terça-feira, 16 de abril de 2013

Toda Puta tem Chulé


Eu realmente tenho uns amigos com nicks complicados.
A ver: Ludovico Antropo, Ariovaldo Sereno, Doutro Palhares, ou seja, os caras criam os personagens e dão a eles os mais curiosos nomes.
E fetichista adora um papo.
E nesses papos aparecem coisas do arco da velha, muito piores que papo de marmanjo em mesa de bar falando de mulher. Pra dar liga tem que ter fetiche no meio ou não rola.
E a frase da semana veio do Ariovaldo: toda puta mora longe e tem chulé.
Não sei se ele pensou muito pra chegar a essa conclusão, sei que saiu do nada. Tá certo que o papo era a participação ou não das moças de vida horizontal nas paradas fetichistas dos caras, mas veio essa afirmação.
Aliás, que me perdoem as damas que escolhem esse caminho, mas o sujeito foi direto. E tão pouco explicou a razão pela qual falou com tanta certeza. Imagino que ele tenha ido levar alguém em casa pra chegar a tal conclusão, ou ao beijar uns pés na calada da noite tenha notado um cheiro azedo. Mais, não posso perceber.
Não houve depreciação das meninas, ele apenas disse. Claro que existe uma galera que curte mesmo um chulezinho nas meninas. Vários gostam, e existe até variação de grau. Pasmem!
Uns curtem o cheiro muito brabo, outros os mais amenos e acho até que o Ariovaldo joga nesse time pra dar tal declaração. E quanto a morar longe não há muito que dizer.
Então chegam as opiniões porque dividi o assunto desse papo com as moças, não as de vida horizontal, mas as amigas. Fato é que a maioria torceu o nariz ao prazer ofaltivo da galera, o que é uma grande bobagem.
Normalmente o fetichista se liga nos seguintes aspectos: visual, auditivo, ofaltivo e tato.
E conheço umas meninas que curtem odores, dos mais diferentes tipos, desde um bom perfume francês ao cheiro de uma axila suada. Pois é, tem sim. Daí não fica bem falar mal dos caras que gostam de um chulé na madruga. Aliás, várias opiniões femininas dão conta de que o fato das damas da noite trabalharem muito tempo com o mesmo calçado é o elemento causador dos odores apontados pelo Ariovaldo. Será?
Quanto a morar longe não vejo qualquer relação fetichista que possa explicar.
Mas reafirmo que “nojinho” em fetiches não cola. Tá com nojo escolhe outro tipo de sexo, baunilhão de preferência. Esse papo de corpos suados e bem natural é pra quem tem adrenalina no sangue.
No entanto, todos que mandaram sugestões quanto ao que disse o Ariovaldo, esqueceram de um simples detalhe: basta um bom banho e tudo muda certo? Nem sempre, podólatra que se preza detesta lamber sabonete. Pode perguntar...
Daí a questão fica complexa.
Mas apesar da complexidade é muito simples de entender. Fetichista é mesmo bicho esquisito, e procurar lógica em desejos alheios é como garimpar ouro na Avenida Paulista. Prazer é pessoal e intransferível, salvo em casos raros quando eles combinam o que faz com que os grupos se formem a ganhem força.

Resumindo, que o chulé das moças de vida horizontal seja bem vindo e de todas as meninas que não ligam muito pra essa coisa do politicamente correto no sexo. Porque o que é bom tem que ser compartilhado com quem faz parte da parceria e se o sujeito gosta do chulezinho agradar não custa, Se pensar o contrário vão perder para as putas.
Simples assim.
Me fez lembrar de um fato curioso certa vez que discutia sobre cheiros numa roda de amigos e amigas e uma das presentes foi categórica ao afirmar o seguinte: se beijar meu pé depois não me beija na boca...
Pois é, se a dita cuja tem nojo dela mesma há algo de podre no Reino da Dinamarca.
Vai saber...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Stenio e o BDSM


