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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Lente e os Pés


Eles são anônimos.
Para muitos podólatras a identidade da dona dos pés é um mero detalhe.
Além dos inúmeros sites, blogs ou rede sociais que apresentam esse conteúdo, os pés são os mais procurados em qualquer clube ou festa fetichista.
Diria até que num universo fetichista os pés femininos seriam a preferência.
Presentes nas coleções dos admiradores, as fotografias dos pés tornam-se objeto de desejo de aficionados pelo mundo afora. Mas não é tão simples captar os detalhes que impulsionam essa magia, é preciso ter “feeling” para retratar o que os podólatras gostam de ver.
O melhor dentre todos os fotógrafos do planeta não teria sensibilidade suficiente para captar com sua lente o que esses artistas da podolatria costumam exibir.
Duvidam? Então vamos começar a falar desses caras ousados e sua doce demência.
Em Lisboa, Jota Ene sabe o que faz e traduz tudo sobre pés e fotografia em seu excelente blog. Basta conferir: http://pesysapatos.blogspot.com/
Nesse caso, melhor do que nunca, as imagens falam mais que um milhão de palavras.
O cara é simplesmente fantástico com as combinações de cores, pés e cenários. Um desfile prá lá de interessante, capaz de encantar olhares de quem nunca teve tendência a gostar de pés.
Mas deixa eu apontar a minha bussola para São Paulo e falar de um cidadão que tem a competência necessária para ilustrar em fotos esse nosso texto.
Marco Claro, esse é nome da fera.
Fotógrafo oficial, e também oficioso, do Feet Brasil do Clube Dominna, reúne em seu acervo mais de oito mil fotografias dos pés mais anônimos e mais famosos de norte a sul. Sua galeria é tão extensa e badalada que centenas de garotas ocupam sua agenda em busca de seu flash.
Porém, o Marco é um sujeito simples e nada lhe tira do pleno estado de consciência.
Considerando-se um viciado em fotografar os pés das moças, Marco é capaz de pegar um avião e partir numa viagem atrás de imagens para sua coleção. Uma obsessão que nada tem de doentia porque simplesmente o faz ser feliz.
Faz tempo que insisto com ele que esse acervo deve ser postado num blog ou fotoblog qualquer. Ele reluta, porque segundo suas próprias palavras há muito que fazer ainda para atingir o que ele considera ser a coleção perfeita.
Depois dessa dissertação sobre o trabalho do Marco, só me resta passar o contato dele para as meninas que queiram ter seus belos pés fotografados por sua lente. Mande um email direto que ele responde na hora: macmarco01@hotmail.com

Nesse contexto existem as fotos amadoras. Aquelas que são tiradas pelas próprias meninas que afagam o ego exibindo seus pés ao mundo cibernético, e outros lugares onde é possível fazer uma viagem por esse circuito fetichista.
Pés descalços, calçados, livres ou amarrados, todos são parte de uma cultura que a cada dia que passa se solidifica mais e mais, abocanhando apaixonados admiradores que fazem dessa fantasia um fetiche quase imune a críticas e preconceitos.

Fotos que ilustram o texto by Marco Claro.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Beleza e Inspiração

Ele não me pediu que publicasse a foto e muito menos reclamou qualquer autoria do texto, mas sempre que mesclamos belas imagens com palavras insólitas as duas coisas se completam de forma homogênea.
Náuticus, você foi feliz na foto e no texto


Certamente “esta imagem vale mais que mil palavras”, conforme o antigo jargão do meio jornalístico. Mas vale a redundância para melhor descrevê-la.
Trata-se de uma mulher que despertou para um novo mundo, cheio de aventuras, assim como as borboletas que se libertam de seus casulos para voarem livremente, desbravando novas sensações a cada movimento de suas asas.
Todo esse processo pode ser doloroso e sem dúvidas deixar marcas – na pele e, principalmente, na alma.
Mas as marcas são passageiras, as experiências
eternas.
(Foto: Os pés da Becky, www.boundbrazil.com)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Momentos

