quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Revanche do Personagem


É incrível como o ser humano tem a douta capacidade de inventar personagens.
E isso não se limita a aventuras e fantasias sexuais. Há pessoas que criam seres imaginários e através de vidas inventadas conseguem admitir a existência de duas vidas em paralelo.
Mas criar personagens no universo fetichista é bem legal. Desde que a idéia não seja obsessiva e a questão surja bem trabalhada. É bom deixar isso claro por conta de alguns detalhes. Porque há pessoas que se cercam de grupos e criam perfis destrutivos com intuitos dos mais imbecis que se pode supor. Alardeiam intrigas, inventam fatos em busca de discussão e apostam em atitudes infames pra simplesmente chamar a atenção. Seria um caso médico, toque, escrizofenia, sei lá.
Mas vamos virar a página pra esse tipo de personagem e falar de coisas mais interessantes.
Difícil não é criar esse personagem dentro de um mundo de fantasias. É como um teatro, uma peça em que você escreve, dirige e atua. Aposta no desejo e traça o perfil do personagem de acordo com sua própria vontade. As características são estabelecidas com seu critério, com senso critico e você procura uma forma de inserir esse personagem dentro de um contexto onde inexistam formas de rejeição a quem você acaba de dar vida.
Pois bem, você agora faz parte de um circulo que antes era fechado, mas que lhe abre as portas. Porém, com o passar do tempo você ouve, vê e estuda outros elementos de personagens distintos que já transitam ao seu redor.
O mundo não se resume mais a você e seu personagem. É necessária a convivência porque você com o tempo saiu do mundo virtual e emprestou seu rosto a quem antes era apenas um avatar solitário numa pagina de internet.
E vida que segue...
Mas quando você pensa que está tudo cem por cento descobre que precisa rever alguns conceitos e necessariamente seu personagem carece de ajustes. E não são pequenas arestas a serem aparadas, porque a sua permanência no universo em que habita exige uma desconstrução do personagem por conta de um novo papel que ele precisa representar.
Você se sente inseguro e precisa de apoio.
Entretanto, se seu começo foi linear e autêntico você pode começar a ousar. Porque admitir mudanças não significa demérito ou compõe um rosário de culpas. O fetichismo permite descobertas, das mais tolas as mais significativas, e desde que você saiba lidar com tudo isso nada é motivo de desespero, afinal, lembre-se sempre que por mais lúdico que pareça seu personagem depende única e exclusivamente de você.
Não haverá revanchismo capaz de te tirar o sono uma vez que exista cumplicidade total entre o que você quer e o que te move. Afinal de contas personagens representam, nesse caso, o desejo explícito, escancarado e que deve ser um retrato daquilo que você desenha pra ele.
No entanto, se você pecou ao esconder suas fantasias quando criou seu personagem haverá problemas com essa mudança quando se fizer efetiva. Tudo é tolerável, menos a mentira, por mais sincera que seja a retratação.
Em resumo, ninguém cria um personagem pra viver só. Há o claro intuito de procurar a parceria que possa justificar a existência dos planos que foram traçados quando você escolheu o caminho. Portanto, nesse momento de desconstrução e a conseqüente reconstrução das hipóteses nada escapará ao crivo dos que junto com você criaram as regras do lugar onde você depositou seus sonhos.

Passando a limpo, essa história lhe cabe meu brother e amigo de longa data. Jamais admita que existe um senso de revanche de um símbolo que você mesmo construiu lá atrás. Ele é seu espelho e somente você pode daqui por diante abrir caminho para que ele possa de novo aparecer nos lugares aonde seus planos foram coerentes e corretos.
Mudar é preciso quando há a elegância de admitir que o que foi escrito já não faz mais parte de suas idéias e você tem um capitulo novo a escrever de uma história que só pertence a você.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Cilada