Sabe ACM, somos amigos há 29 anos, dá pra imaginar?
Muitas vezes achei estranho teu blog e esse mundo que tanto fala. Até conhecer uma pessoa mês passado que me fez ver algo que jamais supus viver na prática.
E tudo começou com uma brincadeira de queda de braço no Motel. Mas confesso que perdi de propósito e sei lá a razão. O mais legal de tudo foi sentir aquela fêmea arrancando minha roupa como jamais tinha ocorrido e usando meu próprio cinto da calça pra amarrar minhas mãos para trás. Dali em diante não tive qualquer participação.
Fiquei deitado, peladão, e quando aquelas unhas começaram a arranhar minhas costas a vontade que tive foi sair dali e enfiar a porrada na cara dela. Mas ela sabia a medida, porque pra cada arranhão e beliscão rolava um carinho no underground de deixar as bolas macias...
E puxava meus cabelos com vontade. Parecia que eu era um boneco desses de loja de shopping, e só faltava mesmo o terninho na vitrine.
Levei aquela sentada na cara quando ela me virou de frente e cadê o ar?
Eu nem pensei muito, porque foi abrir a boca e ela começar a se mover de forma doida. E eu ali, literalmente nas mãos daquela mulher que parecia ter o diabo no corpo. Porque era tanta unhada no saco e tapas no boneco que nem sei aonde arranjava tesão pra manter ele de pé. O bichinho nunca apanhou tanto e sem saber por que apanhava.
E a experiência dela era impressionante.
Maltratava e afagava com tamanha destreza que pensei estar em outro planeta. Era bom e ruim ao mesmo tempo, mas que no final dava um resultado inesperado. E fodam-se as marcas porque era dentada pra todo lado. Pescoço, costas, braço, perna, tudo era alvo daquela fúria incontrolável e eu ali, paradão, sem saber qual era a próxima.
Lambuzou os peitos de gel que pegou no armário do frigobar e se esfregou em mim. Fiquei doido. Alucinado mesmo! Achei até que tudo era irreal.
E nisso tudo conclui que ela já tinha gozado umas dez vezes sem me dar qualquer chance de falar isso ou aquilo ou quem sabe mostrar o que entendia por sexo.
Daí tirou a bota e me fez arrancar as meias soquetes com os dentes.
“Lambe” ela disse! E olha parceiro, nunca imaginei gostar tanto de chulé...
Até que lá pras tantas ela foi beijando minha nuca, descendo pelas costas, me deixando em êxtase total e num impulso quase sem ser notada me comeu. Isso meu camarada, experimentei a até então inglória sensação de cagar pra dentro. Só me restou morder a fronha.
Só que pra não me deixar na merda ao mesmo tempo iniciou um boquete que fez entregar os pontos. Nunca gozei tanto com o tal do BDSM.
Mas te confesso, ainda que docemente constrangido que nunca mais saio dessa onda.

Nota do blog: antes de descer a lenha é bom ao menos avaliar que pra entender as coisas boas da vida é melhor estar atento a tudo. Por que não tentar?
Valeu demais Stenio!

 É mais ou menos isso que aconteceu com o Stenio

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O Fake


“Tá certo, você diz e eu acredito. Como acredito em todas as pessoas, mesmo aquelas que não existem.”
Sabe, a internet mudou o mundo e trouxe uma grande contribuição. Globalizou, divulgou, mas fez nascer o “fake”, o embusteiro, o falso, o montado, o irreal.
Conviver com isso é complicado pra alguém que todos sabem quem é, mas mesmo assim eu tento, embora veja flagrantes disparidades, em blogs ou em redes sociais. As pessoas mexem com o imaginário alheio de todos os modos, mas quem trabalha com material humano, lida com corpos radicados no fetiche, sabe diferenciar uma foto real da outra montada e às vezes furtada.
Por isso, talvez eu seja tão descrente quanto à virtualidade ou as coisas que parecem ser. Converso com todos. Independente de serem reais, abstratos ou até brincalhões.
Mulheres que são homens, homens que são mulheres, tudo na NET é valido, permissivo, dinâmico, mas nem sempre isso é agradável.
O BDSM não perdoa os personagens que se mantêm presos ao anonimato pra sempre.
O BDSM não costuma punir esses personagens junto ao meio em que vivem, mas os pune de forma definitiva, aprisionando o personagem no contexto da pessoa que o cria.
E o pior de tudo isso é que algumas pessoas se especializaram tanto nesse negócio de “fake” que estão fazendo escola. Uma verdadeira corrente habita um mundo paralelo e imaginário onde um se conecta com o outro. Concordo que muitas vezes esses internautas sabem quem é quem e que nada além de um perfil falso está do outro lado da tela. Entretanto, o conteúdo muitas vezes é interessante, faz bem aos olhos, aguça, instiga, e tudo passa.
É bom esclarecer que “fake” nada tem a ver com anônimo, antes que comecem a jogar pedras nos comentários. Há pessoas que por razões pessoais não podem se expor, daí aparecem na NET anônimos, mas se apresentam quando há um evento, ou quando encontram alguém com a confiança suficiente pra se mostrar.
Algo que o “fake” jamais fará. Pelo simples fato de ser uma grande mentira montada.
Não há como criar um personagem totalmente falso e dar vida a ele. Seria o mesmo que supor que o Clark Kent exista de verdade e que de vez em quando ele voa por aí. Não rola.
Noutro dia conversando na NET com um desses “fakes” cheguei à conclusão de que essa pessoa é louca ou o louco sou eu. Porque esta criatura me disse que quando cansar do personagem e este não suprir as idéias que ele se dispôs ao construir tal montagem, ela construirá outro perfil, e, assim, sucessivamente até acabar o estoque.
Pergunto: pra que? Que graça tem isso?
Se o grande barato da internet, o bem maior que ela trouxe em beneficio da população foi facilitar o contato, como funciona uma mente que decide viver nessa “deep web” aprisionada?
Conheço muita gente dentro do BDSM que já arrancou os cabelos com esse papo de “fake”.
Gente que construiu esperanças de um dia ter na realidade o que alcançou pelo mundo virtual. Estas pessoas hoje nutrem ojeriza aos fakes que aparecem e reaparecem no BDSM de forma avassaladora.
E como evitar que estas pessoas apareçam em suas redes de amigos?
Bom, um “fake” não é um idiota, ainda que seja totalmente imbecilizado ele pensa. Procura adicionar pessoas conhecidas no meio, puxa papo, mostra que conhece alguém que todos sabem quem é. Dessa forma ele inicia a incursão no BDSM.

