segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Selo


A brincadeira é simples: recebe e passa adiante.
Mas não pensem que é corrente pra santo casamenteiro ou que ao repassar adiante a fortuna vai bater na sua porta. As meninas bolaram uma forma de socialização no meio BDSM, uma maneira de entender um pouco sobre quem escreve sobre o assunto na rede.
Dizem que o selo vem do blog da minha amiga Ternura, mas aqui chegou por iniciativa da Aldrey (Lesada e Apimentada) e da Rebeca.
Porém se faz necessário um esclarecimento: o selo original partiu do blog Miss Tery, com o nome de Selo Dungeon Miss Tery (http://missteryds.blogspot.com/). E já que veio parar aqui vamos entrar na dança.
A jogada é interessante porque entre receber o presente e reenviar, rolam umas perguntinhas básicas sobre algumas particularidades de quem é agraciado. Sem sombra de dúvida fica o registro do agradecimento a ambas pela forma carinhosa de ser citado e pela lembrança, e ainda que possa parecer um exercício de curiosidade feminina, não vou fugir às perguntas que recebi junto com o selo e responderei às questões enviadas.
Vamos lá?

1. Quanto tempo de BDSM?
Pois é, será que preciso dizer? Acho que já nasci pervertido, mas meu contato com o meio de forma direta e objetiva foi a partir de 1990 em Amsterdam. O bondagista normalmente traz consigo desde a infância determinados aspectos. Vive a expectativa de encontrar uma garota em perigo na próxima esquina. Flerta com o fetiche desde a primeira namorada e nem se importa em quebrar a cara num primeiro momento. A grande diferença fica evidente quando existe a aproximação com as práticas, com o meio fetichista. De repente tudo se transforma e ficar diante de pessoas iguais no começo assusta. Depois tudo entra nos eixos.

2. Como foi seu primeiro ano no BDSM?
Foi um ano de aprendizado. Saber a técnica demanda paciência e vontade. Não foi fácil aprender num lugar onde só feras praticam. Você acha que fazer uma cena de bondage é apenas imobilizar, mas quando está num meio onde mestres exibem técnicas incríveis a primeira vontade é de fazer igual, daí é preciso observar e buscar o feeling pra depois tentar realizar o que os outros te ensinam, ainda que toda a escola seja apenas pelo simples olhar.

3. Você se lembra da primeira pessoa que você conheceu no BDSM?
Como quis o destino que meu primeiro contato com o BDSM acontecesse fora do Brasil, seria injusto não citar alguém que me levou a conhecer essa cultura. Numa noite de Segunda-Feira um amigo chamado Van Essen me ensinou um caminho do qual jamais me separei, mesmo tendo alguns períodos de ausência. Depois disso vieram muitas histórias que estão aqui entre as tantas páginas desse blog, e se alguém assim o desejar basta procurar com calma para saber um pouco mais.

Bom, acho que cumpri meu papel.
Não vou publicar uma lista de blogs os quais são merecedores do selo porque na minha concepção todos deveriam estar neste rol. A iniciativa é tudo em se tratando de um universo onde a minoria ainda impera.
A minha esperança reside no aparecimento de mais espaços, na chegada de novos sócios de um clube que já foi um símbolo de resistência pra mim e tantos outros que preferiram ir pra casa, mas sem antes deixar por aqui uma bela lição.
Não é fácil construir um mundo cercado de rejeição.


A toda esta gente que se foi, envio um selinho destes, igual ao que recebi de pessoas muito especiais.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Medo e Lucidez