No fundo o sujeito sabia onde estava se metendo.
Evidente que nem tudo estava explícito e o que gerava os tais quilos de adrenalina era justamente o sabor do desconhecido.
Porque tudo que parte do centro da imaginação aguça sentidos.
E desejo não se explica, ele surge de onde menos se espera. Inspiração é pessoal.
Tudo que tinha era uma pagina do Google Map e um endereço no meio do nada. Do outro lado da linha e da tela uma mulher engatinhando em busca de se auto descobrir, e, ele, funcionando como um elo entre querer e realizar.
Claro que o assunto preferido girava ao redor de relações fetichistas, e havia impedimentos dos dois lados, compromissos assumidos na vida que limitavam muitas tentativas programadas. Mas dessa vez ela abusou da dose, e instaurou a cultura do medo que deveria ser a porção exata do veneno que ambos iriam experimentar.
Ela funcionava como a dona da idéia. O ponto dominante, ainda que de lado a lado não houvesse definido que papel representar no contexto. Onde estava a submissão? Em algum lugar do enredo se submeter era um estado de espírito, a aceitação da mais obvia vontade de estar envolvido completamente no que estava sendo escrito a duas mãos apenas. As dela.
Há limites nestas histórias, todo mundo está cansado de saber que o direito de alguém termina onde o do outro começa e que tudo, sem vírgulas, há de ser sempre consensual. Porém, basta que haja respeito e confiança de parte a parte pra que o rio siga seu curso e o caminho fique mais limpo, ainda que tudo comece e termine numa estrada empoeirada que vai dar numa fazenda antiga.
E os detalhes? Talvez seja a mola mestra de qualquer iniciativa que se use pra jogar, pra viver uma aventura, uma fantasia. Fetiche é detalhe, e como tal, eles foram exaustivamente discutidos, e como num pendulo, pendia pra um lado e buscava aceitação do outro.
Quando fetichistas decidem jogar a imaginação tem que estar o mais fértil possível. Apostar na fantasia e tentar de todas as formas planejar a execução com riqueza talvez seja a maneira mais simples de fazer as coisas encaixarem.
Mentes inteligentes e sãs topam esse desafio.
Por semanas as coisas se delinearam e tudo que ele naquele momento queria ler ou ouvir era a ordem pra por o carro na estrada. Sabia, entretanto, que as barreiras eram complicadas e o tamanho do enredo descrito que o faria cair na maior e melhor das ciladas ainda estava a passos de ser desenhado. Horas de angustia e um medo invisível deslizado goela abaixo criavam uma atmosfera torpe e indescritível.
E quando ela disse que tudo seria a sua maneira ele pirou. Uma piração em mono, sem poder dividir os canais, sem o eco necessário que pudesse dizer que ele era parte do plano, que sem ele nada seria possível e que sem seus desejos simplesmente estaria à deriva.
Mas apostou na própria fragilidade diante do fato a ser consumado e na inteligência e perspicácia de quem estava com a história elaborada e decidida.
Até que ouviu o sinal verde e partiu.

E foi passo a passo, tipo sem destino, embora soubesse que havia um caminho que o levaria ao lugar marcado. Mas como seria? De fato, quando se tenta criar uma aventura de uma simples idéia tudo é fácil e descomplicado enquanto é apenas um sonho e um desejo. Realizar exige critério, cumplicidade e coerência. E acreditar que tudo que estava por vir daria super certo fazia parte do seu personagem.
E cheio de pensamentos ele seguia.
A tarde caía naquele dia de outono e o mapa já apontava o ponto. O frio na barriga, o tesão, o fetiche, tudo isso latente e a sudorese inevitável somente o faziam supor.
Mas assim que o vulto de uma linda mulher entrou no carro ele gelou. Ela realmente cumprira a primeira parte do acordo e sereno atendeu a ordem de ir em frente e não olhar pro lado...

Um bom final de semana a todos!

