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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Da Inocência a Perversão


Pra muitos a distância entre a inocência e a perversão tem a extensão da estrada Belém Brasília. Outros, porém, não vêem dessa forma e, assim como eu, defendem uma tese muito simples: depende do olhar.
É possível enxergar a perversão numa obra de arte onde o nu artístico seja confundido com pornografia, da mesma forma que uma imagem tem uma conotação totalmente diferente do ponto de vista de quem a vê.
Na primeira fotografia que ilustra esse texto, por exemplo, a modelo Jamylle Ferrão gravou uma seqüência interessante que pode servir de fundo para esse assunto. Bolei uma cena de bondage deixando a nudez fora do contexto. Entretanto, algumas pessoas podem imaginar pornografia pela posição que a coloquei, embora ela esteja trajando um simples conjunto de short e blusa.
Pra mim as imagens são perfeitas, definem de todos os ângulos o sentido do fetiche de bondage, o aprisionamento total sem a mínima chance de escapar. Porque o site tem este padrão e o compromisso de mostrar através das imagens que produz aquilo que os assinantes querem ver.
Cacete! Mas precisava estar “arreganhada” desse jeito?
Ao receber esse tipo de comentário só posso responder que a primeira intenção foi à imobilização e o que vier adiante é pura conseqüência. Existem assinantes do site que repetem as cenas com suas parceiras e muitos deles utilizam esse recurso para elaborar suas fantasias.
E se existir aquiescência consensual para reproduzir a cena em circuito fechado, onde cada um responde pelos seus atos, fico com a sensação de dever cumprido, de ter produzido o que as pessoas esperam e desejam.
A posição em questão é comumente chamada de “frogtied” e faz alusão real a um sapo, devido à própria concepção da imagem, e não é fácil de ser reproduzida. A modelo tem que possuir elasticidade capaz de dar sentido ao que se quer encenar. Mas se me perguntarem se essa posição carrega o sexo nas entrelinhas posso dizer que sim, cem por cento, embora o clipe e as fotos postadas no Bound Brazil somente interpretem o fetiche de bondage.
Se o aprisionamento inocente sugere a perversão quando é exibido nos sites fetichistas com esse contexto, qualquer imagem pode ter essa relação, sem importar se expõe as partes íntimas ou não.
Nesse caso, uma posição hogtied que muitos têm como preferência, também leva esse selo.
Mesmo assim ainda fico com a questão do olhar. Do modo como o espectador encara o que vê e o efeito que isso produz. Qualquer um que não seja fetichista pode achar uma barbaridade pessoas admirarem fotografias de meninas amarradas. Concorda?
Daí, se a posição tiver um aspecto “mais doloroso” a paulada é certa e tem que ter caixa pra agüentar.
Como ninguém está obrigado a nada, o melhor é dizer que os incomodados que se mudem. Mas não é bem assim que a banda toca. A Internet é pública e mesmo que os sites sejam fechados por senhas de acesso e seu conteúdo exclusivo de seus assinantes, sempre escapa alguma dessas pérolas pela Internet, como aqui no blog, o que acaba gerando esse tipo de comparação.

Então é melhor explicar do que confundir, afinal pra isso que estamos aqui.
Se você tem paixão por esse fetiche guarde, colecione e leve consigo.
Se não tem, observe e imagine que para alguns isso serve de incentivo para os fetichistas e suas loucas fantasias inocentes e ao mesmo tempo perversas. E ao menos para nós, é como a melhor fatia do bolo.
Não fosse assim, o que seria do verde se todos gostassem do azul?

(Fotos: Jamylle Ferrão Bound Brazil e Hogtied do site Trussed Up)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Conspiracy: Opinião e Crítica


Ainda sobre o lançamento do filme Conspiracy, achei interessante publicar a opinião e critica avalizada de quem assistiu, conhece o fetiche e, acima de tudo, é especialista em roteiros.
Para nós que produzimos o filme, o que pensam Leo Vinhas e Sasha Cohen é de suma importância, por isso, apresentar nosso trabalho e receber estas avaliações dá uma sensação de que fizemos por merecer o que eles dizem.

Leonardo Vinhas (http://blogdovinhas.blogspot.com/)
Jornalista e provavelmente o único em seu país que escreve sobre Bondage e outros deliciosos fetiches.

Conspiracy é o primeiro filme brasileiro de bondage. Meu amigo, se você já está aqui, acho que eu não preciso lhe explicar o que isso quer dizer. Mas vá lá: quer dizer que, entre os milhares de fãs brasileiros que só sabem fazer barulho na internet, alguém se animou (ou melhor, se arriscou) a produzir material próprio, e de qualidade. Qualidade? Mais que isso. A essência de Conspiracy é a impensável combinação de bom gosto com paudrescência. Sim, o filme é um tesão. Sim, as garotas são maravilhosas, e estão amarradas de modo mais que verossímil. Você consegue acreditar que um grupo de facínoras amarraria suas vítimas de qualquer jeito? Pois até nesses detalhes – tão importantes para quem, arrã, se “diverte” com isso, ACM, o diretor, foi caprichoso. É uma história de fantasia, claro. Mas uma fantasia na qual você pode acreditar. E como se fosse pouco, tem o Rio de Janeiro de fundo, com belas cenas de “outdoor bondage” no meio da mata, coisa pra tarado nenhum botar defeito. Tem um cuidado com a história e as caracterizações que as melhores produções da Harmony costumavam ter. E tem mulheres belas como nenhum filme americano costumava ter. Não que isso seja um ufanismo gratuito que despreze a beleza das européias ou das estadunidenses, mas fale a verdade: quantas vezes você quis ver a beleza brasileira bem amarrada e amordaçada na tela? Pois está aí, em gloriosas cores e ao alcance do seu download. Pessoalmente, minha cena favorita é a do apartamento, com a loira e a ruiva ameaçando as duas morenas com uma faca enquanto elas estão amarradas e amordaçadas com silver tape em uma sala. Tem aquele senso de perigo e erotismo que caracteriza os melhores momentos das produções damsel-in-distress com um toque pessoal que, garanto, será inconfundível em pouco tempo. Ou melhor: já é, para quem acompanha o site Bound Brazil. Enfim, Conspiracy é o primeiro de uma leva que promete muitos. E estaremos todos na espera pra ver o que vem por aí. Cinema brasileiro no Oscar? Que nada! Bondage brasileiro na web – isso é o que dignifica nosso país!

Sasha Cohen (http://danger-theatre.blogspot.com/)
Blogueira, cronista de filmes e fatos sobre bondage, é também especialista em contos e textos dos mais respeitados nos Estados Unidos.

Em um dia lindo na Cidade do Rio de Janeiro, duas mulheres jovens são roubadas e seqüestradas por alguns criminosos neste intrigante conto de donzelas em perigo, “bondage” e “double cross”. Este é o primeiro filme de longa metragem realizado pelo Bound Brasil, com quase uma hora de duração, tomadas divertidas e interessantes “out-takes” no final. Eu analisei os aspectos do filme e foi divertido de assistir. As modelos são típicas meninas da porta ao lado, e viabiliza o contraste de belas mulheres se divertindo em detrimento de outras. O filme é rodado inteiramente em Português, embora eu tenha a absoluta certeza que a linguagem da Damsels in Distress é universal.
Por isso, vale assistir!

Assista ao filme e opine. Nós queremos saber!