Alguns assuntos sempre foram proibidos pra ela.
A religião representou e ainda representa uma barreira, um muro que a separa de dois mundos. A criação sempre foi clara e objetiva. Fugir de todos os perigos da vida mundana encarando o sexo como apenas um ato de reprodução natural. O pavor das pessoas a sua volta quando uma cena mais ousada aparecia na televisão sempre foi sentido de perto, na carne, e por mais que o desejo lhe cortasse as entranhas ela aceitava passiva, sem coragem pra entender um mundo que até em sonhos tinha um aspecto de repreensão.
Ao mesmo tempo, parentes próximos enchiam a cara de cerveja nas manhas de domingo e assistiam ao Faustão na TV. Ela ficava sem entender nada diante de um tio barrigudo encharcado de álcool marretando as dançarinas em trajes “obscenos”. Tudo isso, claro, sem tirar os olhos.
Diana tem medo de tudo. E muito medo do fetiche que carrega escondido sem que ninguém saiba.
Aos vinte e sete anos o único contato que tem com o que mais gosta, com o que lhe corrói de desejos é por meio da Internet, através de passadas rápidas nas poucas vezes que está sozinha em casa.
Seus romances foram sem graça. Viveu relacionamentos prolongados sem saber ao certo onde estava e recebeu criticas por ter terminado com eles. Ela não consegue se explicar, arranja desculpas e inventa motivos sem sentido para na solidão continuar sonhando que num piscar de olhos a vida mude.
Hoje, Diana sabe que sua vida se partiu em dois. A lucidez é o primeiro passo para que ela consiga enxergar a que mundo quer pertencer. Ninguém deve se intrometer em suas escolhas e ela precisa ter a certeza do que quer.
O assunto é delicado, muitas pessoas preferem ignorar este tipo de conflito. Acham que é uma questão de foro íntimo e acreditam que ter uma opinião formada é o bastante. Mas não é tão simples para alguns. Determinados dogmas religiosos quando são imperativos costumam interferir na conduta individual a ponto de anular qualquer tentativa de imaginar alguma coisa fora do padrão que é sugerido por sua crença.
Claro que é possível conviver com os dois lados desde que não exista fanatismo.
Ter uma religião é importante para muitas pessoas. A fé às vezes tem um significado maior para uns do que pra outros, e no caso da Diana há uma luta interna árdua entre o que ela sonha e deseja contra os ensinamentos que influenciaram sua vida.
Ter consciência de que existe esta diferença para lidar é o mais importante.
Sinceramente, não me atrevi a perguntar a Diana sobre sua veia fetichista. Acho que no meio dessa cesta de dúvidas e incertezas o que menos importa é saber o que ela quer e sonha praticar. É necessário que ela reflita a esse respeito, repense sua vida e se a decisão for a opção por praticas fetichistas ter plena consciência dos problemas que irá enfrentar.
Há ainda a chance de escapulir, praticar clandestinamente sem que ninguém próximo perceba. Isso é fato, o mundo BDSM está repleto de praticantes que criam personagens para viver uma segunda vida, como se fosse um teatro de pessoas reais.
Portanto, tudo é válido desde que exista a noção exata da coisa certa a fazer...

Tickle Revenge

As historinhas de revanche normalmente dão muito resultado quando o assunto é bondage e Damsels in Distress. Quando envolvem cócegas como castigo a audiência triplica, causa arrepios na turma do gargarejo que delira vendo uma linda garota amarrada em posição hogtie tenho os pés atormentados por impiedosas doses de cócegas.
Nesse estilo, o site Bound Brazil exibe aos seus assinantes na noite de hoje o vídeo Tickle Revenge, com Jade Silva e Daphne e um photoset repleto de imagens incríveis.

Um bom final de semana a todos!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Faca Amolada


