber coca-cola sem gás...
Viciado em bondage como sou, não seria leviano afirmar que uma das melhores imagens de uma amarração perfeita começa pelas belas pernas, juntas ou cruzadas numa sintonia geométrica.
Mas há detalhes nas pernas das princesas que cada um mostra a sua preferência. Que me desculpem as lindas meninas de pernas cabeludas, mas a sensação que tenho ao tocar numa perna cheia de pelos é a mesma de transar com um zagueiro do Madureira!
Mulher nasceu lisinha e tem que permanecer assim a vida toda, bem depilada como uma bola de encher de festa infantil. A meia de seda desliza melhor, a pele fica cúmplice dos beijos e carícias, enfim, são inúmeras vantagens que compensa o sofrimento que a cera quente causa a algumas. Eu disse algumas porque as que gostam de uma dorzinha devem apreciar esse “castigo”.
Na adolescência tinha um vicio incontrolável de olhar as pernas das professoras na sala de aula, tanto que um dia cheguei a levar um esculacho da cara cair. E as colegas de saia justa e plissada com a meia enrolada no tornozelo valiam umas três masturbadas diárias.
Morder uma batata da perna lisinha é uma sensação tão gostosa que deveria ser degustada de joelhos em reverencia ao indescritível momento. Quando tem marquinha de corda então, sai de baixo, é ouro sobre azul.
Chego então a iminente conclusão que sou um “Pernólatra”.
E se esse termo ainda não faz parte do glossário BDSM não se preocupem, pois acabei de inventar.
Faz uns dois anos estava indo para Petrópolis com minha namorada e paramos num restaurante chamado de Casa do Alemão. Quem mora aqui no Rio de Janeiro conhece bem o lugar. Mas em determinado momento fui surpreendido por um beliscão porque estava de olhos grudados num belíssimo par de pernas em cima de um salto perfeito...
É sou mesmo incorrigível...
Perna em bondage é um fetiche perfeito. Quando a mulher está com as pernas suspensas e amarrada pelos tornozelos, gera uma sensação de impossibilidade de reação capaz de levar a loucura qualquer bondagista que se preze. O efeito da exposição e vulnerabilidade é passível de coisas que até o diabo duvida.
Muitas mulheres ficaram famosas ao longo dos anos por terem pernas consideradas irretocáveis, mas imagine amarrar as pernas da Ana Hickman? Um metro e vinte centímetros de pernas, ta lá no Guinness Book, seria preciso alguns bons metros de corda pra sessão ficar perfeita. Um sonho de consumo...
Devaneios a parte, prometo nos próximos dias bolar um set fotográfico no Bound Brazil fazendo diferentes amarrações nas pernas de uma das modelos, claro, com uma canja pra galera que freqüenta esse blog. Pode deixar que peço ao Evandro Papa Mike pra colocar num link para download.
Resumindo, as pernas podem não ter o mesmo apelo de uma bunda, nem tão pouco ostentam o titulo de preferência nacional, mas garanto e assino em baixo que elas tiram o sono de muitos pernólatras como eu, afinal elas começam quando o sonho dos podólatras termina e deságuam as portas do paraíso.
Ou alguém aqui duvida?

(Crédito da foto: Restrained Elegance)