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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dúvidas e Desabafo


Oi ACM, tudo bem?
Queria te contar uma coisa e ao mesmo tempo te pedir uns conselhos. Sinta-se livre para usar a história no Blog se quiser:
Casado há muitos anos, com filhos e sem chance de abrir meus desejos de bondage com minha esposa (bom, eu tenho 95% de certeza que ela não iria topar e mesmo que aceitasse 5% não valeria o risco de tudo que está em jogo) eu tinha que achar um jeito de fazer o negócio na prática, pois até então, só sites e vídeos.
Minha primeira tentativa foi numa viagem a negócios e tentei convencer a uma garota de programa, que ficou muito cheia de medos e não deu muito certo. A segunda vez, a menina até que deixou tudo mesmo. Depois disso, eu tentei muito, mas era difícil achar garotas de programa que topassem. Por fim, encontrei uma agencia de modelos sob medida.
Aqui tudo funcionou a contento, embora tivesse que pagar uma taxa chamada de “segurança” para a primeira vez e levou um tempo até que eu ganhasse confiança com a dona de lá. Eu pago o dobro da taxa normal, e mesmo que realmente não sejam as gatas que aparentam nas fotos, topam o que eu quiser no bondage.
Perguntas para você:
1 - Colocando a questão moral de traição de lado (porque acho que isso é comigo e minha consciência), você acha errado eu preferir isso a me expor publicamente para garotas no meu meio social, com o receio de que amanhã possam sair falando e me por a fama de pervertido?
2 - Estive pensando em divulgar o nome desse site, dado que é o único lugar que achei que fornece esse serviço e uma referencia das meninas que me atenderam. Será que isso é legal ou pode pegar criminalmente para mim ou algo do gênero? Aliás, talvez as tais meninas se interessem em posar para seus filmes...
3 - Me fale um pouco de como você vê a sociedade de hoje com relação ao fetiche. Sei que você defende a posição de que as pessoas devem assumir o que são, mas hoje eu vejo fetiches de SM muito mais discriminados do que era o homossexualismo nos anos 50. Tipo, se um pai de uma criança em um colégio fosse identificado, com certeza nenhuma criança iria às festas dos filhos dele, por exemplo... E vai por ai...
Joguei a bomba agora é contigo...

Meus Comentários:
Em primeiro lugar um fato deve ficar claro. Eu não costumo dizer que todos devem assumir o fetiche. No meu caso, devido ao trabalho comercial em função do Bound Brazil, tive que por a cara a tapa. Um site sem dono é como cão vadio na madrugada. Um avatar, neste caso, faria com que tudo fosse fantasia, quando a fantasia deve pertencer somente aos filmes e fotos que se produz.

Teu relato emociona por duas vias. Por dividir comigo e com todos um problema que não afeta só a você, o que me faz sentir útil e importante, principalmente pra mim. Recorrer a garotas de programa não é exclusividade sua, muitos já o fizeram e fazem. Já falei disso aqui e acho válido. No seu caso (que me desculpem as mulheres baunilhas) soa como uma doce traição, algo que por decisão própria você resolveu manter afastado de sua vida social.
Daí só há um jeito: ou recorre às meninas de vida horizontal ou definha sem rumo.
Encontrou um cantinho especial depois de muita garimpagem, deu sorte, conseguiu o que muitos ainda não tiveram a chance. Dividir o tal portal não é crime, desde que não saia empunhando a bandeira por aí...
Com relação ao fetiche na sociedade e a discriminação que se sofre, fica claro em sua própria carta: ninguém luta, todos aceitam. Então é fácil encontrar a exclusão.



