sexta-feira, 5 de setembro de 2008

What a difference a way made...


Durante a gravação dos vídeos para o site boundbrazil.com, me chamou à atenção a observação de algumas modelos que já vêm fazendo um trabalho fotográfico, quanto à padronização e simetria de nós juntamente com o efeito artístico e que nas filmagens não está ocorrendo. Há de se ressaltar, porém, que no caso das fotos existe um trabalho por detrás das lentes que é feito para efeitos de imagem, onde tudo pode ser pré-preparado e medido alcançando o resultado visto aqui em outras matérias publicadas, enquanto no vídeo a imobilização é feita ao vivo e pelas próprias modelos às quais não possuem, ainda, embora um dia possam atingir esse padrão, capacidade para criar amarrações mais detalhadas e dentro do conceito de bondage.
Por isso, muitos não assistirão nas produções de filmagem o mesmo design que a fotografia mostra, pela simples razão do quesito donzela em apuros onde a simulação do rapto deve ser totalmente realizada por quem está atuando.
As produções de vídeo contêm um enredo que é estudado com antecedência, ensaiado e construído numa metragem pós-edição de aproximadamente trinta minutos, onde uma estória é contada e vivida pelas personagens que ao vivo realizam a imobilização em tempo real.
Mesmo sendo produzido em estúdio, esse trabalho várias vezes precisa ser refeito o que inviabiliza toda e qualquer tentativa de se buscar nós e posições mais clássicas dentro do padrão de bondage, somente em casos onde não exista uma estória a ser contada poderia ser elaborada este tipo de produção, o que diversos sites americanos e ingleses costumam fazer. Nesses casos, os produtores dessas obras procuram enaltecer a si mesmos mostrando a perfeição de seu trabalho artístico com as cordas também nos vídeos, mas como em meu caso busco contar uma estória de uma mulher sendo imobilizada por sua raptora no estilo damsels in distress, deixo de fora a possibilidade de repetir nas produções de vídeo o que já é desenvolvido nas fotografias.
A força e dedicação das pessoas envolvidas diretamente com esse projeto chega a emocionar, tanto dos colaboradores e roteirista, o pessoal da Fetixe-Rio, cinegrafista e modelos, todos lutando comigo e vestindo a camisa para que tudo saia muito perfeito, esquecendo-se do cansaço nas inúmeras repetições extremamente necessárias porque isso é feito por pessoas amadoras sem o mínimo preparo artístico, para que todos possam desfrutar de vídeos feitos com esmero e primazia.
Tenho confiança de que isso tudo valerá muito à pena pra mim e com absoluta certeza para todos que arregaçaram as mangas, acreditaram na minha maluquice e cada vez mais vem uma árvore nascer de uma semente plantada com muito amor ao que está sendo produzido.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Bondage Chile


Há três anos atrás Christián Leiva idealizou e criou um site interessantíssimo que me serviu de incentivo para estar aqui agora, escrevendo matérias e às portas de lançar o meu portal tão esperado. O site www.bondagechile.cl ou www.bondagechile.net entra de novo no ar em questão de dias e todo mundo pode estar antenado no que acontece pelos lados da belíssima cidade de Santiago.
Hoje, é possível encontrar matérias e algum material remanescente no fotolog (pode ser acessado através do endereço eletrônico acima) que tem um editorial onde ele conta os dias para poder mostrar toda a arte de bondage que se pratica no cone sul.
Com excelente trabalho de cordas e no padrão que um site sério de bondage exige, Bondage Chile prima por uma ótima qualidade fotográfica e com lindas modelos que ampliam o campo que ele buscou atingir. Sempre com temas de fácil entendimento e discussão é de lamentar que por problemas de provedor o site tenha ficado tanto tempo sem brindar seus membros e freqüentadores das ótimas matérias que se podia acompanhar.
Inúmeros encontros foram marcados sob a chancela de Bondage Chile, centenas de pessoas se conheceram através do forum, trocaram idéias e material de bondage, viajaram nos contos BDSM e deliciaram-se com os excelentes ensaios fotográficos e os vídeos publicados.
Essa página deseja a Christián toda a sorte do mundo em sua nova empreitada, e como ele mesmo diz, que renasça das cinzas um novo Bondage Chile porque como apresentado no slogan, um lugar de prazer nunca morre, ele apenas vive.
Na Foto: Claudia (modelo exclusiva: bondagechile.cl)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Encontro Cosa Nostra