E quando topar com uma criatura desse tipo procure se proteger de todas as formas. Não adianta pensar em instrumentos que faziam diferença num passado remoto como webcam, porque essa gente possui dispositivos pra burlar isso, através de vinhetas programadas que resistem alguns segundos e depois desaparecem. Então a velha desculpa de que o sinal da NET caiu ainda rola.
A melhor maneira de lidar com o “Fake” é ignorar. Pode parecer simples demais, mas quem se dedica a essa brincadeira de péssimo gosto detesta ser ignorado...

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Revanche do Personagem


É incrível como o ser humano tem a douta capacidade de inventar personagens.
E isso não se limita a aventuras e fantasias sexuais. Há pessoas que criam seres imaginários e através de vidas inventadas conseguem admitir a existência de duas vidas em paralelo.
Mas criar personagens no universo fetichista é bem legal. Desde que a idéia não seja obsessiva e a questão surja bem trabalhada. É bom deixar isso claro por conta de alguns detalhes. Porque há pessoas que se cercam de grupos e criam perfis destrutivos com intuitos dos mais imbecis que se pode supor. Alardeiam intrigas, inventam fatos em busca de discussão e apostam em atitudes infames pra simplesmente chamar a atenção. Seria um caso médico, toque, escrizofenia, sei lá.
Mas vamos virar a página pra esse tipo de personagem e falar de coisas mais interessantes.
Difícil não é criar esse personagem dentro de um mundo de fantasias. É como um teatro, uma peça em que você escreve, dirige e atua. Aposta no desejo e traça o perfil do personagem de acordo com sua própria vontade. As características são estabelecidas com seu critério, com senso critico e você procura uma forma de inserir esse personagem dentro de um contexto onde inexistam formas de rejeição a quem você acaba de dar vida.
Pois bem, você agora faz parte de um circulo que antes era fechado, mas que lhe abre as portas. Porém, com o passar do tempo você ouve, vê e estuda outros elementos de personagens distintos que já transitam ao seu redor.
O mundo não se resume mais a você e seu personagem. É necessária a convivência porque você com o tempo saiu do mundo virtual e emprestou seu rosto a quem antes era apenas um avatar solitário numa pagina de internet.
E vida que segue...
Mas quando você pensa que está tudo cem por cento descobre que precisa rever alguns conceitos e necessariamente seu personagem carece de ajustes. E não são pequenas arestas a serem aparadas, porque a sua permanência no universo em que habita exige uma desconstrução do personagem por conta de um novo papel que ele precisa representar.
Você se sente inseguro e precisa de apoio.
Entretanto, se seu começo foi linear e autêntico você pode começar a ousar. Porque admitir mudanças não significa demérito ou compõe um rosário de culpas. O fetichismo permite descobertas, das mais tolas as mais significativas, e desde que você saiba lidar com tudo isso nada é motivo de desespero, afinal, lembre-se sempre que por mais lúdico que pareça seu personagem depende única e exclusivamente de você.
Não haverá revanchismo capaz de te tirar o sono uma vez que exista cumplicidade total entre o que você quer e o que te move. Afinal de contas personagens representam, nesse caso, o desejo explícito, escancarado e que deve ser um retrato daquilo que você desenha pra ele.
No entanto, se você pecou ao esconder suas fantasias quando criou seu personagem haverá problemas com essa mudança quando se fizer efetiva. Tudo é tolerável, menos a mentira, por mais sincera que seja a retratação.
Em resumo, ninguém cria um personagem pra viver só. Há o claro intuito de procurar a parceria que possa justificar a existência dos planos que foram traçados quando você escolheu o caminho. Portanto, nesse momento de desconstrução e a conseqüente reconstrução das hipóteses nada escapará ao crivo dos que junto com você criaram as regras do lugar onde você depositou seus sonhos.