terça-feira, 12 de março de 2013

Intolerância


Preferência sexual é coisa particular. O nome já diz: eu prefiro isto àquilo.
Daí, em certos casos, algumas dessas preferências se tornam práticas repetitivas e por conseqüência passam a ser consideradas um fetiche.
Alguns exteriorizam esses desejos outros não. Preferem o segredo.
Mas quando a preferência é pouco comum nem sempre a compreensão da sociedade é bem vinda. Porque é mais fácil admitir quem goste de bunda a quem goste de pés, por exemplo.
Muitas vezes o politicamente correto é preconceituoso.
E exclusão nesse modelo de sociedade latino infestado de dogmas e paradigmas é regra. Basta mencionar que você tem tendências a gostos diferentes dos considerados normais pelos gênios da intolerância e o tempo fecha. Porque todo mundo considera Freud um gênio, incontestável, e o que ele viu há cem anos atrás ainda é regra num lugar onde já existe luz elétrica.
E pior do que os especialistas são os entendidos. Pessoas que nunca flertaram com um assunto desses e quando batem de frente recorrem ao Google, a Wikipedia, na ânsia de achar um mísero significado sem saber que qualquer mortal pode postar o que quiser nesses lugares sem ao menos ter a noção básica exigida. E tome porrada!
As manifestações fetichistas não devem ser encaradas com desprezo, apenas com respeito.
Isso acontece invariavelmente quando alguém tenta convencer quem nunca experimentou uma fantasia a tentar. E por que não escolher pessoas do meio para esse tipo de jogo? Porque muitas vezes os encontros acontecem do lado de fora do circulo, justamente porque as pessoas que gostam de fetiches têm uma vida tão normal como de qualquer outro ser humano. Elas trabalham, estudam, se dedicam a projetos de vida nem sempre ligados a este tipo de atividade.
A sociedade impõe códigos de conduta em todos os sentidos. É midiático, moderno, cultural às vezes. As mulheres cheinhas hoje não têm vez diante da magreza assoberbada que preenche as páginas de revistas masculinas. Mulher pra ser gostosa e fatal nos tempos modernos tem que malhar seis horas por dia e tomar bomba. É a moda. E fodam-se as gostosas gordinhas porque elas têm uma barriguinha protuberante e estão fora de padrão.
Porém, acredita nisso quem quer. Os “maria-vai-com-as-outras”, os pobres de espírito, os que seguem as receitas da Ana Maria Braga e dão ouvidos as recalcadas do Saia Justa.
Meu desejo escolho eu, não a mídia.
Meu prazer é assunto pessoal e intransferível e nem tem na mão de cambista pra vender. Pra mim tanto faz, magra ou gordinha, se for mulher e gostar do que gosto é bem vinda. Mas não me venham com esse papo de perna dura ou perna mole, porque o que tem que estar duro é outra coisa, não as pernas.
Portanto, a intolerância social nos dias de hoje é algo a ser discutido. Não pode haver conformismo e ninguém deve fazer o papel de vaca de presépio a quem tenta impor o que é certo ou errado. Quem trepa sou eu, não esses críticos idiotas ou fotógrafos metidos a besta que criam esse tipo de banalização da mulher e do sexo. Porque alguns, nem de mulher gostam. Nada contra o homossexualismo, entretanto, há que haver reciprocidade do lado de lá com quem é hétero.

Por isso, eu sigo a minha receita que vem dando resultado faz mais de meio século. E pasmem, as fantasias sexuais têm tido boa penetração no universo baunilha. Cada vez mais é comum ver pessoas que não têm acesso a glossários fetichistas admitindo interesse em algumas práticas. O resultado disso é a divulgação, porque embora alijado da mídia que só se interessa quando uma celebridade lança mão de cenários fetichistas pra ganhar grana, o fetiche é atrativo pra quem quer mudar de ares, experimentar coisas novas e mandar a mesmice de vez pro espaço.



Então, dou as boas vindas aos novos habitantes desse universo que recebe quem chega sempre com os braços abertos e um sorriso no rosto. A intolerância aqui é assunto encerrado!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Bastinado


Nada é mais fetichista que os pés.
A mulher quando quer e sabe, conquista com os pés.
Porque existem muitas formas de gostar dos pés femininos no universo fetichista. Claro que nem todas agradam, mas aqui as cores e sabores se misturam e criam essa atmosfera única e permissiva a quem se dispõe a tentar.
Os pés atraem a submissão. O castigo imposto por eles. Por outro lado, atraem olhares dominantes.
E uma das faces dominantes de gostar dos pés femininos responde pelo nome de bastinado.
Bastinado é bater com um bastão, mas em BDSM se utiliza o termo pra exemplificar castigos nas solas dos pés. Os pés são amarrados e nas solas se aplica o castigo, a punição. Sim, um ato sadomasoquista, antes que alguém observe. Deve existir total consentimento pra tanto.
Há quem goste, também há quem considere um ultraje castigar algo que tanto se idolatra.
E dentro do grupo dos apaixonados por bastinado há os obcecados, como em toda fantasia fetichista. Pessoas que assinam sites especializados nesse tipo de prática e que garimpam pequenos vídeos pela internet, uma vez que é um fetiche que muitas vezes omite rostos e passa tranquilamente diante dos olhos de censura nos canais.
O também chamado “foot whipping” é cercado de histórias e lendas.
Muitos observam o bastinado em castigos da idade antiga e existem relatos que até hoje em alguns países do oriente se utiliza de tal prática como forma de punição a infratores da lei. Uma tortura que deixa marcas quase imperceptíveis que acabou migrando para o universo do BDSM e atrai muitos praticantes.
Evidente que quando se fala de dor e prazer existe toda uma conjuntura que rege esses elementos. Ninguém aceita um castigo desse porte sem ter a certeza de que influenciará em suas reações corpóreas a ponto de despertar interesse sexual. Portanto, as moças que gostam de ter seus pezinhos adorados e acariciados não precisam olhar as solinhas bem cuidadas e imaginar vergões de açoite. Isso é uma prática pra quem tem interesse.
E os interessados em bastinado têm um vasto acervo à disposição.
Uma das obras que mais me chamou a atenção foi com a belíssima modelo Ariel Anderssen de quem sou fã de carteirinha. Como bom fetichista costumo cultuar o que é bem bolado e possui conteúdo. E esse filme conta a história de uma designer de sapatos, a jovem inocente (Ariel Anderssen) que bate de frente com um chefe inescrupuloso que insiste que ela deve ser duramente castigada por uma série de reclamações de clientes sobre pés doloridos depois de terem usado seus projetos de calçados.
Belas moças encenando coisas bem reais. Isso é o fetiche!