Dia 22 de Setembro próximo acontece no Rio de Janeiro o primeiro encontro de fetiche Cosa Nostra. Uma jogada de gênio, reunindo pela primeira vez duas vertentes do BDSM carioca, o grupo Nação BDSM da Domme Morrigan e a Fetixe-Rio da Rainha Nefer. Por trás dessa idéia e na organização do evento estão a Senhora Maga e Mistress Bela do Clube Dominna. Você gosta de BDSM? Se gosta e conhece o que se faz nesse país, me responda o que vai pintar nesse encontro. É bruxaria demais pra um corpo santo!
Tudo isso rola no Estúdio da Fetixe-Rio que está sendo devidamente ampliado e totalmente remodelado para hospedar esse acontecimento. Ainda não tenho a programação que está sendo preparada, mas assim que chegar às minhas mãos passo direto aqui no Blog e, desde já, convoco todo mundo para sair detrás do monitor e ver tudo ao vivo e a cores. Sei que fui convidado para realizar um workshop de bondage no evento e já estou me preparando para apresentar o melhor a quem comparecer.
Mas a razão dessa matéria não é somente divulgar o encontro Cosa Nostra, mas sim parabenizar a iniciativa de união em torno de um assunto tão comum a todas as partes envolvidas e que agora dá sinais de que com boa vontade e relevância se chega a qualquer objetivo. O local é de excelente acesso e a festa começa às 18 horas. Portanto, dia 22 de Setembro todos que amamos o BDSM e o queremos cada vez mais forte e unido, temos um compromisso: Encontro Cosa Nostra no Rio de Janeiro, imperdível!
Maiores informações e reservas pelo email: morrigan_oconnor@yahoo.com.br
Não deixe seu lugar vazio...

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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Scarlet


Um metro e setenta e seis muito bem distribuídos em um corpo esbelto, cuidados extremos que deixam seus cabelos como seda, um olhar de menina que esconde desejos sádicos onde ela controla a mente de seus escravos e manipula cada passo num frenesi hipnótico que os leva ao delírio. Hoje, ela ainda debuta como domme, mas em pouco tempo será uma Rainha ou uma Deusa perante seus súditos. Scarlet me conta que manuseia a mente humana com o cuidado de não causar-lhes danos futuros, tem plena consciência disso assim como do principio consensual que deve nortear toda e qualquer relação SM. O prazer é remunerado quando sente que está causando a dor e a humilhação em seus dominados, quando os tem como marionetes na palma da mão. Ela adora brincar com todos os sentidos de quem se submete aos seus domínios, os aceita e os transforma em troca da gratidão que devem demonstrar por estar lhe servindo. Seus lindos e bem cuidados pés calçam sandálias que adoram pisotear seus “tapetes” em uma sessão de trampling, pode fazer inversão para sentir-se poderosa e até satisfazer aos desejos pequenos de seus escravos, deixando claro, porém, que não se importa em dominar homens que não se submeteriam a esse tipo de fetiche. A entrevistei num ambiente fora do circuito fetichista e pude ter a real noção de seu comportamento e entendimento do que faz. A juventude ajuda e ela se esforça para entender cada passo necessário para tornar-se o que almeja ser. Pessoa de caráter elevado e personalidade forte, Scarlet tem o sadismo no sangue, revela que para ser seu escravo é fundamental que o candidato tenha absoluta certeza de ser masoquista, caso contrário à máquina emperra. Apesar do pouco tempo de militância nas hordas fetichistas, ela acumula alguma experiência que a credencia a buscar vôos mais longos dentro do que ela considera seu ideal, não aceita o fato de jogar de dois lados e procura estar atenta aos procedimentos que a possam transformar na Rainha almejada. Sabe da responsabilidade que deve ter em todos os sentidos, principalmente com quem a ela se submete, entende que as criticas que possam surgir serão como contribuição e aprendizado que todos devemos ter, independente da idade ou do tempo de prática. Scarlet afirma categoricamente que foi se chegando bem devagar, aprendendo daqui e dali, observando e levando para o lado prático em pequenas doses até ter essa noção que assombra num primeiro contato, mas que mostra a metamorfose que o mundo do fetiche nos ensina dia após dia. Ela é parte da renovação iminente a que tudo na vida se submete e, claro, que com o fetiche jamais poderia ser diferente. Seus olhos demonstram um brilho intenso e profunda identificação com o assunto e me fizeram por algumas horas regredir a algum lugar num passado nem muito distante e perceber que o que nos aproxima independe de tempo, mas fica condicionado à nossa razão. O mundo de Scarlet é particular assim como o de muita gente que enxerga o prazer na dominação e na submissão. Haverá de acontecer dias longos e noites solitárias, mas nada disso abala esse alicerce quando está calçado na força que só o desejo pode sustentar, quando tomamos o caminho certo, mesmo que diversas vezes nos pareça o mais difícil a seguir. O fetiche costuma apresentar as duas faces da moeda e nessa dança é que ansiosamente esperamos que novas Deusas como Scarlet possam ocupar o trono de uma Rainha, sem necessariamente ocupar o lugar sagrado que pertence a tantas outras, porque na ótica do BDSM sempre haverá espaço para quem quiser buscar o seu lugar de destino. Que essa procura seja incessante e que Scarlet mostre em sua trajetória toda a alegria demonstrada no seu sorriso encantandor.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Daquilo que eu quero