Tudo que você fizer, que realizar, ainda que esconda contra os riscos, deve pesar quando você estiver em pleno exercício de consciência, no sentido de que seus sonhos e desejos, ainda que na clandestinidade, jamais se esfumacem com o tempo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Aventura Fetichista do PC


O telefone tocou umas três vezes até que uma voz suave apareceu na linha:
- Alô!
- Com quem eu falo?
- Quer falar com quem?
- Na verdade, é sobre o anúncio no site, gostaria de detalhes de como funciona e coisa e tal.
- Mas você quer falar com quem?
- Com a Érica, como diz o anúncio...
- Sou eu, nesse anúncio que você está vendo eu sou a Érica, sabe como é...
- Ok, então é contigo. Queria saber quanto vai me custar umas duas horas de sua companhia.
- Bom, sai por duzentos e cinqüenta mais o táxi e depende de onde você estiver, porque não é qualquer lugar que eu “atendo”.
- Estou no Centro e vou marcar contigo num motel na Praça Mauá. Pode ser?
- Pra que horas?
- Seis da tarde, mas tem uns detalhes que acho legal acertar pelo telefone.
- Eu não faço anal (?)...
- Nada disso. Eu gosto de fetiches e queria saber se você topa algumas brincadeiras...
- Que tipo de fetiche?
- Gosto de amarrar, fazer sexo com a mulher amarrada, essas coisas...
- Sadomasoquismo? Nem pensar!
- Nada disso, eu gosto de bondage, não curto sadomasoquismo.
- O que é isso?
- Deixa pra lá, na hora agente se entende e eu te explico.
- Ta legal, às seis então?
- Combinado.
O telefone desligou e PC estava convencido de ter feito um excelente negócio, afinal por cerca de trezentas pratas duas horas de prazer intenso estavam garantidas.
O fetiche de aluguel algumas vezes funciona, assim como uma roupa que se aluga para uma festa, tipo um Smoking que você tem a certeza de que só vai usar uma vez. Por mais que seja uma loteria, porque na verdade só existe uma voz do outro lado da linha, com jeitinho é possível viver uma aventura condizente que termine na realização da fantasia. Pode até rolar um bis, quem sabe...
Na hora marcada ele estava lá. Entrou sozinho pela garagem, pediu uma suíte e tratou de explicar que alguém estava a caminho e deveria ser levada ao seu quarto. Retirou seus apetrechos fetichistas duma mochila, tomou uma boa ducha e esperou o telefone tocar para receber sua parceira.
Embora não parecesse tanto com a fotografia que ele havia visto na internet, aquela garota esbelta na casa dos vinte e poucos anos estava bem vestida e sorridente. Pediu uma bebida, solicitou um clima a meia luz e, como de costume, aproveitou a musica para um strip-tease.
Mas o bravo PC queria outro tipo de festa, por isso apresentou suas armas e continuou a conversa sobre o fetiche trazendo nas mãos um novelo de cordas.
Foi a senha para a garota pular mais do que pipoca na panela e fugir das cordas como o Diabo da Cruz.
- Você ta maluco se pensa que vai me amarrar com esse monte de cordas!
- Calma, vamos conversar...
Nem deu tempo do PC tentar se explicar. A mulher queria ir embora no ato e foi preciso muita habilidade para mudar o panorama. Com extremo cuidado, ele procurou acalmar a menina mostrando fotos em seu laptop, onde apresentou o fetiche como um jogo de adultos, algo capaz de incrementar uma relação e realizar sua fantasia.

Claro que ela não queria perder o “programa” e o PC com aquela cara de bom moço é capaz de convencer até uma freira. Guardou o novelo de cordas e com um pequeno pedaço conseguiu que ela aceitasse participar da brincadeira.
Nos encontros seguintes a coisa foi esquentando de acordo com a confiança mutua e PC se aventurou em posições mais ousadas praticando seu fetiche de forma plena e consciente.
O problema é que o PC não se emenda e continua navegando pela internet sempre a procura de novas emoções. Como ele mesmo admite a conquista do convencimento para a prática representa quase 99% do prazer, e o resto é apenas complemento.
É, pode ser que tenha mesmo algum sentido... Vai saber...