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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Conhecendo o Fetiche


Uma amiga que não havia tido contato com qualquer fetiche até ler o blog comentou: “outro dia num bar notei que um cara estava de olhos grudados nos meus pés. Calçava uma sandália que deixava meus pés a mostra. Confesso que deu constrangimento ao ver que o olhar do sujeito era direto, sem disfarces. Desculpa, mas achei que muitas dessas matérias fossem um delírio”.
Pois é, minha amiga perdeu a chance de levar o cidadão a loucura.
Claro, se ela tivesse interesse na pessoa que não tirava os olhos de seus pés e conhecendo os truques fetichistas, poderia começar um “dangling”, aquele movimento que as mulheres fazem colocando e tirando o calçado, ou de repente, bolaria algumas poses salientes balançando os pés até que o nobre podólatra perdesse a linha.
Como diz a canção, todo fetichista vai onde seu objeto do desejo está.
Mas pra que isso tenha sentido, duas coisas são importantes. A suposta parceira gostar da idéia de ter um fetichista a seus pés, nesse caso, literalmente, e que ela conheça o assunto.
Se existir essa química é partir para o abraço, mas nem sempre é assim e muitas vezes esse caminho é de pedras que se deve montar até alcançar o destino.
E se por acaso ela não quiser entender um fetichista sinto dizer, mas pior pra ela.
Tenho que concordar que alguns fetichistas tornam-se tão intensos que fica difícil haver um relacionamento com alguém que apenas deseja entrar na festa, realizar os desejos secretos da pessoa que gosta, sem ter a obrigação de pertencer a esse universo.
Já vi tanta gente mudar de opinião nesse mundo que falando ninguém acredita. Mulheres que hoje amam ter seus pés adorados por seus parceiros e que antes não davam à mínima nem para os cuidados que os pés exigem, e outras que não vêem nada de mal em usar cordas ou velas em suas relações. Só que essa intensidade deve ser moderada, sem exagero ou excessos, evitando o desgaste fatal que levará a relação a um ponto insuportável.
O fetichista deve preservar a sua conduta, deve ser moderado ao expor suas vontades a quem está apenas pisando em casca de ovos num mundo que jamais imaginou pertencer.
Saber começar, ter sabedoria para conduzir evitando o fracasso.
Costumo dizer que para o fetichista ter sucesso em sua busca é preciso se conformar em estar obrigado a dar “duas cantadas”. A primeira com o claro intuito de conseguir a mulher que deseja e a segunda na hora de falar de suas fantasias.
Portanto, prepare a saliva porque esse disco não muda. A música é a mesma desde que o mundo é mundo e quem não quiser se arriscar que procure nem tentar, porque o caminho é árduo e penoso brother!
Vale uma dica?
Bom, não precisa ser o mestre dos mestres, mostrar-se conhecedor de tudo que rola do lado de cá da linha. O boi da bunda branca normalmente se estrepa, se acha acima do bem e do mal e acaba passando a impressão de que sabe tudo, e ser o dono da verdade às vezes atrapalha.
Humildade pra reconhecer que sempre é bom aprender um pouco mais. É um bom começo.

Ter firmeza de propósito ao defender o que te faz sentir bem e comer pelas beiradas, mostrando o lado bom da coisa construindo uma relação fetichista nova, sem vícios do passado, principalmente para não deixar a impressão de que algum dia qualquer foi melhor do que hoje.
Cada caso é um caso e o que foi bom antes tem grandes chances de ser melhor ainda agora.
Não reconstrua, apenas construa.
Faça a parceira conhecer o fetiche, mas não se esqueça de que você está conhecendo junto com ela, porque por mais que tenha experimentado de tudo, com ela será apenas pela primeira vez.