Existem aficionados que curtem fetiches combinados e cócegas e bastinado figuram em algumas produções. Não há qualquer relação entre ambos no âmbito do BDSM, mas os produtores aproveitam a lei da procura e realizam seus filmes em busca dos distintos perfis. As historinhas começam com cócegas e terminam numa dolorosa sessão de bastões nas solas indefesas.
E como prudência e caldo de galinha nunca foram causadores de males, vale ficar atento 

aos efeitos nocivos de sessões de bastinado. As solas dos pés possuem terminações nervosas ligadas a vários órgãos do corpo humano, daí é preciso saber o limite de quem se dispõe a tal prática e conhecer com consciência as zonas onde é possível aplicar o castigo pra não causar danos maiores a saúde de quem consente a tortura.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Mais um Desafio


Se é mesmo verdade que tudo só começa depois do Carnaval vou entrar nessa.
E vou com tudo a que tenho direito, afinal, quando é possível melhorar o que deu certo por que não tentar?
Ok, melhor esclarecer.
Muita gente me pergunta pelo próximo filme longa metragem que andei adiando algumas vezes. Mas havia motivos, e o principal deles evidentemente que foi a premiação do Bondage Awards que conferiu ao The Resort o prêmio de melhor filme.
Não dava pra tentar emplacar uma obra nova sem medir o resultado da anterior já que existia a possibilidade de vencer a disputa.
Porém, às vezes existe a tal zona de conforto, a maré mansa, e você fica absolutamente estático e automaticamente sentado sobre um prêmio e não se toca que há uma evolução.
Entretanto, o melhor do fetichismo são as estradas e os encontros.
Como eu gosto disso!
Gente de mente sadia, brilhante, que agrega, conspira, e você se liga na mais alta voltagem. Por isso, entreguei o roteiro, o desenvolvimento, nas mãos de quem respira fetiche, escreve como poucos e tem a veia pulsante: Bruna Zach, a maior poetisa gótica que conheço.
Para quem ainda não a conhece aqui vai à dica: http://www.poesiadabruna.com/
Plenamente satisfeito e tranqüilo tenho certeza da aceitação, tanto do elenco - com excelentes novidades - como de público e critica.
E como se chega a tal consenso?
Na base do conceito do cada macaco no seu galho e na tática infalível que atesta uma coisa bem simples: quando você quer ter o melhor nada mais descomplicado que escolher quem tem competência pra realizar. E nesse quesito, a Bruna reúne todas as qualidades pra criar uma história que eu possa produzir e fazer dela mais uma bandeira em busca de um novo êxito.
Claro que há conversas adiantadas a respeito do trabalho, tanto com a Bruna quanto com o elenco. Algo trancado a sete chaves, coisas que nem eu mesmo sei e de olhos vendados (olha o bondage na área!) não troco uma vírgula porque confio plenamente no que virá.
Junte-se a isso uma mudança de rumos no site está em pauta e chegando aos assinantes.
Os pequenos roteiros estão de volta. Clipes reduzidos como manda o figurino, porém com seqüências que serão finalizadas em dois ou três capítulos.
Mas o papo hoje é o novo longa metragem e o roteiro da Bruna Zach.

Confesso que estou doido pra ler. Primeiro porque sou fã de carteirinha do blog, das poesias da moça desde muito tempo e admirador da trajetória da Bruna no BDSM. Com isso, o combustível fica garantido e a viagem projetada. Essa adrenalina andava em falta...
É esperar e pensar em levar isso pra produção entre Abril e Maio. Essa é a melhor parte.
E pra quem curte o fetiche na tela, apenas uma certeza: vem aí uma história inesquecível.
No mais desejar a todos um excelente Carnaval, esperando que todo mundo possa curtir adoidado da maneira de melhor convier. Se puder pintar 

um fetiche por máscaras melhor ainda, quem sabe um Carnaval apimentado não dá uma idéia pro ano todo?

Bruna, a bola é tua!