O Eduardo tem um problema. Seu fetiche é atípico, porém, com um apelo visual capaz de causar inveja a qualquer fetichista quando apresentado numa prática, mas longe de constar na lista de preferências ou estar entre os mais pedidos.
Praticante consciente, ele treina regularmente cenas de “Knifeplay”, o fetiche por facas. Não admite falhas, e não deve, aliás, este fetiche é tão particular que uma falha significa uma sentença.
Fetichistas dominantes costumam utilizar facas em algumas cenas. Posso garantir que alguns bondagistas também fazem uso desse objeto com o intuito de causar realismo à cena e medo à parceira. Mas o “knifeplay” é diferente. Numa cena BDSM as facas são tipicamente usadas para cortar roupas, arranhar a pele, remover a cera após os pingos de velas, ou simplesmente oferecer estímulo sensual.
Para alguns o “knifeplay” pode ser altamente erótico, com reações físicas e psicológicas intensas. É também uma atividade que requer cuidados extremos, por isso, a necessidade de aprender corretamente. Como acontece com qualquer tipo de jogo com instrumentos pontiagudos pode, potencialmente, tirar sangue. Como conseqüência há o risco de transmitir doenças sexualmente transmissíveis ao longo da prática. Além disso, existe o risco de cortar o lugar errado e causar perda excessiva de sangue, ou acidentalmente um esfaqueamento ainda que involuntário.
Mas o Eduardo não desiste fácil do fetiche. Sabe que a concorrência é acirrada e a demanda é difícil. Na lei de oferta e da procura ele sempre está em desvantagem porque tem muito caçador para pouca caça.
“Não é fácil convencer uma submissa a aceitar ter parte do corpo marcado com desenhos feitos com ponta de faca. Há o risco da marca permanecer pra sempre tatuada no corpo caso aconteça um imprevisto. Treino muito pra não errar, aliás, só uma vez perdi a mão e deixei um traço que me custou um ótimo relacionamento”. – Ele diz.
É complicado brother...
Na verdade, muitos praticantes de BDSM têm em seu lado baunilha um compromisso sério, um casamento, que fica distante do que costumam fazer. Por escolha própria assumem um lado B na vida e se relacionam clandestinamente através de fantasias as quais jamais fizeram parte de seus relacionamentos dentro de casa.
Nestes casos, ter a pele arranhada normalmente com as iniciais de quem cria o desenho é um risco extremo, uma confissão de que existe uma segunda face até então desconhecida e jamais imaginada. Por isso, fica explicito o medo quanto a jogos que incluam facas, punhais ou simples canivetes.
Marcas de cordas, açoites ou pingos de vela desaparecem com facilidade. Basta um creme corporal e um pouco de tempo pra tudo “voltar ao normal”.
Me faz recordar o caso de uma amiga submissa que implorava por um soco de seu dominador.
Mas não era um sopapo simples, tinha que ser com força e com vontade. Casada, insistia em ter consigo alguma marca que a fizesse lembrar de uma relação fetichista em vias de terminar.
De tanto insistir foi atendida e ao chegar em casa com o olho roxo simulou um ataque de um bandido na rua em busca de seus pertences. Claro que alguns objetos se foram, como o relógio e o cordão. Não prestou queixa, convenceu o marido que de nada adiantaria e conseguiu ficar com a marca por um bom tempo...

O ideal para uma boa cena de “knifeplay” é que seja praticada de forma monogâmica, entre parceiros que cultivem uma relação fetichista sólida e possam praticar sem sustos ou riscos.
Resta ao Eduardo e a outros dominadores seguirem com a procura pela cena perfeita.
O bom fetichista não foge ao desafio o que faz com que a realização da prática seja o nirvana alcançado.
Então meu caro é hora de ir à luta...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Introspecção Necessária


Existem dois conceitos que embora distintos, em algum momento se enquadram: amador e profissional. O significado das palavras faz parecer que o amadorismo flerta com a paixão e o profissional tende à responsabilidade.
Ainda que não seja essa a verdadeira diferença os termos soam como tal, mas na minha visão, a execução da obra pelas duas vias de acesso deve ser norteada pela paixão. Como imaginar um pintor que faz da arte a sua profissão realizando um trabalho tosco, sem brilho, feito de qualquer maneira?
A palavra que uniria estes dois conceitos seria simples: motivação.
Daí você reúne isso tudo, coloca num cesto e traz para o universo fetichista.
O fetiche amador com o único compromisso de agradar a quem o coloca em prática é a síntese da realização pessoal. Registrado por meio de imagens ou não, cabe a quem elabora a critica, o esmero, a sutileza dos mínimos detalhes. Aqui reside o lado bom da história, onde todos os contos são possíveis de ser transformados naquilo que gostamos de chamar de perfeição.
É a pura veia fetichista pulsando.
Não há hiatos ou pontos obscuros, vale o que é combinado e dá prazer. Quando duas pessoas resolvem realizar uma fantasia o objetivo a ser atingido é apenas transformar em real o que antes era abstrato, ou fruto da imaginação de ambos.
O amadorismo no fetiche é a parte boa da maçã.
O estado motivacional é natural e flui como um rio tranqüilo e calmo seguindo seu curso. Basta querer e tentar. Se der errado a correção é simples, faz-se na hora ou fica pra próxima, sem danos, sem preocupação, afinal a emoção é o que conta.
Uma laçada mais forte, um chicote que bate mais ríspido ou uma vela que pinga em demasia tem a censura de uma palavra previamente combinada, a qual costuma-se denominar “safeword”. Se houver uma restrição de voz por meio de uma mordaça firme a sentença vira um gesto, uma batida com os pés, um piscar de olhos, onde o importante é saber que existe o limite.
A mesma motivação que conduz o fetichista em suas cenas amadoras o transporta a ousar pelo universo profissional. O que muda é a regra. Sai o prazer sexual e entra a perfeição, retira-se a parceria consensual e coloca-se em seu lugar a praticidade da beleza inconteste. Parceiras modelos formam um batalhão de corpos perfeitos e rostos bonitos que irão mostrar ao mundo o fetiche a sombra de sua imagem e semelhança.
A saída do anonimato motiva. Você sente o salto, o solavanco, e passa a conviver com criticas e elogios na mesma proporção. Claro que a busca da perfeição será a mesma. Você sabe fazer, tem absoluta certeza dos passos a dar e se embrenha até descobrir que muitas de suas fantasias são agora, parte da imaginação de quem paga para ver o que você construiu.
A resistência é necessária pra que seu trem não saia dos trilhos. Manter seus conceitos e insistir em mostrar o que lhe fez chegar a dividir com todos o que só a seus sonhos pertencia.
O resultado deste conflito é a anulação total de sua capacidade de seguir com o fetiche de forma amadora. O lado profissional aniquila, exige, te arrasta de tal forma que a correnteza torna-se instransponível.
Méritos para sua capacidade de não sucumbir ao que jamais foi sua principal intenção.
O preço que se paga é maior do que a recompensa de um negócio que deu certo.