Passando a limpo, essa história lhe cabe meu brother e amigo de longa data. Jamais admita que existe um senso de revanche de um símbolo que você mesmo construiu lá atrás. Ele é seu espelho e somente você pode daqui por diante abrir caminho para que ele possa de novo aparecer nos lugares aonde seus planos foram coerentes e corretos.
Mudar é preciso quando há a elegância de admitir que o que foi escrito já não faz mais parte de suas idéias e você tem um capitulo novo a escrever de uma história que só pertence a você.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Cilada


No fundo o sujeito sabia onde estava se metendo.
Evidente que nem tudo estava explícito e o que gerava os tais quilos de adrenalina era justamente o sabor do desconhecido.
Porque tudo que parte do centro da imaginação aguça sentidos.
E desejo não se explica, ele surge de onde menos se espera. Inspiração é pessoal.
Tudo que tinha era uma pagina do Google Map e um endereço no meio do nada. Do outro lado da linha e da tela uma mulher engatinhando em busca de se auto descobrir, e, ele, funcionando como um elo entre querer e realizar.
Claro que o assunto preferido girava ao redor de relações fetichistas, e havia impedimentos dos dois lados, compromissos assumidos na vida que limitavam muitas tentativas programadas. Mas dessa vez ela abusou da dose, e instaurou a cultura do medo que deveria ser a porção exata do veneno que ambos iriam experimentar.
Ela funcionava como a dona da idéia. O ponto dominante, ainda que de lado a lado não houvesse definido que papel representar no contexto. Onde estava a submissão? Em algum lugar do enredo se submeter era um estado de espírito, a aceitação da mais obvia vontade de estar envolvido completamente no que estava sendo escrito a duas mãos apenas. As dela.
Há limites nestas histórias, todo mundo está cansado de saber que o direito de alguém termina onde o do outro começa e que tudo, sem vírgulas, há de ser sempre consensual. Porém, basta que haja respeito e confiança de parte a parte pra que o rio siga seu curso e o caminho fique mais limpo, ainda que tudo comece e termine numa estrada empoeirada que vai dar numa fazenda antiga.
E os detalhes? Talvez seja a mola mestra de qualquer iniciativa que se use pra jogar, pra viver uma aventura, uma fantasia. Fetiche é detalhe, e como tal, eles foram exaustivamente discutidos, e como num pendulo, pendia pra um lado e buscava aceitação do outro.
Quando fetichistas decidem jogar a imaginação tem que estar o mais fértil possível. Apostar na fantasia e tentar de todas as formas planejar a execução com riqueza talvez seja a maneira mais simples de fazer as coisas encaixarem.
Mentes inteligentes e sãs topam esse desafio.
Por semanas as coisas se delinearam e tudo que ele naquele momento queria ler ou ouvir era a ordem pra por o carro na estrada. Sabia, entretanto, que as barreiras eram complicadas e o tamanho do enredo descrito que o faria cair na maior e melhor das ciladas ainda estava a passos de ser desenhado. Horas de angustia e um medo invisível deslizado goela abaixo criavam uma atmosfera torpe e indescritível.
E quando ela disse que tudo seria a sua maneira ele pirou. Uma piração em mono, sem poder dividir os canais, sem o eco necessário que pudesse dizer que ele era parte do plano, que sem ele nada seria possível e que sem seus desejos simplesmente estaria à deriva.
Mas apostou na própria fragilidade diante do fato a ser consumado e na inteligência e perspicácia de quem estava com a história elaborada e decidida.
Até que ouviu o sinal verde e partiu.