Havia há alguns anos atrás um provedor de internet e nele umas salas de bate-papo bem interessantes. Quem ainda se lembra do Mandic? Pois é, coisa de dez anos atrás mais ou menos numa daquelas salas de fetiche conheci muita gente bacana e que me deu a possibilidade de encontrar outras pessoas legais, as quais travo certa relação até os dias de hoje. O pessoal (a grande maioria de São Paulo) costumava se reunir num bar chamado América lá pelos lados da Alameda Santos (quem é de São Paulo que me ajude porque nem sei se ainda está no mesmo lugar...). Bom, conheci na sala de bate-papo uma pessoa bem especial, Mônica, seu nome verdadeiro, uma paulista com ares nipônicos, publicitária, excelente nível cultural e de relacionamento fácil. A coisa rolou pelo computador e no primeiro encontro no América nos conhecemos ao vivo (face to face). Ela tinha idéias submissas, falava em bondage e muita coisa em comum nas conversas que iam e vinham atrás de taças de vinho. Me contava algumas histórias que nada tinham de ficção e traziam um enredo bem desenvolvido por alguém que se dizia iniciante nas teias do fetiche, mostrava segurança ao falar no que seus mestres lhe haviam ensinado, parecia sempre ligada nas coisas que aconteciam ao redor e, reluzia um olhar profundo que me dava a confiança de gozar de sua amizade e confidencia a todo instante. Lá pelo terceiro ou quarto encontro acabamos por nos envolver o que já era aposta de todos que estavam nos observando. É ilógico pensar que de um encontro de fetichistas não saia um envolvimento sem nenhuma prática, e, portanto, dessa evolução anunciada começaram a brotar alguns frutos e fui parar dentro de uma relação afetiva. Naquele momento garanto que não era aquilo que eu queria e tão pouco imaginava, mas os dias foram sucedendo e o compromisso ficou evidente a tal ponto das conversas telefônicas tornarem-se obrigatórias pelo menos duas vezes ao dia. No começo passava-lhe tarefas por email (porque segundo sua sugestão deveria haver dominação em todos os sentidos) e posava como seu mestre aos olhos e conhecimento de todos que seguiam freqüentando a sala de bate-papo. Ela mandava relatos dos nossos momentos íntimos e não satisfeita, contava aos amigos nossos mais tórridos encontros o que me causou uma irritação tremenda. Desculpou-se, passou a guardar nossos encontros a sete chaves, mas exigia demais a cada nova viagem que eu fazia nos finais de semana que se tornavam cada vez mais corriqueiros, até que em dado momento me peguei perguntando quem comandava aquela relação. Descobri então que ela dava as cartas e me fazia realizar todos os seus desejos e vontades, chegando a sugerir pequenas sessões de espancamento leve o que não me dava prazer. Tentei mudar o curso do rio, mas já era tarde, ela era dona e senhora de todos os momentos que podíamos estar juntos, querendo mais e mais aquilo que lhe dava prazer. Meus argumentos eram ineficazes e sua vontade cada vez mais soberana tentando tornar-me dependente daquela relação que havia começado comigo no controle. Pela primeira vez experimentava ser dominado mesmo sendo eu o mestre, sentia na pele o que sábias Rainhas me falavam de suas relações com seus escravos, quando perdiam o controle sobre suas vontades no momento em que realizavam seus desejos de forma desmedida. Meus nós antes eficientes e cheios de arte, eram meros instrumentos imobilizadores para que ela pudesse na condição de dominada impor suas vontades através de pequenos castigos que aos poucos ficavam mais fortes a ponto de me fazer perder o interesse naquela mulher bela e fascinante que me parecia caída do céu. Pensei em desistir aos poucos, achei que seria importante preservar seu fetiche em detrimento do meu, mas resolvi assumir a decisão de uma vez, levar a culpa e sair à francesa. Alguns amigos entenderam a minha posição, outros me entreolharam esquisito e Mônica, nunca mais a vi. Fica a pergunta: até que ponto quem domina deve satisfazer as vontades de quem se submete?