Hoje, em meio a problemas pessoais iminentes e precisando repensar entre o certo e o errado, entre a emoção e a razão, decidi tirar umas férias do site Bound Brazil. Ele segue impávido e eu fico. Talvez na vã tentativa de trazer o fetiche de volta aos meus dias, à minha vida, resolvi deixar as cordas com alguém muito competente que aprendeu comigo e me enche de orgulho por aceitar o desafio.
Um dia eu volto, consciente de que a semente plantada jamais será deixada de lado e sim regada por pessoas com plena capacidade de tocar um trabalho que viram de perto, o qual lhes motiva muito mais do que a mim mesmo neste momento.

O blog segue, afinal, escrever é um exercício anti-estresse do qual não abro mão.
Quem sabe descubro coisas enterradas por tanto tempo que quase sem querer deixei pra trás? É, quem sabe...

(Nas fotos dois momentos: Profissional em 2011 e Amador em 2006)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Clothing Fetish


O fetiche por roupas ou peça de vestuário é também considerado um fetiche sexual que gira em torno de uma fixação sobre um determinado artigo ou ao tipo de vestuário, uma coleção de roupas que aparecem como parte de uma moda ou uniforme, ou uma pessoa vestida com um tipo específico de tecido ou corte.
A definição clínica de um fetiche sexual exigiria que uma pessoa pudesse se fixar em uma peça específica na medida em que ele existe como um estímulo (ou recorrentes) exclusivo para o prazer sexual.
Aquele que apresenta um fetiche por peças de vestuário pode ser despertado pela visão de uma pessoa vestindo uma roupa em especial, ou usando uma peça qualquer, daí a atração se dá por causa do olhar ou através do uso. Neste caso, o fetichista sente atração por quem utiliza determinada peça e pode também obter alguma excitação ao ver alguém nela, e ao mesmo tempo, imaginando como se sentiria no lugar de quem aparece em cena.
Outro caso comum de excitação visual por roupas acontece quando são utilizados objetos restritivos.
Um fato comum ao Clothing Fetish pode ser também o prazer de colecionar certas vestes.
Fetichismo por couro, por exemplo, é o nome popularmente usado para descrever uma atração sexual por pessoas vestindo roupas de couro. O próprio tecido desperta incríveis atrações, assim como o cheiro e o som do couro em contato com a pele, e é muitas vezes um estímulo erótico para pessoas com tendências a gostar do fetiche. Uniformes de couro também podem se tornar um fetiche. O couro é, ocasionalmente, produzido com uma superfície brilhante e em cores vivas, proporcionando estímulos visuais para alguns fetichistas em especial.
A sensação de roupas de couro apertadas ou com aspecto desgastado pode ser definida como uma forma de escravidão sexual. Alguns equipamentos fetichistas usados para dominação são produzidos através de tiras de couro. A "cultura do couro", um termo que foi aplicado a partir dos anos sessenta na subcultura sadomasoquista nos EUA, por muito tempo funcionou como estimulo a práticas sexuais.
O fetiche por pônei envolve o uso de artes eqüestres para uso em seres humanos e o couro alcança estes praticantes e os equipamentos de uma forma geral.
Outro tipo de vestimenta capaz de gerar prazer em determinadas pessoas é o látex. A atração fetichista por roupas de látex ou por algumas peças em particular é um fetiche popular. Este tipo de fetiche pode ser também chamado de fetichismo por borracha, uma vez que o látex é um tipo de borracha. Fetichistas de látex podem ser definidos como "Rubberists". Variedades de fetichismo por látex incluem a inflação do corpo ou a simples atração por borracha transparente.
Roupas feitas de látex ou observar sendo usadas por outros, ou ainda, praticar fantasias eróticas com roupas de látex, catsuits, capas, trajes de mergulhadores ou roupas de proteção industrial representam uma fantasia muito comum. Um ícone de fetiche de látex é a dominatrix vestindo um collant de látex preto brilhante ou macacão de PVC.