Mateus estava sozinho há pouco tempo.
Fetichista convicto e amante de podolatria foi a uma boate em Copacabana atrás de um encontro raso que pudesse afagar a alma e ter momentos de prazer depois de dias difíceis.
Fora casado com Andréia uma jovem médica que o havia trocado por um colega de profissão e já era carga bastante saber que mulher havia se interessado por outro, deixado um casamento de cinco anos com uma filha no meio. Mas ele na casa dos trinta, cheio de vida e vontade levou um tempo pra perceber que o que havia construído agora era passado.
Essa história aconteceu durante a Copa do Mundo de 1994 em que o Brasil sagrou-se tetra campeão e me lembrei de contar aqui porque Sábado passado nos encontramos depois de tanto tempo depois. Hoje, vivemos em lugares distantes e não somos mais vizinhos de porta como antigamente, por isso encontrar pessoas que se esvaem pelas estradas da vida é sempre complicado, mas essa história é interessante.
A pior coisa que existe é afogar as magoas em um bordel depois de uma relação desfeita, porém a grande maioria dos homens vive esse destino não obstante a época porque os bordéis existem desde que a humanidade se organizou. E quem não fez isso?
Mateus precisava naquele dia de um pé amigo que pudesse suprir a sua carência afetiva momentânea desde a separação. Me contou que tentava enxergar um par de pés na escuridão do assoalho do inferninho e, finalmente conseguiu unir o rosto à dona dos pés desejados, muito embora não tivesse uma visão perfeita.
Combinaram, beberam algum drinque a mais e partiram para a noite perfeita.
O encontro foi num motel de quinta categoria sugerido pela “atendente” o que segundo Mateus seria um local seguro para um primeiro encontro, nada de um local muito distante mesmo que tivesse melhores acomodações e a sugestão do apartamento foi descartada logo de cara e com elegância.
Resoluto, Mateus mergulhou de cabeça porque segundo suas próprias palavras era tudo que lhe restava fazer, trocar a agonia de uma separação e largar de vez as mágoas e sofrimentos em vão. “Ninguém merece sofrer por alguém que não se importa” – lhe disse naquele tempo.
- Quando cheguei naquele pulgueiro e dei de cara com aqueles pés maravilhosos quase tive um ataque e voei em cima – disse.
Ela apresentou-lhe um par de camisinhas e ele disse que queria beijar-lhes os pés.
- Mas meus pés estão sujos, suados, eu estava dançando o tempo todo e tenho que tomar um banho antes – ele disse que a garota havia ficado assustada com a ousadia.
Mas ele jogou-se no chão assim mesmo e sem o menor pudor arrancou-lhe as sandálias e começou a saciar seus desejos sem banho, sem nada. Gostou tanto que pagou o dobro e o encontro se estendeu noite adentro terminando na manhã do dia seguinte. Passou a freqüentar o local pelo menos três vezes por semana, pegou o telefone, ficou intimo e nem ao bordel precisou voltar para vê-la.
Essa relação se transformou num romance de vários anos que segundo Mateus só terminou há um ano e meio atrás. Ela deixou de trabalhar na boate, ele a assumiu e moraram juntos até não dar mais certo. Não quis comentar as razões que fizeram esse envolvimento desmoronar a fundo, mas me garantiu que viveu os melhores anos de sua vida a seu lado.
Estava tarde, havia filmado durante toda à tarde para o site e o cansaço já me baita a porta. Achei legal demais ter reencontrado Mateus e ter escutado sua história, é sempre bom saber por onde andam os amigos e tive sorte porque nos vimos já de noite após ele ter ido visitar parentes perto do local onde fomos vizinhos.
Nos despedimos e Mateus me confessou que dali sairia em busca de novas emoções em um outro bordel na tentativa de começar tudo outra vez.
Pano rápido!
(Crédito da foto: Blog Louco por Pés)