E foi passo a passo, tipo sem destino, embora soubesse que havia um caminho que o levaria ao lugar marcado. Mas como seria? De fato, quando se tenta criar uma aventura de uma simples idéia tudo é fácil e descomplicado enquanto é apenas um sonho e um desejo. Realizar exige critério, cumplicidade e coerência. E acreditar que tudo que estava por vir daria super certo fazia parte do seu personagem.
E cheio de pensamentos ele seguia.
A tarde caía naquele dia de outono e o mapa já apontava o ponto. O frio na barriga, o tesão, o fetiche, tudo isso latente e a sudorese inevitável somente o faziam supor.
Mas assim que o vulto de uma linda mulher entrou no carro ele gelou. Ela realmente cumprira a primeira parte do acordo e sereno atendeu a ordem de ir em frente e não olhar pro lado...

Um bom final de semana a todos!

terça-feira, 12 de março de 2013

Intolerância


Preferência sexual é coisa particular. O nome já diz: eu prefiro isto àquilo.
Daí, em certos casos, algumas dessas preferências se tornam práticas repetitivas e por conseqüência passam a ser consideradas um fetiche.
Alguns exteriorizam esses desejos outros não. Preferem o segredo.
Mas quando a preferência é pouco comum nem sempre a compreensão da sociedade é bem vinda. Porque é mais fácil admitir quem goste de bunda a quem goste de pés, por exemplo.
Muitas vezes o politicamente correto é preconceituoso.
E exclusão nesse modelo de sociedade latino infestado de dogmas e paradigmas é regra. Basta mencionar que você tem tendências a gostos diferentes dos considerados normais pelos gênios da intolerância e o tempo fecha. Porque todo mundo considera Freud um gênio, incontestável, e o que ele viu há cem anos atrás ainda é regra num lugar onde já existe luz elétrica.
E pior do que os especialistas são os entendidos. Pessoas que nunca flertaram com um assunto desses e quando batem de frente recorrem ao Google, a Wikipedia, na ânsia de achar um mísero significado sem saber que qualquer mortal pode postar o que quiser nesses lugares sem ao menos ter a noção básica exigida. E tome porrada!
As manifestações fetichistas não devem ser encaradas com desprezo, apenas com respeito.
Isso acontece invariavelmente quando alguém tenta convencer quem nunca experimentou uma fantasia a tentar. E por que não escolher pessoas do meio para esse tipo de jogo? Porque muitas vezes os encontros acontecem do lado de fora do circulo, justamente porque as pessoas que gostam de fetiches têm uma vida tão normal como de qualquer outro ser humano. Elas trabalham, estudam, se dedicam a projetos de vida nem sempre ligados a este tipo de atividade.
A sociedade impõe códigos de conduta em todos os sentidos. É midiático, moderno, cultural às vezes. As mulheres cheinhas hoje não têm vez diante da magreza assoberbada que preenche as páginas de revistas masculinas. Mulher pra ser gostosa e fatal nos tempos modernos tem que malhar seis horas por dia e tomar bomba. É a moda. E fodam-se as gostosas gordinhas porque elas têm uma barriguinha protuberante e estão fora de padrão.
Porém, acredita nisso quem quer. Os “maria-vai-com-as-outras”, os pobres de espírito, os que seguem as receitas da Ana Maria Braga e dão ouvidos as recalcadas do Saia Justa.
Meu desejo escolho eu, não a mídia.
Meu prazer é assunto pessoal e intransferível e nem tem na mão de cambista pra vender. Pra mim tanto faz, magra ou gordinha, se for mulher e gostar do que gosto é bem vinda. Mas não me venham com esse papo de perna dura ou perna mole, porque o que tem que estar duro é outra coisa, não as pernas.
Portanto, a intolerância social nos dias de hoje é algo a ser discutido. Não pode haver conformismo e ninguém deve fazer o papel de vaca de presépio a quem tenta impor o que é certo ou errado. Quem trepa sou eu, não esses críticos idiotas ou fotógrafos metidos a besta que criam esse tipo de banalização da mulher e do sexo. Porque alguns, nem de mulher gostam. Nada contra o homossexualismo, entretanto, há que haver reciprocidade do lado de lá com quem é hétero.

Por isso, eu sigo a minha receita que vem dando resultado faz mais de meio século. E pasmem, as fantasias sexuais têm tido boa penetração no universo baunilha. Cada vez mais é comum ver pessoas que não têm acesso a glossários fetichistas admitindo interesse em algumas práticas. O resultado disso é a divulgação, porque embora alijado da mídia que só se interessa quando uma celebridade lança mão de cenários fetichistas pra ganhar grana, o fetiche é atrativo pra quem quer mudar de ares, experimentar coisas novas e mandar a mesmice de vez pro espaço.



Então, dou as boas vindas aos novos habitantes desse universo que recebe quem chega sempre com os braços abertos e um sorriso no rosto. A intolerância aqui é assunto encerrado!