O fetichismo por PVC é freqüentemente associado com o fetichismo por látex, embora os dois materiais sejam muito diferentes. Fetichismo por PVC envolve uma atração erótica para roupas de plástico brilhantes feitos de policloreto de vinila (PVC), ou através de um poliuretano similar. O PVC pode ser confundido com verniz brilhante. O fetichismo por PVC inclui também uma atração erótica para o vestuário, como capas de chuva de plástico transparente, slipcovers, roupas personalizadas feitas de PVC transparente ou artigos infláveis.


O fetichismo por Nylon inclui o uso de capas de chuva brilhantes, jaquetas, calças e meias.
Outras roupas e acessórios completam o Clothing Fetish, basta fazer a imaginação trabalhar a favor.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Alvíssaras


Aspas pra ele: “deve ser da maluca do 206. Toda vez que ela chega de porre esquece alguma coisa na garagem”.
A frase é do Luis, o porteiro do meu prédio. Morar sozinho tem um monte de desvantagens, mas algumas vantagens. Uma delas é que se todo porteiro sabe da vida de todo mundo é sinal que ele também toma conta da sua, e por morar sozinho só os vizinhos ficam sabendo, como foi o caso dos sapatos perdidos.
Um par de sandálias novas, pretas, bonitas, que despertaria o instinto de larápio em qualquer pordólatra de plantão, mas como este fetiche ainda não alcança meus anseios e desejos pervertidos, resolvi entregar a legitima dona.
Abandonadas entre meu carro e o outro, denunciavam uma noite intensa responsável por lapsos de memória, visto o lugar onde as sandálias foram encontradas.
Entretanto, como estou neste prédio há dois meses, fiquei encucado tentando imaginar quem era a Cinderela. Daí num exercício de imaginação plena e consciente, procurei lembrar das moças as quais tenham cruzado comigo nos corredores ou elevadores neste curto espaço de tempo. E nada, nada...
Só me restou tentar pensar no percurso. A escolha da sandália, a festa, o porre e, finalmente, a chegada em casa. Casada? Comprometida? O que leva uma mulher a esquecer as sandálias no piso da garagem? Se ainda fosse dentro do carro vá lá, mas ter o trabalho de colocá-las ao lado no intuito de calçá-las ao sair do veiculo e esquecer? Muitas perguntas, poucas respostas...
E se ela fosse fetichista?
Bem, o buraco seria mias embaixo. Talvez a pedido do parceiro se apresentasse em casa com os pés sujos, afinal, ele teria fetiches por pés imundos e ela estaria satisfazendo os seus desejos. Caso contrário levaria uma bronca, e daria também, pois de porre tudo é possível.
Poderia ser submissa, por que não? Seria uma forma de receber um castigo.
Mas era muito pensamento pervertido para uma manhã de domingo, por isso achei melhor esperar pelo próximo plantão do Luis e perguntar a quem pertenciam às sandálias para pelo menos saber quem se beneficiou da minha boa ação.