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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Bondage e Arte


Simplificar é sempre muito bom.
Principalmente quando simplificar significa uma aproximação com o desejo.
Houve um tempo na minha vida fetichista que desejei ter as habilidades de um cara chamado Franco Saudelli. Um Italiano sessentão que na minha modesta opinião dá as cartas quando o assunto é desenhar mulheres em poses de bondage. E querer ser o Saudelli soava mais ou menos como se fosse possível ter o que se quer.
Pra isso, bastava olhar a vizinha e traçar um belo desenho com ela amarrada e amordaçada pra depois descabelar o palhaço até o sol nascer...
Mas infelizmente não tive e não tenho esse dom. O cartoon é uma arte que poucos dominam e no caso do Saudelli e de outros mestres em desenhos de bondage, o que eles rabiscam tem o poder de enfeitiçar mentes como a minha.
O que faz mais efeito num desenho fetichista é quando a idéia é inédita, vem diretamente da cabeça de quem cria a arte, porém em alguns casos uma imagem retratada tipo quadrinhos produz uma química bacana.
Alguns artistas amadores vez por outra me enviam desenhos de algumas fotos do site Bound Brazil. Utilizam a modelo de sua preferência e eternizam como se fosse um quadro a ser guardado pra sempre. Claro que isso afaga um pouco o ego por ter idealizado a cena ou de alguma forma por ser o patrono de tudo isso.
Semana passada o Nauticus, meu grande amigo e parceiro bondagista, me enviou um cartoon da Becky, modelo do Bound Brazil, retratada através de uma cena criada por ele e reproduzida por um cara apaixonado por suas fotos e poses, que começa a dar os primeiros passos nessa direção.
Achei legal dividir essa imagem aqui que me chamou a atenção pela maneira como foi concebida, e também pela idolatria entre o fetichista, a modelo e a cena.
Os quarinhos representam um tipo de fetiche, sejam eles sensuais ou não. Existem no mundo milhares de colecionadores e algumas revistas antigas de super-heróis chegam a custar uma fortuna quando são raras.
Quando esses quarinhos reproduzem imagens fetichistas a chapa esquenta, porque reúne duas correntes num só pensamento. Cá pra nós, existem desenhos tão bem feitos que chegam a ser impossíveis de serem reproduzidos de maneira real.
Falo isso com conhecimento de causa porque algumas vezes tentei trazer para a vida real algumas poses de bondage desenhadas pelo Franco Saudelli.
É a vida tentando imitar a arte...
Nesse um ano e meio de Bound Brazil cheguei a pensar em exibir o trabalho de alguns desses intrépidos artistas nas páginas do site, mas desisti na metade do caminho até por certo receio de misturar as estações. Claro que ter um vídeo reproduzido em cartoon acalmaria todas as minhas pouquíssimas vaidades, mas existe sempre a balança e daí sobressai o velho ditado de que em time que está ganhando não se deve mexer.

Quem sabe um dia eu volte a pensar no assunto e crie um portal paralelo para abrigar a arte desses caras e com isso voltar aos meus dias adolescentes. Seria como reconhecer as próprias origens ou fazer um caminho de volta. Sei lá, afinal um pouco de nostalgia não faz mal a ninguém, ainda mais quando as lembranças são as melhores possíveis.

Um recado a quem me enviou mensagem de congratulações pelo Bondage Awards 2010: Infelizmente não pude responder a todos os emails, por razões de compromissos profissionais e, também, fetichistas. Por isso, em meu nome e de toda a galera retribuo aqui, publicamente, todo o carinho que recebi, não só por mensagens diretas como através de comentários aqui no blog. Valeu, demais!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Lembranças de um garoto (ou... como tudo começou).


Por Nauticus Master

Aconteceu na Década de 80.
Era apenas um menino que brincava com carrinhos e sonhava em ter um videogame. Enquanto os brinquedos mais requintados não vinham, passava meu tempo – quando não estava ocupado com os estudos ou jogando bola (vida de criança é um stress só...) – assistindo desenhos animados.
E que felicidade quando passava “Os Apuros de Penélope (The Perils of Penélope Pit Stop - 1969)”! Não sabia o porquê, mas como gostava daquele desenho...
Algo dentro de mim me fazia torcer para o vilão. Quando ele finalmente pegava a mocinha, ela era amarrada e muitas vezes amordaçada – apesar de ser um simples lencinho por sobre a boca, mas para os padrões compatíveis com minha idade já era puro êxtase.
Outras heroínas também já passaram por situações de apuros nos desenhos animados. Lembro-me muito bem da bela Daphine, da turma do Scooby Doo. Ah... quando o falso fantasma capturava a ruivinha... E aquela bela jornalista do desenho das Tartarugas Ninjas, a April O´Neil, com aquele macacão amarelo, toda amarradinha.
Com essas e outras, comecei a perceber que isso me excitava. Notei que era uma criança “diferente”. Às vezes até me sentia culpado por gostar de ver a mocinha em perigo e por torcer tanto para o vilão.
Só depois de adulto descobri que outras pessoas também sentiam as mesmas emoções, desde bem pequenos, ao vislumbrarem esse tipo de cena. Será que o gosto pelo bondage está em nosso DNA? Imagino que sim. Caso contrário, como uma criança, na plenitude de sua inocência, se sentiria atraída por algo que ainda nem havia ouvido falar?

A questão está lançada. Aguardo os comentários.

Para colocar mais pimenta na narrativa do Nauticus, posto aqui um vídeo com a abertura do desenho animado da inocente Penélope em apuros nas garras impiedosas do vilão Tião Gavião (Silvestre Soluço) e dos irmãos Bacalhau...